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Jimin começou a desejar ter uma família quando ainda era uma inocente criança e seu irmão mais novo chegou. Mas ser um homem assumidamente gay não ajudou em nada na realização desse sonho. Ao conhecer Yoongi e, sem querer se apaixonar por ele, seu sonho reacendeu, porém, um fino círculo dourado no dedo do Min era um grande obstáculo.


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#taehyung #bts #yoongi #jimin #sugamin #minmin #minimini #Yoonmin-Papais #yoonmin #traição #Romantização-De-Traição #Fluffy-Moments #2min
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Capítulo Único

Escrito por: @HannaMinn / @Hannaella06


Notas iniciais: Olá, como estão todos???
Espero que bem...
Voltei com mais uma estória e espero que vocês tenham visto as tags, mas por via das dúvidas: existe ROMANTIZAÇÃO DE TRAIÇÃO nessa fic, okay ;)


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Alguns clarões cortavam o céu carregado de nuvens escuras enquanto a fina garoa prenunciava a forte chuva que em breve cairia. Normalmente se encontram versos, poemas, músicas e poesias sobre a beleza e encanto das estrelas. Porém o tempo nublado, que encobre as belas luzes, também possui seu charme e garbosidade, assim como não esconde seus perigos.


Raios e trovões, ventanias e chuvas, todo o conjunto que nos faz querer ficar na segurança de nossa casa, de preferência enrolado em cobertores fofinhos e uma bebida quente entre as mãos. Em casa e não dentro de um carro no meio de uma autoestrada vazia, ouvindo as gotas de chuvas se chocando contra a lataria e os vidros que começavam a ficar embaçados.

Os limpadores de para-brisa indo e vindo na máxima velocidade não eram suficientes para clarear a visão do caminho por mais de dois segundos. Digamos que era o cenário perfeito para uma tragédia e o homem que dirigia o automóvel naquelas condições sabia disso, mas a sua impaciência era mais forte que seu senso de preocupação e autoconservação.

Ele tinha pressa e o relógio digital no painel não ajudava a conter seu desejo de afundar ainda mais o pé no acelerador. No banco do carona, o celular se iluminou com a nova ligação que era recebida, ele nem precisaria olhar para saber de quem seria. Motivo pelo qual ela foi ignorada pelo motorista, mesmo que a vibração começasse a incomodá-lo e fazendo com que, inconscientemente, ele acelerasse um pouco mais fazendo o velocímetro marcar três dígitos, exatamente aquilo que estava evitando há muitas ruas atrás.

Mais alguns segundos passados, metros a mais percorridos. Um novo clarão seguido do som de um novo trovão. Uma curva se aproxima e ele tem que reduzir drasticamente a velocidade, internamente o homem agradece pelos pneus estarem em bom estado, o que impediu uma derrapagem na estrada.

Parecia que uma quantidade maior de chuva caia em seu para-brisa quando parou completamente. Ele respirou fundo aliviado por ter finalmente chegado, pegou, por fim, o controle do portão da garagem do prédio no porta-luvas o acionando logo em seguida. Demorou ainda alguns minutos entre sair do carro, pegar o elevador e destrancar a porta até estar onde realmente queria. Sentir que estava no escuro apartamento, onde realmente chamava de lar, já era suficiente para o acalmar.

Ainda que todas as luzes estivessem apagadas ele conhecia perfeitamente o layout de todo o local, a caminho do quarto foi tirando o paletó e a gravata que praticamente o sufocava, apesar de estar há muito tempo folgada. Repousou sem nenhuma importância as peças de roupa em uma das cadeiras do cômodo, tirando o restante de tecido que cobria a sua pele deixando apenas a cueca box colorida cobrindo pequenos pedaços de pele.

O corpo despojado na cama fez um leve sorriso repuxar em seus lábios e, sentindo o coração bater um pouquinho fora do ritmo, caminhou até a cama tirando o livro que estava em cima do colo/pescoço alheio e o colocando na mesa de cabeceira, não resistiu a passar a mão pelos macios fios. Suspirou. Foi até a janela fechando a cortina, deixando unicamente o som da chuva entrar e se dirigiu finalmente até os lençóis trazendo para si o corpo dormente.

ㅡ Yoongi? ㅡ A voz sonolenta se fez presente como se quisesse provar que não estava no meio de um sonho. Ele o apertou seus braços respondendo com um “Hum” preguiçoso, confirmando que estava presente e ouvindo ㅡ Que horas são? Por que você está aqui? ㅡ chamou mostrando estar mais desperto e tentando sair do abraço para poder se virar e encarar o outro.

