When the Stars Fall Down Follow story

sapphire Saint Sapphie

Oikawa Tooru, um policial membro da central de atendimento de emergências, tivera sua vida completamente bagunçada após seu pai ser assassinado por um Serial Killer e, decidido à fazer justiça com as próprias mãos, Oikawa não mede esforços para descobrir a verdadeira identidade do agressor. Contudo, o rapaz só não contava com o repentino auxílio de um homem cujo também perdera a pessoa amada para o mesmo assassino. Agora, ambos procuram pela identidade do verdadeiro culpado secretamente, aprendendo a lidar com personalidades ligeiramente opostas em meio ao caos e a desordem, o medo e a aflição, a paixão e o desejo. "Por que as estrelas caem do céu toda vez que você passa? Assim como eu elas querem estar perto de você." IwaOi.


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#Romance #Drama #Policial #Yaoi #IwaOi #Haikyuu!! #Iwazumi/Oikawa
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Capítulo I - Flashback.

Japão, Sendai. 22:30.



Há exatamente um ano atrás, Oikawa vivenciava o que apelidou carinhosamente de “pior dia da minha vida”.


De fato, não era a maneira no qual desejava que sua história fosse iniciada, mas era-lhe uma boa forma de demonstrar o quão sua vida privava-se à um mar de espinhos. E ele lembra-se. Lembra-se daquele dia, das sensações, do choro preso à garganta, de cada mínimo pormenor; “como se fosse ontem”. Como se estivesse à vivenciar tudo uma outra vez, e mais outra, e mais outra. Huh, no mais, tornou-se impossível olhar para o passado sem que visualizasse aquele policial de cabelos levemente grisalhos e de boa forma, renomado e, indiscutivelmente, dedicado ao seu trabalho: o seu pai. Eram tempos sombrios em Sendai, que vinha sendo palco de atos de terror constantemente e, quando deu-se por si, a onda de assassinatos e sequestros alastrara-se pela cidade com força. Oikawa tinha orgulho da figura paterna exercendo com coragem o seu trabalho, mas ao mesmo tempo, desejava intensamente que, pelo menos por um dia, ele decidisse permanecer seguro em qualquer lugar que não fossem as ruas de Sendai. Nesse dia, ele teve de sair. Houvera um desentendimento entre vizinhos e lá se fora ele pôr um fim nos assuntos pendentes. E bem, Oikawa recorda-se bem do momento em que recebera a ligação do mesmo, comentando já estar voltando para a delegacia, e mais: logo iriam voltar para casa. Ah, a sua casa. Mais uma dia de trabalho concluído, mais um dia vivos. Aquilo sempre acontecia, mas desde as contínuas mortes na cidade, Oikawa costumava pensar que pôr o pé fora tão tarde da noite era pedir para ser morto.


Entretanto, seu pai parecia sempre tão tranquilo, talvez em decorrência do costume. Já fazia parte da polícia há anos, enquanto Oikawa, o filho mais velho, havia iniciado seus trabalhos no ramo há apenas três meses, por amor e admiração ao que a figura paterna fazia. Claro que não era como ele, um nobre policial que saia por aí atrás dos vilões e sentia o gosto saboroso de poder detê-los com as próprias mãos. Huh, enquanto isso, teve de contentar-se em trabalhar na central de atendimento de emergências, que não obstante, não era lá algo que o desagradava, de fato. Ao menos, ele e o pai estavam interligados. Trabalhavam em conjunto, ele lá dentro, desvendando os ruídos e sons pelos telefonemas e o mais velho lá fora, seguindo os passos ditos pelo filho, até que chegasse ao malfeitores e encerasse o caso.


É, eles formavam uma dupla incrível. Oikawa orgulhava-se disso.


Pelo menos até o momento em que seu pai decidiu pegar um atalho.


A porcaria do atalho.


Do outro lado da linha, ele comentava sobre como conseguira resolver a situação dos vizinhos, que não passara de um engano. Contava-lhe também sobre estar passando por um beco estreito, mas conhecido, o que o levaria a chegar à delegacia mais rápido que o normal. Perguntou-lhe como estavam as coisas. Disse-lhe que, quando chegassem em casa, iriam comer e beber até não aguentarem seus estômagos dentro de si e ainda tirou sarro da cara do mais novo, ressaltando que isto ele já o fazia normalmente. Oikawa estava ansioso, por algum motivo. Não havia nada mais confortante do que o bom humor do pai, o carinho da mãe, as risadas bobas do irmão mais novo. Seu lar.


