asheviere Marianna Ramalho

Você sempre foi só uma pessoa normal, não era de organizar atos ou pegar em armas. Mas a alternativa era aliar-se a eles. Então você lutou. [História participante do desafio Distopia]


Short Story Not for children under 13.

#oneshot #conto #distopiabr
Short tale
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... para bellum.

Você era só uma criança quando as coisas começaram a ficar ruins.

Jovem demais para entender bem o que estava acontecendo, mas um pouco da cautela de seus pais acabava passando para você. Nenhum de seus colegas se comportavam daquela maneira, e se lhe perguntassem, não saberia explicar seus motivos ainda. Tudo o que sabia era que, à noite, entre os braços de sua mãe, vocês observavam a rua quase deserta exceto pelos homens armados patrulhando o lugar. Não conversavam muito. Com as luzes apagadas e o silêncio vigilante, era como um daqueles filmes de ação, mas seus personagens não tinham importância, eram aqueles no canto da tela que apenas existiam para que um outro alguém se levantasse como um herói. Nos primeiros dias parecia um daqueles filmes, e você queria ver o herói surgir. Depois começou a entender que sua família não estava protegida por uma tela de televisão, e as noites que sua mãe passava em vigília na varanda eram porque ela queria ver seu pai voltar.

Obviamente, as coisas não mudaram de um dia para o outro, e aquelas memórias da infância traduziam apenas a existência de um grupo testando limites, testando quanto caos poderiam provocar antes que as ações atraíssem consequências. Aquele primeiro ato foi durante a pandemia, aproveitando da desordem e preocupações com o vírus, e durou pouco mais que um mês. Então deixaram a ostensividade de lado e se recolheram novamente sob a máscara discreta dos bons cidadãos. Crianças como você esqueceram o acontecido, seus pais não. Eles assistiam estarrecidos às notícias. Milícias nacionalistas e invasões ao STF, o sequestro total de três cidades do interior durante uma noite. Acusações, ameaças e perseguições contra a oposição de seus ideais. Um grupo testando limites, testando o que podiam fazer antes que o governo precisasse discipliná-los, e descobriram que era bastante coisa se atacassem nos locais certos, aqueles que raramente alguém se preocupava em defender.

Você já era um pouco maior quando voltaram pra valer, com o governo reeleito ao qual eles associavam muitos de seus valores. Seus ideais, os corretos, os morais. Os ataques aconteceram primeiro em regiões precárias, frágeis, onde poderiam crescer em área sem que a população percebesse, pois um ataque a um bairro nobre da capital chamava muito mais atenção do que bairros marginalizados inteiros sofrendo em terror. Era a revolta da nação brasileira exigindo novas leis que a guiassem pelo caminho certo, diziam aqueles com as armas, e aqueles sem elas não ousaram contradizer. O presidente não aceitou o acordo com os terroristas de primeira. Ele precisava aparentar resistir ao caos como se não fizesse parte dele, como se não o agradasse ver o pouco esforço que precisaria fazer para manter aquele caos, já que parte da população também o desejava. Os terroristas lhe deram o ponto de virada perfeito. E quando os ataques pioraram, ele veio a público anunciar que, apesar de ter lutado e resistido contra aquelas milícias, pelo bem da população acataria seus termos. Os terroristas desapareceram milagrosamente, abrindo espaço para o Novo Governo. Exatamente igual ao velho, só que sem máscara. O povo lutando pelo direito de serem cerceados como gado em uma criação.

As primeiras mudanças foram discretas. Você ainda lembra de quando sua mãe voltou para casa com uma expressão incrédula no rosto e todas aquelas caixas cheias de livros no carro, porque tinham fechado a biblioteca, e de jeito algum ela poderia confiar os livros a um destino incerto. O país estava redefinindo suas prioridades, cortando gastos, eliminando cargos em diferentes áreas. Bibliotecas fechadas, pesquisas e projetos científicos cancelados, cursos e matérias apagados das ofertas nas universidades públicas. Os fundos seriam redistribuídos para o que realmente importava, “segurança”, nada mais do que a espionagem da população, e “desenvolvimento”, na forma de tecnologias bélicas e de controle. Como se pudesse existir desenvolvimento real em uma nação ignorante. Jornalistas como o seu pai também foram os primeiros a sentir na pele, às vezes sendo silenciados de forma descarada, às vezes sendo tão desacreditados por escândalos falsos de origem incerta que ninguém daria atenção ao que escreviam, e quanto mais denunciavam, menos credibilidade tinham. E uma vez instaurado, quando o poder mudou para mãos mais competentes, mas não menos cruéis, as mudanças maiores chegaram, porém não tinha ninguém para denunciá-las e muito menos para ouvi-las. Era o “Ministério da Verdade” agindo diante de todos, mas estava tudo bem, porque era a verdade deles.