ㅡ Shhh… Amanhã a gente conversa, agora é hora de dormir ㅡ disse beijando a nuca e encerrando a possível conversa que teriam.

Apesar do que ele mesmo disse, Yoongi demorou a dormir, prestando atenção na forma como a respiração de Jimin ia se acalmando aos poucos até se estabilizar novamente ou como ele gentilmente recusou que seus dedos fossem cruzados ou ainda a tensão presente em seus músculos que podia ser vista e sentida. O raiar do sol reservava uma conversa que poderia tomar rumos difíceis para ambos, mas Yoongi decidiu aproveitar aquelas poucas horas que a antecediam.

Há pouco mais de três anos Yoongi conheceu Jimin. Foi bem depois que o Min terminou uma reunião de trabalho, eles foram apresentados formalmente assim que os convidados haviam se retirado e Yoongi guardava suas coisas para voltar a sua mesa de trabalho.

ㅡ Yoongi? ㅡ A voz já conhecida de um dos sócios chamou sua atenção, ele então se virou e ficou frente a frente com o mais novo que estava ao lado do outro homem. ㅡ Gostaria de te apresentar a Jimin, o novo estagiário do setor de designer gráfico. ㅡ Os dois fizeram uma reverência educada como forma de mostrar reconhecimento um ao outro. ㅡ Acredito que a partir de agora, vocês dois vão se ver com bastante frequência. ㅡ O mais velho entre eles terminou a fala com um tom divertido já sabendo como era o funcionamento da empresa.

Eles realmente se esbarraram bastante conforme o tempo passava, principalmente pelo fato de Jimin ser um estagiário que era designado a diferentes lugares devido ao setor dinâmico que se encontrava. Apesar disso, eles mantiveram o relacionamento no nível mais raso possível, o mais jovem tendo certo receio por ser o novato e desconhecer o ambiente e Yoongi por ser bastante reservado com sua vida particular.

Um dia, alguns meses após a apresentação formal deles, Jimin recebeu a visita de seu melhor amigo para que pudessem almoçar juntos, só que o Park estava bastante ocupado terminando uma pequena edição, o que acarretou a permanência de seus visitantes por um período maior de tempo do que esperado.

ㅡ O que "tá" fazendo? ㅡ A voz infantil chamou a atenção de Yoongi, que ordenava seu equipamento para fazer uma sessão de fotos no turno da tarde. Os grandes olhos castanhos o encaravam com total curiosidade aguardando a resposta que viria.

ㅡ Você está sozinha? ㅡ questionou em vez de responder à pergunta antes proferida pela menininha, a mesma apenas negou com a cabeça direcionando sua atenção a máquina nas mãos do Min.

ㅡ Byeol, o que eu já te falei sobre incomodar as outras pessoas? Será que não posso te deixar um segundo sozinha, que você já sai sem rumo por aí? ㅡ Um homem alto de cabelos cor de mel e porte de modelo chamou a atenção da garotinha que baixou a cabeça em sinal de vergonha. ㅡ Me desculpe, senhor, não voltará a acontecer! ㅡ ele se curvou complementando seu pedido de perdão. ㅡ Vamos, Byeol, seu Jimin-oppa está nos esperando ㅡ disse por fim oferecendo a mão a menina.

ㅡ Oh, você é irmã do Jimin-sshi? ㅡ Yoongi questionou por impulso da curiosidade, vendo a criança cair na risada e a face do homem tomar uma feição engraçada ao ouvir a fala alheia. ㅡ O que foi? ㅡ perguntou confuso e antes que algum dos outros dois respondessem um Park Jimin esbaforido passou em frente a porta.

ㅡ Tae-ah, estou com fome. ㅡ Como se estivesse sendo invocado, Jimin apareceu chamando o amigo manhosamente e acabando por ficar envergonhado ao notar a presença do Min no cômodo.

ㅡ O Jimin-oppa não é meu irmão ㅡ a garota disse em meio a pequenas risadinhas ㅡ Ele é amigo do meu appa, Taehyung-ah.

ㅡ Ah, entendi. Mas, então você deveria chamá-lo de ahjussi! ㅡ respondeu em um tom de provocação tirando dessa vez uma gargalhada do homem que Jimin chamou de Tae. ㅡ Seu pai e Jimin-sshi parecem ter a mesma idade.

ㅡ Não o escute, Byeol ㅡ o Park retrucou dando língua infantilmente a Yoongi logo em seguida ㅡ Eu sempre serei seu oppa! ㅡ completou sorrindo grandemente, com suas bochechas forçando seus olhos ficarem em fendas.

Byeol ainda dava risinhos quando pediu para o Min se abaixar e falou algo em seu ouvido, era incrível ver a facilidade com que aquela criança se sentia à vontade com um completo desconhecido como era Yoongi.