De repente, calou-se. Permanecera em silêncio por poucos segundos como se algo houvesse lhe chamado a atenção.


- Tem alguma coisa errada.


O sussurro alertara o rapaz levemente, que em primeira instância não entendera, de fato, o que ele havia dito. Um “hn?” murmurado escapara de seus finos lábios. Aguardou por muito impaciente a voz grave de seu pai do outro lado da linha, ansioso para que o mesmo voltasse a comentar qualquer assunto que seja, mas nada. Não obteve resposta de prontidão e a mente de Oikawa era bagunça ao ponto de não conseguir pensar em algo. Ao telefone, conseguia ouvir ao longe os seus passos contra o chão, em um local aparentemente silencioso e... Deserto.


- Pai? – Indagou um pouco mais alto, estranhando a situação. Esforçou-se para ouvir claramente o que estava se passando ali. Seu pai permanecera em completo silêncio por mais alguns segundos e o rapaz sentia-se extremamente nervoso e angustiado. Finalmente, voltara a comunicar-se consigo.


- Está morto. - Comentou em um suspiro. O filho arqueou uma das sobrancelhas.


- O que disse? - Piscou os olhos. - O que houve?


- Oikawa, por favor, mande reforços para cá e contate a perícia. - Pediu. - Há um cadáver aqui.


- Cadáver? - Indagou, engolindo em seco. - Como está?


- Não é uma visão muito boa. - Suspirou. - Sua cabeça está deformada. Ao que tudo indica, bateram até matar.


- Droga. – Sussurrou, tentando controlar a respiração naquele momento. Pelos céus, haveria ao menos um dia em que todos livrariam-se de um assassinato? Fitou sua colega ao lado, chamando-lhe a atenção. - Precisamos de reforços. Irei te mandar o endereço.


- Qual o caso?


- Provavelmente, homicídio. – Suspirou novamente, tentando voltar a atenção para seu pai. - Pai. Está aí?


- Não foi morto há muito tempo. - Comentou. - Foi recente. Eu não daria nem uma hora.


- O assassino ainda deve estar aí por perto.


- Provavelmente. Precisamos fazer a ronda no...


Sua fala fora interrompida brutalmente por um baque forte do outro lado da linha, conjunta ao barulho claro do celular sendo derrubado, chocando-se contra o chão. A mente de Oikawa agora era um pisca alerta fazendo barulho e despertando cada músculo do seu corpo, que contraíram-se em resposta. Piscou as pálpebras em surpresa, por um momento, sentindo-se atordoado ainda não sabendo do que se tratava, mesmo tendo a clara noção de que não era boa situação. Indagou por ele em busca de uma resposta, mas não ouvia nada além de passos ao longe. Passos. Não eram do seu pai, eram? Tinha a sensação de que alguém se aproximava e teve de conter-se para não jogar o celular longe. Oh, droga. Tente imaginar a cena, Oikawa. Não é a primeira vez que isso acontece, é? Você já presenciou inúmeros casos por telefone. Ah, já sim. Mas nenhum deles havia sido tão sinistro quanto este. E julgando pelos fatores no qual ouvira claramente, o baque, os passos, o celular sendo jogado ao longe... Alguém estava ali, na cena de crime, com ele. Queria que fosse uma pessoa qualquer. Sabia que este tipo de pensamento era inocente e bobo demais de sua parte. Nada em Sendai acontecia de maneira qualquer. Oikawa indaguei novamente. Silêncio. Se tinham ou não chances de não ser nada demais, já era tarde: seu corpo já reagia ao misto de sensações que surgira em seu peito subitamente. Sua intuição martelava na consciência como um aviso para que ele permanecesse em alerta.


