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aoneko_nactis Nactis Aoneko

Quatro homens contra um império. Uma guerra. Duas mortes. Mais dor do que se pode aguentar. Sozinhos contra o tempo. Contra o destino. Contra o Futuro.


Fanfiction For over 18 only. © A fanfic é de minha autoria. A história original Final Fantasy XV é da square roteirisada da por Tabata. Não reproduzam sem autorização.

#Yaoi #Angst #Promptis #Final fantasy XV #Prompto #Noctis #Ignis #Gladiolus
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Prólogo - Somnus

Tellus dormit

et liberi in diem faciunt

numquam extinguunt

ne expergisci possint


— Nós quatro e uma fogueira juntos… quanto tempo faz? — Perguntou Noctis.

— Uma eternidade. — Respondeu Ignis de forma melancólica.

— Então… ah, eu… — Noctis hesitou por um momento. Eram tantos pensamentos, tantos sentimentos, não sabia como colocar tudo em ordem.

— Põe pra fora. — Gladiolus tentou motivá-lo.

— Eu só… — Hesitou novamente, cerrando os punhos. — Droga, por que diabos isso é tão difícil? — Parou observando o trepidar das chamas na fogueira e sentindo a escuridão à sua volta. — Eu só… Eu estou em paz. Mas sabe, ver vocês aqui, agora… é tão… é mais do que eu posso aguentar. — Confessou, finalmente deixando as lágrimas que estavam esmagando seu peito escorrerem por seu rosto conforme proferia as palavras.

— É… Está sendo muito, muito difícil. — Completou Prompto, também cedendo às lágrimas que estava segurando até então pra não preocupar os demais. Noctis era tudo pra ele. Sempre fora. Agora sabendo que aquela seria sua última noite ao lado dele realmente não conseguia suportar. Pelo menos não estava sozinho. A confissão de que Noctis também não queria se separar deles era de alguma forma um alívio. Sempre achou que era insignificante demais pra ter sua presença notada pelo príncipe do grande Reino de Lucis, mas aquela declaração que acabara de ouvir contradizia isso. No final, Noctis se importava.

— Finalmente você conseguiu falar. — Comentou Gladiolus, tentando não sucumbir às expressões mortificadas de seus companheiros, enquanto disfarçava uma lágrima teimosa que havia escapado por seus olhos.

Um silêncio fúnebre pairou no acampamento, sendo interrompido apenas pelo leve soluçar de Noctis e Prompto. Ignis e Gladio mantiveram suas expressões firmes, mas todos sabiam que a dor deles era igual. Ficaram assim em silêncio, parados e sem apetite até que as horas se avançassem de encontro ao dia seguinte, sem que nenhum deles ousasse tentar dormir.

— Tem que ter outro jeito. — Prompto disse, quebrando o silêncio mórbido e indignando-se ao perceber o olhar de compaixão no rosto de Gladiolus. Noctis e Ignis sequer moveram-se. — Tem que ter outro jeito, tá legal?! Que tipo de reino pacífico é esse que a gente quer construir em cima de dor e morte?! Já não chega todo o sangue derramado?! Hein?! Foi por essa causa que a Luna entregou sua vida?!

— Já chega, Prompto. Você escutou o que o Noct disse, o Cristal falou que esse é o único jeito. Acha mesmo que se houvesse alguma outra forma nós estaríamos aqui parados? Não pense que você é o único aqui que está sofrendo!

— Dane-se o Cristal, Gladio! O que uma pedra velha sabe sobre as coisas, afinal? — Rebateu com a voz trêmula e as lágrimas ainda encharcando seu rosto. Cerrou os punhos e levantou subitamente da cadeira do acampamento. — Se é esse o preço do Reino de Lucis, então me enganei ao querer fazer parte dele. Se fosse pra viver às custas de morte eu tinha ficado em Niflheim. — Concluiu irritado e deixou o acampamento caminhando sem rumo.

— Prompto, volta aqui! Noctis faz alguma coisa, têm demônios demais lá fora, é perigoso ele ir pra lá assim. — Gladiolus levantou alarmado, procurando sua espada para ir atrás de Prompto.

