Encontro Noturno Follow story

xhasashi Hasashi Rafaela

Mais um encontro noturno, mais uma vez tentariam suprir a vontade um do outro em meio a guerra. Mas não era o suficiente, não mais. E agora os dois precisavam achar uma solução para o que sentiam.


Fanfiction Not for children under 13.

#Smoke x Jade #Mortal Kombat
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eu não quero nunca partir - One-Shot

Alerta, sempre alerta.

Olhava em volta da floresta de Kuatan tentando identificar qualquer perigo que se aproximasse. Seu maior receio era que alguém a encontrasse fora dos limites do palácio de onde deveria estar dormindo. Shao Kahn jamais a perdoaria. Porém gostava do risco, da adrenalina e do frio que percorria sua espinha ao pensar que aonde iria e quem encontraria fazia valer a pena sua insubordinação Aguardava no mesmo lugar de sempre, com a densa capa preta que cobria suas vestes verdes. Segurava seu bastão pronta para qualquer inconveniência.

- Você pode desculpar a minha demora? - Aquele tom rouco que veio acompanhado de uma fumaça que se formou atrás dela. As mãos saíram daquela penumbra cinza e envolveram a sua cintura.

- Smoke. - Falou quase em um sussurro enquanto sentia as mordidas em seu pescoço.

Se virou e encarou os olhos acinzentados, puxou ainda mais a máscara que ele usava para baixo e o beijou. De maneira intensa, não querendo soltá-lo por nenhum momento.

Quase se fundiam em um, a assassina se desmanchava quando sentia as mãos envolvidas por uma luva que ele usava a tocando. Sempre tão intenso, delicioso que seu coração pulsava em seu peito quase de maneira desesperadora.

- Tomas, isso tem que parar. - Confessou apertando suas mãos nas roupas dele e se separando de seus braços em seguida.

- O que deu em você, Jade? Não podemos parar agora.

- Nós estamos nesse relacionamento escondido a quase um ano. Não posso mais viver com medo de ser pega, de te matarem, de..

- Para. - Sentiu os dedos em seus lábios, a fazendo se calar. - A essa altura você realmente está preocupada se podem nos pegar? - Sorriu de canto e a puxou novamente para próximo de seu corpo. Se Tomas soubesse o efeito devastador que seus toques possuíam jamais ousaria fazer aquilo. - Você sabe que nós temos algo importante e especial, amor. - Seus lábios desceram para o pescoço dela, deixando pequenos beijos e lambidas ali. - Se você olhar em meus olhos e conseguir dizer que não me quer, paramos por aqui.

Se distanciou dela e encarou os olhos verdes que o miravam aflitos. Jade sabia que Tomas jogava pesado, tinha certeza que não era capaz de afastá-lo e expulsá-lo de sua vida. Porém precisava tentar. Aquela situação ficava cada vez mais fora de controle e temia pelo pior, Shao Kahn não era burro e muito menos ingênuo para acreditar nas desculpas jogadas ao vento que ela sempre dava quando era pega voltando para o palácio.

Desde que lutaram um contra o outro no torneio houve algo diferente. Smoke tinha um ar prepotente, um olhar tão sarcástico que mesmo com a máscara cobrindo metade do seu rosto era possível imaginar o sorriso debochado em seus lábios.

Imaginar, algo que inclusive Jade se pegava fazendo em momentos mais inoportunos. Seus devaneios a levavam se questionar como ele era por trás daquela maldita cobertura. A voz era quase melodia a seus ouvidos; a noite acordava assustada por ter certeza que a escutava às vezes sussurros na madrugada com alguém lhe dizendo que a desejava.

Talvez fossem sonhos, mas nunca saberia. A questão é que ele a tinha nas mãos facilmente.

Era impossível. Aquele amor nocivo, escondido e intenso que fazia dois assassinos tão poderosos beiram o descuido e a irresponsabilidade para se encontrarem na calada da noite em uma floresta quase inteira vigiada por lacaios do imperador.

