lslauri Liura Sanchez Lauri

Minha mãe costumava demonstrar sua alegria nas pequenas coisas. Ela havia decidido, na década de 60, abandonar o emprego de cabeleireira para se dedicar à criação dos filhos! E como essa decisão partiu dela, estava muito contente com isso e demonstrava através da cantoria. Como a voz dela era linda! Então, em sua homenagem, resolvi pegar uma das músicas que ela cantava em casa, sempre com tanta felicidade e transformar num conto. A música se chama “Estrela do Mar”, composta por Marino Pinto e Paulo Soledade e cantada por Dalva de Oliveira [e minha mãe, Isabel S2], se você não conhece, tem nos sites de músicas mais populares.


Short Story All public.

#gastrópode #oceano #estrela-cadente #estrela-do-mar #grão-de-areia
Short tale
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Capítulo Único

Muitos estudiosos na Terra adoram encontrar uma explicação plausível para as origens dos seres que conhecemos hoje. Como estudantes e pesquisadores, temos uma necessidade inata de enquadrar o conhecido dentro de caixinhas e rotulá-las, elucidando sua ancestralidade em árvores filogenéticas infindáveis! Mas nem tudo pode ser explicado logicamente. A vida é mais de magia e menos de genética e evolução... Então, peço a você que me acompanhe nessa história mágica onde a origem das estrelas-do-mar é explicada de forma tão singela.

Um tempo depois do planeta Terra deixar de ser uma bola incandescente, os gases existentes na atmosfera foram condensando e formando os primeiros oceanos que com sua composição química alteraram as encostas capazes de restringi-los, esculpindo-as pelos milênios e retirando delas os materiais preciosos, formadores das praias. Mas antes disso, antes de as praias como as conhecemos existirem, o mar arrancava grandes placas dessas encostas, fustigava-as com água e vento e, então, as transformava em placas menores de rocha, cada vez menores, em seixos, até que mesmo estes eram diminuídos a algo menor, restando somente algo quase do tamanho de um grão de areia.

Nosso protagonista estava numa dessas placas e, quando começou a ter consciência de si, sentiu-se estranho... Não importava por onde olhasse tudo era escuridão, ele não entendia o que acontecia, mas sentia em suas entranhas que era algo incrível!

E isso o fazia tremelicar, aguardando o novo, o inesperado!

Antes dessa sensação ele não se lembrava de muito e, com certeza, não se lembrava de tanto movimento, ele estava preso em algo parado até ouvir um rugido e então uma sensação de redemoinho começou a aumentar, os sons estavam a cada momento mais próximos dele e isso o extasiava, querendo saber e ver o que vinha. Depois de tempos – na verdade, centenas de milhares de anos para nós – ele começou a perceber uma luminosidade chegando e, com ela, veio a curiosidade do que seria capaz de perceber, quais segredos aquela luz guardaria, que mistérios seriam revelados?

Antes de conseguir apreender realmente o mundo a seu redor, ele notou a parada do movimento, após um rugido forte e, deste, sons mais amenos iniciaram, ritmados, cadenciados. Nosso protagonista não fazia ideia, mas ele havia acabado de aportar numa praia, sendo agora desgastado pelas ondas do mar e pelo vento que ainda fustigava a costa. Mais algumas centenas de anos passariam antes do milagre acontecer. Foi numa linda manhã, sem chuva, uma onda terminou de tirar a camada de areia que o cobria e ele então pôde vislumbrar um maravilhoso céu violeta, com algumas nuvens cotonosas ao longe, um sol com um brilho indescritível para nós, pois os gases da atmosfera ainda não estavam equilibrados como hoje e, por isso, as partículas luminosas do Sol chegavam de outro modo ao atravessá-la. Jamais saberemos o que esse pequenino grão de areia viu, mas isso o impressionou de tal modo fazendo-o pensar, imaginar e sentir coisas novas. O vento soprava firmemente, mas para o grãozinho não passava de um carinho.

- Que será isso? Essa imensidão violeta? Será que existem outros como eu?

Ele tentou olhar apressadamente ao redor, mas percebeu não conseguir se mover e isso levantou uma dúvida: o que ele era?...

