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Jung estava cansado do subúrbio, fumar seus cigarros em prédios abandonados já não tinha o sentido filosófico do início e muito menos a importância que havia há várias semanas atrás. “— Muito obrigado, mauricinho, conseguiu deixar minha rotina sem você tão caótica quanto minha vida. — murmurou, apagando seu terceiro cigarro da noite, a fumaça de nicotina na casa de shows abandonada era a sua única companhia. — Não deveria me xingar sem minha presença, como eu vou me defender?”


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Aquela velha historia

Entrou no estabelecimento falido sem qualquer cerimônia, não precisava, ser filho do maior traficante das redondezas tinha seus privilégios. O ruivo estava completamente puto — ao menos, agora, já que seu humor andava oscilante —; ele sabia que o mais novo sumiria, mas quando a hora finalmente chegou, percebeu que não se encontrava pronto: tinha se apegado ao riquinho, afinal.

Sorriu para o nada lembrando como encontrou o rapaz de pele alva — que foi muito marcada por ele — que era como uma luz na escuridão. Yoongi passeava pela ruas do subúrbio, parecia atordoado e não era pela pobreza do local, muito menos pelos olhares julgadores que vinham a ele. O rapaz sabia que não petencia àquele universo e que seria julgado por estar ali como se pertencesse.

Hoseok começou ali a admirar o loiro.

Não podia negar sua beleza, e muito menos sua coragem, nenhuma pessoa em sã consciência viria ali de dia — quem dirá em um final de tarde — e ele estava ali passeando pelas ruas como se estivesse no centro. Se aproximar do rapaz não foi difícil, Yoongi admitiu que queria alguém para guiá-lo. O Jung pensou no quão ingênuo era o jovem, chegou a ponderar que ele era cego e não sabia onde estava.

Aquele homem não tinha juízo.

Jung Hoseok mal sabia que era ele quem estava em perigo: em uma semana de convivência já estavam trocando suor, gemidos e sêmen por diferentes locais.

Min Yoongi o beijou primeiro. Fazia cinco dias que o conhecia e Hoseok, que não dispensava uma boa foda, não recusou o ósculo do rapaz. Ao terminar, sorriu para o ruivo e lhe disse que beijava bem, enquanto ia embora deixando um Jung em expectativa e chocado para trás. No outro dia a naturalidade com a qual trataram o assunto foi até estranha, nunca havia ficado tão vidrado em uma pessoa com exatos seis dias de convivência e bastou o sétimo para tomar uma iniciativa maior e transar com o loiro em um prédio abandonado qualquer.

Foi ali que Yoongi descobriu que o ruivo tinha uma tara por locais abandonados.

A química entre eles era palpável, começaram a compartilhar segredos muito rápido; e foi em uma das conversas mais aleatórias da sua vida — que iniciou em meias estampadas com itens aleatórios e terminou em como o pai de Yoongi era muito mais assustador do que o bairro onde eles estavam —, que Hoseok descobriu o motivo de Yoongi estar vagando pelo local. O rapaz estivera realmente procurando algo: o puteiro que seu pai tinha. O ruivo descobriu que seu “sogro” era parceiro de seu pai e traficava mulheres para o prazer alheio.

Ambos sabiam que omitir aquilo era errado, porém para a alta sociedade os Min eram perfeitos e se algo vazasse, provavelmente o loiro nunca teria como se sustentar. Já Hoseok, não tinha para onde ir e dependia de seu pai, apesar da maior idade.

.

Hoseok suspirou, frustrado. Sempre soube que estavam fadados ao fracasso, porém continuaram se entregando para aquilo.

Foi em meio às recordações que acendeu o primeiro cigarro da noite.

Eles se viam todos os dias, faziam sexo quase todos os dias e com certeza foi uma experiência marcante para ambos.

Hoseok sabia que ele apenas era uma válvula de escape para a rotina regrada do mais novo, era como se fosse uma aventura para quem passou a vida inteira em uma bolha; não via problemas nisso, afinal o riquinho representava o mesmo para ele, uma aventura com o desconhecido.

O problema foi que ele se apegou ao loiro, contou para ele coisas que não deveria. Se abriu demais para aquilo continuar sendo apenas uma breve fase, ele não queria mais ser uma experiência a mais para o outro…

Tragou o cigarro, jogando-o no chão todas as cinzas e deitando no palco de madeira da boate, estava havia muito tempo sem fumar e agora o fizera tão rápido que chegava a arder. Olhou o teto lembrando do dia em que explicou para a nova paixão o motivo de amar locais abandonados e amar ainda mais fumar neles.

