alexisrodrigues Alexis Rodrigues

Angélica é uma jovem Maid trabalhando em um pequeno Café no centro da cidade. Todos os dias o café é visitado por clientes regulares e curiosos de passagem, até que, em uma manhã ensolarada, uma bela executiva, Jasmim, adentra o café para experimentar seus doces sem saber que, na verdade, a maior doçura de todas estava bem a sua frente.


Short Story Not for children under 13.

#romance #oneshot #original #fluffy #shoujo #Maid #Executiva
Short tale
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Angelica e Jasmim

Ela prendeu o choker preto de renda em seu pescoço, avaliando o estado de seu avental e de sua tiara. Escovou os cabelos negros e lisos mais uma vez, dispondo algumas mechas sobre seu colo. A maquiagem estava na medida certa, assim como seu perfume e seu hálito. Angélica sorriu satisfeita com o reflexo no espelho, preparada para o trabalho.

Mais uma manhã se iniciava no menor e mais discreto Maid Café da cidade de Tulipa. Angélica e suas colegas de trabalho haviam deixado todas as mesas em ordem, bem como o espaço de karaokê e a sala de massagem onde os clientes podiam ser massageados se assim desejassem. Os doces e salgados foram cuidadosamente organizados para que ficassem a vista dos clientes sobre o balcão.

Margarida, a Maid senpai do Café, abriu o estabelecimento e logo os clientes começaram a chegar. O Butler Antúrio, sempre atencioso, conduzia os serviços de preparação de pratos na cozinha, enquanto Angélica, Azaleia e Rosa serviam os clientes.

Então, quando um Mustang branco estacionara em frente ao café, algo captou a atenção de nossa adorável Angélica. Havia chegado em grupo, três mulheres, ao todo. Todas bem-vestidas como executivas, deslumbrantes em suas roupas e seus longos cabelos bem adornados.

Mas a mais bela era uma mulher mais velha que ela, alta e voluptuosa, de cabelos castanhos e pele pálida. Provavelmente a falta de bronzeado se devia ao fato de que trabalhava em algum lugar fechado. Tirou os óculos de sol ao entrar no café, recepcionada pelas colegas de Angélica, sorrindo com a agradável recepção. Estava com uma calça e blazer vermelho, combinando com o tom do batom que usava. De certo possuía um importante cargo, pois seu semblante fez com que muitos dos homens presentes a observassem com admiração.

Angélica aproximou-se timidamente da mesa e cumprimentou o trio lá sentado com um sorriso e com as frases ensaiadas para iniciar o atendimento. Anotou seus pedidos rapidamente, e o nome das clientes. Jasmim era o nome da mais bela, a dona do Mustang branco. Angélica timidamente se retirou para entregar a comanda a Margarida, no caixa, que logo lhe deu os pedidos de outros clientes, os quais ela rapidamente entregou para dar a vez de atendimento a outros que lá chegaram.

E sempre que podia, seus olhos estavam em Jasmim.

Parecia ser uma mulher imponente, mas, ao mesmo tempo, de fácil sorriso. Conversava de forma alegre e relaxada com as duas amigas, provavelmente sobre outras coisas que não seu trabalho. Em que tipo de negócio ela estaria envolvida? Alguma multinacional? Ou era advogada? Não parecia ser uma secretária.

Angélica não teve muito tempo para descobrir, pois assim que terminaram de comer, pediram a conta. Quando Jasmim passou pela porta, Angélica sentiu seu dia ficar menos bonito.

Pensar que talvez nunca mais visse Jasmim a chateou um pouco, mas não havia o que fazer. Quando o dia de trabalho se encerrou, trocou suas roupas de Maid pelas roupas comuns, ajudando os colegas a fechar a loja e deixar tudo em ordem antes de saírem.

Angélica subiu em sua bicicleta e pedalou despreocupada pelas ruas de Tulipa, imaginando o que comeria no jantar. Ainda tinha algum dinheiro na carteira e considerou que comer minipizza feita na food truck perto de seu apartamento saciaria sua fome. Estava cansada e queria uma comida rápida naquela noite.

Prendeu sua bicicleta no poste ao lado da truck e então foi para a fila fazer seu pedido, ansiosa para comer e voltar para seu pequeno e aconchegante apartamento, tomar um bom banho frio para se aconchegar debaixo das cobertas.

Foi aí que, prestes a fazer seu pedido, ouviu uma voz familiar, não muito atrás de si. E risos em meio a uma conversa. Fez seu pedido rapidamente, pedindo que fosse embalado para a viagem e, ao se virar, percebeu que Jasmim estava na fila. Surpresa e um tanto envergonhada, ela se apressou para ficar ao lado de sua bicicleta para que a outra não tivesse chance de reconhecê-la. Suas mãos começaram a suar frio e ela cruzou os braços sobre o peito, contando os minutos para sair dali e ir para casa.

Por que uma mulher como aquela estaria em um bairro simples e comendo comida de rua? Angélica não conseguia deixar de estranhar a situação. Jasmim parecia fina demais para estar entre eles, apesar de estar vestida de forma mais comum, com uma calça jeans clara e uma regata branca. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo. Ela usava um batom rosa.