ㅡ Sabe que você tem razão ㅡ ele falou olhando para o Park que já não sorria mais, e sim sustentava uma feição de curiosidade, depois que a menina terminou de dizer seu “segredo”. O ato e a resposta acabaram por atiçar o interesse de Jimin em saber o que Byeol havia dito.

Logo em seguida, o Park, Taehyung ㅡ que depois de rápidas apresentações Yoongi confirmou que era assim que ele se chamava ㅡ e Byeol saíram deixando o Min sozinho com uma leve sensação de euforia que há tempos não sentia. Involuntariamente ele perguntou a si mesmo quando veria a Byeol outra vez.

Mais tarde, naquele mesmo dia, após terminar a sessão de fotos e se preparar para ir pra casa, Yoongi percebeu o Park rondando a porta da sua sala. O mais jovem passou quatro vezes, chegando a parar alguns segundos como se decidisse entrar ou não, para depois voltar a acelerar seus passos.

ㅡ Jimin-sshi? ㅡ Na quinta vez, Yoongi decidiu acabar com a indecisão alheia de ir e vir pelo corredor. ㅡ Você quer alguma coisa? ㅡ Demorou uns poucos segundos para o Park finalmente entrar, as bochechas rosadas em sinal de vergonha se destacando.

ㅡ Yoongi-sshi, você poderia me dizer o que foi que Byeol disse em seu ouvido mais cedo? Passei o almoço todo tentando fazê-la falar, mas foi impossível convencer aquela monstrinha a dizer algo.

ㅡ Não achei que fosse tão curioso, Jimin-sshi ㅡ disse falhando em segurar o riso, deixando Jimin um pouco mais envergonhado do que estava e pronto para se desculpar, mas ele foi mais rápido falando antes que isso fosse feito ㅡ Ela só disse que você era bonito demais para ser um ahjussi e que oppa combinava muito melhor com sua aparência.

ㅡ E você concordou? ㅡ Jimin perguntou se lembrando perfeitamente da fala do Min logo depois do cochicho de Byeol. Yoongi pegou suas coisas pronto para ir e começou a caminhar em direção a porta.

ㅡ Foi o que eu fiz, não foi?! ㅡ respondeu com um repuxar de lábios ao passar pelo mais novo e o deixar sozinho com a mente em um turbilhão de pensamentos.

Passado esse dia, Jimin se sentiu confuso com a atitude alheia, mas decidiu não se prender a ponderações surgidas em sua mente. Isto até ser surpreendido pelo Min com um inusitado convite para almoçar, o qual ele aceitou, porém essa atitude deu ainda mais corda para a sua imaginação.

Com o passar do tempo, ambos acabaram criando uma espécie de amizade. Curtas conversas quando se esbarravam no trabalho, um almoço ou uma saída para um café ao final do expediente, trocas de mensagens pelo celular, brincadeiras e provocações, tudo passou a ser parte da rotina cada vez mais íntima entre eles.

ㅡ Então, como você decidiu virar fotógrafo? ㅡ Jimin questionou enquanto esperavam o pedido, anteriormente feito, ficar pronto. Eles estavam em uma charmosa cafeteria em estilo francês escondida entre duas vielas da grande Seul, achada durante uma das pesquisas de locais para uma sessão de fotos feitas pelo Park a pedido de um dos seus colegas de trabalho.

ㅡ Sempre foi um sonho na verdade, o único que consegui realizar… ㅡ Havia um tom amargo acompanhando a fala de Yoongi, os olhos perdidos nas mãos em cima da mesa como se estivesse lembrando de algo.

Entretanto nesse momento, o número do pedido deles foi chamado e ele se levantou para buscar a bandeja, voltando a se sentar menos de um minuto depois. Jimin não queria insistir, mas era evidente que queria perguntar algo sobre a afirmação anterior do Min.

ㅡ Quando eu era criança, ganhei uma máquina fotográfica dos meus avós em meu aniversário. ㅡ Por si próprio, Yoongi decidiu contar sua história mesmo que não fosse fácil, no entanto ele se sentia confortável na presença de Jimin e confiava nele. ㅡ Eu ficava tirando fotos de tudo sempre que estava com a máquina em mãos; animais, plantas, coisas ou pessoas, absolutamente tudo poderia virar alvo dos meus flashes desfocados ㅡ disse com nostalgia, um mínimo sorriso apareceu enquanto falava e acabou por ser espelhado pelo outro homem que ouvia atentamente ao relato. ㅡ Já adolescente decidi que queria me tornar fotógrafo e foi também nessa mesma época que eu recebi o comunicado que me casaria com a filha de uma família amiga da nossa. ㅡ Nesse instante Jimin direcionou seu olhar para a mão esquerda dele e disfarçada entre tantos outros anéis estava a fina aliança dourada, o mais novo sentiu que aquele círculo estivesse queimando seu coração, ficou enjoado, querendo colocar para fora o pouco que havia comido naquela cafeteria assim como tudo o que havia colocado na boca durante todo o dia, os olhos começando a arder. ㅡ Nada melhor que um casamento arranjado para um adolescente dependente, não é mesmo?! ㅡ Então era daí que vinha a amargura notada antes.