Noctis se levantou e pousou a mão no ombro de Gladiolus, pedindo com o gesto pra que ele ficasse, e foi em direção ao amigo irritado. O encontrou sentado no chão árido da região entre Leide e Insomnia chorando copiosamente abraçado em seus joelhos.

— Hei, posso me sentar aqui? — Tentou uma abordagem gentil. Não era o momento para mais discussões. Ele acenou com a cabeça e permaneceu sem falar. — Eu sei que as coisas não estão sendo fáceis… Olha, eu juro que não existe nada que eu gostaria mais do que poder ficar mais tempo com vocês, mas eu tenho uma responsabilidade como rei e vocês três também tem um papel importante nisso. As pessoas do mundo todo estão contando com a gente, não é hora pra ser egoísta, sabe?

— Eu entendo. Eu entendo cada palavra, mas ainda assim... por que tem que ser a gente?

— É o nosso destino, eu acho. Você tem que ser forte, eu estou contando com isso. Preciso de você pra ficar de olho no Iggy e pra manter o Gladio na linha. Você tinha me dito uma vez que tudo o que você queria era ser útil pra mim, e bom, essa é a hora de tornar isso real.

— Não era pra ser desse jeito, Noct. Não é justo que seja assim.

— A vida não é justa. Veja o que houve com meu pai, com Luna, com Ignis. A vida é uma sucessão de catástrofes e cabe a nós tentar tornar isso um pouco melhor pra quantas pessoas pudermos. É uma droga, mas nós somos os escolhidos.

— Eu não sei se posso fazer isso.

— Honestamente? Eu também não sei. Tô apavorado. Queria mais do que tudo poder entrar em qualquer uma das lembranças que você registrou com sua câmera e ficar congelado ali pra sempre. Só que eu sou o rei e tenho um trabalho a fazer.

Com esforço Prompto parou de chorar e ficou um tempo em silêncio. Noctis havia crescido tanto no período que passou no cristal. O homem firme sentado à sua direita em nada parecia com o garoto amedrontado que vira na última vez, embora o temor não o tivesse abandonado completamente. E o pior, a situação estava realmente crítica. Haviam se afastado apenas poucos metros da fogueira do acampamento e já dava pra ver vários demônios no horizonte. Mal conseguia acreditar que aquela vastidão escura e desolada à sua frente era a incrível capital do Reino de Lucis, Insomnia. Ainda conseguia se lembrar claramente dos sons e da agitação da metrópole, agora feita em ruínas. Acabou suspirando conformado com a decisão de Noctis.

— Me desculpa, eu tou piorando tudo, não tou?

Noctis o encarou nos olhos e pousou a mão gentilmente em seu ombro.

— Eu só preciso que você fique firme.

E eu só preciso que você fique comigo. Pensou Prompto, mas conseguiu manter a frase presa em seus lábios. Em vez disso, levantou-se e ofereceu a mão para ajudar Noctis a se erguer também e foi com ele em silêncio de volta ao acampamento.

Na manhã seguinte o Sol não raiou. Mais um entre os aproximadamente 3650 dias sem luz. Rapidamente os quatro arrumaram suas coisas no acampamento e seguiram seu caminho. Depois de vários confrontos eles finalmente se puseram diante da porta que dava para a sala do trono. Prompto esperava mais um momento de despedida melancólica, mas surpreendeu-se pelo pedido de Noctis.

— Quer ver as fotos?

— Isso. Gostaria de levar uma comigo.

O pedido inesperado trouxe uma leve mudança nas expressões dos companheiros.

Ignis ia tentar dizer algo pela primeira vez no dia, mas foi interrompido pela sensação das mãos de Noctis entorno de seu corpo, minutos antes de ter os outros dois companheiros massacrados no pequeno espaço que havia dentro do abraço repentino. O silêncio era sua forma de não sucumbir à dor de despedir-se daquele ao qual dedicou-se a vida toda em troca de um nascer do Sol que jamais veria e que iluminaria uma terra desolada, por isso acabou desistindo de dizer o que quer que fosse.

— Eu amo muito vocês. Nunca mudem, ok? — Noctis sussurrou para os companheiros, soltando-os em seguida e entrando com determinação na sala do trono para encarar Ardyn. Não olhou pra trás. Temia que se o fizesse acabaria desistindo.