Ouviu aquele som cadenciado mais próximo e depois de algumas horas teve a sensação da umidade, quando a maré alta o recobriu e ele passou a perceber tudo diferente, alguns seres minúsculos, passando acima dele, flutuavam naquele líquido vital, precursor da vida no planeta. Debaixo da água ele ainda percebia o céu violáceo, mas foi notando que havia uma esfera clara que emanava todo o calor e ela mudava de posição, o grão de areia foi percebendo o dinamismo do mundo ao seu redor, como dinâmicos eram seu pensamento e sua vontade de saber um pouco mais de si.

- Se existem outros, falem! Por que vocês são tão calados?!

Foi então que ele ouviu alguns daqueles seres minúsculos passando e rindo baixinho.

- Que som é esse que estão fazendo? Querem falar comigo? Eu não consigo entender...

Um deles se prendeu a ele para não ser levado pela água e comentou:

- Isso é uma risada, pequeno grão. Estamos rindo de você, porque temos a liberdade de nadar pelo oceano e você não... Está preso aqui, para sempre! Ou até que venha uma tormenta e te leve para outro lugar, ou para o fundo do mar, onde só há escuridão...

- Risada... Vocês fizeram esse som porque se acham superiores a mim? Acham que por conseguirem se mover têm mais do que eu?

E vários outros passaram, caçoando. O microrganismo se soltou e deu uma pirueta, desaparecendo na água. O grãozinho comentou para si: eles não sabem, mas eu sou muito livre, em meu pensamento!

O dia foi passando, e nosso protogonista imaginando cenas enquanto ampliava seus sentidos. Ele percebeu quando o Sol foi se retirando, levando consigo sua claridade e deixando o violeta do céu quase como um breu, uma tela preta onde pequeninos pontos coloridos faziam imagens incríveis. Naquele momento, era Lua Nova e, por isso, foi possível ver as estrelas em todo seu esplendor, sem a claridade de nosso satélite para disputar a atenção.

Algumas eram azuis, outras amareladas, outras branquíssimas. Umas maiores, outras parecendo tão pequenas quanto ele. Umas tinham a luminosidade intermitente, como quem quer conversar por código Morse com o universo, esperando uma resposta. Mas foi mais para o meio da noite daquele primeiro dia vendo e conhecendo o mundo que nosso protagonista encontrou, em meio a milhares de centenas de estrelas, uma pela qual se apaixonou.

Claro, no começo ele não sabia ser paixão, ele simplesmente olhou para aquele pequeno ponto avermelhado no céu e toda a sua atenção voltou-se para ele, como se as outras estrelas não existissem. Ficou imaginando se pensava como ele, se tinha sonhos e se conseguia se comunicar com as suas irmãs; ou acaso sofria do mesmo silencio que ele? Cercada de indiferentes? Será que os outros se riam? Achando-se superiores por algo que nem tinham o direito? E aqueles pensamentos foram aquecendo nosso amiguinho a ponto de durante a aurora ele se sentir um pouco vazio... Ele sentiu algo parecido com a tristeza e ficou tentando se distrair com o mundo ao redor para não se deixar embotar por aquele sentimento. Mas nada o demovia:

- Que é isso que eu sinto? Não consigo explicar... Há pouco estava o oposto! Via o mundo ao meu redor com outra cor... Que estranho!

Um polvo ancestral de passagem, muito esperto e inteligente, achou deveras interessante um grão de areia capaz de se expressar! Isso o intrigou a ponto de ele questionar:

- Estou ouvindo coisas? Seria a voz vinda de um grão de areia?

- Ah! Finalmente, outro ser que pode me entender! Sim, estou aqui e sou diferente dos outros grãos de areia ao meu redor!

- Eu também sou diferente dos outros polvos ao meu redor... Sempre me perguntei se havia alguém como eu por aí, mas jamais pensei encontrar um semelhante num pequenino grão de areia. Já encontrei em alguns seres minúsculos que flutuam por este mar, também já encontrei em seres gigantescos que habitam suas profundezas, mas jamais pensei que algo inerte assim pudesse também ter sua consciência... Intrigante! – ele expressava, enquanto remexia os tentáculos ao seu redor, mantendo-se firme mesmo com a corrente.