O clima ficou estranho pelos próximos minutos, Yoongi olhando melancolicamente a mão que carregava a aliança e Jimin pensando em um jeito de sair daquela cafeteria porque após tomar consciência de sua reação, ele percebeu que sentia bem mais do que amizade pelo mais velho que sabia agora ser comprometido.

ㅡ Está ficando tarde, acho melhor eu ir ㅡ falou já se levantando.

ㅡ Oh, claro. ㅡ Yoongi saiu do seu transe também se levantando da cadeira ㅡ Eu te levo até em casa.

ㅡ Não precisa, Yoongi-sshi ㅡ tentou negar, querendo ficar sozinho e deixar seus pensamentos fluírem, quem sabe ligar para o melhor amigo e chorar em seu ombro por mais uma paixonite sem futuro.

ㅡ Precisa sim. E pode me chamar de hyung, acredito que já posso nos considerar como amigos? ㅡ questionou com um brilho esperançoso nos olhos e o Park não teve coragem de negar, sorrindo com o jeitinho do Min. ㅡ Vamos, Jimin-ah, vou te levar em casa.

Diferente do clima presente na mesa anteriormente, a viagem de carro foi regada a uma atmosfera leve, com conversas referentes ao trabalho de ambos, principalmente sobre os momentos bizarros e engraçados que Yoongi já teve que enfrentar nesses anos de fotógrafo.

ㅡ Obrigada por me ouvir, Jimin-ah ㅡ O mais velho proferiu assim que estacionou em frente ao prédio do Park. Não precisava ser nenhum gênio para saber que o Min falava sobre o que contou na cafeteria.

ㅡ Sempre que precisar, hyung. ㅡ Sorriu por fim, saindo do carro. Naquela noite ele derramou algumas lágrimas em seu travesseiro enquanto sentia seu coração doer a cada momento que lembrava daquela maldita aliança.

Os próximos encontros foram acontecendo e a relação deles se fortalecendo, Jimin passou a ser o confidente do Min, ouvindo-o falar sobre como foi obrigado a se casar assim que Seo-yun ㅡ o nome da esposa de Yoongi ㅡ completou a maioridade ou como sua mãe usou como justificativa o fato dele ser tímido para forçar o matrimônio, mas o fotógrafo sabia que na verdade era pelo fato das amigas dela estarem falando como era esquisito ele nunca ter tido uma namorada.

ㅡ Você ama a Seo-yun, hyung? ㅡ Jimin estava sentado no chão de sua sala com a cabeça apoiada no sofá, enquanto Yoongi se encontrava praticamente deitado no móvel. A TV passava um filme de animação que o próprio Park pediu para ver e não prestava atenção.

ㅡ Não posso dizer que não gosto dela ㅡ começou a responder ao mesmo tempo que cedia à vontade de passar a acariciar os fios claros do outro. ㅡ Ela é uma boa pessoa, gentil e delicada, cuidadosa e esforçada. Uma perfeita esposa e dona de casa. ㅡ Os dedos longos massageando o couro cabeludo do mais novo o acalmava quase o deixando distraído demais para ouvir o que estava sendo dito. ㅡ Mas amor não seria a palavra que eu usaria, consideração sem dúvidas se encaixaria melhor.

Não houve mais questionamentos posteriormente a isso. Jimin caiu no sono poucos minutos depois com a contínua carícia que recebia, ressonando baixinho em uma postura nada ergonômica ou confortável, dando um certo trabalho para Yoongi colocá-lo em cima do sofá. Na hora de ir embora, ele deixou um bilhete em cima da mesa de centro e um beijo de despedida na testa do jovem.

A segunda vez que Yoongi viu Byeol foi quando saía de uma loja de roupas no shopping. A menina estava com Jimin escolhendo seu presente adiantado de aniversário, porque o Park estava em uma disputa sem sentido com Taehyung para ver quem a agradaria mais. O encontro resultou nos três sentados em uma das mesas da área de alimentação cercados por empresas de fast food e restaurantes.

