pcchany yuuki

Kyungsoo morava na casa velha que ficava para lá do cruzamento. ele caminhava com as mãos nos bolsos e os olhos pregados no chão. Baekhyun desejava saber quais eram os seus sonhos, mas agora chora baixinho porque, para o lugar onde Kyungsoo foi, não há mais dia nem noite. suicídio | drama + universo alternativo | PT/PT


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

#oneshot #exo #kyungsoo #baekhyun
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único

lembro-me do dia em que Kyungsoo partiu — ele estava estranho, e eu pressenti alguma coisa diferente no ar. ele cheirava a velas e cedros, como um presságio de morte que dele emanava. quando me ofereci para o acompanhar a casa, ele fitou-me demoradamente com os olhos grandes e desconfiados. parecia querer dizer-me alguma coisa, mas no fim acenou com a cabeça, como quem permitia que me aproximasse. com a mochila às costas, segurava as duas alças entre os dedos esguios e fitou-me muito atento, sempre com um olhar e expressão indecifrável de quem esconde muitos segredos. quando o alcancei ele começou a caminhar sobre a rua de paralelos irregulares, arrastando a sola das sapatilhas empoeiradas de forma barulhenta, como se quisesse abafar o barulho dos seus pensamentos. ao espreitar pelo canto do olho constatei o quanto se encontrava terrivelmente triste, mais do que o costume, e eu senti um arrepio, como se alguma coisa mole e sem forma pairasse sobre ele. ao passarmos pelo mercadinho fiz-lhe sinal para que esperasse enquanto comprava um saco de gomas e pastilhas-elásticas. um bando de pássaros barulhentos sobrevoou a praça, atraindo as atenções, e Kyungsoo levantou o rosto, fitando o céu azul sobre a cabeça. a luz do sol feriu-lhe os olhos e ele protegeu-os com a mão, seguindo com a cabeça o movimento das aves negras. entreguei-lhe algumas gomas que ele aceitou, enchendo os dedos das mãos de açúcar. passou a língua, lambendo os pequenos grãos, e mesmo adocicado ainda parecia pairar sobre ele uma sombra oculta. Kyungsoo era de poucas palavras, baixinho, de feições bonitas às quais ninguém parecia notar. ele vestia calças de bombazine e casacos velhos; usava o cabelo negro escorrido e curto, com a franja cortada rente à testa. era recorrente apanhar dos mais velhos — levava chapadas e pontapés; outras vezes enfiavam-no dentro do caixote do lixo ou metiam-lhe a cabeça na sanita. por isso vivia calado e discreto. sem querer dar nas vistas e desconfiado, protegia-se atrás de um pilar ou na sala dos arrumos, e assim foi deixando de existir, tornando-se aos poucos uma sombra de si próprio. eu achava-o fantástico, e hoje arrependo-me de não o ter segurado de forma a averiguar aquela estranha sensação que me inquietava e que dele se desprendia. podia ter segurado a sua mão quando o vi abrir a cancela do jardim de casa. o chiar das dobradiças enferrujadas e o barulho do ferro que embateu tornou a despedida pesada e sombria. a casa parecia abandonada, como um enorme castelo das histórias assombradas, com uma pintura triste sob uma fechada robusta; as persianas abertas, com as cortinas brancas bordadas entre-abertas numa pequena brecha, como se alguém espreitasse por entre elas; o grande pássaro esculpido em pedra que se erguia imponente e solitário no centro do jardim, coberto de musgo e hera. ao percorrer o passadiço de madeira e se aproximar da porta de entrada, senti aquela sensação de desconforto aumentar. instintivamente chamei pelo seu nome assim que os seus pés alcançaram o alpendre de mármore. ele voltou-se para trás, e os seus olhos redondos cruzaram-se com os meus naquilo que parecia uma súplica silenciosa por ajuda. sempre atrás da cancela, deixei-me ficar com o olhar cravado em Kyungsoo, imóvel, sem saber o que fazer. por fim, acenei. “até amanhã, Do Kyungsoo, mas nunca mais o vi.

Aug. 30, 2020, 11:51 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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yuuki |ick + ♡ ;;;;;

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