Somos tão Complicados, Não? (2011) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Podíamos muito bem fingir que nada aconteceu, fingir que aquilo que sentimos naquele momento não tinha sido nada, que nem tínhamos sentindo alguma coisa. Para ser franco, eu podia fingir que não gostava de você por perto, que não gostava de seu cheiro, enfim, eu podia fingir que gostava da Sakura, mas nós dois sabíamos que não era bem assim. (Fanfic escrita em 2011)


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#yaoi #naruto #sasuke #ua #naruto-sasuke
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Capítulo Único


Podíamos muito bem fingir que nada aconteceu, fingir que aquilo que sentimos naquele momento não tinha sido nada, que nem tínhamos sentindo alguma coisa.

Para ser franco, eu podia fingir que não gostava de você por perto, que não gostava de seu cheiro, enfim, eu podia fingir que gostava da Sakura, mas nós dois sabíamos que não era bem assim.

Eu queria fugir de você, queria por em ordem meus pensamentos, queria poder te entender ou me entender antes de abrir a boca e te machucar mesmo não querendo.

O treinador disse que você estava dispensado do treino aquele dia. Uma punição merecida, você sabe. Quem manda enfrentá-lo daquele jeito? Só você mesmo, dobe.

Mas você não podia ir sozinho para esse castigo né? Eu às vezes, devia esquecer que você é meu amigo, devia te deixar se ferrar sozinho! Mas não... Eu tinha que tentar te defender. Uma grande burrada isso sim.

Você saiu furioso da quadra para o vestiário e de lá para o corredor da escola, o pior de tudo é que fui junto, xingando você e sua maldita boca grande. Eu era capitão daquele time, será que você não entendia que regras têm de ser cumpridas?

Dobe, dobe dobe! Que raiva.

Eu estranhei o corredor estar vazio, mas nem me importei até ver um inspetor nos chamar no final do corredor. Foi aí que nós dois entendemos que nem em sonho podíamos estar ALI e NAQUELE HORÁRIO. Afinal, era horário de aula, não?

— Sasu... — você falou baixo vendo o inspetor se aproximar devagar, mesmo ainda estando longe.

— Vem. — Peguei a sua mão e saímos feito loucos, correndo pela escola e ouvindo aquele louco continuar gritando.

— Será que ele nos reconheceu? — você perguntou enquanto descíamos para o térreo, onde fica as salas do fundamental.

— Espero que não — disse ainda correndo. Nós ouvíamos a voz do monitor e em um ato impensado entramos na primeira porta que vimos, uma tentativa muito ruim de nos esconder, não acha?

Para nossa sorte, ou azar, entramos na típica sala onde ficam os produtos de limpeza. Não era muito espaçoso, mas podíamos pelo menos nos mover e dar alguns passos.

Como se a sua burrice já não fosse grande o suficiente, ao ouvir que o monitor não estava lá, você teve a brilhante ideia de levar ao nariz um produto e cheirar. Garoto, como você é burro! Nem deu tempo de eu tirar aquilo das suas mãos, você mesmo o pôs de volta e começou a tossir.

Eu já tinha visto a cena antes. Aquilo me apavorava, sabia?

Sua mão sobre o peito e você tentando respirar sem muito sucesso. Eu te segurei quando você ia cair e te trouxe para perto de mim, enquanto eu sentava no chão, abria as pernas e te puxava para que suas costas colassem em meu peito. Assim eu coloquei uma mão sobre seu coração e outra em seu cabelo, tentando tranquilizar sua respiração.

— Calma. Naruto, Naru... — eu te chamava meio desesperado, você se agarrava no meu braço tentando puxar o ar com esforço.

Mas que droga! Por que raios você sempre nos metia nessa situação? E por que raios agora era eu que não conseguia respirar direito?

— Sasu... Sasu... — você me chamava de modo descompassado. Fiz menção de me levantar e pedir ajuda, mas você me segurou mais forte ainda.

Você me olhou com os olhos já marejados e eu não pude evitar de ficar nervoso, sem ação. Aos poucos eu sentia seu aperto em meu braço diminuir a força e sorri aliviado, deixando minha cabeça bater na parede e mesmo assim continuei a sorrir.

— Você sempre me assusta MUITO quando tem esses ataques — confessei, te puxando e te abraçando pelas costas, ouvindo sua respiração e sentindo o seu coração sob minha mão acelerado. Continuei assim até você voltar totalmente ao normal. Não te soltaria tão fácil. — Onde enfiou aquela bombinha afinal? — perguntei nervoso.

— Nem sei...

— Me promete que não vai mais sair sem ela.. Promete ?

— Vou tentar. Obrigado — você falou enquanto sorria.

— Não se deve agradecer por isso. Você é meu amigo, é meio que obrigação sabe? — falei enquanto você se ajeitava em meus braços, deitava a cabeça no meu ombro e se encolhia feito criança em mim.