ㅡ Jimin-oppa, eu posso chamar o Yoongi-sshi 'pra minha festa? ㅡ Byeol tentou ser discreta, sussurrando audivelmente para todos na mesa. Jimin olhou para o Min sustentando uma feição alegre antes de se voltar à garotinha e responder no mesmo tom usado por ela.

ㅡ Por que você não pergunta a ele, hein? ㅡ Não foi preciso falar duas vezes para que ela se virasse rapidamente em direção ao Min.

ㅡ Yoongi-sshi, você quer ir a minha festa de aniversário? ㅡ Os grandes olhos castanhos dela brilhavam com expectativa.

ㅡ Só vou se você me chamar de oppa também ㅡ afirmou, recebendo um amplo sorriso falhado como resposta junto com o balançar afirmativo da cabeça com fios rebeldes.

Eles continuaram por mais algum tempo no local seguindo para o playground antes de Yoongi precisar ir embora e deixar os outros dois se divertindo. Enquanto estava observando de longe a Byeol brincar em uma das máquinas ali, Jimin acabou por ouvir duas mulheres conversando sobre como ele era um bom pai e ele sentiu uma mistura de sentimentos que acabou pesando em seu coração.

Jimin começou a desejar ter uma família quando ainda era uma inocente criança e seu irmão mais novo chegou. No início ele admite, teve ciúmes do mais novo integrante da família Park, aquele bebê recebendo toda a atenção que antes era apenas dele, isso o irritou e o fez se isolar de todos. Pouco mais de sete meses depois, seus pais saíram e o deixaram, juntamente com seu irmão, aos cuidados de uma babá. A jovem percebeu o comportamento típico de irmão mais velho e o disse que ele não deveria ter ciúmes, dizendo que ele sempre teria o amor de seus pais, que seu irmão o idolatraria e assim que ficasse mais velho teria uma família e iria entender que crianças eram uma grande fonte de amor.

Apesar dela ter dito isso apenas para o animar, suas palavras ficaram gravadas em seu coraçãozinho por muitos e muitos anos, o deu forças quando passou por dias difíceis ou mesmo preenchia suas noites solitárias com fantasias de um menino ou menina o chamando de papai.

Mas ser um homem assumidamente gay não ajudou em nada na realização desse sonho, a rejeição de seus pais ou a impossibilidade emocional e física em se envolver romanticamente com qualquer mulher contribuíram para isso, tinha ainda a instabilidade financeira e o impedimento governamental para pessoas “como ele” entrarem em processos de adoção. Resumindo, ter um filho não era uma alternativa viável para Jimin e ouvir o que aquelas desconhecidas falaram o machucou, mas também lhe deu um pouco de alegria por elas o acharem bom o suficiente para a paternidade.

Quando chegou o dia da festa de Byeol, Yoongi se assustou, havia sopa de algas e arroz branco cozido, tinha um belo bolo decorado e enfeites relacionados ao tema de escolha, porém, fora Byeol, ele viu apenas mais duas crianças o que era incomum em uma festa infantil.

ㅡ Byeol é tímida com outras crianças, ela prefere ficar com os adultos ㅡ foi o que Taehyung respondeu quando o perguntou se tinha chegado cedo demais.

Ele então entregou o presente que trouxe para a menininha que veio correndo o receber, era uma máquina Polaroid com dois rolos de recarga. O grito de felicidade que ela deu chamou a atenção de todos no cômodo fazendo o Min ficar completamente envergonhado.

ㅡ Não acredito nisso. ㅡ Jimin sentou-se ao seu lado indignado sendo seguido por Taehyung que se jogou do outro lado.

ㅡ Nem eu, e olha que sou o pai dela. Essa cobrinha… ㅡ bufou sustentando uma carranca.

Yoongi olhou de um para outro sem entender o que estava acontecendo, o copo de suco pela metade nas mãos ficou no meio do caminho para a boca esperando algum deles lhe dar alguma mínima explicação.

ㅡ E eu que acompanhei a vida toda dela, até os três anos ela me chamava de appa também, para no final ela me dar uma facada nas costas ㅡ o Park lamentou exageradamente, deixando Yoongi ainda mais confuso, afinal do que eles estavam reclamando?

ㅡ Sorria Yoongi-oppa ㅡ Byeol chamou sua atenção antes de dar um click e sair atrás da próxima vítima. Como se tivessem ensaiado, Jimin e Taehyung exalaram descontentes ao mesmo tempo.

ㅡ Yoongi-oppa isso, Yoongi-oppa aquilo, tudo agora é Yoongi-oppa... ㅡ Taehyung resmungou sendo apoiado por Jimin e só então Yoongi entendeu que os dois estavam com ciúmes dele e da Byeol, por isso ele só pôde dar risada deles.

