Razão? Quem liga pra ela? Follow story

alicealamo Alice Alamo

Sirius aceitara seu segredo, se arriscara para se tornar um animago, estava consigo em cada lua cheia, tornava cada detenção menos entediante mesmo que ele fosse o culpado também por a causar. Era Sirius quem o olhava com tanta ternura... E não importava muito que sorriso malicioso logo se fizesse presente também porque Remus gostava dos dois. Merlin, estava realmente pensando em entrar na armadilha por conta própria e estando consciente dos perigos?


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#Yaoi #HarryPotter #Sirius #Remus/Sirius #Remus #UA
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Capítulo Único


Por que Sirius sempre estava tão rodeado de garotas? Por que nem mesmo as sonserinas não conseguiam se manter longe?

Sentado sob uma árvore, aproveitando os poucos minutos de paz que sua alma possuía, Remus fingia estudar enquanto assistia Sirius flertar com uma garota esquisita e, ainda por cima, sonserina.

− Se continuar com essa cara feia, vou achar que está se transformando, Moony – a voz divertida de James o fez desviar sua atenção de volta para os livros.

− Cala a boca, Prongs – rosnou.

James riu; Remus estava excepcionalmente irritado naquela última semana, nunca havia visto o tão sereno amigo falar tantos palavrões ou começar tantas brigas estúpidas como nos dias anteriores. Até infernizar Snape ele concordou mesmo sob os protestos de Lily. Algo estava errado, era óbvio que estava.

− Se está afim dela, aconselho avisar Sirius antes que ele dê o bote.

− Não estou afim dela – respondeu rápido, fechando o livro e se levantando – Vou para a biblioteca. Derrube alguém da vassoura por mim hoje no treino.

Não esperou uma resposta, saiu para um dos corredores torcendo para que Sirius não o visse. Não queria vê-lo, seu coração já acelerava só com a possibilidade de voltar a ser o alvo daqueles olhos cinzentos, de sentir a pele quente em contato com a sua ou o sabor de nicotina em seus lábios.

Acabou não indo para a biblioteca; seus pés se arrastavam por Hogwarts. Do lado externo do castelo, o Salgueiro Lutador já se preparava para atacá-lo e impedir que se aproximasse. Entediado, sussurrou o feitiço para o imobilizar e agachou-se para entrar no pequeno túnel que levava para seu refúgio.

A casa dos gritos se tornara um doce lar desde o começo do quinto ano, mais especificamente desde quando Sirius passou a ser um problema.

Lembrava-se que tudo começara no trem. James estava com Lily em algum canto, e isso resultou em uma cabine só para ele e para Sirius. Foi a primeira vez que percebeu os olhos brilhantes mirando-o tão intensamente. Havia sido constrangedor. A conversa que sempre fluíra naturalmente tinha morrido diante do sorriso malicioso que Sirius exibia.

Seu erro tinha sido desviar o olhar. Ali, naquele gesto, assinara sua sentença. Ali, naquele gesto, deu a confirmação de que Sirius precisava para se levantar do assento oposto e parar na sua frente de pé.

Antes que pudesse se virar parar o amigo e perguntar o que ele estava fazendo, Sirius sentou-se em seu colo e segurou, entre o polegar e o indicador, seu queixo. Ousado... Sirius sempre havia sido ousado em suas atitudes. Ora, ele estava na Grifinória, não?

Suas mãos suaram e isso pareceu mais importante do que o fato de poder usá-las para afastar o outro. A porta estava fechada, mas não trancada, e se alguém os visse naquela situação? Não, espera... Que porra de situação era aquela?!

Sirius sorriu ao notar sua confusão – Remus sempre soube que ele gostava de tirar seu equilíbrio.

Hortelã, doce e fresca, essa era a boca de Sirius.

Ele estava sendo beijado... Demorou para entender isso e suspirar surpreso. A mão quente de Sirius contornava seu pescoço, segurando levemente a nuca ao mesmo tempo em que a língua serpenteava junto da sua, explorando os segredos de seus lábios, colhendo os suspiros que soltava sem saber.

Era morno, possessivo, embora delicado. Um perfeito sedutor.

Nesses momentos, via o amigo como um perfeito sonserino, roubando sua racionalidade, levando-o a atos irresponsáveis e errados como aquele. É... Mas, mesmo assim, não conseguia não se render e correspondia ao beijo com a mesma paixão que Sirius demonstrava. Suas mãos repousaram sobre as coxas dele, hesitantes, não apertavam, não acariciavam, não seguravam, nada; só marcavam presença, medrosas.