“O sol ainda estava fazendo companhia para os dois jovens adultos sentados em um parapeito de prédio, despreocupados. Yoongi balançava vez ou outra os pés enquanto Hoseok olhava o céu tragando seu cigarro.

— Não consigo entender porque fuma.

Ele havia dito mais para si do que para o ruivo ao seu lado. Normalmente, o Jung iria ignorar essa afirmação, só que se sentia confortável com o platinado para compartilhar uma história um tanto vergonhosa sobre ele.

— Eu comecei a fumar com quatorze anos. Era uma forma de fazer com que meu pai prestasse atenção em mim, depois que ele descobriu que eu dançava tivemos um tempo difícil. Ele praticamente me esqueceu, só que antes mesmo disso acontecer eu já havia ficado viciado na nicotina. Atualmente eu acho a fumaça, o cigarro em si, filosóficos. — Apagou o cigarro e jogou dali de cima, observando ele descer os quatro andares do prédio.

— Adoraria saber o teorema de Hoseok, sobre a relatividade da nicotina com a divergência da fumaça.

— Não acho que seja grandioso para um estudioso como você, mas eu levo para minha vida… — Deu de ombros desistindo de contar.

— Grandioso ou não, será importante. Tudo que vem de você é. — O ruivo sorri com a afirmação do menor.

— Tudo se inicia no cigarro, ele pode ser o “X” da nossa equação por assim dizer, como qualquer variável ele muda de acordo com o problema. Quando se acende, a conseqüência é óbvia, ele vai queimar; assim como nossa variável vai ter uma conseqüência óbvia para o problema que estamos vivendo. Traga-lo é a compreensão do peso, angústia e tudo que aquela situação representa para você, e tudo isso termina quando finalmente você a deixa ir, quando tudo que aconteceu não passar de fumaça ao vento com um cheiro ruim de decepção.

— Uau... eu estou em choque, sério, não esperava algo tão… profundo! — Seus olhos brilhavam, Yoongi estava impressionado com o Jung.

— Eu não sou raso, Yoongi, porém isso não significa que acho fumar algo correto. — Deu de ombros.

— Aproveitando que ‘tá se abrindo, por que você só fuma em locais abandonados?

— Digamos que muitas coisas aconteceram aqui. Eles foram deixados para trás junto a histórias, brigas, felicidades, crimes e outros fatores. Sendo assim, por que não deixar meu problemas abandonados junto a tudo isso? Afinal, assim como esses locais vão acabar, a fumaça vai sumir.”

Suspirou, frustrado. Hoseok sabia que aquilo aconteceria, sabia que não deveria ter se aberto para o mauricinho e mesmo assim o fez; se sentia um trouxa apaixonado. Apagou o cigarro o tacando para qualquer lugar do ambiente, inspirou e soltou o ar. O cheiro de componentes químicos pairava no ar, lembrou de Yoongi e de como odiava aquele odor.

“No começo, Hoseok achou que a implicância com o cigarro vinha por conta da fragrância, afinal ela se impregnava no corpo e podia trazer problemas para o platinado caso alguém desconfiasse que ele andava fumando.

— Eu já pedi para não fumar perto de mim.

— E eu já te disse, fumo onde quero e quando quero!

— Não entendo o grande porquê de ainda te respeitar. Pois ao pedir que faça o mesmo com os meus pensamentos e pedidos, não há o mínimo de reciprocidade.

— Você tem que falar difícil para se mostrar sempre? É muito ruim falar que nem gente?

— Tá falando que eu não sou humano?

— É, um daqueles criados separados da realidade!

— Já parou para pensar que eu vivi em uma bolha e você em outra? Seu mundo não é o meu, o meu não é o teu.

O silêncio prevaleceu, ambos se olhavam; Yoongi estava farto do discurso de mal amado marginal do outro e de ser o compreensível, não cabia a ele ser sempre o flexível. Já Hoseok, ficou chocado. Não esperava que ele fosse se exaltar consigo e realmente não tinha parado para pensar que ele mesmo estava vivendo em seu próprio mundo julgando o mundo do outro.

— Desculpa…

Nada respondeu, apenas sentou no acostamento da rua sem movimento que caminhavam antes do ruivo decidir acender um maço. O mais velho sentou ao seu lado, os dois olhavam para frente sem falar nada. O clima estava estranho, nem depois de se beijarem pela primeira vez aconteceu isso, Hoseok não entendia o motivo de ter ficado tão pesado o ambiente entre ele e o outro, mas sabia que tinha feito algo grave — mesmo que não soubesse o quão grave.