Suspirou fundo. Ele olhava fixamente para a tela do computador à sua frente, porém, sua atenção não voltava-se para aquilo. Toda aquela concentração, como era de se acontecer normalmente, encontrava-se nos ouvidos; e estava sendo extremamente difícil dessa vez. Não era um desconhecido desesperado por ajuda, dando-lhe informações necessárias para que o auxílio finalmente lhe fosse atribuído. Era o seu pai. Sua familia. O único em que se podia confiar, daqui para a eternidade. E em completo silêncio, como se seu desespero interno não fosse o suficiente. De repente, outro baque. Dessa vez mais firme, estrondoso, porém, com uma diferença nítida em relação ao primeiro barulho: o grito de dor abafado pela respiração, em um ruído que parecia vir do fundo dos seus pulmões, mas que não tivera forças o suficiente para ter um fim. Agora, a respiração ofegante era clara do outro lado da linha, em meio aos gemidos baixos de dor e o barulho de algo arrastando-se no chão. Ah, seu pai encontrava-se em perigo e agora Oikawa conseguia vislumbrar claramente a cena dele tentando fugir dali, ou ao menos pegar o telefone, arrastando-se com esforço para longe do agressor. Outro baque. Mais um gemido de dor, porém, mais baixo. Por um momento, só era-lhe audível a sua respiração fraca e curta, enquanto tentava em vão pedir por socorro, murmurando coisas sem sentido algum.


- Pai!


O ímpeto obrigou-lhe à levantar-se em um grito de horror. Estava assustado. Extremamente assustado. Eram três meses e tempos de estudo e treinamento jogados fora, porque sua calma havia desaparecido como pó. Tudo o que ele almejava naquele momento era correr dali para poder agir de uma maneira ou de outra, porém, era impossível; a delegacia encontrava-se longe. Provavelmente não iria dar tempo e, se houvesse chances, esperava que o reforço chegasse à tempo de salvá-lo com vida. Huh, suas pernas tremiam, tremiam tanto que sequer sabia como havia colocado-se de pé naquele momento. Pensamentos não paravam de surgir em sua mente turbulenta, o que só o deixava mais desesperado a cada segundo que se passava. A ideia de que seu pai estava prestes à ser morto causava-lhe uma sensação de temor inexplicável, principalmente enquanto a sua imaginação conseguia montar aos poucos a cena em sua mente, como se ter de lidar com tudo aquilo por meio de meros sons não fosse o suficiente para si. Outro baque. Seguido de outro, e mais outro. A respiração descompassada do senhor simplesmente desaparecera, assim como os ruídos que denunciavam o seu esforço para sair dali. Seu peito iria explodir em agonia, enquanto seus pensamentos, bagunçados até então, giravam em torno de uma única hipótese no qual a intuição precisa insistia em torná-la uma certeza:


Morto.


Seu pai estava morto.


A ficha caíra como um balde de água fervendo sendo jogado contra seu corpo esguio e trêmulo. Cambaleou para trás, mas esforçou-se o suficiente para permanecer de pé. Lágrimas rolavam livremente pela face alva em resposta à confusão de sensações que se apossava de seu coraçãozinho ferido, mas ainda assim, sentia que não podia deixar-se derrubar, não naquele momento. O telefone ainda funcionava. Ainda ouviam-se ruídos ao longe, e algo em si dizia-lhe naquele momento: “hey, o assassino. Ele ainda está ali”. Não ousou desviar a atenção naquele momento, principalmente pelo fato de que parte de si ainda deveria nutrir esperanças de que seu pai estivesse bem e de que tudo aquilo não passasse de um mal entendido. Suspirou fundo, engolindo em seco, fungando em seguida. Passaram-se segundos que mais lhe pareceram uma eternidade, até que, finalmente, ouviu. O celular acabara de ser pego.


- Pai...


Não sabia quem deveria chamar, mas a palavra acabara escapando de seus lábios, mesmo que soubesse que ali não era o homem que tanto amava. Sussurrou ainda desnorteado. Seu corpo era um pedaço de carne trêmulo e a respiração alheia contra o aparelho lhe dera ânsia de vômito. Fechou fortemente os olhos, ouvindo o barulho fraco do ar de sua boca transformar-se em uma baixa risada, seguida de um estalo alto que fizera com a boca, e não, não era o estalo que se faz à partir do contato da lingua com o céu da boca. Ele sequer lhe respondeu. Ouviu, em seguida, o celular ser brutalmente arremessado contra o chão novamente, acompanhado de mais um ruído, no qual parecia chocar-se contra o telefone. A ligação caíra logo em seguida. E ele nada mais pode fazer à não ser esperar por notícias nos dias seguintes. Contaram-lhe que, ao chegarem no local, o celular encontrava-se destruído ao lado de dois corpos. Foram muitas fotos tiradas na cena do crime nas quais tivera de olhar e, indiscutivelmente, fora a coisa mais difícil que já fizera em sua vida depois de ouvir o pai sendo morto por alguém que ficara reconhecido por toda Sendai como um Serial Killer. Ali estava a prova de que duas pessoas foram mortas pelo mesmo agressor: seu pai e a primeira vítima, ambos com a cabeça deformada, como se o assassino houvesse espancado-os naquele local com algum objeto extremamente pesado e sem piedade alguma até que falecessem. Não foram os únicos casos. À partir daquela noite, Sendai tornou-se palco de vítimas que mostravam-lhes as mesmas características e os mesmos hematomas encontrados em seu pai.