Houve uma época em que disseram que não havia nada a temer, mas sempre há perigo em dar palco para ideias como aquelas, em assistir inerte enquanto políticos flertam com autoritarismos do passado, confiando o futuro à própria sorte. O povo é uma terra fértil para ambos os lados, as raízes do autoritarismo sempre encontrarão onde crescer. E isso lhe lembra de um livro que hoje você não pode mais ler, sobre o perigo da loucura dos grandes. Porque todos são loucos, os grandes e os pequenos, mas permitir um louco no poder dá aos outros a confiança de que estão lúcidos.

E você já esperava ter de lutar contra aqueles de cima, mas lutar contra as pessoas ao seu lado, vizinhos, colegas, amigos, era uma surpresa decepcionante. Revoltante e triste ao mesmo tempo, e extremamente cansativo.

Você sente falta daquele livro e de muitos outros que também foram recolhidos.

“Material subversivo.”


.


O homem no canto do bar grita por outra rodada e lhe tira de seus pensamentos melancólicos sobre os últimos 20 anos. Você sabe que ele não está bêbado de verdade e nem deseja ficar, mas serve um copo de algo que apenas parece alcoólico. Marcos é uma presença ocasional, quase todo mês está na sua frente, e apesar de você não ser muito gentil com ele, sempre divaga sobre o tipo de imprevistos que devem ter acontecido quando ele passa muito tempo sem aparecer.

Você sente falta de quando as pessoas não desapareciam. Como seu pai e seu irmão, sem vestígios, mas sempre depois de algum ato considerado incivil. Agora você sente conforto ao rever alguém que mal conhece, apenas porque a presença dele mostra que nem tudo pode ser controlado. Ou ele também seria só mais um fantasma a lhe assombrar.

O sorriso que Marcos lhe dá parece genuíno, apenas uma provocação de um bêbado ou uma cantada, não daria para discernir, mas você sabe que significa apenas uma conversa no final, quando os outros clientes já tiverem saído. Uma conversa previsível, sempre um punhado de informações e um convite. Você sempre aceita um, mas não o outro. Ainda não. Mas hoje talvez você o surpreenda.

O movimento está rareando, finalmente. Apesar do relógio analógico na parede estar parado, você sabe que faltam apenas alguns minutos antes do toque de recolher. Os ponteiros congelados entre os números 5 e 6 apontando para a parede lisa logo abaixo como se indicassem um segredo. Aquele lugar era construído em segredos e abrigava mais alguns. Você sente uma ponta de apreensão pensando nas duas crianças no apartamento sobre o bar, e torce para que não façam barulho até que estejam apenas você e Marcos no lugar. O último cliente sai, Marcos se aproxima sem perder tempo, chamando-lhe pelo nome que ele conhece:

Pacem.

Você sente falta de ouvir seu nome real. O apelido vem da frase no seu pulso, tirada de um livro que leu há muito tempo. Si vis pacem. A tatuagem foi feita anos antes, mas era estranha e deslocada no país de agora, então você costuma escondê-la. O apelido ficou de forma que mesmo pessoas que não sabiam sobre a frase lhe chamavam assim.

As crianças descem a escada, filhas de um daqueles fantasmas desaparecidos. Marcos iria tirá-las da cidade, mas quem sabe o que aconteceria depois? Não estariam seguras enquanto não passassem pelas fronteiras. Filhos eram um trunfo do governo contra aqueles fantasmas. Crianças eram torturadas para obter informações de seus pais, e mesmo que você nunca tenha sido uma pessoa envolvida naquelas batalhas urbanas e quase, quase, invisíveis, não poderia fechar os olhos para isso.

