teffychan Lilith Uchiha

"Durante suas visitas ao templo no ano novo, Ichigo costumava pedir para parar de ver fantasmas. Era o que ele desejava todos os anos. Mas dessa vez não. Graças a sua forte energia espiritual, pôde conhecer Rukia. Foi graças a habilidade de enxergar não apenas fantasmas, mas também Shinigamis, que agora tinha aquela garota corajosa e determinada sempre ao seu lado. Seu mundo mudou quando se conheceram, ele se tornou mais forte e agora podia proteger sua família, seus amigos, aqueles de quem gostava… A garota que amava. Era isso. Tudo o que desejava é que Rukia ficasse ao lado dele. Não sabia se isso era possível, mas era o que ele queria. Ficar com a garota que amava".


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Capítulo Único – Pedido no Ano Novo

Mais um ano se iniciava. E como em todos os outros, a família Kurosaki cumpria a tradição de ir ao templo rezar, pedir prosperidade e dar uma olhada nas barraquinhas, assim como os demais habitantes da cidade. Mas aquele ano era diferente para Ichigo. Embora realizasse esta mesma tradição todos os anos, sentia falta de algo. Ou melhor, alguém. A garota que mudou completamente sua vida no ano passado.

Rukia havia retornado para casa a fim de passar o Natal com a própria família. Foi uma surpresa para Ichigo saber que Shinigamis também comemoravam o Natal. Mas ela não voltou depois disso e a saudade começava a aumentar. Estava tão acostumado com a presença dela que jamais imaginou que sentiria tanta falta de ter a garota ao seu lado.

Seu devaneio logo foi interrompido pelo alvoroço que seu pai fazia sobre aonde deveriam ir primeiro. Ele havia cismado que queria ir até uma barraca de doces. Karin discutia com ele, lembrando que foram até lá para visitar o templo e Ichigo precisou concordar com a irmã caçula. Estava prestes a iniciar a primeira briga do ano quando ouviu uma voz familiar chamando seu nome:

— Kurosaki! — uma voz feminina chamou. Ichigo a reconheceu imediatamente, apesar do tom doce forçado.Virou-se e se deparou com Rukia — Olá! Que bom que te encontrei!

Ichigo sentiu o coração dar um salto, feliz em vê-la novamente depois de tanto tempo e ia sorrir de volta, mas ao invés disso preocupou-se. Rukia não deveria aparecer assim na frente de sua família.

— Quem é ela, irmão? — Yuzu perguntou curiosa.

— Ichigo, seu danadinho… mal começou o ano e já está conquistando corações, é? — seu pai abriu um sorriso maldoso.

— Não é nada disso! Ela é… é só uma colega de classe. Isso mesmo, é uma colega da escola. Eu vou cumprimentá-la e já volto — afastou-se do pai e das irmãs a passos rápidos, que ainda os observavam curiosos.

— Que ideia é essa de aparecer assim na frente da minha família? — ichigo sibilou quando aproximou-se o suficiente de Rukia para ser ouvido.

— Não fale assim comigo, desse jeito você me assusta, Kurosaki… qual o problema em uma colega de classe vir te desejar ano novo? — Rukia fingiu uma delicadeza que não tinha.

— Pode parar com esse teatro, eles não estão mais nos vendo — Ichigo revirou os olhos — É sério, o que aconteceu? Tem algum Hollow por perto?

— Não. Como eu disse, vim te desejar ano novo — Rukia sorriu simplesmente.

— Jura que você voltou por isso? — ele perguntou surpreso. Não pensou que Rukia se daria ao trabalho de lhe desejar feliz ano novo.

— Algum problema? — ela pareceu irritada — Parece que eu não deveria ter voltado afinal — virou-se de costas, mas, antes que caminhasse para longe Ichigo a segurou pelo pulso, detendo-a.

— Espera! Não tem problema nenhum. Só estou… surpreso que você tenha voltado para me ver — Ichigo explicou, soltando-a — Quero dizer, você foi passar o Natal com sua família e não voltou mais…

— Fazia tempo que eu não via meu irmão nem meus amigos, então achei que seria bom ficar algum tempo lá — ela explicou — Mas é claro que cedo ou tarde eu acabaria voltando. Você deveria saber disso, seu idiota.

