mschneider21 Margot Schneider

A estória é sobre um aventureiro alemão de nome Hans Staden que visitou o Brasil por duas vezes, a primeira em 1547 e a segunda e última em 1550. Graças a um relatório detalhado de suas viagens, publicado em um livro é que os europeus daquela época começaram a se interessar em saber mais sobre o Brasil.


Non-fiction All public.

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A aventura quase fatal de um alemão no Brasil

"A vida é ou uma aventura audaciosa, ou não é nada. A segurança é geralmente uma superstição. Ela não existe na natureza."

Helen Keller


Em 1547, ou seja, 47 anos depois de descoberto o Brasil, um destemido (sem medo) alemão resolveu se aventurar pelo mundo e se ofereceu como artilheiro de uma nau (navio) portuguesa que iria para o Brasil. Chegou no Brasil, na altura do estado de Pernambuco, no nordeste do Brasil, olhou aquele verdinho, aquela vegetação rica, sentiu aquele calor intenso, viu aquelas índias peladas, comeu frutas exóticas, gostou de tudo mas voltou para Lisboa no ano seguinte. Passados três anos, pensou com saudades na boa experiência que tivera durante essa viagem e resolveu voltar em 1550, só que desta vez trabalhando para uma esquadra (conjunto de navios) de espanhóis que navegaria para o sul do Brasil. O capitão da esquadra era Diogo de Sanábria e os espanhóis pretendiam com essa viagem fundar dois povoados, um onde hoje é o município de Florianópolis no estado de Santa Catarina e outro na embocadura (foz, ponto onde um rio deságua) do rio da Prata, o rio que hoje faz divisa entre o Uruguai e Argentina. O navio do alemão navegava pelo litoral paulista quando naufragou (afundou) e ele acompanhado de outros sobreviventes conseguiu alcançar a capitania de São Vicente, onde o alemão se juntou aos portugueses que já estavam instalados por ali. Passados três anos junto aos portugueses, o então governador geral do Brasil, Tomé de Sousa, fez do alemão de nome Hans Staden, comandante da fortaleza de Bertioga. Essa fortaleza em Bertioga existe até hoje graças à várias reconstruções nela realizadas.

No ano seguinte, Staden foi capturado pelos índios Tupinambás – índios que tinham fama de serem canibais (que comem gente) - e levado pelo chefe da tribo para duas de suas aldeias, a de Mambukabe e Tickquarippe (atuais Mambucaba e Taquari, ao norte da cidade de Paraty). Paraty situava-se no meio dessas aldeias. Os Tupinambás ocupavem uma boa parte do litoral brasileiro e suas duas principais aldeias eram Ariró (em Angra dos Reis) e Iperoig (Ubatuba). Para alívio do alemão, o chefe dos Tupinambás, Cunhambebe resolveu que sua tribo não o iria devorar tão rápido e ao contrário disso, fizeram-no prisioneiro por meses. Cada vez que o alemão falava alguma coisa que não gostavam, os índios o ameaçavam comê-lo com todo o requinte de detalhes de um ritual antropofágico(1). Hans Staden era provavelmente muito bom de diplomacia (2) já que conseguiu adiar sua morte por tanto tempo. Será que os Tupinambás queriam guardar ele para o banquete de Natal? Não, claro que não, brincadeira. Os índios não sabiam, claro, o que era Natal. Mas talvez guardassem ele para a celebração de um casamento. Quem sabe? O fato é, que Hans Staden com sua boa lábia (conversa) sobreviveu o bastante entre aqueles índios para ter a sorte de ser resgatado por um navio francês. Voltou então de imediato para Europa e nunca mais quis saber de aventuras pelo Brasil.

Essa história é conhecida porque o próprio Hans Staden escreveu um livro sobre suas duas viagens ao Brasil. Este livro, quase que um “guia” de antigamente para os curiosos e viajantes desavisados, foi e ainda é uma rica fonte de muita informação sobre aquele antigo Brasil selvagem. O relato (conto) de Staden se mostra tão rico em detalhes que atiçou a curiosidade de toda a Europa e consequentemente foi traduzido para vários idiomas, como o flamengo, o holandês, o latim, o francês e mais tarde também para o português.

O que acontecia pelo mundo afora por esse tempo...


1547 – morreram os monarcas Henrique VIII da Inglaterra e também Francisco I da França. Henrique VIII foi aquele rei que rompeu com a igreja católica e se casou seis vezes. Francisco I foi o rei que mandou construir o palácio do Louvre, que hoje é o mais famoso museu do mundo.

1549 – Tomé de Sousa assume a posição de primeiro Governador Geral do Brasil

1549 – Fundação da cidade de Salvador, Bahia, Brasil.

1551 – Fundação da cidade de Vitória no Espírito Santo, Brasil.

1553 - Maria Tudor - filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão - é coroada como rainha da Inglaterra e passa ser a Maria I da Inglaterra.

1554 – Fundação da vila de São Paulo de Piratininga no dia 25 de janeiro, hoje simplesmente a cidade de São Paulo, a maior cidade do Brasil. São Paulo foi fundada pelos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega.