Nenhum de vocês possui celular ou qualquer aparelho que possa ser monitorado, mas ainda preferem conversar em voz baixa. Sem celulares, redes sociais, sem rastros, você é uma dessas pessoas que preferem não ser vistas. É uma escolha sua, mesmo que sempre seja vista com desconfiança. Se ocultar pode lhe manter fora do radar, mas também lhe impede de arranjar empregos formais, matricular-se em cursos públicos ou contratar alguns serviços. Marcos lhe conta pouco dos movimentos dos militares, apenas o bastante para que continue em segurança tanto quanto possível, mas ele não lhe confia mais do que essas migalhas de informação. Afinal, você nunca quis ser parte da luta, sempre negando o convite dele. Dessa vez, você o surpreende.

Você diz que quer entrar.

Marcos lhe olha com curiosidade. Você sempre foi só uma pessoa normal. Não era de organizar atos ou pegar em armas, não, isso era coisa do seu irmão.

– O que fez você mudar de ideia?

Uma vez, você conversou com seu pai sobre como gostaria de ser uma das pessoas de coragem a lutar pelo que era certo, mas que pensava que o medo lhe impediria. Ele disse que todas as pessoas pensavam igual. Ninguém luta apenas por coragem. As pessoas lutam porque algo foi tirado delas e elas querem de volta. Seja liberdade ou justiça por entes perdidos. Você deseja paz. Deseja voltar para quando podia ler os livros que quisesse e terminar sua licenciatura, voltar para quando as pessoas não desapareciam e vidas inteiras não eram destruídas como as folhas rasgadas da Constituição. Antes de descobrir que o escudo do povo é feito de papel.

Você queria paz. E se precisasse ir à guerra por isso, então que fosse. Era como a frase em seu pulso. Si vis pacem…


.


Os anos seguintes foram ainda mais difíceis. Mesmo que soubesse de todas as coisas grotescas cometidas pelos militares, antes você estava distante. Fechar os olhos permitia que anestesiasse a revolta por alguns instantes, então você respirava fundo algumas vezes e voltava a viver. Era diferente de estar no meio de tudo. De conhecer outras pessoas a mesma situação e saber que podia perdê-las a qualquer momento. Não, não era afeto o que você tinha por elas, afinal, mal se conheciam, mas faziam parte do mesmo grupo resistindo pelos mesmos ideais. Era uma dor diferente cada vez que perdiam alguém. Algo que minava a determinação e a força que tinham. Você tinha raiva das pessoas que tornaram a vida tão difícil. Não apenas daqueles que estavam no comando, mas de cada um de seus vizinhos e conhecidos que sorriam para a violência legitimada dos militares, tão institucionalizada naquele novo país que seria impossível imaginar a vida sem ela na rotina. “As coisas são assim, vai fazer o que?” você ouviu alguém dizer.

Seu bar tornou-se um ponto de triagem. Você escondia pessoas, redistribuía armas e dinheiro. Com toques de ironia, Marcos o rebatizou como Parabellum.


.


Os anos de planejamento recompensaram, mas demora alguns dias para que você entenda que finalmente venceram.

Venceram. Venceram. Vocês venceram.

É estranho demais para compreender de imediato. Você não pensou que veria o “depois do fim”. Lutava porque a alternativa seria aceitar, mas nunca pensou que veria uma nação livre de novo.

Você para na frente da parede com o relógio, o relógio parado cujos ponteiros marcavam o segredo escondido em Parabellum. Marcos pergunta o que você vai fazer agora. Você sorri e estende a mão para receber o martelo que ele segurava. E pela primeira vez, você diz a ele seu nome de verdade.

As marteladas ecoam pelo bar vazio enquanto pedaços inteiros desprendiam da parede para o chão. Você passou anos querendo fazer isso. Por causa da sua mãe. Por causa do seu pai.

Marcos não disfarça a risada quando a parede começa a revelar lombadas de livros protegidos das pessoas e do tempo. Uma pena que precisaram ser escondidos, afinal, livros não cumprem seu papel longe dos olhos alheios. Mas agora voltaram à luz e alcançarão muitas pessoas, você vai garantir isso.

Porque sabe que não acabou totalmente. O risco nunca desaparece, pois sabe que o que aconteceu durante esses anos já tinha acontecido antes, mas as pessoas esqueceram. Esqueceriam de novo, se permitissem. Você não permitiria.

