dhxzs 두다 Albuquerque

Jungkook não possuía uma boa relação com as pessoas do seu colégio e, depois de um tempo, não fazia nenhuma questão disso. No entanto, em meio ao bullying — muitas vezes diário —, Park Jimin se torna a melhor coisa que já lhe aconteceu. Este, por sua vez, encontra no mais novo uma personalidade incomum que o faz querer tê-lo sempre por perto. Em um dia de primavera, sob a benção de uma borboleta apolo, eles descobrem a reciprocidade da paixão.


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

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Capítulo Único: It Felt So Good


Horário do intervalo. Jungkook amava aquele som. Quer dizer, apenas quando tocava liberando-o de algo que não gostava. Isso incluía seu colégio em um todo. Ter que frequentar aquela instituição de ensino todos os dias era como um pesadelo, todavia, consiga ser bastante real. Ele não era muito religioso, mas agradecia a Deus toda manhã por estar mais próximo de prestar os exames finais. Sobreviver àquele inferno é mais fácil quando se tem pessoas legais ao seu redor que ou são gentis, ou, ao menos, te respeitam. Ah, Jungkook já desejou bastante que sua vida fosse assim. Quando você é diferente dos outros, é comum terem tal comportamento agressivo uma vez ou outra — em noventa e oito per cento do tempo, nesse caso. Ora recebia essa excessiva atenção negativa, ora era tratado de maneira indiferente, logo, ele se conformou e percebeu que o mais agradável seria ignorá-los.

Jungkook queria, o mais rápido possível, chegar à arquibancada externa. O local ficava vazio nesse horário e era perfeito para ele comer calmamente — se lembrasse disso. Guardou suas coisas antes de sair da sala com apenas uma das alças da mochila sob os ombros. Não dirigiam-lhe olhares tortos por aquele gesto, estavam acostumados. Da última vez que deixou a bolsa contendo todas suas coisas (com exceção do inseparável fone de ouvido) na sala de aula, as consequências não foram agradáveis. Inicialmente, pensou tê-la perdido e quando encontrou, desejou não ter achado.

Faltavam alguns minutos para o sinal tocar e os professores continuarem as aulas. Jungkook ainda sentia o gosto que o leite de banana deixara em sua boca quando voltou à sala de aula. Era apenas mais um dia normal, porém ele percebia algo diferente. Assim que entrou na classe, todos o encaravam, alguns tentando disfarçar risadas. Sua mente dizia-lhe que havia algo errado. Mesmo sabendo que estava sendo observado, andou normalmente até sua carteira. De repente todos se calaram, como em um espetáculo, aguardando a próxima ação do protagonista —que nesse momento tentava entender porque foi o escolhido. Jungkook sentou e fixou o olhar no seu caderno, ainda desconfortável com aquela situação.

— Jeon — disse uma menina que ele reconheceu somente como aluna da mesma turma —, você pode me emprestar o dicionário de inglês? Eu esqueci o meu.

Ele pensou se o havia trazido e assim que confirmou, abaixou-se para pegar a mochila no chão, ao lado da mesa. Enquanto movia o zíper algo chamou sua atenção. Haviam pequenas manchas no tecido que não estavam ali antes, e não se lembrava de ter derramado alguma coisa. Ao abrir completamente o bolso maior seus olhos se arregalaram.

— Da próxima vez vai ser no seu rostinho, Jungkook-ah — uma voz grave e carregada de desdém se pronunciou.

Tudo que estava ali dentro encontrava-se coberto por líquido branco e de aparência viscosa. Os alunos que apenas assistiam a cena desataram a rir. E Jungkook implorou para que aquilo não fosse o que ele pensava, mas tragicamente era.

No dia seguinte ao acontecido, o garoto não conseguiu ir à escola, nem no dia seguinte a esse, nem no outro. Ele não era capaz de diferenciar o ódio, a tristeza, a angústia, a solidão, todos os sentimentos que tomaram conta de si. Foram várias semanas recebendo bilhetes ofensivos, sendo motivo de chacota, e claro, nada oficialmente solucionado pelo colégio. Contudo, ele sabia que mesmo pedindo transferência, não conseguiria então, só restava-lhe voltar à rotina.

Andou em passos rápidos entre os jovens que tumultuavam os corredores. A mão livre balançava deliberadamente, movimento causado involuntariamente por causa do caminhar. Uma expressão denominada vulgarmente de “poucos amigos” pairava no rosto do garoto. Uma lembrança do passado desencadeou outras, ao menos, a recordação que tinha agora não era tão ruim. Poucos naquele colégio dirigiram-se ao jovem de forma agradável. Alguns torceram o nariz para ele somente por ter um bom desempenho nas atividades escolares. Uma das exceções era o ruivo de ombros curtos que estava já no quarto ano. Ele havia sido bastante gentil consigo quando se conheceram, e só de ver aqueles olhinhos se curvando de uma maneira fofa, Jungkook se sentia acolhido, mais forte e tinha vontade de fazer o possível para ser alguém melhor, melhor do que aquilo que eram para com ele.

Os alunos foram liberados, a maioria já havia ido embora. Sua mente estava nublada por pensamentos aleatórios enquanto andava pelo corredor, planejando o que faria pelo resto do dia quando, de súbito, sentiu seu corpo sendo jogado contra o armário. Tanto o ombro direito quanto aquele lado do rosto e da sua cabeça, colidiram fortemente contra o metal, quase enfraquecendo os joelhos e levando-lhe ao chão.

