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bdamas Bárbara Maria

"Quando falo sobre Temari, digo que ela é como uma força da natureza; um vendaval que passou por minha vida e bagunçou muito mais que meus cabelos e minha cama. (...) Falavam como se eu tivesse culpa, como se fosse possível para mim me esquivar daquela mulher que tomou posse de mim assim que me olhou com aqueles olhos verdes em meio à multidão. Orbes que são como as folhas quase secas que rodopiam no vento." [ShikaTema] [DesafioFNS] Songfic da música Nobre Vagabundo - Daniela Mercury


Fanfiction For over 18 only. © Personagens pertencentes a Masashi Kishimoto

#Naruto #Temari #Shikamaru Nara #ShikaTema #cachecoldobrega #bregafns #fns
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Capítulo Único

   Quando falo sobre Temari, digo que ela é como uma força da natureza; um vendaval que passou por minha vida e bagunçou muito mais que meus cabelos e minha cama. Muitos de meus amigos, principalmente Chouji e Ino, me chamaram de doido quando embarquei nessa loucura, afinal, deixei para trás um relacionamento seguro e confortável com Shiho, minha noiva na época, para viver de grãos de areia que grudavam na minha pele quando o vento passava. Falavam como se eu tivesse culpa, como se fosse possível para mim me esquivar daquela mulher que tomou posse de mim assim que me olhou com aqueles olhos verdes em meio à multidão. Orbes que são como as folhas quase secas que rodopiam no vento.

Fevereiro de 2013, último dia de Carnaval, Salvador - BA

   Ela estava incrível naquele dia. Usava roupas coloridas de roxo e branco, leves e impecavelmente moldadas às suas curvas de mulher. Os cabelos estavam soltos, e a cada vez que ela se mexia em cima do trio ao ritmo da música que sua voz rouca entoava, os fios dourados dançavam junto, brilhando sem pudor à luz do sol que já começava a se por. E lá estava eu, hipnotizado, observando-a do camarote onde Shiho, Ino e Sai me acompanhavam. Eu nunca tinha me sentido inclinado à trair minha ex-noiva, até aquele dia. Me sentia fraco só de observar Temari em cima daquele trio elétrico; uma de minhas mãos apertava com força a mureta de proteção do camarote, enquanto na outra jazia um copo de cerveja, já totalmente esquecida e quente pelo calor de minha mão trêmula pela pulsação acelerada.

   A cantora não olhava na direção que eu estava. Ela queria saber de povo, da reação deles, de sentir a vibração de quem se encontrava na pista e que a fazia arrepiar ao acompanhar seu canto num coro quase etéreo. Eu queria estar no meio daquelas pessoas, quem sabe receber um olhar ou um sorriso dela, como prova de que me viu. Agradeci aos céus, ainda que estivesse pecando em pensamento, quando Shiho disse que estava cansada e que voltaria para o hotel, juntamente com Ino e Sai. Ela não me questionou quando mostrei desejo em ficar. Depositava sua confiança em mim cegamente, e às vezes me sentia o pior dos homens por não ter sido digno de tal.    Quando eles se foram, o sol já tinha se posto e a lua se levantava. Caminhei para o meio da multidão e passei a acompanhar o show de lá, olhando para aquele espetáculo de mulher. A atração ali não era só a música; era ela. O cheiro de maresia no ar junto com a foda que ela fazia com a minha cabeça sem nem mesmo me notar ali.

   As horas de show foram passando, e para o encerramento, Temari decidiu descer do palco. Eu estava em uma espécie de torpor enquanto acompanhava seus movimentos, ela passando em meio às pessoas, abrindo o caminho gentilmente, como se procurasse algo, sendo escoltada por um único guarda-costas que afastava algum fã mais enérgico. Quase não acreditei quando ela parou em minha frente, a testa brilhando de suor e um sorriso nos lábios carnudos. Sorri automaticamente de volta, até ser surpreendido por sua boca na minha. Nervoso, tentei corresponder o beijo à altura, mas o álcool e adrenalina que corriam em minhas veias fizeram de mim o menino inexperiente que fui na adolescência, sem saber lidar com aquilo tudo que eu tinha em meus braços.