Pode sentir que o outro sorria entre um beijo e outro, a mão acariciava seu rosto, muitas vezes o forçando a abrir mais a boca e aprofundar mais ainda o beijo. Viciante, delicioso e interrompido pela risada de James no corredor.

Sirius saiu do seu colo rapidamente, voltando a sentar no lado oposto antes de James abrir a porta. Remus mantinha os olhos fechado, os lábios entreabertos, o coração disparado e a mente nublada a ponto de nem ouvir sobre o que os amigos conversavam.

Frio. Foi o frio que o trouxe à realidade, a falta de calor do corpo do outro. Sirius o olhava com um sorriso de canto, um moleque se divertindo com a travessura feita. Remus passou o resto da viagem olhando para a janela, fingindo que o rubor em seu rosto não existia.

Depois desse episódio, seguiram-se outros e mais outros. Mas quando havia se tornado algo aceitável? Por que se tornara aceitável? Por que não rejeitava Sirius toda vez que ele vinha depois de um treino de quadribol o encontrar na biblioteca? Por que não se recusava a ir à Sala Precisa quando o outro o puxava pela mão, guiando-o pelos corredores?

Seria patético dizer que não sabia a resposta. Patético? Seria covardia, isso sim! E, bem, covardia não era bem o que definia os grifinórios.

Sirius também deveria saber, contudo, nunca falava nada a respeito. O que ele pensava? Quem ele pensava que era para usá-lo daquele jeito e continuar a desfilar com quantas garotas quisesse? Será mesmo que Sirius não percebia que toda vez que estava com outra, Remus se afastava dele, ignorando-o ou fazendo o possível para não cair naquela teia que o amigo tecia? Ah, não... Ele via, ele fazia exatamente para Remus ver, ele gostava de provocá-lo daquela forma para depois vir atrás de si com aquele sorriso malicioso, aquelas palavras sujas e vulgares, aquelas mãos quentes e aqueles lábios doces. Um doce veneno.

Remus suspirou, abraçando os joelhos e ouvindo a própria respiração. Sentia-se sufocado... Mais do que o normal. Não podia pedir ajuda para Lily como sempre fazia, não podia comentar com James... Uma sequência de negativas que o impediam de fazer o que quer que fosse para sair daquela situação.

− Seus esconderijos estão ficando cada vez mais elaborados, Moony− a voz cínica chamou sua atenção. − Se não fosse por aquela árvore maldita imobilizada, eu nem saberia por onde começar a te procurar. Mas acho que você a deixou daquele jeito de propósito, como uma pista para mim, não foi?

Havia deixado? Hum... De fato, poderia desfazer o feitiço assim que sua segurança estivesse assegurada, então por que não o fez? Não se lembrou? Não... Sabia que o outro viria atrás de si e seguiria o mesmo caminho, temeu que Sirius não soubesse como imobilizar o Salgueiro e assim não pudesse achá-lo. Não havia sido dessa forma também a segunda vez que se beijaram? É... Remus estava ficando sem criatividade...

Depois do trem, Remus esperou que o amigo falasse algo, fizesse alguma coisa, qualquer coisa! Contudo, tudo o que recebeu foi o mesmo comportamento despreocupado e inconsequente de Sirius, suas rotinas não mudaram em nada... Até Sirius aparecer com uma Lufa-Lufa irritante.

Demorou para entender o que aquilo significava. Para ser sincero, não soube conter o espanto ao ver Sirius enrolar entre os dedos as mechas loiras do cabelo da garota, enquanto ela fazia charme, afastando-o, para logo voltar aos braços do grifinório.

Os olhos acinzentados o acharam de repente. Remus não desviou, Sirius tampouco. O coração do lupino se recusou a assimilar ou a raciocinar. Era tudo tão óbvio que não conseguia acreditar. Estava com ciúmes de Sirius Black, com ciúmes de nada mais nada menos de um dos garotos mais populares da maldita grifinória, do garoto que despedaçara mais da metade dos corações femininos daquela escola. Só podia ser brincadeira...

Respirou profundamente antes de lhe dar as costas e deixá-lo com a garota. Para onde iria? Não sabia também, mas continuava andando. A torre de astronomia o acolheu naquele dia. Seus nervos estavam à flor da pele como sempre ocorria antes da semana de lua cheia, uma vontade enorme de ir para a floresta proibida cresceu em seu peito embora soubesse que era burrice.