- Inerte? O que isso significa?

- Que não se move, meu amigo...

- Deve ser incrível conseguir se movimentar, não é mesmo? Eu queria saber se você tem tantas dúvidas quanto eu tenho e se conseguiu algumas respostas!

E então ele passou a contar todas as dúvidas que o assaltavam, falou por alguns minutos com tanto entusiasmo, a ponto de o polvo sentir em suas entranhas o quanto aquele grão era diferente dele.

- Não, pequeno, infelizmente, não tenho essas dúvidas, o mais longe que vou é tentar encontrar outros como nós, mas preciso me preocupar com meu alimento no restante do dia, preciso também encontrar uma parceira... Essa ideia não para de martelar minha mente e, portanto, deve ser verdadeira. Deve ser o motivo pelo qual estamos aqui, mas essa é só uma ideia minha, claro...

- Comida? Parceira?

O polvo fez um movimento engraçado, inflando seus tentáculos e aumentando o tamanho do seu corpo enquanto soltava várias lufadas de água com um som diferente. O grãozinho sabia que aquilo era uma risada e ficou nervoso:

- Não venha me dizer que está rindo de mim?! Eu não sou algo criado para ser motivo de chacota!...

- Calma, calma, pequenino... Não estou rindo de você, mas para você, das dúvidas que ainda o assolam, só isso. Respondendo-as: comida é algo que todo ser vivo, não inerte, precisa consumir para viver. Eu, por exemplo, vou atrás de peixes e uso minha boca para comê-los, eles deixam de viver para que eu viva. – e o grão de areia prestava muita atenção – Já a parceira, é alguém parecido com você, mas com estruturas diferentes que permitem um abraço apertado para trazer ao mundo outros seres iguais a vocês dois. É uma união que leva à multiplicação, entende?

- Hum... Eu não sei se entendi muito bem... Eu não tenho nenhuma estrutura, não é? Sou inerte, então, de acordo com a sua definição, eu não teria direito a uma parceira, apesar de conseguir me comunicar com você e ter tantas dúvidas sobre o mundo que nos cerca.

O polvo não respondeu verbalmente, mexeu a cabeça de modo positivo e, dando um adeus com os tentáculos, sumiu no mar pois os questionamentos daquele grão de areia estavam ficando difíceis demais... Ele deixa nosso protagonista sozinho, remoendo aquela informação. Ele suspira, mais um que se vai sem responder...

E as dúvidas continuam. Aquela tristeza permanece e nosso grãozinho nota diferença em si mesmo conforme o céu ia perdendo sua cor violeta e começando a ficar mais escuro, ele percebe seu anseio em ver aquele ponto avermelhado novamente e o quanto isso o deixava diferente de como havia passado o momento anterior, apesar da claridade e da quantidade de vida que aparecia no oceano, ele não via a hora de perceber aquele brilho no céu e, quando a encontrou, seu interior sorriu!

Será que aquela luz não poderia ser sua parceira? – ele conjetura.

O tempo passou, muito tempo, na verdade, em nossa contagem humana. O pequeno grão foi percebendo o ponto maior, quem sabe, mais próximo dele? Era uma aproximação bem sutil, mas suficiente para acalentar seu coração e, durante o dia, ele conversava com o máximo possível de seres, perguntava se eles viam aquelas luzinhas no céu e o que achavam delas, mas nenhum deles respondia a contento... Até que um gastrópode ancestral se aproximou, lentamente, explorando o ambiente ao seu redor enquanto parecia não ligar para a presença de nosso protagonista Ao percebê-lo, o grão chamou sua atenção e recebeu uma resposta tão lenta que quase não o entendeu! Sua voz saía na mesma velocidade de seu caminhar, ele então diminuiu a velocidade de sua fala e conseguiram se entender muito bem.

O molusco disse que já havia olhado para o céu sim, e dentro dele uma voz disse serem estrelas.

- Estrelas? É uma palavra muito linda, sim... Ela pode bem ser uma estrela... Mas, por que existem tantas cores diferentes? E algumas que pulsam? Enquanto outras parecem paradas?