   Quando ela se separou de mim, eu estava dormente, entorpecido pelo sabor daquela boca vermelha e quente. Tão fora de mim que nem me atentei às câmeras de celular voltadas para nós, capturando o momento em que fui devorado por aquela leoa, completamente envolvido pelo vendaval. Apenas me deixei levar quando ela me puxou pela mão através da multidão. Ela podia fazer o que quisesse comigo, eu já lhe era completamente pertencente.

   Naquela noite, em seu quarto de hotel, ela se fez minha. Me lembro de meus lábios correndo por todo seu corpo, seus quadris largos me castigando em um cavalgar selvagem, de nós dois explorando cada centímetro quadrado daquele quarto, sem que eu me preocupasse com o que aconteceria além dali. Me apaixonei ao vê-la no trio, passei a amá-la ao tê-la em meus braços, desde a primeira vez.

   No dia seguinte, acordei com ela dormindo em meu peito. Conversamos, e ao conhece-la, eu só me atirava cada vez mais de cabeça naquele abismo. Trocamos telefones, e eu voltei para o hotel onde minha noiva me esperava.

   Ao vê-la, eu senti que ela já sabia. Terminamos nosso noivado ali, ela com muitas lágrimas nos olhos, e eu com muita culpa em meu coração. Culpa por não me sentir triste, por já estar amando outra pessoa antes mesmo de deixa-la.

   Meses depois, me encontrei mais algumas vezes com Temari, e mesmo já estando ciente, decidi admitir a mim mesmo o quanto estava dependente. Eu a queria mais que tudo. Queria o cheiro de seus cabelos, queria seu corpo, sua voz gostosa tanto para cantar suas músicas quanto para sussurrar obscenidades em meu ouvido durante o nosso sexo. Queria que ela fosse minha, e de mais ninguém.

   Erro meu foi achar que a teria só pra mim.

Dezembro de 2017, Belo-Horizonte – MG

“Respirar o amor aspirando liberdade”

   Suspirei, cansado depois de mais um longo dia de trabalho gerindo a empresa de Engenharia Civil da família. Enquanto dirigia até meu apartamento, pensava em como seria bom chegar em casa e ter Temari ali, molhada e pronta para me receber em mais uma noite de amor. Uma pena que ao abrir a porta, eu apenas encontraria o lugar vazio, limpo e organizado do jeito que eu mantinha, mas que clamava por receber uma certa bagunça loira.

   Eu já estava a seis meses sem ver Temari. Seis meses sem sentir seu cheiro de brisa marítima, sem provar do sal de sua pele molhada de suor enquanto ela me cavalgava. Ela, como cantora e espírito livre que era, vivia em turnês de shows, dando a outros a oportunidade de amá-la, assim como eu. Eu sentia ciúme, muito ciúme deste jeito dela, de não querer se prender em um relacionamento. Sentia raiva de pensar na possibilidade de que outros homens poderiam tocá-la da mesma forma que eu, homens estes que talvez não reparariam no quanto ela ficava bela ao acordar de manhã, desgrenhada e de mau humor; em como seus olhos ficavam de um verde mais puxado para o azulado de manhã, e verdes folha quase seca durante a tarde.

   Quando eu expunha esses meus pensamentos, ela ria, uma risada gostosa que me desarmava, e dizia “Meu bem, seu ciúme é pura vaidade.

   Dizia que eu querer que ela se casasse comigo era um capricho, que seu coração era meu e que não necessitava de um juiz e aprovação familiar para que fosse verdade. Nossas alianças foram trocadas em pensamento; nossa certidão de casamento era reescrita a cada vez que suas unhas arranhavam minhas costas e meus tapas marcavam a pele de suas coxas.