Você diz a seus filhos como aqueles anos foram ruins. Diz sobre como as pessoas desapareciam sem julgamentos, suas crianças sendo torturadas. Mas sabe que em outra casa, na mesma rua, alguém diz aos filhos que tudo estava bem. Que aquela época é que era boa, quando as pessoas andavam na linha, e que era assim mesmo que “criminosos” deveriam ser tratados.

Você diz a seus filhos todas as coisas que aconteceram, e sabe que essa é a segunda parte da luta. A parte que nunca acaba. Lembrar do passado para garantir o futuro.

March 5, 2021, 3:40 p.m. 14 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Marianna Ramalho Também posto no Nyah, no Spirit e no Wattpad sob o nome de Jupiter L. Se houver interesse pela minha escrita de forma "integral", sugiro acompanhar pelo Nyah ou Inkspired. Nem todas as histórias são postadas no Spirit e no Wattpad.

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Post!
Afonso Luiz Pereira Afonso Luiz Pereira
Olá, Marianna, fiquei curioso para saber qual era a proposta vencedora do concurso de distopia no Brasil. Tenho uma ideia muito clara de distopia porque gosto muito de Ficção Científica, gênero do qual a distopia ganha os seus melhores contornos. Embora a tua narrativa não tenha contemplado esse meu lado FC, reconheço quando estou diante de alguém que tem o domínio da escrita para levar a sua mensagem com competência. Gostei muito desta tua visão real da distopia que, infelizmente, possui cenários verídicos que já ocorreram (os livros queimados no regime nazista) e ainda ocorrem em muitos lugares nos dias atuais. E ainda, para complicar, estamos sempre receosos que isso possa acontecer com a gente também, que um quadro como o que você pintou pode ocorrer de fato, basta lembrar que já fomos submetidos a uma ditadura no passado e o cerceamento da livre expressão foi amputada também. Apreciei demais o seu lado positivo para concluir a história, principalmente a cena da derrubada das paredes para trazer os livros novamente à luz de seu propósito principal: abrir e oferecer conhecimento, ou boas narrativa à imaginação como foi o caso deste teu conto. Minha congratulações merecidas pelo texto sóbrio e vencedor do certame.
April 05, 2021, 19:54

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Olá, Afonso! Tudo bem? Espero que sim =D Obrigada por dar uma chance à leitura e dedicar um tempinho a esse conto. Eu também gosto muito de distopia e ficção científica, mas não costumo escrever tanto assim. Fico feliz que o resultado aqui tenha sido bom ^^ Eu sou irremediavelmente positiva, então o final não poderia ser outro. Adoro ver a vitória de um grupo de resistência nos filmes, a vitória (mesmo quando é custosa) é sempre a parte mais empolgante! haha Muito obrigada por ler e por comentar. Até uma próxima vez! <3 April 07, 2021, 01:47
Anne Claksa Anne Claksa
Olá Seu conto ficou tão bom, que me senti no lugar do personagem. A forma como descreveu os acontecimentos ficou muito boa, você mostrou com sutileza como uma ditadura pode mudar as coisas, para melhor, mas, também há a questão da violência, ou seja, nem tudo é um mar de rosas. Um exemplo de que muitas pessoas são contra a ditadura, é que o narrador conta que um bar acaba virando um tipo de quartel general da revolução, onde se trocam e vendem armas e discutem assuntos em reuniões. A parte dos livros escondidos, me fez lembrar de um livro que li há alguns anos. É isso o que tenho a dizer sobre a sua história: ficou incrível. Parabéns pelo conto! Até a próxima!!!
March 12, 2021, 20:31