- Você sabe que não sou capaz disso, Tomas. - Respondeu virando de costas e ele sorriu. - Porém nós precisamos...uma hora alguém…

- Eles não nos chamam de assassinos a toa, Jade. - Respondeu segurando firmemente na cintura dela. - Mas não minta para você e principalmente a mim que não me quer, que deseja que isso acabe.

- O que podemos fazer? Não estamos em um conto de fadas, Tomas. Não podemos ignorar que a situação toda é perigosa por si só.

- Perigosa e nós sabíamos disso desde o início. - Novamente a trouxe para perto, mostrando que sua tentativa de se afastar era falha. - Por que negar isso agora, Jade? Por que tentar se afastar? Você sabe tão bem quanto eu que já tentamos isso…- Tirou os cabelos dela que estavam no rosto. - Vamos fugir, não irão nos achar...vem, Jade…- Sussurrou contra sua pele e a fez estremecer.

- Chega dessa insanidade, Tomas. - Colocou novamente sua máscara verde, se cobriu com a mesma capa preta de antes. - Eu vou embora. - Antes que pudesse se mover, foi segurada levemente em seu braço.

- Por que? Você não quer ir. Você está nisso tanto quanto eu.

- Estou, mas para você é fácil falar, Tomas. É fácil se esvair em fumaça ou ficar em invisivel...e eu não tenho essa sorte, querido. Não posso fugir dos meus problemas e infelizmente das minhas obrigações como assassina. Entendeu?

- Já te disse que podemos fugir, Jade. Eu deixo o Lin Kuei e você a Exoterra…- Ela o fitou com os olhos verdes e sorriu em deboche.

- Tomas, eu te amo. Mas amo ainda mais meus deveres, e principalmente minha melhor amiga. E por mais que doa te ver partir, não vou abandonar a Kitana por sua causa.

- Não é abandonar, Jade. Inferno. - Se colocou em frente a ela e olhou nos olhos verdes que o tiravam o fôlego. No fundo, sabia que estava errado.

- Um relacionamento baseado em mentiras é impossível dar certo. - Virou as costas e passou a caminhar, quase correndo entre a floresta escura se perdendo em meio a penumbra. - Adeus, Tomas. - Foi o último sussurro que ouviu, ou pelo menos jurou ter escutado.

A dor que Smoke sentia em seu peito era agonizante, a maior que já havia tido em sua vida. Não por uma rejeição, mas por saber que aquilo também era dolorido na mulher que amava. Por mais que odiasse aceitar, Jade tinha razão.

Ainda que tentasse, que sua boca ousasse proferir que não o amava, os deuses e ele sabiam que era uma mentira. Mas ora, como conseguiriam ficar unidos sabendo que suas respectivas obrigações iriam separá-los futuramente? Eram assassinos, um dia teriam que lutar um contra o outro naquele torneio sem sentido e pelo interesse de seus mestres. Sentir-se livre era como uma mentira, e ambos sabiam. No final, eram apenas mais um animal de estimação para seus respectivos “donos” e sua única obrigação era matar.

Era o Mortal Kombat. Não uma história de amor que termina em finais felizes. Não havia fada madrinha ou um príncipe encantado; eram igualmente falhos, assim como completamente apaixonados. E dessa vez existiam barreiras demais, tão grandes que nenhum dos dois era capaz de escalar.

E se encontrariam...em outro torneio, em outra batalhada. Os olhos ainda denunciariam a saudade, o coração iria querer sair para fora do peito, a ansiedade de tirar a máscara e se beijarem até ficarem completamente sem fôlego estaria ali.

Ainda que dissessem que não, um resquício de esperança ainda existia.

Naquela noite, mais uma oração para os Deuses ancestrais.

Que seu amor estivesse a salvo.

E principalmente: Que ficassem juntos no final.

Que assim seja.

Amém.

Feb. 24, 2018, 9:05 p.m. 0 Report Embed 2
The End

Meet the author

Hasashi Rafaela Faço estágio de Scorpion nas horas vagas, principalmente quando Plano Terreno precisa de salvação. Tenho sangue Uzumaki e dou aula de como lidar com Senju Cretino, interessados chamar no probleminha. Apaixonada por Mortal Kombat e a mama da igreja HashiMito.

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