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tsukimiko_san Tsuki Miko

O príncipe do reino guarda uma paixão platônica por uma fada. Quando finalmente pode escolher pedir o que quiser para a pessoa que ama, será que ela realizará seu desejo?


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13. © Boku no Hero Academia pertence a Horikoshi Kouhei; o enredo pertence a mim, Tsukimiko-san

#yaoi #bl #boku no hero academia #bnha #tododeku #todorokixmidoriya
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Capítulo Único

Disclaimer: Boku no Hero Academia pertence a Horikoshi Kouhei-sensei.

Aniversários na família real eram tratados como datas comemorativas e feriados nacionais no reino de Ignius. Sempre que um membro fazia anos, o país parava e fazia um dia inteiro de festividades. No palácio, não era diferente. Bailes luxuosos eram cedidos no grande salão do castelo, com direito a convidados de outros reinos e toda a nobreza era incentivada a participar. A ocasião perfeita para acordos políticos serem firmados, casamentos entre nobres serem realizados e alianças entre reinos serem formadas.

Logo no começo do ano, era o aniversário do príncipe mais novo da família real Todoroki, Shouto. O palácio estava um caos; os preparativos para o grande baile em homenagem ao príncipe ocupavam completamente a agenda dos empregados do castelo. O próprio aniversariante era arrastado para lá e para cá, provando roupas, escolhendo buffet e aprovando decorações. Não que Shouto estivesse minimamente interessado. Ele apenas escolhia aleatoriamente e, se Deus quisesse, não ficaria completamente ridículo.

O Todoroki mais novo não era o herdeiro do trono; quem recebia todas as honrarias para tal era a primogênita e sua irmã mais velha, Fuyumi. As leis de Ignius permitiam que, se o primeiro filho da família real for uma mulher, ela pode assumir o trono como soberana – para a sorte de Shouto, que não queria nem passar perto da coroa.

Por isso, ele era tratado com mais liberdade, mas tinha responsabilidades parecidas com as da rainha: tomar conta do funcionamento do palácio e servir como uma figura pública. Entretanto, a rainha Rei tinha uma saúde frágil, e adoecia com facilidade. Por consequência, todo o serviço de administrar o castelo recaía sobre seus ombros com frequência, o que era um grande problema, porque Todoroki não tinha a menor habilidade para isso.

- Príncipe! – Momo, mais conhecida como a arquiduquesa Yaoyorozu e a melhor amiga de infância de Shouto, chamou por ele enquanto o príncipe lutava para descobrir a diferença entre carmesim e escarlate na cor das faixas que decorariam as mesas do buffet do seu aniversário.

- Sim? – Por mais vezes que Todoroki tenha pedido para a amiga chamá-lo pelo nome, ela nunca desistia de usar o seu título, então decidiu parar de insistir e deixou que Momo fizesse o que desejasse. 

- Você quer dar uma pausa nessa correria? Eu tenho a ideia perfeita. – Yaoyorozu chegou perto do amigo, que estava sentado em uma das cadeiras do enorme salão e com uma empregada ao seu lado, segurando os tecidos de tons rubros. Shouto dispensou a moça, escolhendo um tom aleatório e sem se importar se era carmim ou vinho, e virou-se para Momo.

- Você sabe que eu vou me encrencar se fugir.

- Vamos! Faz tanto tempo que não treinamos! – Todoroki deveria imaginar que essas eram as intenções da amiga. Ela, como sempre, usava um vestido longo, mas a barra da saia escondia um par de botas de couro típicas de combate. Seus pais nunca deixariam que sua princesinha lutasse em casa, mas no palácio, com o rei como seu anfitrião, não ousariam impor sua vontade, e Momo sempre usava as suas visitas frequentes ao castelo para treinar esgrima – arte que, por acaso, o próprio Shouto a ensinou naqueles longos anos em que eram amigos.

- Vamos treinar só para você me massacrar de novo? Não, obrigado. – O príncipe se ergueu da cadeira, pronto para ignorar o pedido.