Imaginável é o clichê após toda essa infelicidade. Notoriamente, Oikawa pensara em largar o trabalho. Temia Sendai, temia tudo, temia o mundo. Por um momento, deixou-se desacreditar na justiça, principalmente após o caso de seu pai ser encerrado por falta de suspeitos. Culpou-se, é claro que culpou-se. Era mil e um “se” em sua mente, como se ele tivesse meios para impedir que tudo aquilo acontecesse; mas não tinha. E demorou por deveras para que finalmente percebesse isso. E a pausa que tirara coincidira com o afastamento da polícia para pensar um pouco sobre si, sobre seus dogmas, sobre suas crenças. Decidiu, com esforço, continuar com seu trabalho como policial. Oras, se reclamava tanto da injustiça no mundo, porque diabos não fazia a diferença ao invés de ficar chorando nos cantos? Não lhe pareceu certo deixar o trabalho árduo na mão de outros, e como resultado, chegara à conclusão: jurei pegar o assassino, jurou descobrir a sua identidade mesmo após o caso de seu pai ter sido encerrado. Um ano passou-se, casos como o dele continuaram a ocorrer, entretanto, tornou-se cada vez mais duro de pegá-lo como bem deseja, mesmo que ele ainda insista em tirar a vida de inocentes e agir de forma cruel perante eles como agira há um ano atrás. À contragosto, Oikawa contentava-se com poucas pistas, entre elas, o estalo diferente que fizera com a boca, este que pode ouvir quando o agressor decidira pegar o celular, provavelmente para ouvir sua voz e sentir o gostinho do desespero alheio.


Todavia, não é a única informação crucial no qual precisam estar cientes. Oikawa tivera boas provas nas mãos, mas como já fora dito antes... Sua vida nada mais é do que um mar de espinhos. Há duas semanas atrás, precisou presenciar outro assassinato por telefonema. O mesmo baque, o mesmo grito, o mesmo estalo e a maldita risada que que causara arrepios. Um homem ligara suplicando por ajuda enquanto fugia, alegando estar sendo seguido por alguém; mas não dera tempo. Fora assassinado exatamente da mesma forma que o falecido policial, e ele pode ouvir, claramente, a porcaria do estalo e de sua risada. Matar era um meio de diversão? Oikawa não queria tentar. Não obstante, a situação não só privara-se à mais um dos muitos assassinatos, já que tivera a chance em um milhão de ouvir sua voz. Ah, sua voz rouca e arrastada, tão aveludada ao ponto de fazer-lhe embrulhar o estômago. Ele conversara brevemente com a vítima antes de matá-la e, por sorte, o celular fora esquecido por ele. A perícia conseguiu aparelho e toda a mídia fora coletada, assim como boa parte do diálogo entre o assassino a vítima. Finalmente tinha mais uma pista sobre o maldito, e poderia guardá-la consigo para o resto da vida. Contudo, o inesperado; Oikawa fora contatado e precisou testemunhar em tribunal sobre todo o caso do rapaz assassinado e, durante a sua fala, fora necessário apresentar o áudio para os presentes. Um inferno.


Todo o seu trabalho pareceu ir por água abaixo quando descobriu, da pior maneira possível, que o áudio havia sido alterado.


