De bala à bala Follow story

ohhtrakinas Sasah Trakinas

Bakugo e Kirishima são uma dupla de "cães de aluguel" que aceitam trabalhos tanto de gangster como de policiais. No decorrer de uma nova missão, os dois têm de lidar com um rapaz misterioso e um porco milionário.


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##policial ##midoriya ##ohhtrakinas ##kirishima ##violência
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one-shot

— Estava na cara que ele era um policial e foi morto.

— Quem te garante que ele era um policial?

— Tem “distintivo” logo na primeira frase da música, seu burro. Perceba a situação, ele está batendo na porta do céu. O que você acha que isso significa?

— Metonímia?

— Não, mesmo. É Eufemismo! E está claro que ele morreu.

Kirishima deu de ombros, não sentindo mais interesse naquele assunto. Pegou mais uma das batatinhas que estava posta sobre a mesa da lanchonete em que estavam e pôs na boca.

— Tá bom, tá bom; mas que tal imaginar do que ele morreu? Talvez, por um negro, hã? —Comentou com um sorriso cheio de batatas sendo mastigadas.

— O que isso tem a ver com a música? Bob com certeza não estava pensando num negro quando escreveu essa música. —Bakugo levantou uma de suas sobrancelhas, confuso.

— Não, mas eu gosto de músicas de negros. Vamos falar de Eminem, 50cent, 2pac, que seja! A discussão vai ser mais simples, pois as músicas deles sempre falam sobre dinheiro, mulheres, e o quão os policiais são filhos da puta.

— Ninguém aqui quer falar dessas músicas irritantes... —O loiro revira os olhos — Quer saber? Perdi todo o tesão na discussão sobre músicas inteligentes. Você é muito burro!

— Músicas inteligentes? Usar eufemismo pra’ descrever a morte de um policial não é lá essas coisas... —Bebeu mais refrigerante, dando uma pausa para arrotar — De qualquer forma, se quer um assunto inteligente, podemos falar de Evangelion, Akira, Ghost in the Shell...

— Não quero saber dos seus desenhos japoneses idiotas. —Bakugo arregaçou um pouco a manga do paletó para ver as horas que marcavam no relógio — Vamos indo, já deu o horário.

— Tudo bem... —Kirishima limpa a boca e pega mais uma batatinha — Espera, e a gorjeta da garçonete?

— Cada um com seus problemas. Temos o nosso pra’ resolver. Vamos indo!

Assim que Bakugo levantou da cadeira, Kirishima estalou a língua, deixando duas moedas para a garçonete.

— Pão duro do caralho.

DE BALAS À BALA– oneshot

I

O cheiro do porco e daquele jovem rapaz de cabelos verdes estava incomodando ao ponto de fazer Kirishima esgueirar-se no banco do passageiro e encará-los com desdém.

— Cara, vocês estão fedendo muito...

Em resposta, escutou os roncos do porco enorme e gordo que estava atrás do banco traseiro, onde ficava o porta-malas, e um olhar amedrontado do jovem rapaz, que mantinham amarrado e amordaçado.

— Estão arruinando o meu carro. —Bakugo rosnou, assoprando a fumaça do cigarro pela janela enquanto dirigia — Porra, meu Caravan vai ficar com cheiro de porco por um bom tempo! Esses bancos de couro foram caros, merda... Eu deveria ter cobrado mais por esse serviço.

— É apenas uma lata velha da década de setenta, não sei pra’ que tanto apego. —Kirishima revira os olhos, logo voltando-se á vitima que estava quieta, assustada.

Num movimento rápido, esticou os braços e tirou a mordaça de pano da boca do esverdeado, vendo o mesmo levar um pequeno susto. Ao ver seu rosto claramente, o ruivo sorriu de forma maligna, mostrando todos os seus dentes pontiagudos.

— Não se preocupe, não vamos te estuprar. —Soltou um riso nasal.

Bakugo logo lhe dá uma cotovelada nas costelas: — Pare de brincar, imbecil, se deixá-lo assustado vai querer fugir e chamar a polícia!

— Mas ele já está assustado. —Deu de ombros.

— Vocês... —Kirishima e Bakugo têm sua atenção chamada quando escutaram a voz da vítima sair num murmúrio— O que vocês vão fazer comigo?

— Não podemos te contar. —Respondeu Kirishima.

— Foi meu tio, não foi? —Perguntou numa voz mais alta.

— Bom... Acho que não tem problema você saber. Foi seu tio, sim.

Dois dias atrás – Sala de reuniões de uma gangue criminosa.