   “Se tu foge, o tempo logo traz ansiedade”

   E eu acreditava nisso. Acreditava porque não havia a possibilidade de um mundo real em que Temari não correspondesse aos meus sentimentos. Acreditava porque ela sempre voltava, ainda que ficasse pouco. Eu a amava com toda a minha força quando ela estava aqui, e passava o resto do tempo ansioso por sua presença, por seu cheiro, por seu carinho.

   A proposta era que nos pertencêssemos quando ela estivesse aqui, e quando não, que estivéssemos abertos a outras pessoas e oportunidades. Eu tentei. Juro que tentei. Mas não havia mulher que se assemelhasse a Temari, então escolhi esperar. Reabastecia meus reservatórios de felicidade quando ela vinha, para que quando ela se fosse, eu pudesse suportar até quando ela aparecesse de novo.

   Mas depois de seis meses longe, meu reservatório já se encontrava em volume morto.

   Depois de meia hora no engarrafamento causado pelo horário de pico, consegui estacionar em segurança na garagem subterrânea do meu prédio. Peguei algumas pastas com documentos que estavam no banco de trás e fui até o elevador, já começando a afrouxar a gravata que passou o dia me incomodando. Caminhei até a porta de meu apartamento e introduzi a chave na fechadura, estranhando ao encontrar a porta já destrancada. Com o cenho franzido e meu corpo em alerta, abri a porta lentamente, avançando para dentro da sala com cautela. O que vi em cima do meu sofá fez meu coração imediatamente acelerar, e as pastas que estavam em minhas mãos foram ao chão.

   Temari estava ali, linda, de lingerie preta e fumando um cigarro de menta. Quando ela ergueu os olhos para mim e sorriu, foi como se todos os meus problemas fossem pulverizados. Fechei a porta atrás de mim e caminhei até ela, parando em sua frente. Ela se levantou, e apoiando as mãos em meu peito, se esticou nas pontas do pés descalços e deixou um beijo no meu pescoço, me fazendo arrepiar no mesmo instante em que agarrei sua cintura e a puxei para mim, afundando meu rosto nos fios de cabelo que emolduravam sua face, sentindo seu cheiro novamente me enchendo de vida, de felicidade.

   — Oi, Shika. – ela disse baixinho, acariciando os cabelos de minha nuca.

   — Oi, Tema. Senti sua falta. – ela me sorriu com aqueles olhos brilhantes, antes de segurar a gola de minha camisa e me puxar para um beijo intenso e desesperado, mostrando que ela sentiu o mesmo que eu. Só nos separamos porque respirar se fez necessário. – Quanto tempo tenho para matar essa saudade? – perguntei, a voz rouca de desejo.

   — O tempo que você precisar, meu amor. – a fitei nos olhos, confuso por sua resposta. Ela iria ficar comigo desta vez? Eu tentava lutar contra uma pequena esperança que já me gelava o estômago.

   — O que quer dizer com isso? – segurando em meus ombros, a loira nos fez trocar de lugar, me empurrando para sentar no sofá e em seguida se sentando em meu colo.

   — Minha turnê acabou.

   — Você só voltou por estar sem shows para fazer? – perguntei, me sentindo murchar e desviando os olhos dos dela.

   — Ei, Shika... - Temari colocou suas mãos pequenas em meu rosto, capturando meus lábios em um beijo terno. – claro que não é isso. A questão é que... eu finalmente criei coragem. – vi seus olhos verdes marejarem e a enlacei meu braço em sua cintura fina, pedindo que continuasse. – Você sabe como eu sou... como sempre fui. Sempre tive medo de me envolver com alguém, de me deixar prender em um relacionamento depois que vi o que isso fez com minha mãe. Ela abandonou seus sonhos, tudo... para ficar com meu pai, e no fim ser trocada...

   — Temari, eu nunca te pedi que deixasse de fazer nada por mim! Eu só te queria por perto... e ainda quero! – ela riu, e eu acariciei seu rosto, enxugando com o polegar uma lágrima furtiva que escorreu em sua pele dourada.