— Meu pai usa uma fábrica de cigarros para lavar o dinheiro dos puteiros e o cheiro deles para esconder os perfumes das outras mulheres com quem ele dorme, assim minha mãe não discute com ele e tudo continua na paz… Eu odeio cigarros, e tudo que os envolvem!

Silêncio novamente.

Jung não sabia como consertar as coisas, família era uma coisa muito delicada para o menor; ele via o seu pai como um herói e descobriu ser o pior dos vilões. Ele sabia que tinha que consertar as coisas, ainda mais agora, que além de ter sido informado do motivo do ódio (alheio) contra a substância química sabia também o peso dela na mentalidade e consciência do outro.

— Olha para mim. — O fez, buscou em seu bolso o pacote de cigarros que ainda estava cheio e segurou-o em sua mão direita.— Nunca mais vou fumar perto de você. — Jogou o pacote para o outro lado da rua, sorrindo para o outro.

— Não precisava desperdiçar seus cigarros… — Sorriu de lado.

— Eu posso roubar outro. — Yoongi bateu em seu braço. — É brincadeira eu ganho de pack eles…

— Não fume tanto… vai morrer mais rápido.

— É quase uma meta!

— Eu quero você vivo, Hoseok.”

Acendeu o segundo cigarro da noite, tragando-o. Estava fumando tudo que não fez perto do branquelo.

Se sentia perdido. Seus lugares de diversão ficaram sem graça, sua rotina, cansativa; até ouvir os discursos de ódio de seu pai ficou mais interessante do que sair por aí. E para completar, não sentia tesão em outros corpos — mas era só lembrar do rapaz que roubou sua atenção e coração que não tardava a se recordar dos momentos quentes que teve com o mesmo; não foram poucos, afinal.

Havia locais do seu bairro que não podia nem passar na frente: já parecia ouvir os gemidos saindo do ambiente; não culpava Yoongi por isso, o Jung também era deveras escandaloso. Pior ainda era o fato de que foi o mesmo homem frustrado quem escolheu a maioria dos lugares nos quais fizeram. Riu, lembrando das loucuras que fez e fez o outro fazer, com a maior certeza a melhor foi transar no escritório do seu pai.

“— Ho-Hoseok, não devemos fazer esse t-tipo de coisa no escritório do seu pai… — Tentou ser racional enquanto o mais velho alternava entre sua boca e pescoço, Jung nunca fez o tipo que pensava antes de agir e não seria agora que começaria.

— Não sei se percebeu, mas eu não estou prestando atenção. — Passou a mão para baixo do pano grosso do suéter que o outro usava. Um suspiro escapou dos lábios rosados, sendo bem recebido com um sorriso cheio de intenções duvidosas pelos resultados de suas carícias, o outro já estava cedendo mesmo que sua fala fosse contrária.

— Ele n-não vai aparecer? É perigoso. — Impediu a mão do outro de subir mais pelo seu corpo, em uma última tentativa de sensatez. Hoseok era um louco e sua loucura era contagiante, Yoongi se via à beira de um precipício que pularia facilmente. Como um homem na corda bamba, procurava o equilíbrio entre a racionalidade e a insensatez.

— Yoongi, tudo que é proibido e perigoso é mais gostoso.

Foi a fala final, o Min havia desistido de ser racional e o Jung nunca nem cogitou essa hipótese. Eles faziam aquela velha constante de destruição e construção, razão e emoção, yin e yang, opostos que são obrigados a se atraírem. Não importa o quanto o lado racional do Min gritasse para ele sair não apenas do escritório do pai do maior e sim da vida do mesmo, o lado emocional era surrado de novas experiências e sentimentos que nunca sentiu e que não iria abrir mão de sentir. Hoseok também se sentia diferente, nunca levaria alguém para sua casa, que dirá para o escritório do patriarca? Odiava o fato de saber que o outro havia o mudado. Andava fumando menos, voltara a ler (mesmo que fosse apenas indicações do menor) e cogitava retomar com os estudos. Aquela constante de mudanças era mútua na vida de ambos e todos aqueles sentimentos, extremamente confusos.

A mão que já estava dentro do suéter do platinado começou a apertar a pele alva enquanto as bocas se ligavam com voracidade, quem olhasse por fora não via sentimento nenhum porém eles faziam o tipo de união que prezava comunicação por palavras, sexo é carnal; ao menos ali havia pleno consenso, sem poréns, sem opiniões diferentes e sem guerra de ego. Ambos tentavam não fazer barulhos, mesmo que fosse impossível perante o tesão que a adrenalina os fazia sentir, mas o temor de serem pegos tornava as coisas mais rápidas e sem qualquer pudor; aquela situação era excitante demais para qualquer autocontrole.