— Então quer dizer que dentro de um porco tem drogas caríssimas do mercado negro? —Perguntou novamente Bakugo, tragando o cigarro pela décima vez, assoprando logo em seguida. Dizia ele que o ato de fumar o deixava mais frio e calculista.

— Exatamente. —O homem sentado na poltrona de couro a frente de Kirishima e Bakugo era chefe de uma famosa gangue criminosa. Seu nome era italiano, mas pouco importava para os dois cães de aluguelque ali estavam, pois apenas o chamavam de “chefão”.

— Chefão, então por que temos que pegar esse cara aí, o teu sobrinho, também? Quer dizer, o que ele está fazendo ao lado de um porco cheio de drogas? —Indagou Kirishima que estava sentado ao lado de Bakugo com uma expressão confusa — Não faria mais sentido pegar só o porco?

Irritado, Bakugo estala a língua e dá uma cotovelada nas costelas do ruivo.

—Idiota, é o sobrinho dele!

— Como já disse, meu sobrinho foi sequestrado e segue em cativeiro dentro deste frigorífico clandestino de porcos. Os ladrões que roubaram minhas drogas, esconderam-na dentro de um porco —Deu uma pausa, fumando o seu charuto. Kirishima estava ficando levemente incomodado com aquela competição de fumo que Bakugo e o Chefe travavam— Graças a uns informantes meus, soube que a droga está dentro do maior e mais gordo porco.

— Tem certeza? Dentro desse frigorífico podem ter vários porcos grandes e gordos. —Comentou, Bakugo.

— Posso garantir que ele é o maior e mais gordo de todos.

Bakugo tinha o hábito de desconfiar de todos, até dos próprios clientes; analisando-os até o ultimo momento com perguntas e um olhar afiado.

— Pode nos dar um minuto? Conversarei com o meu parceiro sobre isso...

— Tome o tempo que quiser.

Bakugo dá um toque no ombro de Kirishima e ambos se afastar das poltronas, saindo da sala e ficando no corredor.

— E aí? —Eijirou pergunta com os braços cruzados—Está pensando em não aceitar?

— Não sei... O que acha?

— Não sequestramos pessoas...

— Não é um sequestro, idiota! É como se fosse um resgates e... Caça aos porcos.?! —Revirou os olhos, dando uma ultima tragada no cigarro que o terminou, assoprando a fumaça e jogando a bituca em um lugar qualquer— Serão vinte mil na nossa conta se pegarmos o Leitão e o sobrinho.

— Eu sento na rola de satã, por vinte e mil.

— Ótimo.

Finalizando a pequena reunião dos dois, eles voltam ao escritório do chefe e ocupam seus lugares novamente.

— Topamos. —Disse Bakugo, decidido.

— Oh, ótimo. Ótimo! Mas, antes de mais nada, qual a garantia que eu tenho que vocês não chamarão a polícia?

A pergunta do chefe era plausível. Bakugo e Kirishima eram uma dupla de Cães de aluguel que também trabalhava para a polícia, escondidos. Uma espécie de agentes duplos, onde tinham relações com criminosos e com a polícia.

Bakugo sempre dizia: Se pode ganhar dinheiro com um dos lados, por que não com os dois?

— Faz parte da nossa conduta ética não entrar em contato com o outro lado enquanto estamos trabalhando para os contratantes. —Katsuki respondera com simplicidade— Nosso compromisso é fiel, e é por causa disso que mantemos nossa reputação positiva.

— Sendo assim, fico aliviado.

O homem gordo esparramara-se mais ainda na poltrona assim que se sentira aliviado, assoprando a fumaça do charuto, parecendo, de fato, ha um porco.

Atualmente – No Caravan SS 4.1 de Bakugo Katsuki

— Ele vai me matar se vocês me entregarem pra’ ele! —Gritou o esverdeado, assim que acabara de escutar toda a história.

— Eu não me importo. —Disse Bakugo, enquanto mantinha-se concentrado na estrada— Desde que ele pague meus vinte e mil, você pode ser picotado e entregue aos cachorros.

Com isso, o rapaz de sardas sentiu-se apavorado, abaixando a cabeça como se estivesse aceitando o destino trágico que estava prestes a enfrentar.

Seria morto, de qualquer forma.

— Isso por que não era pra’ ele ficar assustado. —Kirishima revira os olhos, estalando a língua. Vira-se mais uma vez para encarar a vítima— Por que seu tio quer te matar?

— Ele me odeia por algum motivo... —Disse baixinho.

— Não sabe?

Em resposta, balançou a cabeça negativamente.

— Qual o seu nome?

— Midoriya Izuku.