Noctis sempre aceitou bem as responsabilidades por ser o escolhido do Cristal. Aguentou todas aquelas pessoas lhe dizendo o que fazer a vida toda, o lembrando a cada passo seu que o destino do mundo estava em suas mãos, mas era a primeira vez que sentia esse fardo de fato nos ombros. Havia pensado sentir o peso de suas responsabilidades quando Luna morreu, mas agora percebia que não. Na ocasião sentira apenas dor e luto. Agora, era algo maior. Uma sensação de solidão inexplicável.

Engoliu seco, tentou afastar os pensamentos e seguiu ao encontro com Ardyn. Tiveram alguns momentos de discussão e uma luta intensa na praça central da capital Insomnia. Como Ardyn era o primeiro Rei de Lucis, os poderes do Cristal correspondiam a ele, tornando a situação ainda mais complicada. No entanto, após uma incontável sequência de golpes, finalmente ele acabou perecendo.

Noctis, então, reencontrou o grupo diante da escadaria que dava para a sala do trono para encará-los uma última vez antes de entrar e convocar os espíritos dos Reis de Lucis, entregando sua alma para os Seis em troca da liberação do feitiço maligno que Ardyn havia instaurado no mundo, colocando-o sob efeito de uma noite sem fim.

— Agora não tem mais volta. — Afirmou Ignis, colocando em voz alta o que todos já sabiam, trazendo para si a responsabilidade de carregar as consequências daquelas palavras. Sabia que assim que Noctis os deixasse o reino ficaria em suas mãos e na de seus dois companheiros, assim como também sabia que Prompto estaria abalado demais pra fazer algo em um primeiro momento e Gladiolus, com sua personalidade instável, também seria alguém difícil de lidar. Sentia-se como se estivesse entregando um filho ou um irmão mais novo direto pra morte e angustiava-se ainda mais a certeza de que não poderia vacilar em seu pesar e que a ausência de sua visão mais do que nunca não poderia tornar-se mais um obstáculo. Mas, como sempre, impediu que qualquer uma dessas emoções transparecesse em seu rosto, mantendo seus traços rígidos como os de uma estátua de mármore.

Noctis subiu alguns degraus lentamente, respirou fundo e voltou-se para os companheiros, entregando-lhes com seus olhos toda a confiança que sempre teve por cada um deles.

— Estou contando com vocês. — Ele disse uma última vez.

— Sim, Alteza. — Os três concordaram formalmente em uníssono, fazendo uma reverência.

Prompto, abalado, demorou um pouco mais do que os outros dois para se curvar, tornando o gesto fora de ritmo. Estava atônito. Quase anestesiado pelo tamanho de sua dor. Olhar para Noctis sabendo que cada degrau que ele subia o levava em direção a morte era inacreditável. Era como se estivesse em um daqueles pesadelos onde você percebe que algo muito ruim vai acontecer com alguém, mas quando tenta gritar pra avisá-lo sua voz fica presa.

Noctis deu as costas ao grupo e passou a subir lentamente os degraus que davam à sala do rei. Aquela era a hora de enfrentar seu destino. Cada passo na direção do trono fazia seu desespero multiplicar. Não queria morrer. Não queria morrer sozinho. O anel em seu dedo parecia pesar uma tonelada quando finalmente conseguiu atingir a cadeira. Conseguia quase tocar nas memórias e sentimentos de seus antepassados presas no pequeno objeto.

Respirou fundo tentando normalizar a respiração descompassada pelo nervosismo. Pegou em seu bolso a fotografia que havia pedido momentos antes para Prompto. Curiosamente, havia apenas ele na imagem que escolhera. Focalizou a visão no sorriso lindamente aberto do melhor amigo tentando entender o porquê de tê-la escolhido. Talvez fosse porque Prompto era a única parte de sua vida que não tinha a ver com reinos e responsabilidades.