Yoongi tirou em um puxão a blusa do outro; já que o casaco do mesmo havia muito estava no chão; iniciou uma sessão de chupões e beijos que iam do pescoço ao ombro. Hoseok, por sua vez, não perdeu tempo, já abrindo a calça jeans do menor, empurrando-a para baixo e ficando entre as pernas dele. A mão já afoita abandonou o calor do suéter e foi em busca do ânus do outro dentro da boxer. Pequenos olhares iam sendo trocados, se tinha um lugar em que eles se entendiam sem palavras era no sexo.

Colocou o primeiro dígito no outro, mais em consideração; já que eles estavam transando todo dia, tamanha preparação não era necessária, mas o instinto protetor que adquiriu com o alvo era demasiado grande para não ter essa precaução. Enfiou o segundo junto ao terceiro, tendo que beijar o branquinho para que este não gritasse ao ser surpreendido com os três dedos em movimento.

O Min não tardou a se acostumar e tomou a iniciativa de abrir a calça do ruivo, deixando entre sua pernas igual a sua; Jung tirou a boxer do outro e o fez sentar na ponta da mesa de seu pai. Yoongi, em resposta, sorriu cúmplice para (a) situação.

Pecaminoso, era isso que passava na cabeça do Min, sentia que estava cometendo pecados e odiava o fato de ficar excitado com a ideia do calor do inferno junto ao calor do corpo do ruivo.

Yoongi tirou os próprios sapatos com os pés, Hoseok tirou a calça do alvo e ele em resposta entrelaçou suas pernas na cintura do outro, que enfiou seu membro inteiro em Yoongi. O gemido manhoso em resposta foi o suficiente para o Jung querer gozar no mesmo instante.

Hoseok enfiava fundo e rápido em Yoongi, estavam suados e ofegantes, se controlavam para não gemerem loucamente; afinal, ainda estavam na casa do ruivo, dentro do escritório do patriarca. As chances de funcionários da casa escutarem eram altas, mesmo que o ruivo tivesse certeza de que já o faziam, sabia que ambos estariam em apuros caso alguém quisesse dedurar o filho do chefe. Só que parecia que apenas o mais novo achava esse fato relevante, visto que o ruivo acertava-lhe a próstata sem dó, o fazendo-o ir à loucura, sem tempo de voltar a sanidade.

— Espero que tenha posto a camisinha, se não vou arrancar seu pau fora. — ditou, em um fôlego só; viu Hoseok sorrir e completar com uma estocada funda, acertando durante um longo período a próstata do outro.

— Eu ‘tô perto… — sussurrou, pondo a mão direita na mesa para usar de apoio e a esquerda para masturbar o companheiro.

O prazer era tanto que os gemidos já não eram contidos, por mais que “tentassem”, e com uma última estocada bem dada na sua próstata* Yoongi se desfez na mão do ruivo, que depois de mais alguns segundos dentro dele, fez o mesmo. Hoseok amava como Yoongi ficava a bagunça mais linda que fora agraciado de presenciar após uma foda, seu rosto continha uma coloração avermelhada, sua boca ficava entreaberta em busca de oxigênio e suas pálpebras pareciam pesadas; aquele homem era um anjo que ele teve o prazer de tornar demônio.

Hoseok saiu de dentro do branquelo. Yoongi gemeu arrastado, se sentindo vazio; o ruivo desceu a cabeça para beijar a glande vermelha e aproveitou para sugar o sêmen que ainda estava ali, lambendo o falo e sua mão, limpando todo o esperma. As pernas de Yoongi tremiam de prazer diante do semi boquete pós orgasmo; o mais velho conseguia tirá-lo de órbita. Em momentos como aquele que o Min fincava a certeza de que nunca encontraria uma pessoa tão completa como o Jung.

Depois de limpar tudo, Hoseok olhou para o menor, sorrindo largo. Quem visse, nem parecia que fodia rápido e forte segundos antes. Jung possuía um ar doce e um sorriso lindo demais para se pensar coisas impuras, mesmo que ele fizesse questão de usar de toda a sua sensualidade para te levar à loucura, continuava com aquele sorriso infantil. O rapaz tirou a camisinha e amarrou, jogando no lixo do escritório. Subiu a peça íntima junto à calça e olhou para Yoongi esperando que ele se vestisse, o garoto ainda parecia em êxtase.

— Você não pode deixar a camisinha aí! — disse, assim que recuperou o fôlego.

— Não é como se todos dessa casa já não soubessem que te fodi gostoso aqui…

Ditou indiferente jogando a boxer do outro na sua cara, pegando sua blusa do chão.”