E de repente, o carro freia bruscamente, cantando pneu por alguns metros até finalmente brecar. O porco ronca assustado no porta-malas, e todos que estavam no carro, em choque pelo freio repentino.

— O-O qu— Kirishima mal conseguiu formular a pergunta quando encarou Bakugo, pois, o loiro estava estático.

— O-O que houve? —Perguntou Midoriya, assustado.

A resposta, porém, não veio, pois, Bakugo permaneceu em silêncio por mais alguns instantes, até finalmente recomeçar a dirigir como se nada tivesse acontecido.

O ar estava tenso dentro do carro, deixando uma sensação pesada para todos.

—P-Pra onde estão me levando? —Perguntou Midoriya, temeroso.

— Por enquanto,pra casa. Amanhã te levaremos ao chefe.

E o esverdeado engole a seco.

II

— Saia daí seu porco de merda!!!

Kirishima ficara encarregado de tirar o grande e gordo animal que não queria sair do porta-malas do carro.

Insistente, o porco roncava alto enquanto lutava contra o ruivo para não sair. Irritado, Eijiro o pega pelas patas e o faz escorregar para fora, dando uma cambalhota um tanto patética por parte do animal.

— Hahaha, toma essa, bicho idiota! —Para não fugir, Kirishima pega uma corda para amarrar o porco à uma pilastra do estacionamento subterrâneo.

— Eu vou lavar o carro, sai daí... Esse porco imundo deixou tudo fedendo. — Bakugo se aproxima irritado, segurando um balde e esponja.

— Cadê o Midoriya?

— Está lá em cima. Tranquei as janelas e porta para não fugir.

Bakugo e Kirishima dividiam um cômodo juntos num prédio de dois andares abandonado pela prefeitura. Viram uma ótima oportunidade para manter-se escondidos, uma vez que o prédio foi uma mecânica, onde a entrada principal —Primeiro andar— era o pátio onde consertavam os carros; o segundo andar a parte administrativa com algumas salas onde transformaram em quartos, e a garagem subterrânea, onde estacionavam o precioso carro de Bakugo entre outras coisas.

Assim que vira o loiro começar a passar a esponja dentro do porta-malas, Kirishima sentou-se num banquinho próximo ao mesmo, indagando:

— Oe, o que diabos aconteceu naquela hora?

— Do que está falando? — Disse, sem ao menos encarar o ruivo.

— Aquela freada brusca que assustou todo mundo. Teve alguma visão? Recebeu o Espírito Santo?

O loiro estala a língua, respirando fundo e largando a esponja, dando uma pausa na limpeza.

— Ele é Midoriya Izuku, cara...

— E o que tem? Pegou ele alguma vez? —Levantou uma das sobrancelhas.

Levemente irritado, Bakugo revira os olhos.

— Não, imbecil. Esqueceu-se do Serial Killer psicopata? O que matava suas vitimas com um taco de basebol.

Kirishima sentiu o corpo travar e os olhos arregalarem num susto. A espinha esfriou-se desconfortavelmente assim que a memória voltou, lembrando-se dos casos intrigantes que aconteceram anos atrás.

— Mas isso já faz o quê? Vinte anos? —Engoliu a seco, desviando o olhar para pensar melhor— Acha que esse cara tem alguma coisa haver com o assassino?

— Larga de ser burro, Kirishima! É ele!

— O quê!?

— Esse cara é o próprio assassino! Lembre-se, o nome do serial killer era Midoriya Izuku!

— Mas o caso não já foi encerrado há uns dez anos? O assassino estava desaparecido!

— Pois bem, não está mais. Ele está no andar de cima, trancado no meu quarto!

— Mas... Isso não pode ser possível... —Kirishima estava em choque com a situação, não sabendo como reagir direito diante daquela afirmativa arrebatadora.

Ambos estavam pensativos, perguntando se deveriam mesmo ter aceito aquele trabalho.

— O chefe provavelmente sabia. —Disse Eijirou, encarando Bakugo com certo receio— Não sabia?

— Lógico que sabia... —Katsuki pega um maço de cigarro e acende o mesmo, tragando logo em seguida. Deu uma pausa para absorver as informações e pensar direito. Soltou a fumaça, logo tragando mais uma vez.

— Bakugo? —Kirishima o chama, acabando com aquele silêncio que o incomodava deveras.

— Estou me perguntando se o porco realmente tem drogas dentro dele ou foi só uma desculpa para resgatarmos um maldito Serial Killer.

— Acha mesmo que dentro do porco não tem droga nenhuma!? —Eijirou vira-se para o animal que continuava amarrado á pilastra, totalmente alheio a situação — Não fode, será que fomos enganados!?