Tinha uma ligação muito forte com Ignis e Gladiolus, mas era diferente com Prompto. Gladiolus estava consigo por causa do compromisso selado por sua família a gerações de proteger o Rei. Ignis estava pelo dever de ser seu conselheiro. Claro que nutria um amor imenso por eles, mas Prompto, Prompto estava consigo apenas porque queria estar e isso o tornava diferente. O elo entre eles nasceu formado apenas de amizade e confiança, se desenvolvendo com o passar dos anos para algo mais do que isso. Algo que Noctis nunca tinha sentido a necessidade de parar pra entender e nomear, mas que ali, sozinho e assustado, pareceu-lhe uma ponta solta a qual deveria ter resolvido enquanto ainda havia tempo.

Olhando para sorriso de Prompto na fotografia, tentou uma última vez entender o que aquele sentimento significava, mas sem muito tempo pra isso, desistiu. Em breve sua existência deixaria de fazer parte desse mundo, então não é como se nada disso importasse.

Se conformou com seu destino, tomando fôlego e finalmente convocando os espíritos dos antigos Reis de Lucis e o apoio dos Seis. Pediu para que o guiassem como Bahamuth o instruíra no Cristal, e assim eles fizeram. E então, um a um, os antigos Reis atravessaram o corpo de Noctis com suas armas.

A dor era terrível. A sensação de ter mil lâminas de luz cravadas em seu corpo. Era como se queimassem e rasgassem sua pele ao mesmo tempo. E sempre antes de se recuperar de um golpe, outro vinha em seguida. E outro. E outro. Seu rosto e cabelos estavam encharcados, Noctis não saberia dizer se de lágrimas, de suor, ou de ambos. Suas mãos tremiam, ele tinha que lutar com toda a força que lhe restava para mantê-las seguras na espada que apoiava no chão para impedi-lo de cair.

As memórias da viagem passavam como flashes em sua mente. As aventuras, as lutas, os sorrisos. Doía tanto. Doía ao ponto de desejar que acabasse logo, mesmo sabendo que o fim da dor, era também o seu fim.

Houve uma pausa na sequência de golpes, dando-lhe tempo de tentar erguer a cabeça, mas não havia mais força. Só conseguiu espiar levemente por debaixo da franja um borrão de luz azul. Estava tão fraco. Sua visão estava turva e cada mísero centímetro de seu corpo parecia a ponto de se soltar, desfazendo-se em mil pedaços.

— Estou pronto. Confie em mim, pai. — Sussurrou sem forças para o último feixe de luz que faltava atravessá-lo.

Sabia que o próximo golpe seria o último. Despediu-se mentalmente da luz, do gosto salgado do suor em seu rosto e do frio que sentia. Despediu-se da dor e dos amores vividos. Por fim, despediu-se da vida.

Feb. 24, 2018, 10:17 p.m. 2 Report Embed 1
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Camy <3 Camy <3
BONITO, hein? Muito bonito! Reclama que eu faço angst, mas aí eu venho aqui na maior paz, num fandom que eu nem conheço E AGORA TÔ SOFRENDO. Cadê a vergonha na cara, meu amor? Eu nem conheço o fandom, nem conheço os personagens, E TÔ QUASE CHORANDO AQUI. Como pode uma coisa dessas? Devia ser proibido chorar por fandom que nem se conhece, pelo amor de Deus... Mas a história tá linda. Entendi só metade, não saquei as referências, mas tô muito sad. Sério, responsabilidades com o reino meu cu (mentira, eu sei que isso é mais importante que o amor que eles sentem um pelo outro, eu sei...)
Oct. 16, 2018, 8:53 p.m.

  • Nactis Aoneko Nactis Aoneko
    Em minha defesa a maior parte desse capítulo são cenas do jogo que eu apenas transcrevi. Minha fic começa quando o jogo termina pq eu odiei loucamente o final e quis refazer tudo. A cena do acampamento, a escolha da foto, a despedida na frente da escada, os espíritos dos Reis matando o Noctis no final são tudo culpa de um japonês sem coração chamado Tabata. Eu adicionei algumas falas e botei o pensamento deles nas cenas, mas quem matou o Noctinho não foi eu. Mas terminando minha defesa e começando a acusação, a Liz chorou com o capítulo 3 que era todo meu Huahuahuhahu Ainda tô meio chocado de vc ter lido essa fic hagsvscahan te amo <3 Oct. 19, 2018, 8:41 p.m.
~

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