Cotidiano (2012) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Suspirei andando para trás, destrancando a porta, pousando a mão na maçaneta e ouvindo como sempre o lembrete que Regulus adorava me dar quando eu assim fugia dele: "Não se vive com medo, Sirius."


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#Yaoi #HarryPotter #Regulus/Sirius #Regulus #Sirius #Incesto
Short tale
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Capítulo Único


— Está com medo. – ele debochou novamente.

Incrível como tudo que eu não queria fazer era tido como medo por ele. Patético.

Regulus estava sentado no chão, olhando-me com presunção e sinto dizer que via bastante sarcasmo nos olhos escuros.

Olhei novamente para a porta trancada por um feitiço simples, minha boca secou apenas em imaginar Bella ou Narcisa entrando a qualquer momento. Caminhei pelo quarto, fechei a janela, puxei as cortinas negras. Não era medo, era somente precaução.

— Vamos logo, Sirius. – Regulus chamou pela terceira ou quarta vez.

Mordi o lábio enquanto me sentava ao seu lado, rente a parede fria, no canto do quarto, atrás da cama.

— Não é errado. – Regulus voltou a falar, ajeitando os cabelos rebeldes que hora ou outra caíam em seus olhos.

— Se não fosse, não precisaríamos nos esconder assim. – eu respondi com ironia.

Coragem era uma das heranças grifinórias, e eu bem que a executo... Quando Regulus não está por perto.

Meu irmão era uma das únicas pessoas que conseguia apenas com um olhar me fazer recuar. Um olhar? Menos que isso... Não sei como, mas a presença dele impõe um respeito que eu não tenho, e nem acho que virei a ter, por mais ninguém.

— Proibido não é, mas esse é trouxa. Mamãe não gostaria de vê-lo. – Regulus me explicou agitando a caixinha retangular nas mãos.

— Não gosto disso. É amargo e deixa um gosto ruim na boca. – rebati aceitando enfim um único cigarro que, com um feitiço não verbal, Regulus acendeu.

— Desculpas.. Pare de ser medroso, Sirius. – ele riu.

A risada de Regulus era grave e fazia com que os pelos do meu corpo se arrepiassem.

Não era o cigarro, Bella ou minha mãe, que me assustavam, mas sim Regulus e sua capacidade estranha de fazer meu corpo reagir e meus pensamentos deixarem o lado vermelho e dourado para caírem deliciosamente no verde e prata.

— Trague. – ele mandou rouco.

Sua cabeça repousou em meu ombro, os olhos maldosos acompanhando todo e qualquer movimento meu, a mão que dedilhava meu abdômen e peito. O toque em nada parecia ter malícia ou segundas intenções, porém os olhos escuros sempre o entregavam, assim como o sorriso.

Os olhos de Regulus, sarcásticos, fortes, decididos, sem medo. Pedras preciosas escuras ainda não descobertas e que me faziam temer, refugiar-me, desviar a atenção para qualquer coisa, e nesse momento, eu agradecia o cigarro.

Olhei para frente, levando o cigarro aos lábios secos, puxando com mais força do que o necessário a nicotina para dentro dos pulmões. Resultado óbvio e cretino: engasguei.

Vergonhoso, eu sei.

Regulus gargalhou ao meu ouvido, balançou a cabeça de um lado para o outro em descrença, levou uma mão ao meu ombro enquanto a cabeça voltava a repousar em mim.

— Idiota. – ele sussurrou ainda rindo. – Nem fumar sabe direito! Isso é humilhante para alguém de quinze anos, Sirius...

— Não, só quer dizer, que ao contrário de você, eu vou viver até os trinta. – retruquei sabendo da não firmeza do meu argumento.

Regulus tirou o cigarro da minha mão, levando-o aos lábios rubi, fechando os olhos e contorcendo a face em uma expressão de prazer, deixou a mão cair enquanto soprava a fumaça em minha direção lentamente, irritantemente, deliciosamente.

O véu de nicotina era denso, dissipava-se sem pressa, e eu não queria que o fizesse. Gostava, mais do que deveria, desses momentos e isso me assustava.

Fechei os olhos inspirando a droga que fazia questão que eu a inalasse. Era doce, nem tão amargo como pensei que seria. Quente, embriagante e prazerosa, mas também apressada e ousada demais.

Abri os olhos, levantei, tomei distância de Regulus, minha maldita droga.

Suspirei andando para trás, destrancando a porta, pousando a mão na maçaneta e ouvindo como sempre o lembrete que Regulus adorava me dar quando eu assim fugia dele.

— Não se vive com medo, Sirius. E nem com medo se vive.

Olhei-o, ainda sentado preguiçosamente, fumando, deixando nos lábios o gosto amargo da nicotina junto da hortelã que há pouco eu ali depositara.

Sorri.

— Vou me lembrar disso. – respondi como sempre, fechando a porta vendo-o rir.

Era irônico ele sempre me dizer essa frase, pois ele era meu medo... Mais irônico ainda é eu nunca lembrar do que respondia e assim repetir cotidianamente essa mesma cena..

De fato, o medo é algo patético. Ainda bem que sou grifinório.

Feb. 25, 2018, 12:30 a.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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