Obviamente, não fora bom para si. De repebte, ele tornara-se culpado e suas atitudes durante a ligação passaram a ser questionadas duramente, sendo acusado de, exatamente, de "mentir/omitir informações" e de não ter agido enquanto a vítima comunicava-se pelo telefone. Inclusive, o ocorrido gerara muita conversa na delegacia, nada amigáveis, entre si e seu superior, instruído – uma forma amena para “obrigado”. – à simplesmente pôr uma pedra em cima do seu passado e deixar este caso para pessoas que, segundo ele, são mais bem preparadas para os casos. Oikawa sentiu ser um pedido indireto para que deixasse de lado todos os casos envolvendo este assassino e focar em outras situações mais “leves”. Não era o que queria. Obviamente, não era o que iria fazer.


Ele era Oikawa Tooru, e se jurou colocar este assassino atrás das grades, ele iria fazê-lo. Não importa como.


Inclusive, com muita insistência, permaneceu trabalhando na central de atendimento de emergências, onde podia ter acesso á informações cruciais enquanto procurava pelo agressor ainda desconhecido por conta própria, às escondidas. De fato, as pessoas deveriam aprender uma coisa sobre ele: desde novo costuma ser bem insistente quando põe algo na cabeça.



×××



Japão, Sendai. 11:00.




- Querido, pode ir buscar o Tobio na escola?


Não havia nada melhor do que acordar e ver sua mãe lhe lançar aquele doce sorriso que tanto gostava.


Bem, tinha sorte de ter alguém como ela, afinal, seu passado nunca fora dos bons. Seu pai fora morar com Nadeshiko um bom tempo depois de perder a coitada que havia lhe concebido a vida: sua mãe biológica. Tinha somente dezoito anos, mas já sabia do que se tratava: suicídio. Senhorita Mizuki fora encontrada morta após cortar os pulsos e sangrar até morrer. Tsc. Oikawa ainda tentava juntas as peças e definir “depressão” com palavras, mas sabia que isso a fazia chorar vez ou outra e a fazia ficar sozinha. Seu pai batalhava duro para fazê-la reconhecer que mesmo cruel, a vida tem seus prós. Ela tentava. Ela realmente tentava. Ela forçava sorrisos e risadas e, quando isso acontecia, todos diziam “ah, minha nossa! Mizuki é a mulher mais contente que já conheci na vida”. Mas não era. Seu pai lhe dizia que havia um bichinho imaginário que se alimentava de todos os sorrisos que havia no estoque de felicidade dela. O estoque acabou. Sua mãe não sorria mais. E, sabe, uma vida sem sorrisos parece ser tão idiota, e talvez por pensar dessa forma, ela morreu. Oikawa nunca havia visto seu pai tão mal em toda vida, e se não bastasse, ele afastou-se do trabalho e tudo o que tinha de fazer não fez. Oikawa não sabia o que fazer. Nunca erguera pessoas, e seu emocional não era lá dos melhores. Entretanto, como se Deus ouvisse suas preces, Nadeshiko apareceu como um anjo e ela se tornou a solução para todos os problemas que estavam a surgir naquele período.


Ela e seu pai não estudaram juntos, mas seu marido e ele sim. Lá se foram Oikawa e seu pai passarem à conviver diariamente com os Kageyama. No início fora difícil, mas nunca imaginou que um dia pudesse criar sentimentos tão fortes e puros por aquela família. Akira Kageyama tornou-se um padrinho para si. Nadeshiko Kageyama, com toda aquela doçura e carinho característicos de si, o cativara; e ele passara a vê-la como uma mãe, não hesitando em chamá-la assim. Já o pequeno Tobio, que já estava prestes à nascer... Céus. Ele amava aquele menino como um irmão. O irmão que nunca teve. Ora, como não erguer-se com tanto amor? Seu pai conseguiu dar a volta por cima e manter-se sempre trabalhando arduamente. Oikawa logo arranjou um emprego junto à ele e a familia Kageyama, junto à sua, tornaram-se uma só. Não é preciso muito para entenderam que aqueles a quem amou desde o momento que fora acolhido foram seus pilares de apoio quando seu pai falecera cruelmente nas mãos do assassino. Oikawa bocejou. Ele aproximou-se da bancada, observando o bolo que a mulher ainda decorava. Ah, recordou-se: era aniversário de Tobio-chan.


- Bom dia. – Ele beijou-lhe a testa. Ela sorriu. – E eu posso sim. De que horas ele sai?


- Daqui à quinze minutos. – Esclareceu amorosa. Oikawa estava esforçando-se para não meter o dedo naquele bolo. – Desculpe te pedir algo assim, meu bem, mas quero fazer uma surpresa para ele.