— Cale a boca, não podemos tirar conclusões precipitadas! O que devemos nos preocupar é com a polícia.... Se a mesma descobrir que estamos transportando a porra de um Serial Killer procurado, ela vai cair em cima matando.

— Estamos fodidos... —Levemente desesperado, Kirishima põe as mãos nos cabelos— Se a polícia descobrir que também trabalhamos para os criminosos, estamos fodidos!

— Fica calmo, cacete. Estará tudo bem se eles não descobrirem.

— Mas, Bakugo... Para mim ele não parece um Serial Killer... Agia como se fosse uma vítima de sequestro normal.

Katsuki traga mais uma vez o cigarro, deixando que a fumaça maltratasse seus pulmões para por fim soltá-la.

— Me pergunto como a seleção natural não te eliminou ainda, idiota. Continue com este otimismo e vai acabar numa vala. —Virou-se, pegando novamente a esponja, voltando a lavar o porta-malas do carro— Lembro que na época eu estava meio fissurado nos crimes que esse cara cometeu, então fazia pesquisas sobre ele e descobri algumas coisas sinistras a seu respeito.

— Tipo o quê?

— Quando criança, era abusado sexualmente e participava de filmes snuff para entreter pervertidos doentes que gostavam desse tipo de coisa. Graças a isso, cresceu com uma mentalidade completamente destruída, sem quaisquer chances de reabilitação e convivência com a sociedade.

— Mas como que descobriram que ele fazia parte de filmes snuff?

— A polícia que investigava os crimes daquela época resolveu pesquisar mais sobre a sua vida. Descobriram em casas noturnas verdadeiros arsenais de DVD’s com pornografia infantil, e em alguns deles Midoriya era uma das crianças que estavam no meio.... Eu cheguei a ver um desses filmes.

— O-o que!? Como teve coragem, Bakugo!?

— Eu estava curioso, o que podia fazer? —Deu de ombros, tragando uma ultima vez o cigarro em sua boca, para por fim acertá-lo numa lixeira que estava próxima— Ainda me lembro da sua expressão ao espancar até a morte suas vítimas com taco de basebol.... Ele parecia feliz ao fazer aquilo. Mesmo sendo uma criança, na época.

Kirishima engoliu a seco, levemente incomodado com aquela história um tanto obscura sobre um criminoso que foi dado como desaparecido á dez anos atrás.

— Eu vou pesquisar mais hoje à noite —Disse Bakugo, terminando de passar o pano no porta-malas— Quero ter certeza se estamos sendo enganados de alguma forma ou não. —Deu uma pausa, fechando a porta do carro e jogando a esponja dentro do balde— E você, se possível, não pregue os olhos nem por um segundo esta noite. Midoriya agora pode aparentar um comportamento totalmente passível e assustado, mas sabendo das coisas que ele fez no passado, é melhor não confiar.

—Depois de saber de uma história macabra dessaseu não vou pregar os olhos por uns três dias!

III

Na calada da noite, Bakugo permanecia acordado, ao contrário de Midoriya, que estava em cima de sua cama e Kirishima, esse que havia contrariado o seu medo de pregar os olhos naquela noite e se encontrava dormindo, sentado, numa cadeira de escritório.

— Idiota... —Disse baixinho, balançando a cabeça em negação para o parceiro ruivo.

Voltou os olhos para o esverdeado que dormia calmamente na cama, o observando atentamente; de tocaia.

Enquanto permanecia acordado, vários pensamentos rondavam sua cabeça.

Por que o chefe omitiu informações sobre Midoriya?

Por que ele queria o porco?

As drogas realmente estavam no porco?

Ele vai me matar se vocês me entregarem aele!

— Por que ele iria querer te matar sendo que nos mandou te resgatar? —Perguntou a si mesmo, intrigado com tantas perguntas que estavam surgindo em sua mente.

Incomodado com tudo, Bakugo puxa a cartela de cigarros que estava no bolso de sua calça, pegando mais um, acendendo-o com um isqueiro.

Assim que sugou a fumaça, sentiu seus neurônios funcionarem.

Pegou seu celular e começou a entrar na internet, fazendo pesquisas e mais pesquisas, juntando informações para finalmente entender tudo que estava acontecendo.

“Midoriya Izuku, aos quinze anos mata a própria mãe”

“Depois de ter matado a mãe, Midoriya Izuku desaparece”

— Matou a mãe? —Questionou baixinho com os olhos vidrados na tela do celular. Deu uma pausa para juntar alguns pontos, tragando mais uma vez o cigarro. Lendo as matérias, Bakugo aos poucos conseguia entender a situação.