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Olá, Anne Claksa! Muito bom ver você aqui no Inks também. Ahhhh adorei saber que você entrou na história a esse ponto e que se sentiu como Pacem por alguns minutos. Que bom que o conto conseguiu esse efeito. Se você lembrar qual era o livro que leu, por favor me diga o título, fiquei interessada. Muito obrigada por ler e por comentar! Até a próxima <3 March 12, 2021, 22:31
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá, Jupiter! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #DistopiaBr! Ter vocês, autores, nos apoiando com suas histórias incríveis e participando ativamente deste desafio nos deixou realmente felizes. Com uma narrativa diferente das que havíamos lido até então, sua história consegue se destacar pela maneira como nos faz emergir durante o texto que você teceu. Muito verossímil com a situação política do Brasil, seja em tempos atuais ou no passado, mergulhamos de cabeça em “Si Vis Pacem” e somos tragados por todos os acontecimentos no decorrer da história, sentindo na pele com cada um dos eventos que transcorrem conforme a narrativa nos guia. Sua obra evoca sentimentos que remetem ao antigo período de ditadura no país. É claro, uma ditadura é um período de extrema opressão e desespero, e no cenário de “Si Vis Pacem”, onde livros foram abolidos e crianças são sequestradas para servirem como instrumentos de tortura aos pais, o elemento da distopia está muitíssimo presente. No entanto, devemos admitir que sentimos falta de algo mais brasileiro na história. É claro, há uma crítica muito forte aos momentos atuais que nos deixa ligeiramente situados. Como ao fim, enquanto a protagonista diz que vai ensinar tudo que viveu aos seus filhos, enquanto vizinhos dizem aos seus que tudo o que aconteceu foi correto, e que as coisas eram melhores como eram. Esse tipo de cena, novamente, nos remete muito ao antigo período da ditadura aqui no Brasil; infelizmente, idolatrado por alguns mesmo nos dias de hoje. A narração em segunda pessoa ficou simplesmente perfeita! Em alguns momentos, chegamos até a sentir culpa. O leitor consegue se projetar ali e receber um misto de emoções e sensações, desde arrepios e apertos no peito até o alívio ou satisfação em saber que fizemos nossa parte da melhor forma possível. O ambiente não é difícil de se imaginar e em alguns momentos o bar até acaba nos lembrando aquele de Bastardos Inglórios (filme de 2009), com uma atmosfera tensa, mas que ainda sim serve de refúgio para aqueles que precisam. Marcos, ali, deve ter encontrado o seu momento. Um momento para tentar deixar a mente vagar entre o balcão e o copo, entre nós e “eles”. Não é muito difícil de crer que algum dia chegaremos a este ponto, mas torcemos para que isso não aconteça (indiretamente, acreditamos que tenha conseguido provar em poucas e belas palavras que já estamos vivendo em uma distopia ou encaminhando para uma). Temos duas opções. E aceitar isso não será uma delas. Ah, e não podemos deixar de falar mais a fundo sobre sua escolha para a narração: a segunda pessoa, um narrador que nos puxa direto para dentro da narrativa, nos aponta e nos acusa, um narrador que personifica. Foi surpreendente ler sua história enquanto nos sentíamos parte dela, um personagem que sempre esteve lá e, agora, sempre estaremos, porque ficou gravado dentro de nós. Além disso, a gramática e a ortografia do texto merecem destaque e elogios, principalmente por ser uma história com quase nada de diálogo — e aqui o mais interessante de tudo é que, o fato de você ter escolhido o narrador que escolheu, tornou toda a história um grande diálogo e nos sentimos dentro da mente do seu personagem que, em determinado momento, acaba se fundindo à nossa, nos transportando diretamente à história e impedindo que ela se torne cansativa. Sua história foi única de diversas maneiras, e trouxe um tom excepcional para o desafio #DistopiaBR, uma vez que nos faz encarnar o protagonista. Deixamos registrados aqui nossos parabéns por toda a construção de sua obra, seu empenho e dedicação em trazê-la para o desafio dentro do prazo-limite. Obrigada pela sua participação, foi muito bom poder contar com você neste desafio e esperamos poder vê-la em outros. Os resultados serão divulgados em breve nas nossas mídias sociais. Fique de olho e boa sorte!
March 06, 2021, 21:59

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Olá, Inkspired! Digo sem hesitação que a melhor parte de participar dos desafios é esperar pelo comentário de vocês! Sei nem o como responder kkkkk Eu concordo que o conto poderia ter sido melhor ambientado, realmente. É uma dificuldade que anda me perseguindo ultimamente... Obrigada por chamar atenção para esse ponto, ficarei mais atenta no futuro. Os comentários sobre a narração me deixaram radiante!! Fico imensamente feliz que tenha sido uma boa escolha, eu estava empolgada para tentar algo na segunda pessoa. Que bom que o resultado foi legal. Obrigada pelo comentário. Estou ansiosa pelos próximos desafios! March 07, 2021, 19:37
Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
mais uma história incrível criada pela maravilhosa <3 toda vez que leio algo seu eu me surpreendo <3 incrível história, amei <3
March 06, 2021, 06:40