− Moony?

Não precisou se virar para saber que Sirius estava lá e mesmo assim quis vê-lo. O olhar culpado que o animago direcionava a si era encantador...

− Ela é bonita – sua voz saiu magoada.

− Mas não beija tão bem como você – Sirius sorriu de canto, diminuindo a distância entre eles. – Acho que nenhuma boca é tão viciante quanto a sua, Moony...

Remus corou, recuando, tentando manter as mãos de Sirius longe de sua cintura, evitar que a respiração dele se chocasse contra a pele de seu pescoço ou que o perfume amadeirado o seduzisse novamente.

− E você tem mesmo muita experiência, não? – ironizou espalmando o peito do outro para garantir a distância necessária.

Ele viu Sirius parecer surpreso, bagunçando o cabelo em claro nervosismo.

− Me desculpe, Moony.

A pergunta “por quê?” ficou presa em sua garganta. Mais um erro. Sirius aproveitou-se daquele momento para puxá-lo pela mão, colando os corpos e os lábios sem dar chance para que Remus discutisse. As costas sentiam o frio da parede de pedra, e o tórax e o abdômen, o calor do animago.

Impossível não ceder de novo, não o deixar domar sua boca com tanto fervor e fome. Gemeu com a coxa dele entre suas pernas, suas mãos agarrando a capa de Sirius como se aquilo fosse a prova de que era mesmo real. Esqueceu-se da maldita Lufa-lufa. Sirius percebeu tão bem esse detalhe que começou aquele jogo, recorrendo àquela maldita tática toda vez que fazia alguma merda. Não era à toa que Remus sabia que o animago estaria ali na casa dos gritos também...

− James vai ficar preocupado se não te achar na biblioteca – Sirius falou, sentando-se ao seu lado.

Remus soltou um riso fraco, debochado, magoado.

− Por que faz isso, Sirius? – perguntou vendo o amigo arquear uma sobrancelha, confuso – Não se faça de idiota, Padfoot, sabe do que estou falando.

Remus recuou quando ele estendeu a mão para tocar seu rosto, afastando-a com um sonoro tapa. Sirius suspirou sem paciência, Remus sempre deixava tudo mais complicado do que deveria ser.

− Sou grato a você, a James e a Peter. Sou realmente grato pela amizade de vocês – ele ouviu Remus falar apressado – Mas isso não significa que eu tenho que aceitar tudo o que você faz. Eu não tenho que aceitar essa situação. Já sou humilhado a cada lua cheia, não preciso sofrer também durante o dia.

− Ninguém está te humilhando! – Sirius respondeu depressa, e Remus pode ver que o amigo estava nitidamente nervoso. – Eu estou falando com você, Remus, então olhe para mim! – rosnou, segurando o rosto do amigo e virando-o com força.

− O que veio fazer aqui? Por que sempre vem atrás de mim? É para se certificar do estrago que faz, Black? É para garantir que conseguiu o que queria?

− Black? Agora, eu sou um maldito Black, Lupin? – gritou ao ser empurrado para longe com força.

− Enquanto agir como um sonserino, posso te comparar a eles sem culpa – Remus respondeu se levantando, a mão segurando firmemente a varinha dentro da capa, pronto para a sacar se necessário.

− Não sou eu que me acovardo toda vez, Lupin! Não comece a jogar minha parte podre contra mim porque posso fazer o mesmo com você.

Remus limpou as vestes, a cabeça doendo, a vontade de gritar e chorar se acumulando naquela região. Sua garganta ardia, seu mundo girava em dor e confusão. Como podia ter caído naquele mar revolto que era Sirius Black? Como, por Merlin, ele havia se viciado naquele ser autodestrutivo que só lhe causava horas de dor, intercalados por segundos de prazer?

− Você pode ser Sirius, Padfoot, grifinório, ou qualquer coisa que seja – Remus falou cansado, os olhos castanhos perdidos na imagem enfurecida do outro – Mas meu amigo, duvido muito que continue sendo com esse comportamento. Estou definitivamente exausto do grande Sirius Black. Quem diria, não? Não vou mais atrapalhar seus encontros furtivos com mais ninguém, não precisará mais vir atrás de mim para garantir alguém em sua cama à noite.

− Então é isso? Ciúme, Moony? − Sirius riu com raiva antes de ter o corpo arremessado para o outro lado da sala por um feitiço.