— É, acho que sim — Ichigo suspirou. Passado o choque inicial por reencontrá-la e o nervosismo por sua família tê-la visto, Ichigo reparou melhor nas roupas dela. Rukia não usava os costumeiros vestidos simples, muito menos o uniforme escolar. Trajava um kimono rosa-claro com uma echarpe branca felpuda e tinha o cabelo curto preso com um enfeite de flores. Combinava muito com ela.

— Sabe, eu pesquisei um pouco sobre as tradições de ano novo dos humanos antes de vir para cá e li que as mulheres costumam se vestir assim — ela contou animada, alheia aos pensamentos de Ichigo — E então? Como estou? — ela girou no mesmo lugar.

— Está muito bonita — Ichigo falou com sinceridade. Rukia calou-se e corou levemente. Podia jurar que o rapaz iria implicar ou tirar sarro dela como geralmente acontecia.

— Hm. Obrigada — ela tossiu, limpando a garganta — Então, o que mais os humanos fazem no ano novo?

— Venha, eu vou te mostrar.

Rukia o seguiu até a barraca de papel de leitura da sorte. Quando cada um pegou o seu, afastaram-se, pois a fila era grande.

— Sorte grande — Ichigo leu o próprio papel. Geralmente desejaria que essa sorte se aplicasse a poder viver uma vida normal. Mas já tinha lutado contra Hollows, até Shinigamis… seria ótimo se essa sorte também se referisse a ele não precisar lutar tanto. Mas o que desejava de verdade era outra coisa. E não sabia se um papel da sorte poderia ajudá-lo.

— Sorte média — Rukia leu seu papel — O que significa?

— Que você não vai ter nem muita sorte e nem muito azar esse ano — Ichigo explicou.

— Que papel mais estúpido! — Rukia o rasgou em vários pedacinhos com irritação — O que mais você costuma fazer no ano novo?

— Bem, eu ainda não fui ao templo…

— Ótimo! Então vamos!

— Espera aí! Eu combinei de ir junto com a minha família.

— Você pode ir de novo com eles depois — Rukia respondeu, aparentemente sem entender o objetivo de ir até o templo — Vamos lá, não temos tempo a perder! — ela segurou a mão do rapaz e começou a arrastá-lo na direção do templo. Ichigo ia protestar, mas desistiu ao sentir o calor da mão de Rukia junto a sua. A mão dela era tão pequena e macia… Ichigo entrelaçou seus dedos enquanto caminhavam até o templo. Rukia pareceu não perceber, ou não se importou.

— Certo, e agora? — ela cochichou quando chegaram e viram várias pessoas em silêncio.

— Agora nós rezamos em silêncio e pedimos alguma coisa que desejamos que aconteça esse ano.

Rukia assentiu e soltou a mão dele, juntando as próprias mãos e fechando os olhos. Ichigo lamentou que tivessem chegado ao templo tão depressa, pois precisaram quebrar aquele sutil contato físico, mas logo fechou os olhos também.

Normalmente pediria para que parasse de ver fantasmas. Era o que ele desejava todos os anos desde que se entendia por gente. Mas este ano não. Graças a sua forte energia espiritual, que já era maior do que o normal antes mesmo de ele se tornar um Shinigami Substituto, pôde conhecer Rukia. Foi graças a habilidade de enxergar não apenas fantasmas, mas também Shinigamis, que agora tinha aquela garota corajosa e determinada sempre ao seu lado. Seu mundo mudou completamente quando se conheceram, ele se tornou mais forte e agora podia proteger sua família, seus amigos, aqueles de quem gostava…

A garota que amava.

Era isso. Tudo o que desejava é que Rukia ficasse ao lado dele. Não sabia se isso era possível, mas era o que ele queria. Ficar com a garota que amava.

— Ichigo? — Rukia sussurrou ao seu lado. Ele abriu os olhos e viu que ela o observava um pouco preocupada — Tudo bem? Você está quieto há um bom tempo.

— Está sim. Vamos — ele se afastou do templo e Rukia o seguiu.

— Você demorou bastante — ela comentou — O que foi que pediu?

— Se eu contar não vai se realizar.

— Ah, não seja chato! Me conta! — ela deu uma cotovelada de leve no peito dele.

— Já disse que não. Tem que manter segredo, é a tradição — ele respondeu, fazendo Rukia bufar.

Ichigo riu da expressão irritada dela. Rukia ficava tão fofa quando estava zangada. Na verdade ficava bonita de qualquer jeito.