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Ahhhh muito obrigada! Que bom que gostou da história, eu fico super feliz em ler isso :3 Obrigada por ler e por comentar! <3 March 06, 2021, 14:27
 Silva Silva
Caramba! Pelos anéis de Saturno, que texto foi esse Júpiter? Deixando de lado a piada ruim, preciso dizer que sua narrativa foi incrivelmente cativante. E a mensagem do enrendo... A cena da parede caindo revelando os livros guardados, que cena linda! As críticas sociais orgânicas e muito bem pontuadas, o conceito do título na história, os personagens e a ambientação. Perfeito! Obrigado por compartilhar esse texto maravilhoso conosco. Boa sorte no desafio <3
March 05, 2021, 23:54

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Olá! Adorei a piada kkkkkk Agradeço muito por ter dado uma chance a essa história e fico muito feliz que tenha gostado da narrativa! Os detalhes vieram em conceitos bem "separados" na mente, então é ótimo saber que o resultado final foi bom ^^ Muito obrigada por ler e comentar! Até a próxima <3 March 06, 2021, 00:29
CC C Clark Carbonera
Ahhhhh, eu já me liguei é nessa sinopse aí! Ficou massa! Nossa, em primeiro lugar: a sua narrativa ficou apaixonante, sério. Parece que o narrador é uma consciência à parte, explicando as coisas pro personagem (tipo falando "ó, você tá errando aqui; não vá por lá não; agora entendeu porque aquilo deu errado?"). Fico imaginando quantas pessoas ao redor do mundo não acabam pegando em armas para garantir a paz...particularmente, compreendo o sentimento, mas não acredito em armas como garantidoras de qualquer tipo de paz. Mesmo assim, entendo o personagem, seria desumano não entender. Essa parte aqui: "Ele precisava aparentar resistir a caos como se não fizesse parte dele" - podia bem ser a manchete do jornal de amanhã. Parabéns pelo conto e por participar!!
March 05, 2021, 22:17

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Ahhhh obrigada! <3 Admito que fiquei paquerando a sinopse um pouquinho XD Você foi certeira na sua visão da narração. É meu primeiro texto escrito em segunda pessoa e eu adorei isso, adorei como parece que eu estou contando a história de alguém que está sentado na minha frente kkkkk Eu também não acredito em armas como garantidoras da paz, normalmente, porém em histórias envolvendo alguma forma de autoritarismo eu acho armas super válidas, praticamente autodefesa. Imagina Star Wars com os rebeldes desarmados, o Império dormiria tranquilo kkkkk Além de que Pacem saiu uma pessoa com as próprias convicções, divergindo das da autora kkkkk Muito obrigada por ler e comentar! <3 March 05, 2021, 22:46
amy ᘛ 🦋 amy ᘛ 🦋
Oi, Jupiter! Tudo bem? ♡ Fiquei muito feliz em te ver novamente em um desafio! Muito obrigada por ter se juntado ao #DistopiaBR. Falando sobre sua história, gostei muito da forma como tu escolheu produzir seu texto. Enquanto nos inserimos como personagens no decorrer da narrativa, conseguimos tecer os cenários com clareza, e somos afetados por muitos sentimentos, como quando, por exemplo, há menção do desaparecimento dos familiares. E é claro, o personagem principal ter um apego aos livros só faz com que esses laços se estreitem, e ao fim ficamos imersos na obra que você construiu. Meus parabéns pelo seu texto e boa sorte com o desafio!
March 05, 2021, 20:00

  • Marianna Ramalho Marianna Ramalho
    Olá, amy! Tudo ótimo, e espero que com você também <3 É ótimo ver você aqui também, e fico feliz que tenha gostado da narração. Eu estava flertando com a ideia de escrever um texto narrado em segunda pessoa já há algum tempo, e eu achei bem interessante. Como eu queria colocar o leitor no centro, foi até divertido, pensar em um enredo plausível de se identificar e reformular as frases para evitar adjetivos que indicassem o gênero de Pacem. O apego aos livros (aliás, a ideia toda) veio de uma foto aleatória da internet, da coluna de um prédio recheada de livros. Não sei o contexto da foto, mas que ajudou, ajudou XD Muito obrigada por ler! <3 March 05, 2021, 21:35
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