Riu besta, a expressão de tacho que o mais novo fizera foi cômica, a melhor das piadas para Hoseok.

Tragou uma última vez o cigarro antes de apagá-lo e jogá-lo para longe.

Sentia falta do corpo do outro; não só do corpo, se fosse para ser sincero. Sentia falta de Yoongi, até o sexo com ele era poético. Os corpos se uniam em um, sem qualquer pudor. Não havia delicadeza, não era preciso, eles gostavam da brutalidade. Para o casal, era como entregar seus sentimentos e vontades vívidos e quentes um para o outro. A verdadeira comunicação corporal era assim, seca e selvagem; as palavras ficariam para conversas e discussões, estas que eles haviam tido com frequência, não por pouco, visando os pólos extremos e divergentes que eram.

E foi enquanto apagava o segundo cigarro da noite, que veio o sentimento ruim que acompanhava a memória do pior momento vivido com o Min:

“A lanchonete local se encontrava bem vazia — também, já passava das 23h30min. Ambos fizeram pedidos para levar e esperavam sentados em uma das mesas próxima à janela, o silêncio massivo sufocava-os. Yoongi não vinha mais com a frequência de antes ao bairro do subúrbio, Hoseok não podia ir ao centro encontrar com ele e cada vez mais sua relação estreitava os laços para apenas sexo, situação essa que nenhum deles tinha interesse em manter.

— Você anda sumido. — Tentou puxar pela língua do outro a verdade.

— Apenas estou ocupado, prestes a herdar o 'império’ do meu pai. — Yoongi parecia cansado e o assunto o deixava levemente aborrecido, que refletia na fala ríspida.

— Sinto muito tentar conversar com você. — Bufou, riquinho mimado desgraçado.

— Só não quero falar sobre isso. — Suspirou, frustrado.

— Depois reclama que só você é flexível, me escuta, etc. — Levantou-se assim que viu o numero do seu pedido no quadro de led, pagou, pegou os sacos e sem esperar por uma resposta seguiu o caminho de onde ambos tinham vindo, uma pequena kitnet.

— Você vai realmente ir embora assim?! — Quase correndo o Min alcançou o outro, enraivecido ditou as palavras duras.

— Eu só não quero falar com você. — Imitou a fala de antes.

— Não distorça minhas palavras! — Praticamente gritou no meio da rua, atraindo olhares de qualquer um que passasse por ali.

— Não ouse levantar a voz para minha pessoa! — Hoseok falou estridente, alongou a frase na tentativa de se acalmar..

— Agora é você que fala palavras difíceis. — Hoseok revirou os olhos e deixou o branquelo para trás.

A kitnet, alugada no nome do Jung foi a única maneira que encontrou de começar a se desvincular de seu pai; também a única coisa que podia pagar com o salário de um funcionário de meio período na loja de conveniência da esquina.

O caminho até o imóvel foi silencioso, um silêncio mórbido.

Hoseok abriu a porta, entrando e deixando-a aberta; Yoongi entrou e bateu a porta.

— Eu quero falar com você, menos sobre aquele assunto.

— Vamos comer. — Ignorou a fala do outro seguindo para a cozinha minúscula que ficava a um passo da sala onde o Min se encontrava.

— Vai mesmo fugir? — Instigou.

— Fugir? Acho que quem tá fugindo entre os dois aqui é você, filhinho de papai. — ditou de forma estúpida.

— Não me chama assim! — soltou baixo, magoado.

— Será que ele sabe que você geme para o filho do parceiro de crime dele? — Hoseok falou ácido, estava muito magoado com o outro e seu jeito impulsivo o fazia falar coisas horríveis.

— Você não tem o direito de falar isso, Hoseok, você sempre faz isso, muda o assunto, desvia, xinga e quando não tem mais o que jogar na minha cara vai começar a ditar palavrões aos quatro ventos. Estou cansado disso! — Yoongi disse em um fôlego, havia tirado um peso das costas, um deles, um bem pequeno.

— Eu sempre soube que iria se cansar de mim, espero ter sido no mínimo divertido para você. — Hoseok disse, amargurado.

— Diversão? Caralho, eu sou loucamente apaixonado por você, mas eu não sou um saco de pancadas para você achar que sempre que a vida estiver ruim você pode socar até se sentir melhor; e pôr em mim a culpa pela mão ficar dolorida, se esquecendo de que quem socou a porra do saco foi você.

— Parabéns pela analogia. — Jung esbanjou sarcasmo.

— Parabéns por saber o que é uma analogia! — disse no mesmo tom.