- Calma, meu jovem, calma... Essas questões estão muito acima do que eu sou capaz de responder, sabe?... Mas lembre-se, foi uma voz interior que me informou sobre o nome delas, quem sabe se você tentar se encontrar com essa voz interior não consiga também as respostas, hein? – ele virou um dos olhos bem na direção do grãozinho e piscou.

Passaram o restante do dia conversando sobre tudo que o gastrópode já tinha vivido e ele também comentou sobre como havia parado ali, sobre como só percebia o silêncio por tanto tempo, a imobilidade, até um estrondo iniciar toda sua aventura.

- Ah! Eu já vi isso acontecer, sabe? Conversando com outros como eu, mais velhos, alguns disseram que o conhecimento foi passando adiante... – ele parou, pra descansar um pouco, nunca tinha falado tanto assim antes. Tomou fôlego e continuou. – Está vendo aquela montanha ali na frente, aquele monte de rochas, foi de lá que você veio, você estava imóvel porque fazia parte daquilo, até que uma onda veio e te arrancou de lá, imagino quanto tempo se passou até que pudesse estar nessa praia e eu te chamando de “jovem”! Você, junto com esses outros grãos de areia, pode ter testemunhado o início da terra, meu colega!

Aquilo tudo fazia muito sentido! Era curioso animais como aqueles contarem histórias uns para os outros, assim o conhecimento não se perderia jamais! Ele conseguiria, em algum momento, encontrar alguém para contar sobre os seus conhecimentos? E, como que adivinhando seu silêncio, o molusco falou:

- E você tenha certeza de que eu passarei sua história adiante. De sua origem, de sua mente inquieta e do sentimento que nutre por aquela estrela vermelha! Ah! Que história! – e saiu de fininho, rindo baixinho de contentamento.

A tarde já ia sumindo e o grãozinho aproveitou para tentar encontrar com a sua voz interior. Acalmou o pensamento, como o gastrópode tinha dito e focou na estrela vermelha, mas nada! O viscoso colega tinha avisado o quanto essa voz era difícil de ouvir e pedido a ele para não desistir de tentar. Perfeito, pois além de inquiridor, nosso protagonista é focado. E, focando nesse desejo, os dias passam, seguidos das semanas e dos meses, vêm os anos e, ainda assim, tudo que ele consegue perceber é a aproximação daquele ponto luminoso avermelhado e isso o faz tentar cada vez mais algum contato. Os evos passam, a visão embaça, pois vários outros grãozinhos inertes começavam a se acumular sobre ele. Em tempo, ele encontrava algum gastrópode disposto a trazê-lo para cima, perpetuando um pouco sua existência nesse mundo inconstante.

Ele descobriu ser a distância a culpada pela falta de comunicação, pois, depois de vários milhões de anos, finalmente ele conseguiu uma resposta!

Ela não era uma estrela comum, apesar de parecer uma, vista assim de longe, por tanto tempo! Ela era uma estrela cadente, cada vez mais próxima da Terra, pois com ela ia se chocar e, se tudo desse certo, conseguiriam, então, se encontrar.

Dentro dele, aquela voz interior era assertiva: ela vinha por ele e sabia de sua existência e de seu amor! E, depois de tempos, ele ouviu novamente a voz quente dela questionando:

- É você meu parceiro?

Sua alegria era indescritível!

- Sim, sim, eu sou seu parceiro!

E a voz cessava, parecendo cair num torpor insuportável... Volta ou outra ela dizia: estou cansada, meu esforço é enorme!...

E ele se sentia tão mal por ser inerte, por não poder ajudá-la nessa jornada... Mas a sua tristeza não conseguia vingar, pois quando a voz quente dela o inundava, ele passava os poucos momentos contando histórias, reais ou inventadas e a divertindo! O sorriso dela era vitalizador!

- Você me diverte, querido! Assim passo mais rápido minha viagem, eu gosto disso...