- Se você vier lutar comigo, eu te conto sobre as fadas. Você sabe que elas estão morando temporariamente nas terras do meu pai para participarem do seu aniversário, não é? – Aquilo certamente chamou a atenção de Todoroki. – Eu as visito diariamente no jardim de casa. Elas me contam tanto da vida delas! Eu sei que você quer saber, principalmente do...

- Tudo bem, tudo bem! Eu vou! – Shouto saiu do salão como Momo em seu encalço. A arquiduquesa correu atrás dele para seguir seu passo, feliz por ter conseguido convencê-lo.

Todoroki esperou que Yaoyorozu trocasse o vestido por calças em seu quarto e os dois se encaminharam para o centro de treinamento. Ninguém estava lá; todos os guardas do palácio estavam recebendo orientação sobre onde se posicionarem durante a festa, pois era um evento grande e que precisava de proteção extra.

Não demorou muito para ambos estarem lutando na arena.

- Pronto, feliz? – Shouto girou a espada no punho e defendeu-se de um ataque lateral de Momo. – Agora me conte sobre as fadas.

- Você é tão sem graça. – A garota habilmente atacou o príncipe na base da lâmina e forçou a própria espada para baixo, tentando desarmá-lo em um único movimento limpo. Mas por mais talentosa que Yaoyorozu fosse, Todoroki não era de se jogar fora. O príncipe virou o cabo da espada e libertou-a da pressão da arma de Momo, escapando da tentativa de desarmamento com sucesso. – Mas promessa é dívida. E arquiduquesas sempre cumprem o que prometem.

- Só fale logo.

- Certo, certo. – Suas espadas se chocaram novamente, enviando uma onda de choque pelos braços de ambos, mas nenhum deles cedeu. – As quatro estão passando bem. Bakugou-sama continua a fada mais agressiva que eu já conheci, e só o Kirishima-sama consegue acalmá-lo sem magia. Esses dias, Uraraka-sama me ajudou a cuidar do jardim, a magia das flores dela é tão linda! Mas pouco tempo depois o Bakugou-sama destruiu tudo; sem querer, é claro, ele ainda é um espírito da natureza do fim das contas...

- Momo! – Shouto disse, em tom impaciente. Esses detalhes triviais não lhe interessavam. Quer dizer, obviamente ele se importava com as outras fadas. As quatro não deixavam o reino das fadas com muita frequência para visitar Ignius, mas ainda eram as guardiãs do reino, os seres místicos em quem a família Todoroki e todo o país podiam contar em situações de crise. Entretanto, já era o bastante saber que Uraraka, Bakugou e Kirishima estavam bem. Quem realmente atraía toda a sua atenção era...

- Você não tem senso de humor! – Yaoyorozu ergueu a espada bloqueou uma investida de cima. – Midoriya-sama está bem. Ainda é a mais tímida das fadas, provavelmente porque ainda não se acostumou com a função de guardiã desde que a anterior faleceu. Mas eu posso dizer que é a que tem o coração mais puro. Até eu posso enxergar o que você viu nele...

- Não sei do que você está falando. – Mesmo assim, no seu íntimo, o coração de Todoroki batia descompassadamente, e ele sabia que nada tinha a ver com a adrenalina da luta de espadas. Finalmente ia vê-lo de novo.

Assim que nasciam, os membros da família Todoroki eram presenteados com quatro dons dados pelas quatro fadas guardiãs. Os de Shouto foram Coragem, Calma e Senso de Justiça; mas bem na época em que o príncipe mais novo nasceu, a quarta fada falecera de uma doença mágica incurável. Por isso, quando ela foi substituída, o garoto já estava mais velho, impossibilitando-o de ganhar o quarto presente.

Por isso, Midoriya Izuku, a mais nova fada guardiã, decidiu que, quando o príncipe fizesse dezoito anos, realizaria qualquer desejo que este quisesse, para compensar a falta de um quarto dom. E desde que começou a encontrar a tímida fada ocasionalmente no palácio, Shouto aguardava ansiosamente pelo seu aniversário de dezoito anos, já sabendo exatamente o que pediria.