Quando seu pedido ficou pronto, Angélica respirou aliviada, apanhando a sacola e agradecendo a atendente da food truck. Percebeu, enquanto desprendia sua bicicleta, que Jasmim a observava, sentada em uma das mesas próximas a truck com alguns amigos, e sentiu o rosto esquentar. Montou em sua bicicleta e pedalou o mais rápido possível na direção de casa. ‘‘Ela é tão linda!’’, pensou envergonhada. ‘‘Será que me reconheceu? Espero que não’’.

Ainda estava com a cabeça nas nuvens quando entrou em seu apartamento. Trancou a porta, guardou a bicicleta na área de serviço e então sentou-se a mesa para enfim comer suas minipizzas. Suspirou, incomodada por sua mente estar cheia de Jasmim.

‘‘Não posso me dar a esse luxo’’, recordou-se das regras do trabalho. Antúrio havia sido claro quando a contratou: terminantemente proibido trocar informações pessoais com clientes ou se relacionar com algum.

De qualquer forma, não era como se Jasmim fosse se interessar por ela, certo?

Errado.

No dia seguinte, a grande beldade havia retornado, e dessa vez, sozinha. Angélica sentiu as mãos tremerem um pouco quando a viu. Não havia a servido dessa vez, Azaleia o fizera, mas ela se sentira observada durante todo o tempo em que a dama ali estivera. Estaria delirando?

E nos dias seguintes, as coisas não foram diferentes. Quando ela a servia, Jasmim parecia sorrir de forma mais satisfeita. Angélica quase tivera um infarto quando fora solicitada para massagem. Esta era feita com o cliente vestido, mas não mudava o fato de que ela tocaria a mulher que fizera seu coração palpitar. Precisou respirar fundo antes de se encaminhar a sala de massagem e imaginou que se manter profissional fosse o suficiente para afastar a ansiedade em seu peito. Aparentemente, Jasmim não estava inclinada a colaborar.

– Era você aquela noite, não era?

A pergunta lhe apanhara desprevenida enquanto massageava os ombros dela. Pigarreou.

– Desculpe, não sei do que está falando, senhorita.

– Aquela noite, na food truck do Crisântemo.

Ela engoliu a seco.

– Pensei que o rosto era familiar demais quando a vi. Você fica completamente diferente sem a roupa de maid.

Angélica corou, mordendo o lábio inferior. Geralmente, ao voltar para casa no fim do expediente, trajava uma bermuda que se estendia até a altura dos joelhos e uma camiseta de algodão, nada de mais. Tirava toda a maquiagem e seu longo cabelo negro geralmente ficava preso em um coque quando fazia o caminho para casa, por ser mais seguro que um rabo de cavalo, que poderia ser facilmente puxado para trás por alguém com vis intenções.

Mas, com o passar dos dias, passou a se vestir de forma diferente ao voltar para casa. Um short mais curto, uma camisa mais colorida, cabelos trançados ou com maria chiquinhas. As unhas pintadas de rosa ou vermelho, e tênis com estampa de flores, os que ela sempre evitava usar, para guardar para ocasiões especiais. Mais de uma vez ‘‘esbarrara’’ em Jasmim, na food truck do Crisântemo, onde passaram a comer juntas minipizzas ou cachorros quentes, e a ouvira falar sobre si, sobre seu emprego como advogada, sobre as coisas que gostava de comer no Maid Café onde Angélica trabalhava. O que ela mais gostava de ouvi-la falar era sobre suas receitas favoritas, pois também as experimentava depois.

Então, em uma tarde de fim de semana, Jasmim a aguardava em seu carro, perto da food truck. Angélica se aproximou com sua bicicleta, um tanto confusa.

– Oi, princesa – Jasmim sorriu a ela. – Tem planos para essa tarde?

– Ah, não – ela franziu o cenho, sorrindo sem jeito. – Não vai ficar? – perguntou.

– Não. Estava pensando em irmos a um lugar diferente. O que me diz?

– Eu não tenho onde deixar minha bicicleta – fez uma careta desconfortável.

Jasmim saiu do carro e abriu o porta-malas.

– Problema resolvido. Isso é, se você quiser, é claro.

Angélica prendeu a respiração, o coração batendo rápido em antecipação pelo proibido. Sair com uma cliente jamais estivera em seus plano. Foi a primeira coisa que pensou que jamais faria quando aceitou aquele emprego. Se a visse naquele momento, Margarida gritaria um nada discreto: ‘‘Eu te avisei!’’. Segundo ela, todos eventualmente passavam por aquele teste.

Mas ela já não tinha certeza se conseguiria superar a tentação.

Jasmim dirigiu seu Mustang branco por Tulipa até chegar no parque da cidade. Levou consigo um cesto, cheio de comidas que Angélica estava ansiosa para provar. Jasmim a levou até o gramado do parque, onde muitos se reuniam para fazer piquenique. Aquela era uma tarde tranquila, pois o sol já havia atingido seu ápice e dentro de algumas horas iria embora.