- Sabe que não tem problema, né? – Sorriu. – Aliás, o padrinho vem para o almoço?


- Ah, sim! – Sorriu animada. – Acredita que ele conseguiu desmarcar tudo? Quer comemorar o aniversário do Tobio-kun conosco.


- Tobio-chan vai ficar feliz.


Ah, ele iria. Com toda certeza, Oikawa já imaginava aquele sorriso imenso estampado no rosto arredondado do “cabeça de nabo” e aquilo lhe aquecia o coração de uma forma na qual ele não sabia explicar. Subiu as escadas, entrou no banheiro e tomara um banho rápido. Não havia tomado café da manhã, mas não importava. Trocou-se, demorando poucos minutos para escolher uma boa roupa; ah, era aquela sua mania idiota de manter-se sempre bem aparentado e vestido mesmo que fosse só para ir na padaria comorar pão. Metrosexual? Talvez, quem sabe. Dera uma última olhada no espelho e pôs-se à descer apressadamente as escadas. Murmurou um “tô vazando, mãe!”, calçou os sapatos na áreazinha da entrada, o que precisou de mais alguns minutos para decidir qual combinava com sua roupa. Pronto. Saiu em disparada. Faltava pouco para Kageyama Tobio ser dispensado das aulas. Não havia comprado presente algum para ele, mas porque tinha em mente levá-lo ao shopping qualquer hora e deixá-lo escolher o que quisesse. Huh, seu padrinho vivia dizendo-lhe “Oikawa-san, não mime muito esse menino”, mas era impossível. Ele não conseguia olhar para o cabeça de nabo e não querer apertar as bochechas, mesmo que vez ou outra Kageyama Tobio agisse feito o diabo.


Caminhou por mais alguns minutos. Estava um pouco frio, por isso, certificou-se de estar bem agasalhado. Sabia que Kageyama já havia sido dispensado, por isso, apressara os passos, desejando que ele não ficasse impaciente ou sei lá o quê. Finalmente, chegou. Respirou fundo, entrando no local, e após alguns poucos passos, deparou-se com a área aberta onde as crianças permaneciam brincando até que os pais chegassem, claro, quando não estava chovendo ou nevando. Eram inúmeras criancinhas correndo de um lado para o outro, o que o fez pensar como elas ainda tinham energia depois de horas e horas de estudos. Suas orbes analisaram cada um dos pequenos. Um bico formou-se em seus lábios quando não o encontrou em primeiro momento, mas subitamente, ele ouviu seu nome ser gritado. Sua atenção fora tomada. Ele sorriu.


- OIKAWA NII-SAN!


O rapaz virou-se em direção ao tinido dos passos ligeiros de um Kageyama Tobio que vinha correndo em disparada em sua direção. O sorriso largo estava ali. As bochechas coradas também estavam. Ele vinha ligeiro dentro daquele casaco enorme de cor azul no qual Nadeshiko havia comprado para si, uma imagem extremamente adorável. Oikawa riu. Ele ajoelhou-se rapidamente, abrindo os braços, pronto para o abraço forte e firme do mais novo, que não demorou em acontecer.


- Ah, meu Deus. – Sussurrou rindo. – Feliz aniversário, cabeça de nabo!


- Você lembrou? – Afastou-se um pouco, deixando os olhos brilharem em resposta. Tooru riu.


- Eu sempre lembro, nabo.


- Eu não sou um nabo, seu chato!


- TIO OIKAWAAAAA!


Foi pego de surpresa por outro abraço, que o fez cambalear e quase cair. Piscou os olhos um tanto atordoado, logo deparando-se com o ruivo animado que sempre andava ao lado de seu irmão: Hinata Shoyou. Kageyama pareceu não gostar muito daquilo.

- Olá, Hinata!


- Ei! – Tobio protestou. – É o meu irmão!


- Eu sei, “Bakageyama”. Mas é o meu tio.


- Tsc, abusado, boke.


- Ei ei. Tenho dois braços, dá pra abraçar todo mundo de boa. – Ri.


- Oikawa-nii, sabia que o Hinata vai brincar lá em casa mais tarde?


- Oh, ele vai?


- Uhum. – O próprio ruivo assentiu, animado. – Você vai brincar de vôlei com a gente, tio?


