Chuva de Verão (2014) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Um dia agradeceria sua idiotice... Mas não hoje, não por causa de chuva de verão.


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#Yaoi #Near #Mello #Mello/Near #DeathNote
Short tale
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Capítulo Único


O céu estava aberto. Tão lindo que ninguém esperaria que, de repente, ele fosse fechar.

Ninguém exceto Near.

Ele sabia. Sempre soube.

Near já havia ido para o pátio sabendo que a probabilidade de chover era de noventa por cento. Não precisava ser um gênio para isso, sabem? Ele apenas observara que nos últimos dias fizera muito calor, o índice de evaporação estaria então em alta. Além disso, ele ouvira no noticiário pela manhã que choveria à tarde.

Viram? Não precisava ser um gênio...

Na maioria das vezes, não era preciso. Essa era a verdade que Near tanto queria que as outras crianças entendessem. Quem sabe assim elas não o deixassem em paz? Deixassem-no brincando com seus dados e quebra-cabeças sem fazerem piadas pelos corredores, sem rabiscarem sua carteira na sala de aula ou grudarem chicletes nela... Quem sabe assim o deixassem passar em branco como qualquer outra criança normal.

Escondia-se. Não falava. Mantinha-se distante. Até vestira branco para não chamar atenção. Tudo em vão.

Balançava-se no balanço do pátio depois de ter sido empurrado por alguns meninos mais velhos e virado piada por estar com um urso de pelúcia.

O céu azul foi ganhando algumas nuvens mais escuras. Near sorriu com isso, observando a beleza que era quando a chuva estava prestes a cair.

A chuva sempre trazia mudanças.

O vento não mais acariciava, ele começava a bagunçar seus cabelos, deixando-os embaraçados.

O sol não mais impressionava, ele se escondia, deixando a impressão de que já era fim de tarde.

O pátio sempre cheio esvaziava-se... E, diferente das outras crianças, Near gostava da sensação de solidão.

Embora sofresse com ela, sofria menos sozinho do que cercado de crianças.

A garoa começou leve. Near fechou os olhos e deu um impulso no balanço. Balançava-se enquanto a chuva ganhava um pouco de força para limpar o rosto pálido sujo de terra.

Engoliu o choro.

Ele era Nate River, Near, primeiro na sucessão ao posto de L. Não podia chorar apenas porque o jogaram no chão mais uma vez.

Abriu lentamente os olhos, vendo as gotas d'água caírem lentamente do céu.

– Você é idiota?

Tremeu. Olhou para frente com medo, ainda que não deixasse transparecer.

Mello estava na sua frente de pijama negro com um livro na mão.

Verdade... Não havia visto o adversário no pátio brincando. Ele estava estudando?

– Está chovendo, seu burro!

Os olhos azuis estavam inconformados, buscando alguma explicação para que Near ainda não tivesse se levantado do balanço.

Mello bufou. Segurou o adversário pela camisa branca e o arrastou pelo pátio enquanto a chuva piorava.

Não tinha o que fazer...

Near não entendia e não podia confessar isso em voz alta. Mello era um dos que Near evitava, se escondia, ignorava. E, mesmo assim, ele sempre o perseguia.

Era impossível compreender o motivo, a razão! O que movia aquele garoto tonto a persegui-lo?

Ele já o batera, xingara, caçoara... Mas também fora ele que o recebeu no orfanato, que leu histórias mágicas quando não conseguia dormir, que mostrou os melhores lugares do orfanato para se esconder e os melhores horários para roubar doces na cozinha.

Quando encontraram uma área coberta em que estivessem fora do alcance da chuva, Near viu Mello rir alegre como se o que tivesse acabado de fazer fosse mais uma de suas travessuras.

Gostava tanto da risada dele quanto temia seus gritos.

Near sorriu com tal constatação, abraçando o próprio corpo pelo vento gelado. Mello estava mesmo preocupado consigo?

Riu sozinho do pensamento, chamando a atenção do adversário que o olhou espantado.

A chuva começava a passar, o céu novamente se abriu com finos feixes de luz quente.

– Mas já acabou? Eu vim te ajudar para acabar dois minutos depois? - Mello gritou, acusando Near como se ele fosse culpado.

– É chuva de verão, Mello. Ela não dura muito tempo.

Mello inflou as bochechas com raiva, saindo de perto de Near enquanto batias os pés com força.

Near sorriu enquanto sentava no chão, observando o rival. Não precisava ser um gênio para saber que a chuva duraria pouco, até as crianças sabiam e aguardavam já para saírem novamente.

Mas Mello não era um gênio e nem uma criança comum... Mello era Mello. Impetuoso, cuidadoso demais com aquilo que lhe era precioso, atento demais a Near e seu frágeis passos...

Vê-lo na chuva despertou um sentido de proteção. O que poderia fazer? O rival tinha uma saúde tão frágil... Quem perturbaria se Near ficasse com febre na enfermaria?

Além disso, valera a pena.

Mello por ter visto após tanto tempo um sorriso de Near.

Near por ter entendido que para Mello, ele nunca conseguiria ser invisível: não havia lugar a se esconder, já que aprendera todos com Mello; o branco da sua roupa contrastava demais com o preto que Mello usava, destacava Near no meio da multidão; e, para alguém tão falante e hiperativo como Mello, o silêncio de Near era uma ofensa!

Como fora idiota... Tentando se esconder do mundo, caíra nos olhos de Mello.

Um dia agradeceria sua idiotice... Mas não hoje, não por causa de chuva de verão.

Feb. 25, 2018, 1:55 a.m. 0 Report Embed 2
The End

Meet the author

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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