E esse dia estava próximo. A ansiedade tomou conta do corpo do jovem príncipe. Talvez fosse loucura. Talvez fosse estupidez. Quer dizer, Midoriya era uma fada. Fadas viviam em um reino distante, e envelheciam muito mais devagar que humanos. Izuku parecia ter dezesseis anos, mas sua idade real ultrapassava qualquer limite que sua aparência impusesse. E, talvez, no futuro, quando Todoroki fosse velho, a fada continuaria com a exata mesma aparência jovial.

Mas esse tipo de coisa não era obstáculo para o seu coração.

- Mas, príncipe... se eu fosse você, seria mais esperta. Ouvi dizer, por Uraraka-sama, que o Midoriya-sama é um dos mais cobiçados do reino das fadas por causa da sua aparência e virtuosidade, tanto por homens quanto mulheres. Existem rumores de que ele tem até uma noiva.

Todoroki arregalou os olhos e Momo viu ali o momento de distração que precisava. Com um simples movimento do pulso, a espada do príncipe saiu voando de sua mão.

- Isso foi um golpe sujo – murmurou, espanando as roupas. Não adiantava argumentar. Nas vezes em que lutavam, Yaoyorozu quase sempre saía ganhando mesmo.

- Desculpe-me, príncipe. – Momo ofereceu-lhe um tímido sorriso de desculpas e caminhou até o outro lado da arena para resgatar a espada de Shouto. – De qualquer forma, eu precisava te contar isso de algum jeito. Eu sei que você é apaixonado por Midoriya-sama há sei-lá-quantos anos. Como sua melhor amiga, eu tenho a obrigação de te deixar informado sobre esses assuntos, não é? – A garota olhou para o céu e Todoroki seguiu seu olhar. O sol estava quase chegando à linha do horizonte.

- Droga. Eu preciso voltar. – O príncipe acenou para Yaoyorozu, deixando com ela a responsabilidade de guardar as espadas. – Até depois! Ah, e... obrigado. Por me contar.

Sem esperar uma resposta da arquiduquesa, Shouto saiu correndo da arena, sua mente trabalhando à mil. 

►♦◄

O Todoroki mais novo fingia calma no exterior, mas seu interior queimava de ansiedade. Estava sentado em um trono juntamente com o resto da família; até mesmo sua mãe estava ali, sentada com elegância e serenidade ao lado esquerdo do rei, Todoroki Enji. Do lado direito deste, estava Fuyumi, como sempre em trajes tão ou mais luxuosos que o da rainha. E, à esquerda de Rei, estava Shouto.

O príncipe tinha dois irmãos do meio, mas um deles estava em uma missão diplomática no exterior, e o outro... Não gostavam de falar muito nele depois que escapou do palácio e renegou o sobrenome da família. Então, naquele dia, eram apenas os quatro.

Os convidados chegavam e, antes de tudo, se curvavam perante ao rei. Só então eles prestigiavam o aniversariante, e ofereciam seus presentes. Shouto ganhou vários objetos de grande valor; um único anel que recebeu de um conde seria o bastante para comprar uma casa para a família inteira de um camponês. Toda aquela riqueza o deixava desconfortável. Todoroki tinha o hábito de escapulir dos muros do castelo para andar pelos vilarejos plebeus, aproveitando a liberdade que tinha por não ser o herdeiro do trono, e depois que descobriu como era a vida simples das pessoas comuns, começou a olhar com aversão todos os exageros da vida na nobreza. Sempre que podia, o príncipe escoava as próprias riquezas para as mãos dos aldeões, garantindo que eles não passassem dificuldades – claro, tudo escondido do pai.