- Ah, eu brincaria. Mas acontece que o tio vai sair pra trabalhar hoje. – Suspirou. Eles pareceram desapontados.


- Aaaaaaaah, irmão...


- Qual é, não façam essa cara. – Sorriu. – Prometo que vou levar vocês no parque qualquer dia, para brincarmos de vôlei.


- Promete de dedinho? – Tobio lhe estendeu o mindinho. Hinata mantivera-se sério, como se aquilo fosse um contrato à ser selado. Tooru surpreendeu-se com aquilo, mas mesmo assim, entrelaçou seu dedinho ao do irmão. Ambos os meninos sorriram.


- Prometo de dedinho. Agora vai lá pegar tua mochila pra gente ir pra casa. Tem uma surpresa pra você.


- Tem!? – Seus olhos brilharam novamente. Hinata pareceu comemorar com ele. – Ah meu Deus, o que é!?


- Se eu contar, deixa de ser surpresa. Vai logo, nabo.


Ele pareceu entender o recado.


Kageyama correu de mãos dadas com o amiguinho em direção às mochilas, que não ficavam tão longe dali. Oikawa deixou-se sorrir por um momento, recordando-se dos bons momentos em que tinha a idade do mais novo. Queria que esses tempos voltassem. Tudo bem que a infância nos dias atuais difere-se em vários pontos, mas um ponto continua sendo o mesmo: as preocupações não são nada comparadas às da vida adulta. Sentia falta de quando só temia o fato de chover quando fosse brincar na rua, do bicho papão debaixo da sua cama à noite ou coisas desse tipo. Sabe, o bicho papão ao menos aparenta ser menos assustador do que o cara que matou seu pai e ainda mata um monte de gente sem um motivo em específico. Observou em silêncio Tobio entregar a mochila à Hinata e ajudá-lo à colocar nas costas. Ambos haviam combinado de usarem bolsas combinando esse ano – dinossauros. Os, crianças sempre tinham a fase da adoração à dinossauros, certo? - e sinceramente, Oikawa desejava que essa amizade durasse para toda a vida. Era tão bonita e tão sincera. Shoyou pareceu tentar ajudar a Kageyama da mesma forma, mas este negou com a cabeça ao longe, fazendo menção de que carregaria a bolsa nas mãos mesmo.


- Hinata, veja só quem chegou!


A voz amigável da professora chamou-lhe a atenção. Oikawa viu um sorriso largo delinear-se nos lábios róseos de Hinata Shoyou antes do mesmo correr em disparada. Oikawa o acompanhou com os olhos. A concentração era tanta que nem percebeu quando Kageyama Tobio aproximava-se correndo em disparada, provavelmente ansioso em demasiado para a surpresa a qual o irmão mais velho havia lhe dito. Hinata parou. Ele ergueu os bracinhos para o alto, em sinal de que queria ser erguido. Então viu; os braços delineados o segurarem firmemente, erguendo-o como bem queria para um abraço. Suas orbes focaram-se, sem nenhuma razão, na face dele. Ele sorria para o garoto, e que puta sorriso bonito. Não sabia porque havia concentrado-se nele. Ainda que seu olhar o observasse atento, cada detalhe do seu rosto e cada detalhe de suas mínimas expressões, a mente turbulenta de Oikawa Tooru queria entender o motivo de nunca tê-lo visto antes, mesmo que Hinata e Kageyama mantessem amizade já há um tempo. Suspirou. Era impressão sua ou seu coração havia disparado de uma hora para a outra?


Não... Era impressão sua.


- Oikawa-nii! – Tobio o chamou. Oikawa piscou algumas vezes em surpresa, pegando o rapazinho nos braços e levantando-se com ele. – Vamos pra casa, vamos pra casa! Yay!


- Cabeça de nabo...


- Não sou nabo, seu chato!


- ... Quem é aquele cara com o Hinata?


Kageyama pareceu estranhar, mas logo deixou-se procurar o amigo. Quando o encontrou, piscou os olhos algumas vezes, sorrindo em seguida.


- Ah, aquele ali é o papai do Hinata boke.


Puta vida, por que diabos o pai do ruivo tinha o sorriso tão bonito?

Feb. 25, 2018, 11:56 p.m. 0 Report Embed 0
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