1554 - Maria I de Inglaterra se casa com Filipe II de Espanha. Filipe II bem mais tarde passou ser rei também de Portugal. Em Portugal, por ter sido o primeiro rei de nome Filipe, era Filipe I. Que confusão, não?!

1554 – nasceu D. Sebastião, o futuro rei de Portugal.


Glossário e Notas:

1 - Antropofágico: relativo à antropofagia. Antropofagia quer dizer ato ou hábito de comer carne humana. O sufixo “fagia” vem do grego e quer dizer comer. O prefixo antropo também vem, claro, do grego e quer dizer “homem”.

2 – Diplomacia: Habilidade, astúcia. Arte de manter o direito e de promover os interesses de um Estado ou governo perante os Estados e governos estrangeiros.

3 - Helen Adams Keller (quem citou a frase no começo deste texto) foi uma escritora norte-americana. Foi dos maiores exemplos de que as deficiências físicas não são obstáculos para se obter sucesso. Helen Keller foi uma extraordinária mulher que ficou cega e surda devido a uma doença diagnosticada na época como febre cerebral (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Superou todas as dificuldades, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século. Ela sentia as vibrações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de parques onde ela passeava. Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista (quem dá conferências, fala sobre algum tema para muita gente ao mesmo tempo), uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência física.


Teste o seu conhecimento:


1 – Quantas vezes Hans Staden viajou para o Brasil?

1. Uma única vez. Ele não voltou mais, já que o lugar não o agradou muito;

2. Duas vezes;

3. Dez vezes; Ele descobriu uma boa agência de viagens que fazia pacotes turísticos promocionais e depois que conheceu de perto os índios, passou todas as suas férias, por 10 anos no Brasil;


2 - Em que anos Staden visitou o Brasil?

1. 1547 e 1550;

2. 1500 junto com a esquadra de Cabral e 1930 para o carnaval do Rio;

3. 1547 e 1922 para assistir a semana de arte moderna em São Paulo;


3 – O que pretendiam os espanhóis com a viagem ao Brasil em 1550;

1. Fundar dois povoados, um onde hoje é o município de Florianópolis no estado de Santa Catarina e outro na embocadura (foz, ponto onde um rio deságua) do rio da Prata;

2. Fundar pelo menos dois povoados dentro do Brasil onde todos deveriam falar espanhol e eles não tivessem tantos problemas para se comunicar em português;

3. Fundar dois povoados onde eles pudessem preparar chorizos (uma línguíça típica da Espanha), seus churros (um doce típico da espanha), tomar sua sangria (vinho misturado com frutas) e não tivessem que comer feijoada e tomar caipirinha quando visitassem a América do Sul;


4 – O que aconteceu com a nau onde viajava Hans Staden?

1. Bateu em um iceberg e afundou, como o Titanic;

2. Naufragou;

3. Deu uma paradinha em uma praia linda do litoral norte de São Paulo e todos os tripulantes foram atacados pelos índios Tamoios, que além de se apossarem da embarcação ainda jantaram o capitão;


5 - Para quem Hans Staden trabalhou depois de sua viagem mal sucedida com os espanhóis?

1. Para os portugueses;

2. Para os índios tamoios;

3. Para os alemães, como correspondente de notícias sobre o que andava acontecendo no Brasil colônia;


6 – Quem era o governador geral do Brasil na época de Hans Staden?

1. Mem de Sá;

2. Tomé de Sousa;

3. O chefe dos Tupinambás, Cunhambebe;


7 – Qual tribo de índios capturou Hans Staden?

1. Tribo dos Pataxós;

2. Tribo dos Yanomamis;

3. Tribo dos Tupinambás;


8 – O que fez Hans Staden de importante, depois que conseguiu fugir dos índios e voltar para a Europa?

1. Escreveu um livro sobre como enganar os índios brasileiros no caso de se ser capturado por eles;

2. Escreveu uma carta aos índios, debochando da segurança deles;

3. Escreveu um livro sobre suas duas viagens ao Brasil onde registrou muita informação sobre o antigo Brasil selvagem;


9 – Quem foi Helen Keller?

1. A esposa de Hans Staden, que ficou furiosa com suas viagens para o Brasil e quase o preparou como jantar quando Staden voltou para a casa na Europa;

2. Uma extraordinária mulher norte-americana, deficiente física, que se tornou célebre escritora, filósofa e conferencista;

3. Uma ativista inglesa que lutou pelo direito dos índios brasileiros canibais de comerem suas vítimas;

Jan. 19, 2021, 8:18 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Margot Schneider Margot Schneider é o pseudônimo adotado pela escritora brasileira, nascida em Santos. Mudou-se para São Paulo, estudou Ciências da Computação o que lhe permitiu mais tarde trabalhar como desenvolvedora de sistemas de informação na Suíça, onde mora desde o ano 2000. A escritora adora tocar piano, violão, ler, viajar, conhecer gente, conversar, aprender outras culturas, novas línguas e atualmente só usa os computadores para trocar e-mails e escrever, mais uma paixão descoberta.

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