artemisiajackson Artemísia Jackson

Izuku adorava os natais em família, exceto por um detalhe: aquela infame pergunta - que dessa vez teria uma igualmente infame (ou nem tanto assim) resposta.


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#oneshot #au #comédia #kiribaku #bnha #tododeku #natal #soft
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Capítulo Único

Eu queria muito fazer uma tododeku de natal, sei que já estou um pouquinho atrasada, mas antes tarde do que nunca.
Foi inspirado numa pub que vi no face, as semelhanças não são mera coincidência. E desculpem pelos prováveis erros grotescos e intromissões do corretor, depois volto aqui pra uma segunda revisão.
Enfim, bora pro que interessa e boa leitura ;)

***

Com a pança cheia de arroz tradicional e frango frito Kentucky, Izuku se perguntava seriamente sobre como aguentaria comer o bolo de morango — ele tinha que dar um jeito, simplesmente precisava comer um pedaço daquela iguaria divina preparada por sua mãe. Com sorte, o estaria ingerindo assim que aquela pergunta fosse feita, de modo que poderia desviar da resposta.

Os natais em família tinham se tornado uma tradição desde que ele tinha 5 anos de idade, quando o pai de Katsuki falecera há poucos dias do natal. Inko, num ato de solidariedade, convidara os Bakugou para comemorar com eles naquele ano, e desde então Bakugous e Midoriyas meio que formaram uma família composta de dois pedaços de gente excêntricos e duas mães desesperadas — uma com o filho chorão e emotivo e a outra com o filho explosivo e briguento.

Mas o que fora uma tradição de paz por longos anos acabou por mudar tão logo entraram no ensino médio: no mesmo ano, a tia de Izuku que residia no Brasil decidira que seria uma boa ideia visitá-los nos natais. Não que a irmã de Inko, Izumi, fosse má, de jeito nenhum! Ela só tinha uma mania invasiva de fazer perguntas cuja resposta ele não saberia dar em voz alta. Especialmente naquele ano.

Então ali estava ele novamente: encarando Inko, Mitsuki, Kachan e Izumi jogados na sala de estar; alguns sentados com as costas apoiadas na mesa de centro e outros simplesmente deitados e completamente jogados no tatame — claro que esses seriam os Bakugou e ele próprio, que andava tanto com bombinha raivosa que começava a pegar alguns trejeitos inofensivos de sua personalidade.

— Sabe de uma coisa? Não tô bêbada o suficiente pra lidar com essa data — rezingou Mitsuki repentinamente, levantando de forma brusca. — Vou ali pegar um saquê, alguém quer?

Izumi e Kachan acenaram positivamente — enfim com seus dezoito completos, ele não costumava desperdiçar chances de beber. Izuku apenas continuou deitado, imaginando quando a bomba viria.

A lei da atração devia ter lá seus pontos de verdade, considerando que após pensar tanto no assunto e tão logo sua tia de consideração saiu da sala, a tia "legítima" começou seu discurso — as duas eram tão legítimas para ele quanto podiam ser, e essa diferenciação de títulos era apenas uma piada que visava zombar daquela noção que parentes eram mais parentes quando tinham o mesmo sangue.

— Então, esse já é nosso terceiro ano juntos, não é? — Izumi sorriu, afastando a franja negra de seus olhos com as mãos pálidas. — Essa não é uma época de namoro por aqui, Inko? — observou a irmã assentir ao seu lado e voltou-se para o sobrinho. — Então, querido, e as namoradinhas? Por que está aqui reunido com essas velhas solteironas quando podia estar andando de mãos dadas pela cidade?

Essa pergunta era especialmente dirigida para Izuku, pois Izumi desistira de fazê-la no plural logo no início, quando tudo o que recebeu de Katsuki foi um rosnado irritado. Assim sendo, a tortura natalina sobrava única e exclusivamente para o jovem Midoriya, que pensava o que poderia responder já que naquele ano não teria bolo de morango no timing certo para evitar sua resposta. Mas antes que pensasse em algo, a voz de Mitsuki se fez ouvir lá da cozinha, quase gritando.