A cada momento que eles tinham alguma pequena crise ㅡ como quando a garota decidiu que um dos primeiros pedaços iria para o Min ou quando ela acabou dormindo em seu colo enquanto mostrava as fotos que tirou durante a tarde ㅡ, era seguida por mais algumas risadas do bico emburrado dos amigos.

Enquanto Taehyung colocava uma sonolenta e cansada criança na cama, Yoongi e Jimin ajudavam a mãe da garota a arrumar a bagunça mais urgente na casa e quando Taehyung retornou ao cômodo não demorou muito para eles se despedirem do casal.

ㅡ Taehyung-sshi, você pode levar a Byeol ao estúdio no próximo sábado? Quero mostrar como eu tiro algumas fotos, já que ela adorou a câmera que eu dei ㅡ questionou deixando evidente em seu tom de voz uma provocação por ter dado o melhor presente a garota.

A viagem de volta ocorreu sob um silêncio confortável, ainda não era tarde da noite e ambos gostariam de ficar um pouco mais na presença um do outro. Por isso, quando estacionou no prédio do Park eles permaneceram um ou dois minutos em silêncio, olhando para tudo e nada ao mesmo tempo com sorrisos envergonhados a cada vez que seus olhos se encontravam.

ㅡ Posso te convidar para um café ou cerveja? ㅡ Jimin perguntou ao Min ao tomar coragem de acabar com aquele clima de constrangimento.

ㅡ Aceito seu convite para outro dia, pode ser? ㅡ respondeu sem conseguir manter o sorriso longe de seus lábios, recebendo um acenar de cabeça alheio para sua questão. No momento em que foram se despedir, por acidente ou vontade, talvez ambos, eles acabaram encostando seus lábios, o que acarretou acontecer em seguida o que seria o primeiro beijo deles, com direito a língua, mão na bochecha e um ritmo lento.

Este foi o instante que o caso ㅡ como a maioria chamava, mas eles preferiam chamar de relacionamento ㅡ começou. Os encontros se tornaram mais comuns, o contato se tornou físico e intensamente presente, além de um envolvimento emocional de ambas as partes; noites passadas juntas com abraços e beijos ardentes divididos.

ㅡ Hyung? ㅡ chamou esperando um sinal de que o outro estava acordado, este vindo em forma de um leve gemido. Yoongi se encontrava deitado por cima do corpo do Park, a cabeça apoiada no tronco abaixo era a posição perfeita para dormir e ele estava quase cedendo aos seus extintos ㅡ Você já pensou em ter filhos? ㅡ Yoongi pôde ouvir o coração alheio acelerar.

ㅡ Para falar a verdade, nunca pensei muito nisso. ㅡ A resposta demorou um pouco para vir porque o Min realmente estava considerando aquela pergunta e as implicações que ela trazia. ㅡ Por quê? ㅡ Levantou, mesmo a contragosto, a cabeça para poder olhar nos olhos de Jimin.

ㅡ É porque você parece ter jeito com crianças, pela forma como você trata a Byeol.

ㅡ Não vai me dizer que ainda não superou o fato de que eu sou o oppa preferido dela. ㅡ Ele recebeu um tapa nas costas como aviso para parar de pirraça sobre esse assunto, o que só o fez sorrir por ainda conseguir tirar Jimin do sério mesmo que já tivessem se passado meses.

Horas depois, já sozinho em sua cama, Jimin ficou pensando e repensando sobre adotar uma criança. Ele estava passando boas horas de seu dia pesquisando, sentindo à vontade crescer mais e mais e ainda que a resposta de Yoongi ou seu relacionamento com ele não fosse aquilo que queria, ele não conseguia evitar incluí-lo em suas fantasias cheias de falsa esperança.

Ainda mais quando viu como Yoongi tratava a garotinha que ocupava um grande pedaço do seu coração. Era sábado, e assim como foi pedido, Taehyung levou a filha para o estúdio deixando-a sob a supervisão do Park, já que precisava ir trabalhar naquele final de semana. Não demorou muito tempo para que ela perguntasse onde seu Yoon-oppa estava, sendo questão de minutos para que entrassem no estúdio usado pelo Min e se perdessem na atividade de tirar fotos de alguns objetos.

ㅡ Você tirou boas fotos ㅡ Yoongi disse a pequena que estava ao seu lado olhando cada imagem que aparecia na tela do computador que usavam. ㅡ Estou verdadeiramente impressionado. Parece que Byeol tem um talento nato ㅡ citou a última parte encarando diretamente o rostinho avermelhado devido a vergonha, mas ainda com um grande sorriso presente.

