jord73 Jordana Lima

Na mitologia grega, está escrito que os andróginos foram criados como sendo dois seres num mesmo corpo que se complementavam e eram poderosos. Zeus dividiu os corpos dos andróginos em dois por causa da ameaça que representariam aos deuses. Surgiram assim as almas gêmeas. Um homem e uma mulher feitos um para o outro e que se buscam através dos tempos para voltar a se integrar numa só alma. Mas se além de almas gêmeas, existissem almas trigêmeas? O que os Winchester temiam acabou acontecendo: Lúcifer foi libertado. Agora com a relação abalada por causa da decisão de Sam em ter acreditado em Ruby e rompido o último selo, os dois irmãos tentam retomar a jornada contra o mal. Nisso, no caminho deles para ajudá-los, aparece a misteriosa caçadora Victoria Collins, sobrinha de Bobby, mais conhecida como A indomável pelos demais caçadores. Os dois irmãos a reconhecem de imediato como sendo a mulher com que tinham estranhos sonhos desde quando eram crianças. Uma atração intensa entre ela e os Winchester se estabelece. A princípio, Victoria tenta resistir às investidas dos dois homens, no entanto, pouco a pouco vai cedendo até se encontrar no impasse de ter que se decidir entre eles. Contudo, o que os três não sabem é que o problema deles vai além de um triângulo amoroso. É uma relação que ameaça os planos de Lúcifer e Miguel.



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#relação-a-três #triângulo #terror #hot #sam-winchester #dean-winchester
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Prólogo

Era uma bela tarde de domingo. O sol brilhava alto, mas o dia estava frio como em grande parte do ano naquele lugar. A família se encontrava reunida na sala.

O pai vestia uma camisa polo azul claro, bermuda de linho até os joelhos e os pés descalços sobre o tapete persa. Um homem bonito, embora com um princípio de barriga: a cabeleireira de cachos louros emoldurava sua cabeça inclinada sobre o recosto da poltrona. Os olhos verdes estavam fechados para saborear o contato das mãos da esposa que lhe fazia uma massagem nos ombros.

A mãe era alta, magérrima e muito linda, pele negra, cabelos crespos até os ombros, olhos negros, boca pequena e carnuda num rosto fino de proporções harmoniosas. Trajava um conjunto simples e elegante de uma blusa sem mangas e uma saia, ambas verde-claro. Mantinha-se de pé atrás da poltrona em que se sentava o marido e com um sorriso revelava a felicidade por aquele simples ato de conforto a seu homem.

O irmão, com a atenção voltada para a TV, manejava o controle do vídeo game de última geração. Na tela, o Super Mário ao lado do seu irmão Luigi vencia todos os obstáculos e inimigos pela frente. Thomas tinha a pele escura num tom pouco mais claro do que o da mãe. O cabelo era baixinho e crespo e os olhos eram como os do pai. Usava short preto, camiseta branca e tênis.

Tom disse alguma coisa que Victoria não conseguiu entender, porém, notou o aborrecimento dele por algo do qual ela não se lembrava. A menina – um retrato em miniatura da mãe, exceto pela cor dos olhos como os do pai e o tom de pele mais claro – estava distraída e paralisada vendo todo aquele cenário. Era como se fosse uma cena de filme sem, contudo, ela tomar parte ativa.

Não se lembrava do fim; apenas pressentia que não acabaria bem. Tentou dizer para o irmão, mas a voz não saía como se houvesse um caroço grande na garganta. Tentou chamar a atenção dos pais, contudo, eles estavam entretidos um com o outro; o pai acabava de puxar a mãe para o colo e os dois riam.

Um ruído ensurdecedor ecoou e Victoria sentiu uma dor aguda nos ouvidos. Gritava e não escutava a própria voz. Ninguém parecia escutar nada: o irmão continuava no jogo e os pais rindo abraçados. Nisso, as janelas se espatifaram, a casa tremeu e uma luz muito forte explodiu.

Por fim, o grito de Victoria saiu. Havia se levantado sobre a cama, ensopada de suor; foi apenas um pesadelo. Bom, não exatamente. A respiração acelerada se normalizava assim como os batimentos cardíacos.

Afastou um pouco a coberta, recostou as costas na cabeceira e observou o quarto ao seu redor: um espaço pequeno, sem uma decoração específica, a parede meio desbotada; de móveis, apenas uma cômoda, uma cadeira e a cama. Ao lado, um pouco acima, a janela. Onde mesmo que estava? Ah, sim! No quarto de hóspedes da casa de Bobby. Esperava que não tivesse acordado com seu grito e fosse até lá para ver como ela estava. Não era bom que ele se esforçasse no estado em que se encontrava. Ah, se lhe dissesse isso, o homem lhe desfiaria um rosário de impropérios!

Era difícil acreditar que um sujeito tão ativo como seu tio estivesse numa cadeira de rodas. Por culpa dos Winchesters. Afastou o pensamento; Bobby lhe daria bronca se soubesse o que ainda passava na sua mente: os irmãos Winchesters eram os queridinhos dele. Bom, ela também o era.

Contudo, sentia ciúmes deles por dividirem seu afeto com o velho Singer. Engraçado que nunca os encontrou uma única vez, fosse na casa de Bobby, fosse no bar das Harvelles; tampouco sabia como eram suas fisionomias.

Na verdade, vinha-lhe uma estranha inquietação, uma ansiedade, sempre que o tio se referia aos dois. Por fim, conheceria a ambos. Ou melhor, trabalharia com eles por um tempo. E não estava nem um pouco ansiosa para nenhuma das opções.

E a ansiedade… a inquietação aceleraram as batidas do seu coração.

Meu Deus! Por que esses sentimentos? Eram só dois homens! Nada incomuns pelo que se contava. Mas eram humanos. Dois estranhos. Não significavam e nem significariam nada para ela.

Aug. 28, 2021, 7:07 p.m. 0 Report Embed Follow story
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