Ichigo havia feito o pedido, mas ele não iria se realizar sozinho. Ichigo precisava tomar uma iniciativa. Os dois estavam sozinhos agora e não havia ninguém por perto. Era muita pressão assim de repente. Mas, se conseguisse criar coragem…

— Rukia — Ichigo chamou, sentindo a garganta seca — Fique comigo.

— O que? — ela piscou, surpresa com o pedido.

— Quero que você fique comigo.

— Não diga coisas embaraçosas de repente… é claro que estarei sempre ao seu lado — ela o encarou com o canto dos olhos — Este foi um dos motivos de eu ter vindo para cá. Você é um Shinigami Substituto então não pode cuidar da cidade sozinho. Eu vim para te dar apoio, já que conheço bem a área. Então você vai ter que me aguentar ao seu lado por um longo tempo! — ela riu.

— Que maravilha — Ichigo respondeu e estava sendo sincero. Era ótimo saber que Rukia continuaria perto dele por tanto tempo que nem ela sabia dizer ao certo, mas a garota não havia entendido o que ele quis dizer. Ele não a desejava apenas como uma parceira de luta. Queria que fosse outro tipo de parceira.

— Está tudo bem, Ichigo? — ela perguntou — Você ficou sério de repente… eu encho tanto assim a sua paciência, é?

— Pois é, você enche a minha paciência às vezes — ele admitiu — Principalmente quando estou tentando dizer algo importante e você não entende o óbvio.

— Do que está falando?

— Não quero que você seja apenas uma companheira de luta. Estou dizendo que quero ficar com você — ele repetiu enquanto acariciava a bochecha dela. Céus, por que aquilo tinha que ser tão difícil? — Assim…

Ichigo inclinou-se e uniu seus lábios com os dela. Eram mais macios do que imaginava. A mão que antes tocava seu rosto foi até os cabelos, bagunçando-os e acabando por desmanchar o penteado.

Rukia demorou alguns instantes para processar o que acontecia e quando o fez não sabia como reagir. Estava feliz e ao mesmo tempo preocupada. Sentia o coração acelerar e as bochechas esquentarem, mas também estava assustada e envergonhada. E talvez um pouco zangada com a forma como tudo aconteceu. Não afastou Ichigo, mas também não correspondeu ao beijo.

Ichigo logo notou que não estava sendo retribuído afastou-se. Rukia estava vermelha e ele não sabia se era de raiva ou de vergonha. Talvez as duas coisas.

— Como você se atreve? — ela perguntou por fim — Acha que só porque somos próximos pode fazer esse tipo de coisa comigo?

— Rukia… — ele não sabia o que dizer. Maldição, tinha levado um fora — Desculpa, eu… não consegui me conter.

— Pois então aprenda a se controlar! — ela exclamou — Você disse que quer ficar comigo, não é? Não imaginei que você fosse o tipo de cara que “fica” com alguém por… o que, dois ou três dias? — arriscou — Não tem graça brincar assim com os sentimentos dos outros!

Rukia deu meia-volta e afastou-se a passos firmes. Ichigo demorou vários instantes para entender do que ela estava falando e quando o fez deu um tapa na própria testa. É claro, do jeito que ele falou parecia que só queria ficar com ela por mera diversão por alguns dias e depois terminar tudo. Rukia só conhecia os costumes humanos através de algum tipo de manual estranho dos Shinigamis, é lógico que iria ficar zangada com aquela ideia. Ele devia ter se expressado melhor.

Mas ela havia dito outra coisa depois… que não tinha graça brincar com os sentimentos dos outros. Realmente não tinha graça nenhuma, mas, se ela disse isso então significa que Rukia nutria algum sentimento por ele?

Se nutria, Ichigo tinha estragado tudo. Sorte grande uma ova, aquele papel estava errado! De nada adiantou fazer aquele pedido no templo também, Rukia estava mais perto de odiá-lo do que amá-lo agora. Que bela maneira de começar o ano!

Começar… é isso mesmo. Rukia deu um novo começo a sua vida ao lhe transformar em Shinigami. Seu mundo tinha virado de cabeça para baixo por causa dela e agora girava em torno dela. Ichigo não podia deixar as coisas terminarem assim.

Olhou para o chão e recolheu o enfeite de flores que antes estava no cabelo de Rukia. Correu na direção em que a garota tinha ido, torcendo para que não fosse tarde demais.

Passou cerca de dez minutos correndo até chegar em uma área afastada do templo e das barraquinhas, onde só havia neve. Rukia estava prestes a deixar seu gigai quando ouviu a voz de Ichigo ao longe:

— Rukia! Espera! — ele corria o mais depressa que suas pernas permitiam.