ㅡ Será que eu posso ser uma fotógrafa igual o oppa quando crescer? ㅡ questionou com sua inocência de criança.

ㅡ Tenho certeza que você poderia ser bem melhor do que eu sou. ㅡ Bateu levemente com o indicador no nariz de botão da menina. Entretanto, ela logo transformou a feição alegre em uma de chateação, os lábios se projetando involuntariamente em um bico de desgosto. ㅡ Qual o problema, pequena?

ㅡ É que eu também queria ser uma médica igual o meu appa é ㅡ respondeu desanimada.

ㅡ E quem foi que disse que você não pode ser as duas coisas? ㅡ questionou como se estivesse bravo pelo que ela disse. ㅡ Você pode ser o que quiser ser, Byeol. Uma médica, uma fotógrafa, uma médica-fotógrafa, pode até não ser nenhuma delas. O futuro quem escolhe é você, pequena, e tenho certeza que muitas pessoas vão te apoiar seja qual for sua decisão. Seu appa, sua omma, seu Jiminnie-oppa e eu também, estaremos todos aqui para o que você decidir.

O Park escutava a conversa um pouco afastado apenas observando a interação dos dois. Ele não nega que se emocionou com as palavras ditas pelo Min, ainda mais depois de ver a garotinha abraçá-lo com toda a força que tinha nos pequenos braços.

Foi com essa imagem rondando sua cabeça que Jimin, em uma tarde de domingo, preencheu todos os campos com seus dados, se cadastrando num programa de adoção internacional. Foi uma atitude precipitada? Sem dúvidas. Ele acreditava que daria em algo? Não mesmo. Ele preferiu não pensar muito, nem alimentar muitas expectativas por já estar a muito tempo pesquisando sobre o assunto e ter consciência de que era um processo longo e árduo.

Imaginem, então, o tamanho da surpresa que ele teve ao receber, 15 dias depois, um email informando o pré-cadastro como pretendente de adoção junto com outras recomendações, com a realização de um curso psicossocial e jurídico assim como exames periódicos para comprovar sua saúde física e mental. A primeira coisa que fez foi ligar para seu melhor amigo e o ouvir surtar com ele.

ㅡ Jimin, eu não queria tocar nesse assunto, por ser algo bastante particular, mas você sabe que precisa ter estabilidade, não só financeira, para criar uma criança. ㅡ Taehyung nem precisaria continuar para o Park saber do que ele estava falando ㅡ E sua relação com Yoongi não traz nenhuma estabilidade para se ter uma família duradoura. ㅡ As palavras foram duras, porém necessárias e o fez refletir acerca do assunto e tomar uma dolorosa decisão, viver seu romance com Yoongi ou realizar seu sonho de paternidade.

Já com a decisão tomada, ele procurou por um advogado que não demonstrasse abertamente qualquer preconceito com ele ou com a adoção. Os períodos finais da faculdade foram ainda mais complicados para ele, que precisava de uma estabilidade para ter o cadastro aprovado e poder entrar na fila de espera.

Só que o passo mais difícil deste processo foi a conversa que teve com Yoongi para terminarem o seu relacionamento. Dizer que o Min ficou surpreso era um eufemismo, o mais velho não era burro ou inocente em não ver o estado que Jimin estava ficando ou mesmo as pilhas de papéis espalhadas pela mesa de jantar que chamavam sua atenção. Ele sabia o que Jimin fazia e ficava ponderando as suas opções.

Ainda que Jimin tivesse decidido pôr um fim no que tinham, Yoongi o convenceu a lhe dar alguns dias antes de terem uma conversa definitiva. Ele não esperava que esses dias se transformassem em semanas ou mesmo que ele acabaria dirigindo pela madrugada por não conseguir conter a ansiedade.

Yoongi não seria capaz de dizer quando foi que acabou adormecendo, ele estava muito concentrado em prestar atenção no respirar do Park, no cheiro que se desprendia dele, do toque de suas peles, em tudo que lhe era possível para apaziguar o sentimento de saudade que tinha.

No outro dia, ele acordou sozinho na cama com o outro lado da cama, já frio. Respirando fundo ele se levantou, fez suas higienes básicas e foi para a cozinha com o coração batendo tão rápido que poderia jurar que o órgão ia sair saltando do seu peito. O Park não estava muito feliz com a situação que estava vivendo, devido à demora, ele possuía certeza da resposta que o Min não teve coragem de lhe dar.

ㅡ Você tem algumas explicações a dar, hyung ㅡ foi o que disse assim que notou a presença alheia se aproximando. Jimin era transparente demais para disfarçar seus sentimentos, incluindo a mágoa que sentia.