   — Eu sei, meu amor. Foi justamente assim que você me desarmou. Antes de você, eu ficava com uma pessoa em cada cidade que passava, sem me apegar, sem deixar que se apegassem a mim. Quando nós transamos... – ela olhou para as próprias mãos entrelaçadas em seu colo e riu, enquanto eu sentia meu rosto esquentar. – quando nós fizemos amor pela primeira vez, naquele quarto de hotel no carnaval, eu senti que tinha sido diferente.

   — Eu te amei desde o primeiro instante, Tema. – beijei entre suas sobrancelhas loiras.

   “Sou perecível ao tempo, vivo por um segundo

   Perdoa meu amor esse nobre vagabundo”

   — E eu senti isso. Por isso permiti que você se aproximasse, ainda que eu continuasse me esquivando. Eu continuei fugindo nesses 5 anos que estivemos “juntos”, me recusando a ver que mesmo prezando por minha liberdade a todo custo, eu continuava presa. Eu estava presa pelo meu medo de ser amada, e você me libertou. – eu ia contar para ela todo o efeito que suas palavras tiveram em mim, sobre como meu coração estava batendo feito louco nesse momento, mas ela me calou, colocando o dedo indicador sobre meus lábios. – Eu sei que te fiz sofrer com esse meu jeito. Você é o homem mais sensível e amoroso que já conheci, merecia que eu tivesse lhe dado valor desde o início, e por isso, admito que fui estúpida. Mas precisei disso para reconhecer o quanto eu te amo. Nesses seis meses sem contato com você, fiquei inquieta. Os momentos que tivemos juntos sempre foram de curta duração, mas foram suficientes para que eu percebesse que quero viver com você. Que quero acordar ao seu lado e ser a única que tem o privilégio de ver o quão gostoso você fica quando deixa seu cabelo solto. – ela puxou a liga que prendia meu cabelo, e este caiu liso até meus ombros. Temari se inclinou e mordeu meu lábio inferior antes de continuar, me fazendo arrepiar. – Quero que compartilhemos cada momento do nosso dia, que nos amemos e que possamos encontrar sempre nos braços um do outro o que não encontramos nos de mais ninguém. Eu quero realmente tentar, e peço que tenha paciência comigo. Que me perdoe por tudo que te fiz passar, e que me ensine como se faz... num relacionamento de verdade. – Ela deu uma risada baixa que encheu meu peito de felicidade.

   — Eu vou te ensinar, Tema. Vou te amar mais do que já amo, para que você se sinta livre como eu. Quero começar agora mesmo, matando toda essa saudade fodida que eu estou sentindo de ter você! – a beijei como se fosse a primeira vez, com a mesma alegria e desejo que senti quando ela me agarrou no carnaval de Salvador.

   Nosso reencontro foi selado naquele sofá mesmo. Enquanto nos amávamos, pele na pele, ela tocava meu corpo com paixão, e eu praticamente a venerava como uma deusa. Redescobri com meus lábios todo o seu corpo, arrancando de mim toda aquela saudade, tirando meu reservatório do volume morto e me transbordando de felicidade, de prazer... de Temari. Meus gemidos e os dela eram como declarações gritadas, que se fizeram ouvidas por todo o andar; dessa vez não apenas anunciando que o sempre sozinho Shikamaru Nara recebia alguém. Era uma promessa de eternidade.


Betado pela minha webamiga ~equinocio

Feb. 24, 2018, 9:17 p.m. 1 Report Embed 2
The End

Meet the author

Bárbara Maria Estudante de odontologia, beta reader, escritora amadora, cantora de chuveiro e violonista dentro do meu quarto. Kvetha fricai! RoyAi, Kiribaku, ShikaTema e SaiIno. bdamas no ff.net e Spirit; Barbie no Nyah!

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bree bree
A continuação serase vem aqui mesmo rsrsrsrs
Feb. 24, 2018, 6:43 p.m.
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