A conexão dos dois ficou perene e eles passavam trocando sonhos, esperanças e desilusões. O medo da estrela cadente era não chegar a tempo de conhecê-lo, pois ela quase não percebia a Terra, de tão pequena! O medo dele era ser soterrado antes dela chegar e, mesmo conversando com ela, não conseguir tocá-la... Mas ambos sacudiam os medos com as trocas de várias promessas. A estrela prometia nunca o abandonar e ele prometia fazê-la sentir-se única, sempre! Mas com isso ele não queria possui-la, pois sabia que não podemos ter o outro, apenas estar com o outro durante nossa jornada e, se tivermos sorte, dividir alguns momentos de nossa história. Imagine como seria incrível se, um terceiro, perguntasse de alguma época de nossas vidas e tivéssemos a mesma história para contar? Se ela fosse de confiança, carinho, amor e empatia? Assim conversando, eles perceberam dividir várias opiniões.

Finalmente, o momento de a estrela cruzar a atmosfera da Terra chegou e a sua dor foi tamanha que o grãozinho de areia pensou ser incapaz de sobreviver a tamanho sofrimento! Ele sentia as dores da estrela e ela conseguia captar um pouco de sua esperança e com o que haviam conversado durante esses milênios, ela sabia em qual praia devia aportar, mas conseguiria? Ela, nesse sentido, era tão inerte quanto ele! Não tinha controle sobre onde cairia e se seria capaz de chegar até o pequenino grão de areia... Mas ela faria de tudo ao seu alcance para isso!

Sua queda ocorreu há alguns quilômetros de distância. Dentro do mar. Na sua reentrada, seu tamanho foi reduzido a ponto de ser facilmente transportada pelas marés. A queda na água a fez sentir um alívio imediato, a quentura do atrito se apagou e a ex-estrela cadente agradeceu ao vasto oceano por propiciar tamanho conforto. Ao se perceber afundando, começou a gritar pelo nosso protagonista:

- Grãozinho! Estou caindo sem parar! Como faço para parar?! Onde está você?

E, o que parecia um encontro certo, passou por mais alguns anos de incertezas antes de, finalmente e pela ajuda de um certo clã de gastrópodes, se realizar! A história do grãozinho tinha mesmo sido passada entre os lentos animais e, com isso, bastava à estrela comentar de sua origem que já era reconhecida e levada, lentamente, até a praia. Alguns outros animais ajudaram o transporte e o dia tão esperado chegou. Quando a viu, o grãozinho se questionou onde estava a cor avermelhada dela; quando o viu, a estrela não acreditou no tamanho dele! Ambos tinham feito várias idealizações e, ao as ver não correspondentes com a realidade, riram por dentro – de tão parecidos – e iniciaram uma conversação genuína que durou centenas de séculos. Algumas vezes, um animal ou outro parava para conversar e dividir pensamentos, outras vezes, ajudavam os dois a não serem soterrados pela areia e, fato é, os grãos de areia também morrem... Na verdade, eles se transformam, deixam de ser grãos para retornar ao estado de rocha, fazendo parte do assoalho oceânico. E, quando já não havia mais o que falar entre si, pois um pensava exatamente como o outro, quase que um tinha se transformado no outro, eles pediram para que os deixassem afundar lentamente, perpetuando aquele encontro de mentes até quando fosse permitido. Conforme afundavam, foram ficando mais próximos, até suas moléculas se tocarem, já nas profundezas do oceano e assim ficaram, em plenitude.

De onde estavam, sentiram a tremulação chegando, uma energia tão intensa capaz de rachar o fundo do oceano e, dessa fissura, surgiram centenas de estrelas-do-mar! E todas saíam do mesmo local do oceano, todas sabiam várias histórias sobre o grãozinho de areia e a estrela-cadente que se encontraram...

A voz interior deles, do grãozinho e da estrela cadente, praticamente gritou o quanto a união dos dois não poderia passar em branco e, portanto, nem mesmo a evolução seria capaz de explicar a origem das estrelas-do-mar. E contentes por terem sua existência eternizada, ambos puderam silenciar totalmente.

April 23, 2021, 10:03 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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Liura Sanchez Lauri Gosto do universo dos quadrinhos. Em especial aquele onde está inserido o Wolverine. Apesar de ter gostado de alguns filmes, os quadrinhos são mais ;)

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