— Não acredito que você falou isso. — magoada sua voz saiu, odiava brigar com o outro, ainda mais depois de terem passado mais de uma semana longe. Fungou, não choraria na frente dele, Yoongi sabia como não ter terminado a escola o magoava e como era seu sonho ter uma formação, sempre admirou a inteligência e vocabulário alheios.

— Você ‘tá chorando? Desculpa, não quis dizer isso! — Tentou corrigir, o arrependimento já batia nele.

— Eu não vou chorar, só quero deixar algumas coisas bem claras. Eu sou muito mais que apaixonado por você, mas não adianta só eu tentar se você não acha que sou digno nem de ouvir seus problemas! Sinto muito por ser um burro, não se sinta preso a mim. — falou, se virando de costas; trancaria a porta para ele não sair dali, já era tarde, mesmo que ele engolisse um pouco seu orgulho pela segurança do outro, o faria.

— Não faça drama, só não quero te envolver nisso.

— Drama, Yoongi, Drama? Vai se foder! — gritou com o outro. — Me envolver? Mais do que eu já estou? Se não sabe, eu sempre tive plena ciência do que meu pai fazia para ganhar dinheiro, agora você vem me dizer para não me envolver. Parabéns, selo preocupação do ano.

— Por que tem que ser assim? — Hoseok terminou de trancar a porta, colocou as chaves no bolso.

— Porque eu sou apenas uma fase para você, assim como a mentalidade que tinha do seu pai se quebrou e surgiu outra, uma hora você vai quebrar a imagem que tem de mim, perceber a verdadeira merda que sou e vai me trocar, provavelmente por uma menina rica com a qual vai ser obrigado a casar.

Foram suas últimas palavras para o Min Yoongi, antes de entrar no seu quarto, trancar a porta e chorar a noite inteira.”

Algumas lágrimas se formavam em seu rosto, odiava cada coisa que falara para o outro naquele dia e odiava as palavras que lhe foram ditas, talvez se soubesse que seria a última vez que o veria, faria diferente. Limpou a garganta e acendeu o terceiro cigarro seguido da noite, sua boca era pura nicotina e mais de oito mil substâncias que acabavam não apenas com o pulmão, mas com o seu corpo por inteiro, e queimava sua alma. Seu coração doía, amar dói, dói demais. Nunca fora apegado a sentimentos, porém aquele riquinho besta havia estourado bolhas que ele mesmo havia criado, motivara-o para voltar a estudar e o fez sonhar de novo. Dançar, quem diria que algum dia ele voltaria? Chegava a ser engraçado para ele imaginar que voltara a perseguir seus sonhos por uma “paixão de verão”.

“Na primeira semana que Yoongi sumiu, Hoseok fingiu que nada havia acontecido, isso já acontecera antes e da última vez gerou uma briga difícil de consertar, se é que se podia dizer ter sido consertada. Na segunda semana, as coisas começaram a piorar; a esse ponto, o Jung tinha certeza que algo havia acontecido.

Dentro do seu prédio abandonado favorito, ele aumentou o volume da caixa de som e dançou até não se sentir mais, caindo no chão ofegante. O celular tocava e vibrava de modo irritante, se arrastando pegou o aparelho e no visor leu algo que o assustou:

Poderoso Jung. Atendeu seu pai com um medo do que viria, desde que se mudara o mais velho mandava uma cesta básica por mês era o máximo de carinho/contato que tinham, além da proteção em si diante de todos do bairro: ninguém tocava no filho do Jung.

— Alô?

— Quero você em casa, tem quinze minutos.

Desligou sem cerimônia, Hoseok juntou suas coisas e enquanto seguia até a casa do patriarca ligou para Yoongi, uma última tentativa, seu pressentimento lhe dizia que o chamado o envolvia.

— Entra. — A primeira batida na porta nem terminou quando a permissão foi concedida.

— Seja direto. — Mesmo morrendo de medo, mais pelo Min do que por si mesmo, ele não poderia demonstrar.

— Com certeza você sabe que tenho todos os detalhes da sua relação com o mauricinho. — A língua coçou para defendê-lo, porém se conteve, só confirmando com a cabeça. — Mesmo assim deixei acontecer, enquanto ele te fazia bem, você parou de fumar e por mim que não foi, começou em um trabalho e paga suas contas, me orgulho disso. O problema é que você também não é idiota, sabe o que ele veio fazer aqui na primeira vez e acha mesmo que desistiu depois de te conhecer? Eu só preciso saber se meu filho me traiu ou foi traído junto a mim. — Seu tom não soou ameaçador mas foi tão seco quanto os mais quentes desertos.

— O que você quer dizer com traição? — Yoongi o traíra? Ou o pai dele traíra seu pai?

— Pelo visto o desgraçado nem lhe disse.