De repente, ouviram-se exclamações e sussurros dentre os convidados que circulavam pelo enorme salão. Todoroki olhou para as grandes portas de entrada e seu olhar encontrou com o de Yaoyorozu Momo, que acenava animadamente para o amigo. Era tão estranho vê-la usando um vestido de baile e com os longos cabelos negros presos em um coque elaborado. Seus pais vinham logo atrás da arquiduquesa, e junto deles...

Quatro pessoas caminhavam com passos leves como penas. Qualquer um perceberia que suas presenças eram completamente diferentes dos outros presentes ali; a aura que elas emanavam era de luz e magia, e seus rostos atemporais eram belos e sobrenaturais. Nem todas as fadas eram delicadas, obviamente. O primeiro, Bakugou Katsuki, mantinha um semblante carrancudo e os braços musculosos cruzados sobre o peito. Com o braço envolto ao redor dos seus ombros, a outra fada, o gentil e animado Kirishima Eijiro, tagarelava sobre alguma coisa, e parecia gradualmente suavizar a expressão do outro. Uraraka Ochako conversava educadamente com a senhora Yaoyorozu, exibindo o sorriso capaz de derreter o coração mais duro. E, meio escondido atrás de Uraraka, um garoto caminhava timidamente, como se tentasse ocultar sua presença, o que não deu muito certo – principalmente para Shouto.

Os olhos do príncipe e os da fada se encontraram naquela distância, e o estômago de Todoroki deu uma volta, cheio de borboletas. Midoriya Izuku era a coisa mais linda que já tinha visto na vida. Todas as fadas eram belas, mas ele era mais do que isso; Shouto não saberia explicar o magnetismo que sentia ao ver Midoriya. Se pudesse, ficaria apreciando aquele lindo rosto por horas, e nunca ficaria cansado.

Izuku desviou o olhar e um tom róseo tingiu suas bochechas, divertindo o príncipe. Ele não sabia se seus sentimentos eram recíprocos, mas nas outras vezes em que se encontraram, a fada sempre parecia muito consciente da sua presença, o que o deixava secretamente feliz. 

Todoroki ergueu-se do trono e pediu uma permissão silenciosa para o pai, que a concedeu com um aceno de cabeça. O príncipe e o rei não eram muito ligados emocionalmente; Enji não era um pai exemplar, e podia ser bastante ditatorial quando queria, até mesmo com a própria família. Mas mesmo com aquele sentimento de inimizade, Shouto não se esqueceu das regras de etiqueta, e só saiu de seu lugar com a permissão do pai. O garoto desceu os degraus do palanque onde estava o trono para recepcionar os convidados de honra de perto.

Os outros presentes ali se afastaram, fazendo leves mesuras para as fadas conforme elas passavam. Estas não pareciam se importar com formalidades e, sem demora, foram cumprimentar os membros da família real. Momo, que ia à frente, curvou-se perante ao rei e, sem reservas, abraçou o melhor amigo. Ninguém além dos pais da arquiduquesa pareceu se importar com o gesto, já que todos sabiam o quanto os dois eram próximos desde crianças. Alguns até pensavam que chegariam a se casar um dia – um ledo engano. Shouto nunca, nem em um milhão de anos, conseguiria ver Yaoyorozu como nada além da sua melhor amiga.

- Feliz aniversário, príncipe!

- Obrigado – Todoroki respondeu, dando leves tapinhas nas costas de Momo antes da garota se afastar. Os pais de Yaoyorozu o parabenizaram e deram uma caixa de presente ao príncipe; certamente alguma joia ou algo assim. Shouto não se importou muito. Daquela família, já havia recebido a amizade de Momo como um precioso presente há muitos anos.

- Parabéns, meio-a-meio. – Bakugou deu-lhe um peteleco na testa e Todoroki esfregou o local. Ele nunca entenderia a implicância que a fada tinha consigo, principalmente com seus olhos e cabelos de duas cores diferentes. 

- Não seja rude com o príncipe, Katsuki! – Kirishima repreendeu-o, e então sorriu brilhantemente para Shouto, exibindo seus dentes afiados. – Feliz aniversário, príncipe.