ㅡ Tenho certeza que sim, Jiminnie. ㅡ Ele sentou-se de frente para o outro, respirando fundo algumas vezes. ㅡ Antes de dizer qualquer coisa eu gostaria de primeiro te dar algo. ㅡ Yoongi se levantou e foi na sala pegar um envelope de papel pardo voltando em seguida para entregar a Jimin que o pegou desconfiado, mas o abriu e começou a ler sem acreditar no que estava lendo. ㅡ Eu sei que demorei para te dar uma resposta, mas dar entrada no processo de divórcio demorou mais do que eu imaginava. ㅡ Ele estava envergonhado demais para olhar para o Park, fazendo desenhos invisíveis na mesa para se distrair. ㅡ Eu sei que não foi isso que você falou na nossa última conversa, mas se você me aceitar eu gostaria de fazer parte de sua vida e formar uma nova família contigo, onde, como e quando você quiser porque foi através de você que eu aprendi o que é o verdadeiro amor, que não é perfeito, tem defeitos e pode machucar, mas vale a pena viver cada minuto. ㅡ Só então ele foi capaz de focar seus olhos no rosto choroso de Jimin.

Dois anos e meio se passaram e neste momento Yoongi está sentado em uma espreguiçadeira sentindo a areia quente nas solas dos pés enquanto observa Jimin correr atrás de Onyx pela praia, as ondas do mar indo e vindo formando a maré que batia neles e os molhavam durante a corrida, facilitando que os grãos de areia grudassem em suas peles. A pequena viagem sendo feita para aproveitarem o primeiro feriado em família.

O processo de adoção foi demorado, mas não tanto quanto eles esperavam. Por não terem quase nenhuma exigência, foi mais fácil encontrar uma criança para ser acolhida pela recente família Park-Min.

Onyx estava sob a tutela legal deles há pouco mais de seis meses, antes disso ambos tiveram que fazer várias viagens ao país de origem dele para o estabelecimento de um vínculo com a criança. Nesse meio tempo, Yoongi e Jimin, aprenderam um pouco da língua nativa do menino de 4 anos, assim como o ensinaram um pouco do coreano para quando fossem de vez para casa.

O menino passou a frequentar a escola infantil logo que decorreram as semanas de adaptação no novo país, Yoongi e Jimin se sentiram aliviados por Byeol ter se encantado por Onyx assim que o viu, do mesmo modo que sofreu os primeiros casos de intolerância por seu cabelo encaracolado, pele amorenada e fala enrolada. Crianças podiam ser cruéis, principalmente quando apoiadas por ideologias de adultos irracionais. Yoongi se lembra de como encontrou o menino tristonho quando foi buscá-lo depois das aulas e notou pela primeira vez os olhares atravessados que ganhavam de outros pais que faziam o mesmo que si.

ㅡ APPA!!! ㅡ Onyx veio correndo até ele, se jogando em seus braços, o enchendo de sal, poeira de praia e desgrenhados fios do cabelo cacheado num tom de mel claro, atrás de ajuda por já estar cansado de correr e acabando por tirá-lo de suas indagações ㅡ Ele quer me pegar. ㅡ Apontou para Jimin que, assim como o próprio Min, estava sem reação, porque aquela era a primeira vez que a criança o chamava daquela forma.

Se ele teve que se controlar para não chorar, ninguém precisava saber. Yoongi apenas segurou o pequeno humano em seus braços apertando-o tanto quanto fosse possível para não machucar, prometendo a si mesmo que o protegeria de qualquer coisa, seja das cosquinhas do outro pai ou de pessoas maldosas que o machucariam por não quererem tirar a venda dos olhos e ver a beleza na diferença.

Onyx podia não ter seu DNA, seu tipo sanguíneo ou a cor de seus olhos, no entanto ninguém poderia dizer que aquele ser infantil não era cria dele ou de Jimin. O que importa no mundo é o amor envolvido, os sentimentos dentro do coração e a família Park-Min tinha de sobra, principalmente depois da inserção de um novo integrante.

ㅡ Qual é, hyung? Por que todas as crianças preferem você? ㅡ Jimin falou emburrado, mas com olhos marejados. Demonstrando que ainda não tinha superado o fato de Yoongi ser o oppa preferido de Byeol e também não superaria ter sido o Min a ser o primeiro a ser chamado de appa pelo filhote deles.

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Notas finais: Então, gostarão???
Quero deixar aqui meu agradecimento a @mimi2320ls / @bebeh1320alsey pela betagem e a @je0n pela capa maravilinda mesmo eu não dando quase nada de detalhes :X
Até mais!!!

Jan. 27, 2022, 7:40 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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