“Para encontrar Midoriya Izuku, a polícia recorre à Delação Premiada”

— Hm... Não gosto disso... —Estreitou os olhos, desconfiado.

Continuando a ler mais e mais matérias sobre, num dos links que entrava, um deles falava sobre as drogas que o chefe havia dito.

“Drogas hiper-valorizadas no mercado negro. Cada comprimido é cem mil!”

“Policia apreende animais e pessoas que estão transportando a droga dentro de si”

—Animais e... pessoas. —Imediatamente redirecionou seus olhos para Midoriya que dormia na cama em meio aos cobertores.

Por fim, decidiu encerrar suas pesquisas. Bakugo encontrou informações suficientes e, naquele momento, sentia o cérebro ferver de tantas possibilidades que estava fazendo e absorvendo.

Terminou de fumar a última bituca de cigarro e a jogou no lixo, desligando a tela do celular, voltando a deixar o quarto completamente escuto, sendo iluminado apenas pela luz fraca da lua que estava brilhante e alta no céu.

Cruzou os braços, voltando a encarar a sua cama que comportava Midoriya.

O silêncio absoluto da noite fazia com que seus ouvidos se incomodassem, e a iluminação baixa do quarto faziam suas pálpebras pesarem. Mesmo que prometera a si mesmo que não iria dormir por causa da total desconfiança no esverdeado, seu corpo clamava por descanso.

Aos poucos, sua consciência ia sumindo e a cabeça pesava, caindo para frente num cambalear sonolento.

Assim que suas pálpebras finalmente se fecharam, num baque de consciência, acordou num susto, levantando cabeça e abrindo bem os olhos que logo focaram na cama.

Assustadoramente, seus olhos foram de encontro ao corpo que estava sentado entre os cobertores, com aqueles olhos grandes e redondos, brilhando como se fossem os de um felino.

Mantendo o silêncio ensurdecedor do quarto, Midoriya e Bakugo ficaram se encarando profundamente, sem fazer qualquer movimento brusco.

— Eu quero água...

Por fim Midoriya diz, piscando pela primeira vez.

IV

Logo de manhã, Kirishima e Bakugo foram para o estacionamento subterrâneo para levar Midoriya e o porco para o chefe.

— Vamos acabar logo com isso —Disse Bakugo, dando partida no carro e saindo da garagem.

Assim que saíram, pegaram a estrada, indo em direção ao prédio do chefe.

— Midoriya, posso te fazer uma pergunta?

O esverdeado, que até então mantinha-se cabisbaixo no banco traseiro, direciona seu olhar derrotado ao loiro.

— O quê?

— De acordo com o que você disse, aparentemente, seu tio te odeia, não é?

— Sim... —Desviou o olhar.

— Por que ele te odeia?

Midoriya dá uma pausa, desviando o olhar levemente incomodado com aqueles questionamentos.

— E-ele... Ele diz que eu matei minha mãe...

Kirishima mostra-se surpreso, intercalando seu olhar de Midoriya para Bakugo, esse que não parecia surpreso com aquela afirmação.

— Você acha? —Olhou para o retrovisor, encarando o esverdeado.

— Eu não sei! Eu nunca teria coragem de fazer esse tipo de coisa, eu amava minha mãe!

— Sua mãe que no caso, era a irmã dele, estou certo?

— Sim, mas... —Mordeu o lábio inferior, transparecendo o nervosismo —E-eu não matei ela!

Provavelmente sofre de algum transtorno que bloqueia a memória permanentemente; pensava Bakugo enquanto dirigia.

Naquele momento, Midoriya não era um psicopata Serial Killer que fora corrompido pelo tio e matou a própria mãe mais uma série de vitimas, e sim um pobre coitado medroso que precisava de ajuda... Ajuda esta que Bakugo não se daria o trabalho de dar.

—Por favor... —Midoriya funga, sentindo os olhos marejarem—Não me entreguem ao meu tio, ele vai fazer coisas horríveis comigo!

—Desculpe, mas... Vinte mil são vinte mil.

—Bakugo... — Kirishima sentia-se levemente comovido com o comportamento de Midoriya. Ao contrário de Bakugo, que era extremamente calculista e nada emotivo, o ruivo pouco pensava de forma racional, pois, levara em conta a tensa história que ouvira do loiro e por conta disso, relutava em levar Izuku para o tio.

De qualquer forma, mesmo que dissesse para Bakugo reconsiderar a missão e ajudar o rapaz que pouco se parecia com um psicopata, Kirishima sabia que não tinha voz naquela dupla. Nunca teve.

Talvez seja por isso que suas missões sempre davam certo.