— Não é namoradinha não, é namoradinho, Zuko aqui gosta de homem! — a mulher retornou para a sala no momento exato que Izuku se tingia de 50 tons de vermelho, encarando-a como quem não sabe onde enfiar a cara. Mitsuki não pôde evitar o leve sorriso que acompanhou o seu revirar de olhos exasperado ao continuar sua fala enquanto distribuía os sachês. — É isso mesmo, Izuku Midoriya, pra que essa vergonha toda? Você gosta de homem, qual o problema? Nessa sala aqui todo mundo gosta de um pau bem grande que eu sei, não tem porquê se sentir deslocado não. Tem que cair de boca, né, Katsuki? — acrescentou ao ouvir um resmungo debochado vindo dele.

— Cala a boca, velha. Eu não sei, não gosto de pau coisa nenhuma, nem de pessoas eu gosto. — rosnou o garoto.

— Gosta do Kirishima, logo, gosta do pau dele também! — Katsuki a olhou num misto de surpresa e raiva, tão assustado que sentou-se. — Não me olha assim não, achou que eu não ia perceber? Você levou o menino em casa pra ensinar matemática, Katsuki Bakugou, e fez até comida pra ele! Até parece que ia fazer algo assim se não gostasse dele.

— Verdade, Kachan parece um cachorro adestrado perto do Eiji. — concordou Izuku, rindo discretamente.

— Cala a boca, nerd. E você fica cuidando da minha vida, sua velha stalker? — indignou-se Katsuki, vermelho como um pimentão.

— Que cuidando da sua vida, garoto, se enxergue! Você que é muito óbvio. — debochou Mitsuki, tomando mais do seu precioso saquê enquanto arrumava um lugar entre as mulheres Midoriya e se sentava.

— Bem, eu não tenho nada contra. Mas gostaria de dizer que eu, particularmente, não gosto de pau não. — Izumi se pronunciou, rindo enquanto se apossava da própria bebida.

— E por que não contou antes? — surpreendeu-se Izuku, agora sentando-se também.

Se ele soubesse que não era o único na família, talvez tivesse tido coragem de falar a verdade para a tia "legítima" mais cedo. Não que o tivesse feito com Mitsuki ou mesmo com Inko: elas simplesmente sabiam e nunca o questionavam sobre, nem tocavam no assunto — até o presente momento, claro.

— Vocês nunca perguntaram! — ela deu de ombros. — E eu poderia perguntar o mesmo, Izuku. Você podia ter esclarecido isso desde o primeiro ano que vim aqui, né? Não imaginava que gostasse de garotos, por isso sempre perguntei sobre as namoradinhas.

— Ah… — Izuku envergonhou-se, volvendo o olhar para o chão. — Eu não queria ter que falar sobre, sabe? Sempre pensei que caso tivesse alguma coisa com alguém, simplesmente apresentaria a pessoa, sem precisar me assumir antes. Nunca gostei dessa ideia de assumir algo, porque héteros não precisam disso. — desabafou o garoto, sentindo um peso sair dos ombros junto com tais palavras.

— Garoto inteligente! — elogiou Izumi, sorrindo. — Entendo o sentimento, Zuko, eu penso da mesma forma. Por isso nunca comentei antes. Mas se alguém perguntar, não deixe de falar, pra não parecer que você tem vergonha de ser quem é, entende?

Izuku acenou positivamente, sorrindo de forma cúmplice para a tia, aliviado por ela entender o sentimento tanto quanto o resto da família.

— Bom, eu não queria invadir seu espaço, filho, mas já que estamos nesse assunto… — começou Inko, finalmente se pronunciando após um longo período calada. — Quem é ele?

— E-le quem? — gaguejou, ficando vermelho.

— Quem gagueja já perdeu os argumentos — zombou Mitsuki.

— Tsc... Nerd de merda! — rezingou Katsuki, encarando-o de soslaio com ar de quem sabe das coisas.