- Obrigado, Kirishima-sama e Bakugou-sama. – Ele se curvou em agradecimento. No fim das contas, as fadas eram tão importantes quanto o rei, e o príncipe lhes devia muito respeito. Uraraka parou em frente a Shouto e inclinou-se levemente.

- Feliz aniversário, meu príncipe. 

- Feliz aniversário, príncipe – Midoriya murmurou timidamente, finalmente saindo de trás de Ochako para se curvar para Shouto. 

- Obrigado. – Todoroki analisou a fada silenciosamente. Estava ansioso para cobrar o seu desejo, mas também não queria parecer muito exigente e mesquinho. A última coisa que queria era que Izuku desgostasse dele por algo assim. 

- Espero que aceite o nosso humilde presente, príncipe. – Uraraka, sempre gentil e educada, virou de costas, voltando-se para o salão, e Midoriya também o fez. Mesmo sem olhá-lo nos olhos, não conseguiu se livrar do olhar intenso do príncipe, provocando arrepios pelo corpo da fada ao ser encarada pelas costas.

Os quatro estenderam suas mãos e o sons estranhos se espalharam pelo recinto, como o de bolhas de sabão estourando. Flores multicoloridas brotaram dos vasos e se enroscaram nas paredes, borboletas luminosas circularam o teto abobadado, e um levíssimo aroma adocicado e silvestre permeou o salão. Shouto estendeu o dedo e uma borboleta branca pousou ali, batendo suavemente as asas, e não conseguiu impedir sua boca de abrir-se em um perfeito “o”. Magia das fadas nunca deixava de surpreendê-lo e fasciná-lo.

- Elas vão sumir amanhã de manhã, então não se preocupe com os problemas que elas possam causar – Midoriya explicou timidamente, falando das flores, e Todoroki assentiu, mas não se importava muito. 

- Muito obrigado. Espero que possam aproveitar a festa. – Curvou-se mais uma vez e esperou que eles se dispersassem. Mas antes que Izuku seguisse seus amigos, Shouto chamou: – Midoriya-sama.

O som do seu nome na voz grave e suave do príncipe era estranhamente belo, e fazia a fada querer ouvir mais. Ele virou-se para o outro e sorriu levemente, procurando olhar para qualquer ponto além dos lindos olhos heterocrômicos que o encaravam.

- Sim, meu príncipe? – conseguiu dizer, com a voz baixa. Izuku tinha medo que, se erguesse o seu tom, ele sairia muito agudo e falho devido ao nervosismo que sentia. 

- O meu desejo... eu já me decidi – Shouto disse, com convicção, mesmo que por dentro estivesse suando frio. O dom que recebera de Uraraka quando nasceu, Calma, era a única coisa que o impedia de tremer.

- Ah... Esse é o seu aniversário de dezoito, não é? – Midoriya suspirou. Ele sabia que esse dia chegaria. Ao mesmo tempo que tinha medo do que Todoroki pediria, a fada também se sentia empolgada. Será que seria dentro do seu alcance? Será que passaria vergonha na frente do príncipe, a única pessoa desse mundo que o desestabilizava tanto com um só olhar? 

Izuku era a mais nova das fadas guardiãs; enquanto os outros três protegiam o reino de Ignius há décadas, Midoriya era bem mais novo – em anos humanos, não passava muito dos dezesseis. Mesmo assim, lembrava-se perfeitamente de ver Todoroki Shouto crescer naquela rapidez assustadora dos humanos, vendo-o apenas seis ou sete vezes por ano. Quando foi que começou a reparar em como seus olhos eram lindos? Ou em como seu rosto era atraente? Quando a fada passou a querer ser capaz de conversar por horas com ele, apenas para ouvir sua voz?

Por isso, seu coração quase saiu pela boca quando Shouto pediu para segui-lo até o jardim. Já tinha ficado sozinho com ele outras vezes antes. Por que ele se sentia tão nervoso naquele momento?