Assim que escolheu um bom lugar, Jasmim abriu o cesto e de lá tirou uma grande toalha, estendendo-a sobre a grama com a ajuda de Angélica, e então se sentaram.

– Eu estava doida para te trazer aqui desde que me disse que não saía muito – sorriu a ela enquanto tirava os itens da cesta e os colocava a frente delas. – Para ver o crepúsculo. É quando o parque fica mais bonito, eu acho.

– Você vem muito aqui? – perguntou enquanto olhava ao redor, para todas as árvores de altas e frondosas copas.

– Não tanto ultimamente – suspirou. – Não gosto muito de sair sozinha e minhas amigas têm seus maridos e filhos com quem sair, então eu quase nunca venho aqui.

– Ah – Angélica desviou o olhar. – Entendo.

– Você é a primeira pessoa que eu trago aqui para um encontro – chamou sua atenção.

Ela sentiu o rosto aquecer e desviou o olhar. ‘‘Então é mesmo um encontro?’’, mordeu o lábio. ‘‘Ela realmente me chamou para sair?’’.

Jasmim abriu um dos vasilhames que havia trazido, onde havia posto quatro cupcakes azulados com corações cor-de-rosa comestíveis no topo, e ofereceu uma das garrafas térmicas com cappuccino que havia trazido para Angélica.

– Tin-tin! – ela sorriu quando as duas bateram uma garrafa contra a outra e tomaram alguns goles da bebida quente. – Tentei fazer cupcakes de mirtilo, mas não saíram como eu gostaria, então apesar de estarem azuis, o recheio é de chocolate – fez uma careta, como se estivesse se desculpando pelo ‘‘desastre’’.

– Eu gosto de chocolate – Angélica sorriu e então mordeu um bom pedaço do bolinho, e um suspiro involuntário escapou enquanto se deliciava com ele. – Tão bom…!

Angélica não percebera, mas Jasmim havia corado ao vê-la satisfeita com o que havia feito. Ela comia de forma tão distraída que não percebera que um pouco de creme azulado sujara sua boca do lado de fora, no que Jasmim estendeu a mão e limpou o creme com a ponta do indicador, levando o mesmo a boca.

Só então, petrificada conforme seu coração acelerava, Angélica percebeu o que Jasmim havia feito. ‘‘Não é nada demais, não posso me comover tanto com isso’’, engoliu o bolinho.

– Eu sinto que não tenho sido honesta com você tanto quanto eu deveria – Jasmim suspirou e desviou o olhar.

– O que quer dizer? – Angélica continuou dando bocadas no primeiro bolinho para que ele acabasse mais rápido.

– Eu… – e um suspiro ressaltava a dificuldade que ela parecia ter em fazer aquilo. – Eu quis chamá-la para sair desde que a vi pela primeira vez – os dedos colocaram uma mecha de cabelo atrás da orelha, como se reunindo coragem para encarar Angélica. – Eu sabia que não poderia, as regras do seu trabalho não permitiriam, mas aí… Aí eu vi você naquela noite e… Tive esperanças de que poderíamos sair e, quem sabe…? – sorriu e baixou o olhar para as próprias mãos.

Angélica cruzou as pernas ao se virar de frente para Jasmim, o coração acelerado, mas ansioso para esclarecer as coisas.

– Bem, a gente tá saindo agora – um risinho nervoso escapou. – Mas não sei quanto tempo vai levar até alguém descobrir que, sabe, estamos… Saindo…

– Eu…! Eu posso parar de frequentar o café – Jasmim tomou coragem para encará-la. – Não estaríamos quebrando nenhuma regra assim, né?

– Mas você gosta de ir lá – Angélica arqueou as sobrancelhas.

– Eu gosto de ir lá para ver você – Jasmim sorriu. – Se nos encontrarmos em outro lugar, não me importo de não ir mais lá.

– Faria isso por mim?

– Sim – sorriu timidamente. – Não quero parar de vê-la, mas não quero te prejudicar. Eu gosto de você, Angélica – aproximou-se um pouco, pousando uma das mãos sobre as dela.

– Também gosto de você, Jasmim – ela sorriu.

E então, aproximando-se lentamente, seu coração aos pulos em seu peito, os lábios de Angélica encontraram os de Jasmim, e para ela, aquela foi a maior doçura que já provara.

Oct. 10, 2020, 1:44 a.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Alexis Rodrigues Olá, turubem? Meu nome é Alexis (na verdade é pseudônimo), manauara de 25 anos (tô velha). Tenho graduação plena em Letras - Língua Inglesa pela UNINORTE e atualmente estou terminando minha pós-graduação em Criminologia pela Unyleya. Sou feia, mas não mordo ;) Fanfiqueira de carteirinha, mas posto originais aqui também. Faço parte do Time de Verificação do Inkspired. Em caso de quaisquer dúvidas com a plataforma, não hesite em nos perguntar ;) Estamos aqui para melhor atender vocês <3

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