Meu faz de conta (2011) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Não é prazeroso, talvez um pouco, lembra-me você e é só por isso que suporto toda essa armação mal feia e não digna de qualquer sucessor de L. (Fanfic postada em 2011)


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#Yaoi #Angst #DeathNote #Near #Beyond/Near #BeyondBirthday
Short tale
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Capítulo Único


Ele me bateu de novo.

Simplesmente entrou pela porta, jogou a mochila preta surrada no chão e se aproximou de mim com aquela áurea assassinada e psicopata.

— Está pálido, Nate — ele sussurrou, sentando-se na cama ao meu lado, passando a mão suja de sangue no meu cabelo branco, manchando-o.

Eu não respondi, o cheiro de sangue com morango que emanava dele me embrulhava o estômago, mas o pior é que esse cheiro se impregnava em mim depois, penetrava-me os poros e se recusava a sair.

— Não gosto dessa sua indiferença... — ele disse calmo desviando o olhar para o criado mudo ao lado da cama.

Virou-se de repente zangado, dando-me um tapa no rosto que me derrubou na cama. Do nada, sem a menor explicação, ele só gostava de me bater, e eu não reagia, eu já não lutava contra, pois não havia razão ou forças para isso.

— Você me lembra tanto ele... Esses mesmos olhos que não mostram nada! Nada! Vazio! Um buraco negro que me lembra os olhos dele... Gosto disso. — ele sorriu de modo cruel.

O cabelo preto possuía manchas vermelhas, sangue sem dúvida, os olhos refletiam o demônio que existia em Beyond Birthday. Eu estava com medo novamente.

— Você gostava disso antes dele morrer... Perdeu a graça agora? — Beyond perguntou.

A minha construção de dados jazia em algum canto ou até em todos os cantos do quarto, meu quebra-cabeças só possuía uma única peça intacta, sem estar quebrada ou manchada de vermelho, e nem mesmo esta peça, que trazia o L gravado, chamava-me mais a atenção.

— Nate... — ele sussurrou me empurrando até deitar-me na cama. — Você é tão parecido com o L, só que não o é... Uma pena. — ele finalizou sorrindo assustador.

Faz quatro meses que essa mesma situação se repetia, há dezesseis semanas que eu não consigo mais reagir ou implorar para que ele não continue, há cento e doze dias eu perdi a minha mente, a habilidade de raciocinar e até o significado disso.

— Você nunca será igual a ele, mas me contento com isso por enquanto. — Beyond riu enquanto terminava de manchar com aquele sangue sujo a minha roupa branca, o meu cabelo, e por fim o meu corpo.

Ele me tocou mais uma vez... Doeu mais... Tanto o corpo quanto a alma.

Mello, você também já fez isso que ele agora faz, mas quando era você... Eu não me importava, triste admitir que até gostava. Com você , eu sabia que o fim não seria tão trágico, mas com Beyond, qualquer loucura é só o começo.

Birthday não irá parar, pelo menos não enquanto eu não me desfizer dessa minha indiferença, mas isso já deixou de ser possível. Eu prometi que somente Mello poderia ver-me como sou, sendo assim, peço perdão Mello, você deve estar querendo me bater por deixá-lo continuar. Sinto muito, ele novamente entrará pela porta amanhã, irá me bater, ofender e possuir e eu, farei novamente essa reflexão inútil.

Eu já não me importo, o sangue muitas vezes que provem do corpo dele se confunde com os que ele arranca de mim com facas ou navalhas, é uma dor boa, uma dor que faz com que eu pare de pensar, que me faz sentir novamente como é estar vivo.

Não é prazeroso, talvez um pouco, lembra-me de você e é só por isso que suporto toda essa armação mal feia e não digna de qualquer sucessor de L.

No final das contas, eu e Beyond Birthday não somos muito diferentes, pois sei que enquanto eu vejo Mello nele, ele vê L em mim. Nós só procuramos um no outro aqueles que amamos, mesmo que doa, machuque, que me faça chorar e querer dormir e não acordar.

Aprendi a ser masoquista, Mello, por você, para manter-me vivo, para conseguir te alcançar mesmo morto, para tê-lo perto de mim por alguns segundos, por isso eu aguento.

Beyond ri sempre que termina de me violar. Violar? Não é bem a palavra, mas é como me sinto, violado. Ele nunca sai de dentro de mim rápido, ele permanece rindo, lambe meu pescoço e bochecha antes de desferir outro tapa em meu rosto.

— Puta — ele sussurrou, levantando-se com um sorriso macabro.

Saiu do quarto, nem me mexi, apenas me enrolei no lençol e fechei os olhos.

Puta?

Hum... Talvez, mas isso já não me significa nada, apenas um vazio. Minhas lágrimas secaram, desculpe, não posso nem mesmo derramá-las nesse momento de decadência, mas deixe quieto, não quero pensar nisso agora, porque logo Beyond se enjoará de mim, logo ele me matará como prometeu e aí sim eu vou poder tê-lo para sempre, querido Mello. Só espero que não demore muito, já cansei dessa brincadeira de faz de conta.

Feb. 25, 2018, midnight 2 Report Embed 0
The End

Meet the author

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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Mori Katsu Mori Katsu
Mello que estas no... não faço idéia onde, socorra a pobre essa pobre ovelha. Nate é uma coisa fofa. Esse Beyonde é, esplêndido, não me entenda mal, não sou sádica, mas é dos vilões que eu gosto.
June 10, 2018, 5:04 p.m.

  • Alice Alamo Alice Alamo
    Oii! Nossa, ainda não acredito que você veio ler essa fic antigassa hahahaha. Nate é fofo demais, eu tenho paixão por essa ovelha, nossa que vontade de apertar! E eu amo o B, amo ele como vilão! Muito obrigada pelo comentário! Beijoss June 12, 2018, 3:31 p.m.
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