O Preço do Passado Follow story

kristelralstonwriter Kristel Ralston

É conhecida como a dama de gelo nos círculos corporativos de Nashville. Aqueles que bisbilhotam sobre C.J. Bostworth ignoram o que há atrás da imagem fria e distante. Após um casamento fracassado em que a deceção e a dor foram os ingredientes principais, C.J. mostra-se impiedosa num mundo empresarial dominado por homens. Não voltará a permitir que se aproveitem dela. Está preparada para qualquer desafio, mas nunca imaginou ter de enfrentar-se a chegada intempestiva de Xander Zhurov na sua vida. Ele parece ser capaz de abalar o organizado mundo em que ela vive com uma força esmagadora e com os lindos olhos verdes-azulados que tem. Arquiteto e filho de imigrantes russos, Xander Zhurov é dono de uma empresa sólida e com uma reputação intocável. O que menos quer é deslumbrar-se por uma mulher tão bela como distante, que insiste em olhar para ele por cima do nariz. O seu lado competitivo empurra-o a conquistar a vontade da herdeira C.J. Bostworth, mas pelo caminho descobre que atrás dessa fachada fria se esconde uma mulher quente, que sem querer o faz repensar na sua vida de solteiro.


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CAPÍTULO 1


Tirou o casaco do cabide e saiu. Era hora de ponta, por isso desceu à garagem e optou por ir na sua mota Ducati negra do que levar o Porsche azul. Pôs o capacete e ligou o motor.

As relações de co-dependência emocional não são saudáveis. Se permanece numa relação tóxica, que não lhe faz feliz, só encontrará preocupações. O amor não é sofrimento. Um final feliz está nas suas mãos.

 

Obrigada por dar a oportunidade de Xander e C.J. fazerem parte da sua biblioteca. Para mim foi uma satisfação poder contar a história deles neste livro.

 

Um abraço e até à próxima,

 

Kristel

 **********************************

CAPÍTULO 1

 

Xander Zhurov trabalhou muito desde que conseguiu criar uma empresa de consultoria de design de interiores. Aos 28 anos abriu a empresa e trabalhou intensamente para poupar e não ter dívidas com os bancos. A pequena herança deixada pelos pais também o ajudou a começar.

Agora, uma década depois, Zhurov & Companhia era o seu maior orgulho.

Com uma carteira de clientes amplia, ele levava uma vida bastante cómoda, mas precisava de um empurrão para entrar no mundo do jet-set de Nashville, de forma a obter ligações que contribuíssem em contratos mais rentáveis. Para ele não existia o fracasso, por isso pensava empurrar e empurrar o barco até chegar ao porto desejado: reconhecimento e mais dinheiro para ampliar o seu âmbito de ação.

O contrato que tinha em vista prometia desde qualquer perspectiva. A cláusula de confidencialidade era a única parte que lhe parecia absurda. Fosse quem fosse esse tal C.J. Bostworth devia ser muito paranóico para pensar que a um arquiteto lhe podia interessar falar sobre um cliente a terceiros ou, inclusive, com a sua própria equipa para além do estritamente necessário.

—Uma oportunidade de ouro —disse Erick Danes, chefe de equipa de arquitetos, enquanto examinava uns planos para a restauração de uma pequena igreja, onde se costumavam reunir imigrantes de diferentes nacionalidades— Porque pensas tanto nisso?

—Há aqui alguma coisa que não me convence —respondeu. E era certo. Não gostava nada dessa cláusula de confidencialidade. Se alguém se necessitava proteger legalmente com algo tão simples era porque escondia um segredo bastante sombrio.

Erick deu uma gargalhada.

—Onde é que está a graça? —perguntou. Desde os dois anos que vivia nos Estados Unidos, mas sem dúvida que tinha herdado aquele tom ligeiramente áspero do pai russo.

—Não acredito que não saibas quem é C.J. Bostworth.

—Resume —disse de forma desagradável.

—Não é um homem, é a dama de gelo. Nas costas dela chamam-lhe assim. A mulher tem a reputação de ser implacável e sem sentimentos. Rolam cabeças quando as coisas não se fazem à maneira dela… —Encolheu os ombros com um sorriso matreiro, enquanto dobrava os planos e os ponha num tubo de plástico para preservá-los—. Dizem que o ex-marido a deixou por ser frígida...

Por algum motivo desconhecido, Xander ficou incomodado com a maneira de falar do arquiteto. De facto, isso chateou-o.

—Não está bem que fales assim de uma mulher. Menos ainda se vai ser cliente da minha empresa e o pilar para expandirmos o negócio. Espero que tenhas entendido.