— O que você quer agora?

— Bem… isso é seu — ele parou de frente para ela e estendeu o enfeite de cabelo.

— Ah. Obrigada — aceitou, surpresa com o gesto depois do que tinha acontecido.

— Aonde está indo?

— Vou voltar para Soul Society. Outro Shinigami pode cuidar da cidade no meu lugar.

— Por favor, não vá. Fique ao meu lado.

— Ichigo, se você continuar com essa história de “ficar”, eu juro que…

— Eu não me expressei direito — ele interrompeu — Quando eu disse que quero que você fique comigo, não é por um ou dois dias, só por mera diversão. Eu quero que você fique comigo porque eu gosto de você… porque eu te amo.

— Ichigo…? — Rukia arregalou os olhos azuis diante da confissão dele. Isso sim combinava mais com o Ichigo conhecia, e não alguém que ficava com uma pessoa por diversão. Porém jamais imaginou que Ichigo diria algo assim para ela.

— Lembra que você me perguntou o que eu pedi lá no templo? — o garoto recordou — Dá azar contar, mas acho que não faz mais diferença a essa altura — Ichigo deu de ombros — Eu pedi para você ficar comigo — ele avançou um passo na direção dela, fazendo Rukia ofegar. Depois outro. Ela podia jurar que Ichigo ia beijá-la novamente, mas ele apenas inclinou a cabeça e a apoiou no ombro dela. Rukia podia sentir a respiração cálida do rapaz em seu pescoço, causando um arrepio estranho em seu corpo — Por favor, fica comigo.

— Você quer dizer… como uma… namorada? — ela perguntou, só para ter certeza de ter entendido corretamente dessa vez.

— É, como namorada — Ichigo riu da pergunta e endireitou-se para encará-la — E então?

— Se estiver brincando comigo eu acabo com você.

— Vou considerar isso um “sim” — Ichigo alargou o sorriso. Inclinou-se novamente e dessa vez esperou que Rukia lhe desse permissão para prosseguir. Quando ela fechou os olhos, considerou isso como um sinal verde e roçou os lábios nos dela de leve antes de beijá-la outra vez. Rukia era tão desajeitada quanto ele, talvez pela diferença de altura, talvez pela falta de experiência de ambos. Ela moveu as mãos devagar até enlaçar seu pescoço e puxá-lo para mais perto. Ichigo a abraçava com uma das mãos, percorrendo o torso, enquanto que a outra acariciava os cabelos curtos.

Quando ficaram sem ar, afastaram-se alguns passos. Ichigo sentia o coração bater tão forte que parecia que ia saltar pela boca. Rukia sentia o rosto queimar e torcia para não estar tão vermelha quanto imaginava.

— Então foi por isso que perdi minha presilha — ela recordou, ajeitando os cabelos bagunçados com a mão.

— Você fica melhor de cabelo solto — Ichigo sorriu — Rukia, eu espero que tenha ficado bem claro que quero que você fique comigo porque eu te amo.

— Eu sei, você já disse isso — respondeu, constrangida e feliz com a declaração — Mas… não faz mal repetir de vez em quando. Já que eu também te amo, Ichigo — Rukia o encarou nos olhos — Lembra quando eu disse que um dos motivos de eu ter vindo para cá era para te dar apoio, já que você é um Shinigami Substituto? — ela recordou — Bem, o outro motivo é porque… eu queria ficar perto de você. Mesmo se fosse só como uma amiga, ou uma parceira de luta… eu senti saudade de ter você ao meu lado todos os dias.

— Não precisa mais se preocupar. Você é muito mais do que isso agora — em um impulso ele a abraçou, ignorando as reclamações da garota sobre fazer essas coisas sem avisar. Sentia seu coração aquecido e ele pareceu se encher ainda mais de carinho quando Rukia o abraçou de volta.

Rukia era muitas coisas para ele. Sua companheira de luta, a garota que morava no seu armário, sua colega de classe, a Shinigami que lhe concedeu poder para proteger as pessoas que lhe eram importantes, a garota por quem era apaixonado e agora enfim sua namorada. Aquela que ficaria ao seu lado.

Talvez o papel da sorte não estivesse errado afinal. Não havia jeito melhor de começar o ano do que finalmente ter seu desejo atendido.


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Notas Finais:


Essa história também foi postada no Nyah! Fanfiction e no Spirit.


Jan. 1, 2021, 4:05 a.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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