— Pare de xingar o Yoongi! — Repreendeu, elevando o tom de voz.

— Esse mimado quis dar uma de cavalo de Tróia! Enganou o pai dele direitinho, e agora deu um golpe nele, o próximo sou eu, Hoseok, eu vou ser preso, você não ‘tá entendendo, ninguém entra e ninguém sai do bairro enquanto não me acharem. E você fez questão de foder ele dentro do meu escritório, onde estamos, e que não dou nem trinta minutos para a polícia estar também! — Berrou na cara do outro.

Foi o tempo de terminar os berros para sirenes e som de arrombamento serem ouvidos, em pouco segundos já invadiram o escritório.

— Tirem o filho! — O policial falou, apontando uma arma para o pai do menino.

Hoseok se sentiu puxado, seu pai o fazia de refém, o cano gelado da arma em sua cabeça seria uma memória que nunca esqueceria.

— Só o solto com um juíz computando tudo o que eu quero.

— Bandido não tem querer! — Uma policial disse, e foi repreendida pelo líder que falou algo sobre como deixaram a iniciante vir.

— O juíz é inviável, só que temos o tenente e o advogado da causa, gravaremos as alegações e vai ser levado em consideração no tribunal.

— Tragam eles. — Puxou o gatilho da arma, o ruivo preferiu acreditar que seu pai nunca o mataria, porém seu corpo tremeu com o som e ele paralisou.

— Pronto. — Uma moça jovem entrou no local, no seu colete a prova de balas estava escrito “Legislação”, e um homem já entrou igual militar na guerra, o tenente.

— Esse é meu filho, Jung Hoseok, 21 anos, nunca teve envolvimento no crime, descobriu novo o que eu fazia, apesar de achar errado eu o mantinha sem alternativas para sair dali. Parou de estudar antes de terminar o ensino médio, ele tem várias provas contra mim em uma caixa dentro do seu guarda-roupas, a senha é seu aniversário, 1802. Eu vou preso, porém o único bem que não pode ser confiscado é um apartamento no centro, para ele morar, dentro dele tem dinheiro para ele viver e um cartão com a mesma senha da caixa, ali tem dinheiro suficiente ir para a escola e a faculdade, o governo pode controlar o dinheiro, obriguem Hoseok a terminar. O namorado dele, que dedurou tanto eu quanto o pai, mande-o para a puta que pariu. Não fazíamos contrabando de mulheres, elas vinham de livre vontade, o tráfico para mim é apenas de mercadorias roubadas e o Min fazia de drogas. Eu lhes passo todas as informações se meus pedidos forem concedidos.

A advogada chorava cada vez mais alto enquanto o mais velho deles balançava a arma entre os policiais e o jovem, ditando de forma dura e precisa tudo que queria, Hoseok soluçava de chorar, até o tenente e os policiais estavam abalados com a situação, todos sabiam que ter feito o filho de refém era apenas para garantir que ele não fosse preso e conseguisse viver.

— Daremos cinco minutos para vocês, jogue a arma. — O Jung mais velho atirou para cima e jogou a arma no pé do policial. — Não pule pela janela, tem pessoas embaixo que vão te pegar, ficaremos na porta. — Avisou, pegando a arma do chão e saindo do escritório.

— Desculpe por toda essa situação, deveria ter sido um pai melhor para você. Mas preste atenção, seja com aquele escroto mimado ou sozinho, termine suas obrigações e corra pelos teus sonhos. — O mais velho falou, segurando o rosto do filho.

— Por que não me contou? — Hoseok chorava, desesperado.

— Calma! Eu vou ficar bem, ninguém vai fazer nada, eles não seriam loucos de me tocar. Escuta bem, eu te amo. — O pai do jovem disse antes de sair pela porta, se entregando.”

Hoseok suspirou, limpou seu rosto cheio de lágrimas. Sabia que tudo que havia acontecido fora o certo, mas o homem na cadeia continuava sendo seu pai, que o amava, o criara e educara apesar dos pesares.

Odiava Yoongi por não ter dado a chance de conversar com seu pai antes de tirá-lo dele. O odiava ainda mais por ter de suportar tudo sozinho.

O vazio que se instalou em seu peito era avassalador, sem seu pai, sem sua paixão e com tantos problemas para resolver. Seu cotidiano ficou uma bagunça, foi obrigado a se mudar para o apartamento deixado pelo pai, sua matrícula no supletivo estava feita e as aulas de dança agora eram diárias. Mesmo assim, voltava para a margem da sociedade, onde foi criado e viveu. Não conseguia deixar 100% o local, sempre gritou que deixaria quando tivesse oportunidade, agora que ela o arrastava para fora, ele voltava correndo para o conforto do conhecido.