— O tal garoto que roubou seu coração, ora! — exclamou Inko, em tom de obviedade. — Você anda sempre distraído agora, suspirando por aí e sorrindo pro nada. Posso estar errada, ou talvez o motivo não seja uma pessoa, mas um trabalho ou algo assim… porém, desde que eu me lembre, esses são sintomas de alguém apaixonado.

— É sim, Katsuki está igualzinho. A diferença é que ele não fica distraído, mas sim irritado — caguetou Mitsuki, rindo diabolicamente.

— Mais? — indagou-se Izumi num meio sussurro, assombrada.

— É o pavê estúpido, não é? — Katsuki se adiantou ao ver que Izuku abrira boca e fechara alguma vezes, provavelmente sem saber como continuar. — Só pode ser ele, vocês não desgrudam um do outro e você fica sempre ainda mais idiota perto dele.

— Pavê? — indagou Inko, confusa.

— Que droga de apelido é esse, Katsuki? — resmungou Mitsuri, igualmente curiosa.

— É implicância do Kachan — Izuku se pronunciou por fim, vermelho como um pimentão. — É porque ele tem olhos heterocromáticos e pintou o cabelo de duas cores, sabe? Muito estiloso.

— Se ele usar um trapo e estiver careca, você vai achar ele estiloso — retorquiu Katsuki, revirando os olhos. — Ele parece um pavê, tia Inko.

— Chega nele e pergunta se ele é pavê ou pacomê — intrometeu-se Izumi. Ao se deparar com a cara de tacho de todos, explicou. — É uma piada brasileira!

— Uma porcaria, ele não ia entender nem que fosse algo japonês, do jeito que é tapado! — tornou a ofender Katsuki, cruzando os braços.

— Para, Kachan! — protestou Izuku, fazendo um biquinho adorável e inflando as bochechas como uma criança mimada. — Ele não é nada disso, ele é incrível, tá bom? Ele é gentil e sensível e muito inteligente, mãe, você vai adorar ele.

— Tenho certeza que sim, meu amor, qualquer pessoa que te faça bem já tem minha simpatia — Inko sorriu de forma carinhosa e gentil, porém foi incapaz de ignorar o revirar de olhos e o som de repulsa que Katsuki produziu. — Não se preocupe, Suki, vou gostar do seu namoradinho também, não precisa ficar com ciúme.

— Ele não é meu namoradinho! — rosnou o adolescente, corando novamente.

— Só porque você é lerdo, porque tá óbvio que esse garoto tá só esperando você pedir ele em namoro. — opinou Mitsuki, encarando os olhos do filho de forma decisiva. — Vê se faz uma coisa certa nessa vida, Katsuki, vocês se conhecem desde o começo do ensino médio, não tem motivo pra mais enrolação. Eu adoraria ter o Eiji como genro.

— Cuida da sua vida, velha! — chiou o garoto, embora parecesse ponderar sobre o assunto.

— Enfim, Zuko, você parece gostar desse garoto. — afirmou Izumi, pensativa. — Por que não estão juntos ainda?

— Na verdade, nós estamos meio enrolados… — Izuku sorriu, envergonhado.

— Meu filho não compartilha mais as coisas comigo! — dramatizou Inko, levando a mão ao peito. — Se é assim, por que não trouxe ele pra passar o natal com a gente?

— Eu convidei, pretendia mesmo apresentar ele pra vocês, mas ele foi visitar a mãe no hospital junto com a irmã. — explicou o garoto, exibindo um sorriso melancólico.

— Hospital? — Inko se preocupou.

— Longa história, eu conto depois. Enfim, o importante é que no ano novo ele vai estar com a gente, aí vou poder apresentar ele pra vocês! — Izuku empolgou-se, agitando os braços na frente do corpo em animação.

— Tsc, vai estragar o ano novo… — resmungou Katsuki.

— Eu vou estragar sua cara se não parar de reclamar e ser hipócrita porque você também tá todo apaixonado, seu abestalhado — ralhou Mitsuki, se levantando só para puxar a orelha do filho.

Foi esse cenário amoroso e familiar — o de Izuku e Izumi quase morrendo de tanto rir e Inko tentando segurar a amiga — que foi brutalmente interrompido pelo som da campainha. Todos gelaram em seus lugares, se encarando de forma assustada e mantendo a mesmíssima pergunta no olhar: quem diabos ousaria incomodar o precioso natal em família?