— Obrigado por não sair daqui — você explicou, levantando a cabeça e me olhando meio corado, não sei se devido ao ataque ou não.

Eu não respondi, fiquei desconcertado, meio estranho e me sentindo quente. Minha mão foi até seu rosto e eu te acariciei, foi algo que nem eu previra, mas eu vi o azul do seu olho ficar intenso e você segurar minha mão sem retirá-la de seu rosto.

Devagar você começou a se por de joelhos de frente para mim, sentou sobre suas pernas e eu me vi perdido em seus olhos assim como você estava perdido nos meus. Inclinei-me para frente e deixei você se aproximar, tirando qualquer distância entre nós.

Segurei sua nuca e te puxei para os meus lábios. Os seus, como eu já devia ter imaginado, tinham gosto de chocolate. Doces e quentes, macios e meus. Você arrumou um jeito de sentar em meu colo, suas mão em minha nuca, minhas mãos em sua cintura, prendendo-te a mim.

Um beijo lento, como se fosse uma experiência. Eu estava confuso, até o momento eu era hétero e agora estava sentindo mais prazer com um único beijo em meu melhor amigo do que com minha namorada há três meses.

Minha língua em sua boca, um toque sutil demais para pessoas como nós. Melhor, para pessoas como você.

Eu já apertava mais você contra o meu corpo, sentindo que vocÊ estava ficando excitado com aquilo. Grandes amigos nós somos. Ambos namorando garotas, traindo-as, e seria ainda pior quando fôssemos explicar com quem. Isso se fôssemos explicar alguma coisa.

— Nós fomos dispensados, não fomos? — você me perguntou quando nos separamos daquele beijo.

— É, por quê? — eu perguntei ainda meio confuso, sentido você me arranhar a nuca devagar, e suspirando por aquele toque.

Você não me respondeu, voltou a me beijar e só aí eu acho que entendi o que se passou por sua cabeça.

Em meia hora eu estava sobre você, deitado na sua cama, infelizmente ainda vestido, e te beijando de novo e de novo. Nós nem tínhamos noção do que estava acontecendo, estávamos apenas fazendo o que o momento pedia que fizéssemos.

O gosto da sua pele em meus lábios, sua mão percorrendo meu corpo, as marcas que fazíamos questão de deixar um no outro, os gemidos que se intensificaram quando eu te tomei para mim, quando te fiz meu. Tudo isso, em nossa mente, demoraria para ser apagado. E, sendo sincero, eu não queria que fosse.

Desabei sobre você e acabamos dormindo ali mesmo.

Eu acordei primeiro, percebendo o que tínhamos feito de fato. Minha cabeça estava a mil, eu não sabia o que pensar, o que fazer. Peguei minhas roupas, minha mochila enroscou na sua e com certeza eu tinha derrubado algumas coisas da sua penteadeira, mas isso não importa. Fui embora antes que você acordasse. Eu estava assustado e confuso demais para ir para a casa.

Comecei a andar por aí e meus passos me levaram para a casa do meu irmão mais velho que se assustou ao me ver ali. No momento em que ele abriu a porta eu o abracei forte, com certeza o assustando. Ele me perguntava toda hora se eu estava bem e eu dizia que sim.

Sakura era sua amiga, e Hinata era nossa amiga. Como explicaríamos para elas? Aliás, eu e Sakura nem tínhamos um amor muito grande, mas você e Hinata.. Eu me senti sujo ao lembrar o quanto vocês eram apaixonados e o quanto você lutou por ela. Somos tão complicados, não?

Resolvi sair da cidade por um tempo... Era no máximo uma semana, só para botar meus pensamentos em ordem, mas você não me deixou ir mesmo que não tenha dito nada.

Naquele dia mesmo eu ia para a casa dos meus tios lá no fim do mundo, mas foi eu entrar no avião e abrir a minha mochila da escola que tive que sair de lá correndo.

No meio dos meus livros, no fundo da bolsa, sabe-se lá como, estava aquela sua bendita bombinha de ar. E você que tinha me prometido tomar cuidado.

Meu irmão ainda estava no aeroporto, ele falou que iria esperar o avião decolar, e ao me ver não pôde não se espantar. Subi na moto com ele e voltei correndo para sua casa, pedi para Itachi voltar e pegar a bagagem lá no aeroporto enquanto resolvia as coisas por aqui. Meio que arrombei a porta, e subi as escadas. Vai que você tinha tido um ataque, era minha desculpa para entrar no seu quarto com tanta pressa.

Ri quando cheguei lá. Depositei a bombinha ao lado da cama e te observei ainda dormindo, devia estar exausto para não ter acordado até agora. Eu sorri triste enquanto deitava atrás de você, abraçava sua cintura e te puxava para mim. Hinata que se exploda, eu te amava e se qualquer decisão precisasse ser tomada, eu esperaria você tomar, porque a minha escolha eu já tinha feito quando decidi voltar.

Feb. 24, 2018, 10:15 p.m. 0 Report Embed 8
The End

Meet the author

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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