Mesmo assim, continuava cansado e vazio.

Jung estava cansado do subúrbio, fumar seus cigarros em prédios abandonados já não tinha o sentido filosófico do início e muito menos a importância que tinha há várias semanas atrás.

— Muito obrigado mauricinho, conseguiu deixar minha rotina sem você tão caótica quanto minha vida. — Murmurou, apagando seu terceiro cigarro da noite, a fumaça de nicotina na casa de shows abandonada era a sua única companhia.

— Não deveria me xingar sem minha presença, como eu vou me defender?

O susto que tomou foi tão grande que levantou de supetão, desceu do palco dando passos para frente. Procurou a voz do dono do seu coração, sentiu um grande aperto ao não achar. O suspiro frustrado foi seguido de um palavrão baixo, não teria como ele estar ali.

— Depois de tudo isso, você ainda não aprendeu a olhar para trás, no literal. — Yoongi riu, saindo da entrada lateral do palco.

— Como…? — Jung o olhava surpreso, chocado para ser sincero.

— Senti tanto sua falta. — a voz embargada do outro entregava sua vontade de chorar.

— Por que não me contou nada? — Ficou parado o encarando frio, fitando o mesmo em cima do palco.

— Não podia te colocar nisso, você não sabe o quão arriscado foi. Se meu pai tivesse descobrido poderia ter te matado e me mantido em cárcere. — Andou em direção ao ruivo, descendo do palco.

— Eu merecia saber, meu pai me acusou de traidor. — Virou o rosto, apesar de idealizar reencontrar o platinado, não estava preparado para isso.

— Ninguém da minha família quer falar comigo, eles me olham com nojo. Estamos praticamente falidos, ninguém quer fechar negócios comigo, na visão dos empresários eu sou um traidor. O império falido caiu nos meus ombros, minha total responsabilidade e de quebra meu pai tentou me matar antes de ser preso. — Yoongi disse chorando, aquilo partiu o coração do outro.

— Meu pai me fez de refém para garantir que eu não fosse preso. — disse baixo, já com a voz rouca por segurar o choro.

— Eu sinto muito, me perdoa, por favor, fica comigo, eu não aguento perder mais ninguém. — Yoongi disse aos prantos, chegou perto de Hoseok, ele iria tocá-lo porém desistiu.

— Nunca mais sofra sozinho. — Hoseok abraçou o outro que chorou em seu ombro, soluçava e tremia.

Depois de um determinado tempo Yoongi parou seu choro, acabaram as lágrimas, o aconchego dos braços do ruivo o deixava mole. Ainda odiava cigarros, porém a nicotina misturada com o cheiro fresco de orvalho do perfume alheio lhe trazia paz.

— Como me achou? — Hoseok havia sentado no palco, já o Min preferiu ficar em pé mesmo.

— Esse foi um dos poucos prédios abandonados do bairro que você não me levou. — Olhou nos olhos do outro sorrindo.

— Que menininho esperto. — Sorriu, as mãos do platinado subiram para seu rosto, a falta de proximidade já ficando incômoda. — Também senti sua falta.

Yoongi juntou os seus lábios aos do ruivo, as oito mil substâncias químicas ainda estavam ali, porém era Hoseok havia que tornasse seu sabor ruim. Jung já com saudades do corpo alheio subiu as mãos pelo tronco coberto por um suéter azul.

Se amaram ali, entre cigarros e locais abandonados. Trocaram súplicas entre rangidos e fluidos. Os problemas continuavam a existir, porém continuava sendo Jung Hoseok e Min Yoongi, seus lugares abandonados, cigarros e sua grande história.

Uma velha história, aquela mesma onde reinos divergentes se encontram em meio a uma guerra, ou aquela que dois príncipes de terras inimigas se apaixonam. Aquela velha história, tão velha quanto a junção de todos os abandonos de uma vida...




“Réus confessos

Amor proibido, liberado a noite,

quando tudo em volta é você e eu.

Nossas atitudes derrubam paredes,

que impedem o contato entre a nobreza e o plebeu.

Durante o dia os olhos são grades,

são testemunhas de acusação.

Somos réus confessos de um tribunal ignorante,

que desconhecem os direitos do amor,

deixando de lado os motivos do coração.

Prendam meu corpo mas não me impeçam de pensar,

sendo assim não haverá prisão,

pois ainda que tranquem as celas,

aumentem os muros,

nunca poderão obstruir o acesso que existe entre o seu e o meu coração!”

Mauro Mesquita

May 16, 2021, 5:03 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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