— Bom, eu vou ver quem é — Inko se levantou, sorrindo nervosamente.

— Pera aí, tia, e se for um maníaco? — Katsuki se levantou de súbito, no intento de acompanhá-la.

— Ei, eu vou junto! — Izuku levantou-se também. — Tia Mit, cuida da tia Izumi aí.

Juntos, o trio se deslocou cuidadosamente até o hall de entrada da casa, unidos. Inko segurava a mão de Katsuki à sua esquerda e a de Izuku à sua direita, e o primeiro foi quem abriu a porta. Ao invés de abrir uma fresta e verificar, ele abriu-a com violência, revelando uma cena inesperada.

Dois garotos estavam ali parados, sorrindo — ou quase isso, já que um deles tinha o rosto repuxado para forçar um sorriso. Atrás deste, um jovem realmente sorridente e musculoso fazia o serviço de botox natural ao segurar as bochechas daquele que estava à sua frente e esticá-las.

— Shochan? — Izuku tinha a boca tão aberta que parecia um pratinho redondo.

— Eiji? — Katsuki estava igualmente surpreso.

— Hmmm, pois não? — Inko estava apenas boiando.

— Oi, com licença senhora Midoriya, Izuku e Suki! — Eijirou soltou as bochechas de Shouto para avançar e cumprimentar a família. — Eu resolvi fazer uma visita pro Suki, e como já passou da meia noite e o Todoroki aqui estava na estação pra voltar pra casa, resolvi convidar ele. — sorriu para Izuku e piscou de forma cúmplice.

— Boa noite, e feliz natal. — Shouto enfim se pronunciou, curvando-se educadamente.

Os momentos seguintes se sucederam de forma caótica e calorosa. Izuku simplesmente avançou e lançou seus braços ao redor do pescoço de Shouto, praticamente se pendurando nele — que apesar de surpreso, devolveu o abraço com igual entusiasmo. Katsuki atacou Eijirou enquanto ele ainda se desculpava por aparecer sem avisar e sem presentes, o interrompendo com os dizeres: "você já é um presente bom o suficiente", beijando-o em seguida, ali mesmo na porta de casa e no calor da emoção.

Inko apenas ficou ali parada, segurando vela e admirando o ímpeto da juventude, sorrindo carinhosamente para as crias que cresciam tão rápido. Esperou que eles terminassem o momento especial para finalmente sinalizar que deviam entrar.

— Shochan, você não ia visitar sua mãe? — Izuku perguntou de forma curiosa e preocupada, entrelaçando suas mãos enquanto adentravam o hall.

— Eu fui. — sorriu de forma tranquilizadora, apertando a mão que se enroscava na sua. — Mas ela estava cansada e acabou dormindo cedo, então eu voltei sozinho, já que Fuyumi resolveu ficar mais tempo lá. Kiri me encontrou e me convidou, e eu aceitei.

— Foi uma sorte encontrar ele lá! — Eijirou confirmou, animado.

— Tsc, grande azar, isso sim… — respingou Katsuki, ainda que um sorriso enfeitasse seus lábios.

O agora quinteto invadiu a sala de estar, surpreendendo Mitsuki e Izumi, que estavam jogadas no tatame. Elas se levantaram trôpegas e tentaram se recompor para receber os novos convidados.

E ali, de mãos dadas com Shouto e rindo silenciosamente da cena cômica, Izuku sentiu que a família estava completa, assim como ele próprio se sentia.

Esse era seu atual status natalino, afinal: estava completamente feliz na companhia de sua família meio sequelada, do seu cunhado (?) e claro, na companhia ilustre e inesperada de seu provável namoradinho.

***
Como prometido, algo bem curtinho, só pra não deixar o natal passar!

Gostaram? Críticas e elogios são sempre bem vindos ;)

Até a próxima!

Dec. 27, 2020, 5:40 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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Artemísia Jackson Afogando as mágoas na escrita!

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