Antes que Todoroki saísse do salão, o príncipe conseguiu ver Momo no meio da multidão. Ela disse alguma coisa sem deixar sair som, e Shouto conseguiu ler um “Boa sorte!”. Ele respirou fundo e saiu por uma das passagens laterais do palácio, seguido por Midoriya.

O príncipe, por fim, sentou-se em um dos bancos do imenso jardim. Apenas pela simples presença de uma fada, as flores pareciam mais vívidas, e a lua parecia brilhar mais. Ou, talvez, tudo aquilo fosse uma ilusão da mente apaixonada de Todoroki, que tinha seu olhar pregado no outro, sentado ao seu lado. 

- E então? O que vai querer? – Izuku torceu as mãos no colo.

- Eu tenho uma pergunta e um pedido. Primeiro, a pergunta. – O príncipe passou os dedos pelos seus cabelos, exasperado. – É verdade que você é comprometido? No reino das fadas?

- De onde ouviu isso? – Midoriya franziu a testa, confuso. – E por que quer saber? 

- Só me responda. – A voz de Todoroki não era autoritária nem irritada; estava mais para um ciúme quase infantil. Aquilo fez a fada rir internamente. Era tão fofo.

- Não, nunca fui comprometido. – Dizer aquilo era embaraçoso, mas se fazia parte do desejo do príncipe, não tinha o que fazer. Todoroki deixou escapar um suspiro de alívio, surpreendendo Izuku, que apenas decidiu ignorar o fato. – E qual é o pedido?

- Eu pensei muito... e depois de dezoito anos de espera, eu finalmente decidi. – Shouto olhou diretamente nos olhos de Midoriya. As íris esmeraldinas da fada reluziam com o luar, e pela primeira vez na noite, estavam fixas nos olhos de Todoroki. Hipnotizados. Era como ambos se sentiam. – Um beijo.

- O quê? – Izuku engasgou-se na própria saliva e tossiu, surpreso demais para se importar com a sua reação ridícula.

- Eu gosto muito de você, Midoriya-sama. – Agora não tinha mais volta. Todoroki iria até o final. – Se você não gosta de mim de volta, tudo bem. Não precisa nunca mais conversar comigo se te deixa desconfortável. A única coisa que eu peço é poder te beijar uma vez. Assim eu posso morrer algum dia sem arrependimentos.

- V-Você vai m-mesmo gastar o s-seu desejo assim? – a fada gaguejou. Sua cabeça estava uma bagunça. – Existem t-tantas coisas p-para você querer...

- Peço perdão se eu for rude, Midoriya-sama... – O príncipe segurou delicadamente o queixo de Izuku com o indicador e o polegar, erguendo seu rosto e sussurrou: – ... Mas não há nada que eu queira mais do que você.

Os lábios da fada já estavam entreabertos e os olhos redondos e tímidos vagavam entre os orbes bicolores e a boca de Todoroki. Shouto mordeu o lábio inferior, mal conseguindo se segurar, mas precisava de uma confirmação.

- Você aceita o meu pedido?

Midoriya assentiu quase que imperceptivelmente com a cabeça e o príncipe finalmente o beijou.

Tantos anos com aquela paixão secreta guardada no seu coração foram descontados naquele beijo. Mesmo assim, Todoroki foi lento e paciente, provando cada um dos cantos da boca do outro com gentileza. Não demorou muito para que Izuku enroscasse seus dedos nos cabelos lisos de Shouto, puxando-o mais perto. O beijo acendeu uma chama dentro dos dois, e com ela a urgência por mais.

Infelizmente, o fôlego faltou em alguma hora. Quando o oxigênio acabou, o príncipe se afastou da fada, ambos respirando sofregamente. O rosto de Midoriya estava completamente vermelho, mas ele não conseguia desviar o olhar de Todoroki – o lindo, gentil e apaixonante Todoroki. Izuku nunca pensou que o veria naquele estado um dia: bochechas coradas, pupilas dilatadas e os lábios entreabertos, inchados e úmidos. Sentiu uma súbita vontade de beijá-lo de novo.