Enquanto o carro seguia para o destino tranquilamente, de repente, todos são surpreendidos por um tiro que quebra o vidro traseiro e atinge o vidro dianteiro.

— OH, PUTA MERDA!!! —Grita Kirishima, abaixando-se no banco assustado como Midoriya e Bakugo, que perde um pouco o controle do carro.

— Mas que merda! —Assim que retomou o controle, Katsuki pisa no acelerador para fugir de seja lá o que for. Olhou no retrovisor, enxergando luzes vermelhas e azuis piscando em cima de viaturas da polícia que o perseguiam— Porra, é a polícia.

— O quê!? Por que diabos a polícia está atrás da gente? Descobriram!?

Mais preocupado em acelerar e escapar da polícia do que responder à pergunta de Kirishima, Bakugo vira o carro bruscamente para uma rua qualquer, disparando em linha reta, engatando uma fuga contra a polícia.

“Para encontrar Midoriya Izuku, a polícia recorre à Delação Premiada”

— Delação, hã? —Disse a si mesmo, atento ao caminho que fazia.

— O quê? Do que está falando!?

— Estou falando que não devemos confiar mais na polícia ou em qualquer pessoa! O chefe denunciou a gente.

— O chefe!?

— Meu tio...?

— Exatamente —Bakugo troca a marcha, despistando algumas viaturas quando vira em outra rua e pega um atalho para ir numa ponte, passando pelos carros em alta velocidade sem muito problema.

— Por que o chefe trairia a gente, Bakugo!? —Perguntou Kirishima, confuso.

— Estou pensando, cacete! Mas a que tudo indica, ele nos contratou sabendo que nosso serviço teria 100% de sucesso e sabendo que o sobrinho iria ser resgatado do cativeiro, ele acionou a polícia para ganhar uma delação premiada.

— Delação premiada!? —Tanto Kirishima e Midoriya falaram ao mesmo tempo.

— Sim. O chefe maldito quer lucrar de todos os lados, tanto por parte das drogas como na delação, que por sinal, está altíssima —Enquanto dirigia, o loiro olha para o retrovisor, encarando Midoriya—Ei, por acaso você tem ciência de que é um assassino, não tem?

Midoriya comprimiu os lábios e desviou o olhar, incomodado.

— E-eunão sei... Eu não sei de nada! —Colocou as mãos na cabeça, abaixando a mesma e a escondendo entre os joelhos—Minha mente é uma bagunça, eu não aguento isso! —Respirou fundo, sentindo o corpo tremer —Dizem que eu sou um Serial Killer, mas não me lembro de nada! Nunca seria capaz de matar uma pessoa!

Kirishima encarou Bakugo com um olhar de confusão, levantando uma de suas sobrancelhas.

—Ele é bipolar ou algo assim?

— Não sei —Deu de ombros —Mas parece que as coisas que fizeram com ele na infância o fizeram ter duas personalidades completamente distintas... Um transtorno um tanto grave que ele mesmo mal sabe direito das coisas que fez.

— O que pretende fazer? Já que não podemos entregá-lo ao chefe e nem a polícia.

— Por enquanto, vamos fugir!

Bakugo acelera, entrando numa via reta em alta velocidade. Os faróis eram atravessados sem o menor cuidado, e levando em consideração a experiência do loiro no volante, não havia com o que se preocupar.

De repente, quando eles passam frente
à uma esquina, todos são surpreendidos quando uma viatura aparece e os atinge em cheio na lateral. O carro chocasse contra á um poste e o choque faz com que todos os vidros quebrem.

— PUTA MERDA!!! —Gritou Kirishima um tanto atordoado, sentindo o coração praticamente pular pela boca.

Um tanto zonzo e com a testa sangrando, Katsuki não desiste de fugir e troca as marchas rapidamente, pisando fundo no acelerador fazendo os pneus cantarem, driblando as viaturas que ainda estava parada pelo choque e seguindo por uma direção completamente diferente.

— Pegue a bolsa de armas, Kirishima!

— Beleza! —O ruivo abaixa-se até alcançar a parte de baixo do banco, puxando uma bolsa que continha algumas armas carregadas. Sentiu o nariz sangrar quando respirou fundo.

— Oe, Midoriya! —Bakugo o chama, encarando-o pelo retrovisor— Entrega uma arma pra ele, Kirishima.

— O-o que!? —Questionou o ruivo.

Sem perguntar duas vezes, Eijirou pega uma submetralhadora e entrega ao esverdeado, que a principio parecia com um semblante diferente.