Erick consentiu e substituiu o sorriso por um ar mais sério. Trabalhava com Xander Zhurov há tempo suficiente para saber que não devia provocá-lo. Ele era muito amável, mas quando se zangava o melhor era esconder-se.

—Quero que supervises tudo, Erick. Não admito erros. Diz ao Frank e à Reeva que não quero saber se têm de voltar a desenhar o espaço onde se guardam as peúgas, ou se por acaso lhes exigem que controlem os trabalhadores mais tempo que o habitual. —Xander girou a caneta entre os dedos. De manhã, os advogados da empresa tinham revisto o contrato e estava tudo em ordem em termos legais. A empresa ia receber um pagamento astronómico, e a comissão do Erick por ter conseguido esse cliente era muito boa. A tal C.J. Bostworth ia-lhe abrir as portas da alta sociedade e também trazer-lhe novos contactos—. Estamos entendidos?

—Mas…

—Queres ou não o teu bónus? —interrompeu, olhando-o com os insondáveis olhos verde azulados.

—Absolutamente.

Xander assentiu e assinou o contrato.

 

***

«Está aí a princesa do terceiro andar.» «De certeza que o marido a deixou porque se cansou de dormir com um cubinho de gelo.»

Ouviram-se risos abafados.

C.J. apertou a mandíbula e manteve as costas retas. Apertou as mãos com firmeza na mala Hermès que levava encostada à anca. O elevador estava cheio, e o mais provável é que essas pessoas não fossem conscientes dos murmúrios que chegavam até ela… ou talvez sim.

Não ficou surpreendida com os comentários maliciosos que faziam nas suas costas, mas mesmo assim doeu-lhe. O casamento falhado já tinha terminado há dois anos. Noah Caldwell marcou-a emocionalmente e também lhe destruiu para sempre as ilusões românticas que tinha. O canalha mentiu da maneira mais cobarde e cruel…

Quando as portas do elevador se abriram a pressão que sentia no peito diminuiu um pouco.

Avançou com a cabeça bem alta pelo corredor do terceiro andar do prédio onde se localizava o centro neurálgico de Bostworth Incorporated, a companhia local com mais prestígio em lojas de luxo, Bostworth Luxury. Os dois irmãos mais velhos, Charles e Linux, viajavam constantemente para supervisionar as lojas de todo o estado, enquanto que ela dirigia as operações desde a central na qualidade de directora geral.

Cyrus, o pai, era o presidente, Estava com a mãe de viagem no Mediterrâneo, celebravam as bodas de ouro. Por isso, durante o próximo mês, todo o peso da empresa estava nos ombros de C.J., não só como directora, mas também como presidente encarregada.

—Bom dia, C.J. —disse ao vê-la a sua secretária de 48 anos. Entregou-lhe a correspondência e sorriu. Fanny Lunberg era eficiente e discreta—. Queres que peça o almoço no restaurante habitual ou hoje vais almoçar a casa?

—Como aqui no escritório. —Olhou para o relógio com os seus intensos olhos verdes—. A que horas é a reunião com os arquitetos?

—Ao meio-dia e meia.

—Ok. Avisa-me quando chegarem, e não te esqueças de trazer cafés e bolos para oferecer-lhes. —Foi até ao gabinete dela, fechou a porta e trancou-se para que não a incomodassem. C.J. respirou devagar para conter o nó que sentia na garganta e o ardor das lágrimas sem derramar.

Manteve-se encostada à porta durante um tempo. Os comentários no elevador não ajudavam no objectivo desse dia de ser forte.

Há anos que suportava não só a inveja, mas também o competitivo mundo profissional em que se movia. Apesar de tudo conseguia sempre manter uma máscara de inferência, mas hoje não era uma das suas melhores manhãs.

Olhou à volta. O sol matutino filtrava-se generosamente pela grande janela e criava uma atmosfera relaxante no meio do caos que era o dia a dia na Bostworth Corporation. A empresa fundada há 80 anos pelo avô Marcus, foi posteriormente transformada pelo pai, Cyrus, numa das companhias mais rentáveis de todo o estado de Tennessee.

O pai dela era um grande mentor, e ela adorava-o. Cyrus tinha-lhe recomendado que voltasse a sair, que era uma mulher inteligente e que devia deixar de recusar os convites de homens só porque um lhe falhou. Ela só sorria, porque o pai ignorava o doloroso motivo da separação.

Com um sereno suspiro afastou-se da porta e descalçou-se.