Remus percebeu o que havia feito quando o amigo levantou com dificuldade. Droga, não era para a situação sair tanto do controle. Queria culpar a proximidade da lua cheia, queria culpar a falta de sensibilidade de Sirius, mas estaria mentindo. Atacou-o porque queria machucá-lo, queria que ele sentisse dor já que ele a causava todo dia em Remus. A que ponto estava chegando?

− Se você ficasse em vez de fugir toda vez, veria que eu nunca fiquei com nenhuma daquelas idiotas – Sirius cuspiu ácido. – Porra, Moony! Sabe como foi difícil tomar coragem para te beijar naquele vagão?

Havia certa mágoa na voz, Remus balançou a cabeça descrente.

− Pergunte para James então! – Sirius rosnou se aproximando novamente, os olhos presos na varinha apontada para seu peito – Toda vez que você sai, eu venho atrás de você, até Prongs já notou. Não me diga que é mais cego do que ele para não ter notado que sempre boto você em primeiro lugar...

Remus o olhou desconfiado, e Sirius tomou a varinha da sua mão nesse momento de hesitação e a jogou longe. De fato, nunca havia ouvido nada a respeito de Sirius ter se agarrado com qualquer uma das garotas, porém sempre achou que o animago evitava comentar com James sobre o assunto porque ele sempre estava por perto.

O toque morno em sua nuca o fez se perder no cinza dos olhos de Sirius. A boca secou, sentiu-se mais uma vez acuado, como se o amigo o tivesse tão em mãos que poderia decidir entre protegê-lo ou destruí-lo. O sorriso de canto que recebeu fez seu coração traí-lo e começar a disparar; a adrenalina sempre era sua maior inimiga. Os lábios macios se arrastaram por seu queixo até a bochecha, fazendo-o fechar os olhos para apreciar o contato. Sua mão mantinha a gravata de Sirius presa, ironicamente impedindo-o de se afastar. Era tudo tão torturante...

A falta de certeza de que a situação iria mudar uivava em sua mente, mas Sirius não mentiria, mentiria? Odiava aquela falta de racionalidade que o visitava quando o outro estava tão perto! Era horrível porque não sabia o que fazer, horrível porque com Sirius tão perto tudo parecia gritar que aquilo era o certo e que deveria aceitar. Se não soubesse que o animago era péssimo em feitiços complicados, juraria estar sob a maldição imperius.

A língua contornou seus lábios de forma provocativa. Tinha que se decidir. Sirius não o beijaria, era Remus que deveria escolher continuar ou não, beijá-lo ou rejeitá-lo.

Sirius aceitara seu segredo, arriscara-se para se tornar um animago, estava consigo em cada lua cheia, tornava cada detenção menos entediante mesmo que ele também fosse o culpado. Era Sirius quem o olhava com tanta ternura... E não importava muito que sorriso malicioso logo se fizesse presente também, porque Remus gostava dos dois. Merlin, estava realmente pensando em entrar na armadilha por conta própria e estando consciente dos perigos?

A mordida em seu lábio inferior o fez suspirar e levar a outra mão à nuca de Sirius, enrolando o cabelo negro nos dedos, puxando-o com certa força, apenas o suficiente para afastar os corpos e poder analisar o outro.

− Moony... – Sirius sussurrou receoso.

Ele estava com medo. Sirius Black estava com medo de que o rejeitasse. Como o mundo podia dar tantas voltas em tão pouco tempo? Sentiu seu ego inflar, parte do peso que carregava em seus ombros ruiu, aliviando-o, para que pudesse puxar Sirius para si.

Fazia tempo que não o beijava, mas o gosto de hortelã continuava o mesmo. Seu corpo arrepiou-se por completo com o abraço possessivo que recebia, um gemido satisfeito escapou sem querer pela fome com a qual era beijado.

Não fazia sentido. Merlin, nada daquilo fazia sentido! Mas não importava, nunca havia importado. Se fosse de outro jeito, nunca teria nem ao menos permitido que os amigos se aproximassem; se fosse de outro jeito, não os conheceria; se fosse de outro jeito, não estaria tão fodidamente apaixonado por Sirius Black e sua mania de fazê-lo entender que o mundo não precisava fazer sentido desde que estivessem daquele modo: tão imersos um no outro que nada mais era digno de ocupar a mente de Remus Lupin, senão o gosto viciante dos lábios do animago.

Feb. 25, 2018, 3:08 p.m. 0 Report Embed 2
The End

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Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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