Kirishima fora surpreendido quando Midoriya pegou a arma e esgueirou-se para trás, apontando contra as viaturas da polícia que os perseguiam e atirando pelo vidro traseiro que estava quebrado.

— O que houve com ele?

— Parece que a sua personalidade psicótica acordou. —Sorriu de canto.

Enquanto Bakugo seguia com a direção do carro que já estava um tanto danificado, Kirishima e Midoriya atiravam contra as viaturas.

A polícia também revidara, atirando contra o carro que seguia em alta velocidade.

De repente, um tiro certeiro estoura contra o painel de controle, quase atingindo Kirishima.

— Seus filhos da puta! —Quem esbravejou, por outro lado, fora Midoriya, que recarregou sua arma em instantes e mirou contra a viatura, acertando impressionantemente na cabeça do motorista, vendo o carro logo perder o controle e capotar, chocando contra outro carro que passava do lado.

As viaturas que seguiam atrás foram prejudicadas pelo acidente, tendo as duas vias da rua interrompidas.

Antes do carro de Bakugo virar para uma rua diferente, os três puderam escutar uma explosão e um brilho no céu.

—Uau~ —Kirishima assobiou, impressionado com o desempenho do esverdeado.

Bakugo rapidamente dirige para a primeira garagem que encontra, abrindo a porta do carro e saindo depressa.

— Vamos logo trocar de carro, não temos tempo!

Para fugirem daquela fuga, Bakugo teria de abrir mão do seu querido carro da década de setenta. Todos saíram do carro depressa e Kirishima logo tratou de abrir o porta-malas e arrastar o porco que parecia em pânico.

— Merda, o porco está cheio de furos! —Disse o ruivo, tratando de colocar o animal nos bancos de trás do novo carro que estavam furtando.

— E ainda continua vivo? —Questionou Midoriya, entrando no novo carro, sentando no banco do passageiro.

— Antes ele do que a gente. Pelo menos serviu como um ótimo escuto! —Bakugo sentou-se no banco do motorista e fez logo a ligação direta para ligar o motor. Kirishima ajeitou-se no banco de trás com o animal, e em poucos segundos, Katsuki conseguiu sair do estacionamento dirigindo o novo carro para despistar a polícia.

Com os vidros filmados e fechados, o carro seguia com velocidade normal, sem pressa. Todos que estavam dentro puderam ver as viaturas que os perseguiam passarem disparadas ao lado deles, sem os notarem.

Midoriya riu de canto.

— Malditos perdedores...

V

Horas depois da perseguição, a cidade estava um caos. Helicópteros e viaturas seguiam com as buscas arduamente, fazendo o possível para encontrar a dupla de mercenários que transportavam um assassino muito procurado.

Por outro lado, Bakugo, Kirishima, Midoriya e o porco, dirigiam com o carro por uma estrada reta, já se distanciando bastante da cidade.

A estrada estava deserta, dando apenas para ver o asfalto negro que cortava a paisagem de grama seca e árida ao longo do horizonte. O sol se punha ao longe de forma bela, pintando todo o resto de laranja.

Uma ótima visão para quem estava prestes a encontrar o fim.

De repente, depois de tanto dirigir e sentir o corpo inteiro dolorido por causa da grande fuga, Bakugo para o carro no meio da estrada.

Estranhando, Kirishima levanta uma das sobrancelhas, encarando o parceiro loiro que parecia quieto.

— O que foi?

— Desçam do carro, todo mundo... inclusive o porco —Disse o loiro.

Obedecendo, todos desceram, inclusive o porco.

Assim que estavam fora do carro, Midoriya cruzou os braços, encarando Bakugo com desconfiança.

— O que está fazendo? Temos que continuar fugindo —Disse de forma autoritária.

—Eu quero ver se esse porco realmente tem drogas dentro dele. —Bakugo pega o revolver que estava preso em seu cinto, carregando-o.

Num movimento rápido e objetivo, o loiro dispara um tiro certeiro na cabeça do animal que sofria por conta dos tiros que levou na perseguição. Kirishima levou um susto ao ver o tiro acertar o animal que estava do seu lado.

Separou-se alguns passos, vendo Bakugo se aproximar do animal.

O loiro pegou um canivete que estava escondido em sua meia e perfurou a barriga gorda do porco, começando, com certa dificuldade, a abri-lo.

Midoriya e Kirishima olhavam atentamente, curiosos para saberem se tudo aquilo valera a pena; se pelo menos sairiam da cidade milionários.

Assim que cortou a barriga e a abriu, Bakugo avistou as costelas, que logo tratou de quebrá-las. Os sons de ossos se quebrando fazia Kirishima sentir calafrios, porém, para Midoriya, era extremamente prazeroso.