Meteu os Louboutin debaixo da mesa. Coçou com suavidade a planta dos delicados pés. Chateava-a ter de se mostrar sempre correta, eficiente e organizada, sem um cabelo loiro fora do sítio e com a resposta adequada para todas as perguntas. Tinha saudades da moça risonha, descontraída e ainda com a ilusão que o amor existia. Mas essa moça tinha sido débil e ingénua… A C.J. de agora parecia-lhe uma aposta mais segura.

Ligou o portátil e concentrou-se. Atendeu várias chamadas telefónicas, mas Fanny não a avisou de nenhuma novidade sobre os representantes de Zhurov & Companhia. O tempo começou a passar com bastante rapidez.

—Fanny? —perguntou através do interfone.

—C.J., a comida chega daqui a pouco.

—Obrigada, mas quero saber o que aconteceu com a empresa de arquitetos que contratei. A equipa jurídica acabou de me enviar uma cópia do contrato assinado, por isso os arquitetos deviam ter chegado há três horas —disse aborrecida.

—Desculpa, tentei contactar com o Sr. Danes, o representante encarregue da nossa conta, mas vai para voice mail. Telefonei para os escritórios da companhia e a rececionista disse-me que o presidente tinha ido ver uma obra. Não me quis dar o número de telemóvel quando perguntei por…

—As desculpas não nos servem —interrompeu—. Se não estão aqui até às três da tarde, telefona ao chefe da equipa jurídica para avisá-lo que nos reunimos segunda-feira logo de manhã para falar sobre as penalidades por incumprimento.

—Talvez tenham tido um contratempo… —apressou-se a dizer a secretária—. Às vezes a tecnologia falha, de certeza que queres ligar aos advogados? —perguntou com cautela. Fanny conhecia C.J. há muitos anos e sabia que detrás daqueles sorrisos frios e tom autoritário ainda se escondia a velha C.J., simpática e agradável que poucos tinham o prazer de conhecer—. Demoraste algum tempo para encontrar a melhor companhia para os teus objetivos e…

—Bem, parece-me que não são assim tão bons se não podem cumprir com uma simples visita ou ter a gentileza de dar uma explicação. —Suspirou. A semana tinha sido esgotadora—. Se até às cinco da tarde não se souber nada deles, telefona à equipa jurídica. Entendido, Fanny?

—Totalmente.

—Obrigada. —Desligou.

 

***

—Repete o que acabaste de dizer —disse Xander preocupado. Mal conseguia entender as palavras de Erick, ele sussurrava.

—Ti… tive um acidente, desloquei o ombro e tenho uma costela partida. Ainda estou no hospital. Com toda a correria e burocracia, mais o seguro do outro carro…

—Estás bem?

—Sim, dentro do possível estou, de qualquer forma ia tirar uns dias de férias —disse tentando brincar—, acho que agora é o melhor momento para fazê-lo. Não vou ser muito útil nem no escritório nem nas obras… E a propósito das obras, Xander, não pude ir à reunião com a Bostworth…

—Imagino que tenham marcado para outro dia. Quando?

Erick hesitou e falou com cautela.

—Não cheguei a falar com a empresa, porque tive o acidente quando ia de caminho para a reunião, e depois com todo o processo médico… Desculpa…

—A tua saúde está primeiro —disse com sinceridade. Contudo, isso não diminuía a preocupação que tinha com o cliente—. É óbvio que o último em que pensaste foi no trabalho. Boas melhoras, Erick.

—O que é que vai acontecer com esse contrato? —perguntou com sentimento de culpa.

—Eu trato de tudo. Todos os empresários devemos entender que nem sempre as coisas saem perfeitas. Tenho a certeza que a Sra. Bostworth pensa igual —afirmou com o seu tom habitual auto-suficiente—. Diz à Reeva e ao Frank para assumirem os teus projetos até que regresses ao trabalho.

—Desculpa, Xander… já são cinco… devia ter ligado antes…

—O lado humano é mais importante —disse—. Contacta com os Recursos Humanos para que tratem do seguro médico corporativo. Vemo-nos dentro de umas semanas.

—Obrigada, chefe. Farei os possíveis por estar melhor em breve.

Xander já sabia que depender dos outros para obter resultados era absurdo. Ele tinha que resolver a situação.

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Copyright ©Kristel Ralston 2016.

Título original: El precio del pasado.

Todos os direitos reservados.

Apoiado, como todos os trabalhos da autora, por SafeCreative.

Tradução: Magda Romero Jubilot.

Feb. 12, 2018, 1:58 a.m. 0 Report Embed 5
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