- Muito obrigado por realizar meu desejo, Midoriya-sama – Shouto quebrou o silêncio e tentou se levantar do banco, mesmo que todo o seu corpo implorasse para não deixar o lado de Midoriya, quando Izuku segurou seu pulso.

- Eu também gosto de você, meu príncipe. Não... não vá – pediu timidamente. Todoroki não conseguiria dizer não.

- Então eu posso... beijar você de novo? 

- Sim. E de novo. E de novo, e de novo, e de novo, e para sempre. – A fada fechou os olhos e fez seus lábios se tocarem novamente.

Shouto puxou o outro pela cintura, trazendo-o para o seu colo. A mente de Midoriya estava completamente focada na sensação quente do corpo de Todoroki no seu, impedindo-o de sentir vergonha. Mais cedo que esperava, os lábios do príncipe deixaram os seus, mas só para migrarem até seu pescoço, na base da orelha.

- Eu te amo, I-zu-ku – Shouto sussurrou com a voz rouca, enfatizando cada sílaba do nome do amado e fazendo sons estranhos saírem da boca de Midoriya. De repente, ele abraçou sua cintura com força e enterrou o rosto no seu pescoço. – Obrigado, Izuku. Eu te amo. Eu... Eu posso fazer mais um desejo?

- Hm... – A fada acariciou os seus cabelos bicolores. – É o seu aniversário, então acho que sim.

- Você pode ficar comigo para sempre? – A sua voz saiu abafada e surpreendentemente frágil. Izuku sorriu e o abraçou de volta.

- Seu desejo é uma ordem, meu príncipe. – Todoroki ergueu o rosto e beijou-o novamente, selando um amor que duraria por muitos e muitos anos.

Feb. 25, 2018, 8:49 p.m. 2 Report Embed 10
The End

Meet the author

Tsuki Miko Escritora nas horas vagas, otaku em tempo integral. Ela/Dela ♀. **Eu escrevo majoritariamente fluffy, caso queira fanfics cheias de hot, aqui não é o seu lugar, perdão**

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Iara Coelho Iara Coelho
AAHHHHH MANO COMO ASSIM JÁ ACABOU? RSRSRSRSR OLHA ISSO, OLHA ESSES DOIS BOLINHOS AAAHHHHHH Mano, q One fantástica! Eu adorei demais! Senti uma emoção tão boa e calorosa, esses dois são uns fofos!! E sim, o Deku tem todo o jeito de fada mesmo rsrsrsrsr Cara, tenho que dizer, quando tu falou sobre o Bakugo ser uma fada, sabe o que eu imaginei? Imaginei ele com uma roupinha laranja brilhante, aqueles sapatinhos pontuados, asinhas vermelhas e uma voz fininha gritando "shine shine shine" kkkkkkkkkkk desculpa, mas nn consegui evitar de imaginar ele assim heueheuhd A fadinha mal humorada kkk Enfim, parabéns pela história. É linda, incrível, emocionante e vc tem mto talento! Um grande bjooo ❤️❤️❤️❤️
April 25, 2018, 8:05 a.m.

  • Tsuki Miko Tsuki Miko
    aaaaaaaaa sim, infelizmente acabou. Essa é a minha bênção e a minha maldição: eu sou muito boa com one-shots... e é isso. Elas sempre acabam cedo demais T.T TODOROKI E DEKU SÃO MEUS BOLINHOS LINDOS E VOU PROTEGÊ-LOS DE TODO O MAL! Não foi difícil imaginar o Midoriya fada, mas o Kacchan... você não faz ideia de como eu ri escrevendo kkkkkk minha fadinha explosiva, adoro. SHINEEEEEEEEEE aaaaaaa obrigada mesmo por ler e gostar <3 me deixa muito feliz! Beijos <3 April 25, 2018, 11:31 a.m.
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