Por fim, o loiro agarra alguns órgãos no animal e puxa com força, trazendo todos para fora. A cena um tanto nojenta pegou Kirishima de surpresa, que logo jogou o rosto para o lado, vomitando.

Bakugo se levanta, limpando as mãos suja de sangue na calça.

— E aí? —Questionou Midoriya.

Sem receber resposta alguma, o esverdeado fora mal teve tempo de expressar nada, pois logo fora surpreendido por um tiro que atingiu seu peito.

Kirishima levou um outro susto, cambaleando para o lado até se apoiar no carro. A respiração descompassara transparecia o choque ao ver Bakugo se aproximar de Midoriya que agonizava no chão.

— O que diabos está fazendo, Bakugo!?

Midoriya trincava os dentes que se sujavam de sangue, tendo imensa dificuldade de respirar. Os grandes olhos verdes encaravam Bakugo que havia se ajoelhado acima de si.

— S-seu... !

E mais um tiro lhe acerta a cabeça, matando-o de uma vez.

— Bakugo! —Kirishima insiste.

—O porco não tem droga alguma.

Kirishima arregala os olhos.

— O quê!? Então... Fomos enganados!

— Fomos, mas... —Deu uma pausa, levantando a blusa de Midoriya e vendo um pequeno volume na barriga do mesmo —Ainda assim, sairemos dessa ganhando.

— Como assim?

Eijirou viu Bakugo deslizar o canivete afiado no pé da barriga de Midoriya, cortando fundo. Em seguida, o loiro enfia uma de suas mãos dentro do corte, logo puxando algo que na concepção de Kirishima, não deveria estar ali.

Um pacote pequeno com pílulas.

Voilá—Num sotaque francês, Bakugo levanta-se num sorriso, jogando o pacote de drogas para Kirishima.

— O-o que... Mas como!? Como sabia que estava com ele!?

— Eu não sabia, —Deu de ombros— simplesmente chutei que estaria nele, e bem...Tive sorte.

Kirishima encarava o pacotinho impressionado.

— Isso significa que estamos ricos.

— Isso mesmo —Bakugo puxa um cigarro, começando a fumar— Mas antes de sairmos de vez dessa cidade e vender as drogas pro’ mercado negro, temos que nos livrar do corpo... Quero que o chefe e a polícia tenham o delicioso gostinho de nunca mais encontrar o Serial Killer que tanto procuravam. —Assoprou a fumaça, entregando seu isqueiro para Kirishima.

— O que você quer fazer? —Levantou uma de suas sobrancelhas.

— Não extrapole o nível da burrice, Kirishima! Ateie fogo no corpo de Midoriya, mas antes, tire todos os dentes dele para que a perícia não o reconheça. Se for pra’ sumir com o corpo, que seja direito.

— Tá bom... —Deu de ombros, aproximando-se do corpo do esverdeado e começando a fazer seu trabalho.

Esperando o ruivo terminar com tudo, Bakugo sentou-se no banco do motorista e ficou encarando o saco com as drogas.

— Tudo por causa dessas merdas...

— Merdas que valem ouro! —Katsuki levara um pequeno susto quando Kirishima retornara e fechara a porta do carro —Arranquei todos os dentes e deixei fritando no meio do mato.

Para ter certeza, Bakugo olhou pela janela, vendo o fogo começar a ganhar força em meio ao mato.

— Beleza... Vamos lá.

O loiro ajeitou o cigarro na boca e deu partida no carro, seguindo caminho pela estrada que parecia não ter fim.

Depois de alguns minutos, Kirishima sentiu-se entediado com aquela viajem que seguia no total silêncio. Decidiu então ligar o rádio, vasculhando pelas estações que chiavam até finalmente encontrar uma que estava boa para escutar.

Coincidentemente a música que tocava no momento era Knockin’ OnHeaven’sDoor de Bob Dylan.

— É... —Kirishima, depois de escutar atentamente a música por alguns minutos, deu de ombros —Acho que realmente ele foi morto e foi pro’ céu.

— Era o que eu estava dizendo, idiota!

— Mas eu ainda acho que ele foi morto por um negão.  

Feb. 25, 2018, 10:41 p.m. 1 Report Embed 3
The End

Meet the author

Sasah Trakinas Alcoólatra triste.

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Helena Paixao Helena Paixao
kkkkk, kirishima e katsuki é a melhor dupla do universo! lembrei de voce dizendo que viria para esse cite, entao vim ver como é para continuar acompanhando amei mt!! <3<3<3<3<3
April 10, 2018, 10:42 a.m.
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