— Opa! — reconheceu a voz de Junhoe, um dos tormentos de sua vida. O tipo de pessoa que se encaixa na classificação de “Prejudica a evolução do mundo”. —Devia olhar por onde anda, idiota.

Ouviu a risada do garoto e de alguns outros que estavam consigo enquanto passavam direto.

“Idiota?!” pensou.

— Você está bem? — uma voz masculina perguntou calmamente.

Uma pequena mão apertou o seu ombro e ele se virou com o alerta ligado, como de costume. Um garoto com aparência mais jovem que a de Jungkook o fitava com olhos brilhantes. Ele parecia querer ajudar, mas depois de tantas encrencas Jungkook hesitava emconhecer pessoas novas, não conseguia captar nenhuma impressão sobreserem boas ou más. Ele travou o maxilar, endireitou a postura e maneou a cabeça afirmamente.

Não precisa ter medo de mim. Não sou como eles. Prazer, meu nome é Jimin, Park Jimin — sorriu ao estender a mão.

Jungkook o encarou por alguns segundos até falar seu próprio nome e repetir o gesto. O que ele não esperava é que Jimin não fosse apenas diferente daqueles imbecis, ele era diferente de todos que já conheceu, e Jungkook gostava disso.

Jogou o corpo por cima dos assentos, encarando o céu azul e quase sem nuvens. O dia estava belo demais para ele ter que ficar preso ali até a última aula. Permitiu-se fechar os olhos e respirar fundo. Estava cansado. Era tanto para lidar… Precisaria passar em casa para almoçar, ajudaria sua avó na mercearia e deveria gastar o resto da noite estudando. Às vezes ele desejava somente não fazer nada, contudo, no fim das contas, eram tarefas simples que não o desagradavam.

Ele sentiu gentis pelos em contato com a sua epiderme e ao abrir os olhos pôde visualizar uma borboleta pousada em seu queixo. Ela não parecia tão bonita de perto… O que encantava tudo ainda mais eram as asas em uma mistura de um branco quase transparente com pequenos círculos pretos e vermelhos. Jungkook estendeu o dedo gentilmente. O inseto mexeu-se, talvez em hesitação. Sabe-se como são esses pequenos animais.

Para alguns, a borboleta tem um significado espiritual de transformação, felicidade, e/ou liberdade. Naquele instante, Jungkook desejou ser uma borboleta, por mais curto que pudesse ser o tempo de vida, ele só queria ser livre, e feliz. Sua mente levou-lhe até um mundo onde ele pudesse tomar a forma daquele bichinho. Voar sem rumo, somente ter compromisso consigo mesmo, empoleirar-se em belas e perfumadas flores. Além disso, seria admirado pela maioria das pessoas.

No entanto, o que faz do destino ele mesmo, se não agir da forma que bem desejar? Completamente alheio aos interesses pessoais de cada um.

Um som diferente da música que tocava no fone de ouvido atraiu a sua atenção. O sutil movimento de virar a cabeça afastou sua recém amiga. Jungkook percebeu apenas a tempo de observá-la levantar voo. Assustou-se ao notar que não estava mais sozinho na arquibancada. Havia bastante espaço sobrando, porém o outro escolheu sentar bem ao seu lado. Ele demorou para compreender a situação não somente por causa da companhia inesperada, mas também porque aquele rapaz não era um desconhecido. Longe disso! O baixinho era o alvo do mais próximo de ternura que Jeon conseguia sentir por alguém, mesmo não mantendo comunicação constante. Algumas vezes, ele se contentava em ficar apenas observando o outro de longe. Os momentos que aceleravam seus batimentos cardíacos eram quando seus olhares se encontravam e Jungkook não conseguia disfarçar ao ter um caloroso sorriso direcionado para si.

— Oi — Jimin disse com a voz um pouco arrastada.

Jungkook percebeu que ainda estava com o fone e apressou-se em tirá-lo.Ele não sabia o que falar. Afinal, não estava esperando pela presença do outro, e mesmo se fosse o caso, não saberia. Entretanto, algo estava estranho. O ruivo que costumava ser alegre e risonho, encontrava-se quieto, fitando os próprios pés.

“Por que mesmo assim ele consegue ser tão bonito?”, pensou consigo.

— ‘Tá tudo bem? — arriscou e o menor virou a cabeça, observando o campo vazio.

— Você já se sentiu deslocado? O seu lugar é aqui, mas você não sente que pertence a ele.

Jungkook entendia muito bem do que ele falava. Convivia com esse sentimento há muitos anos.

— O tempo todo — riu baixinho. — Uma hora ou outra a gente cansa desse mundo, das pessoas que nele habitam. Seres superficiais, entendiantes, preconceituosos, ignorantes… Eles se afundam na própria desgraça e querem levar todos juntos. Não aceitam ninguém que seja diferente.

Jimin esboçou um sorriso tímido. Sabia que o moreno tinha bastante a criticar na sociedade e ele não negava a verdade naquelas palavras. E o outro continuou:

— As coisas perdem o sentido facilmente, e é difícil ter relações que valem a pena, pessoas que se ajudam mutuamente. Estamos em uma escassez de empatia, solidariedade e respeito. Eu não quero fazer parte desse mundo.

Ele abaixou a cabeça, perdendo-se em seus devaneios mais uma vez. Jimin agora observava-o. Ele conseguia entender o porquê de Jungkook ser tão afastado das pessoas. Já ouvira diversos boatos sobre o maior, mas percebia que ele não dava a mínima, parecia viver bem a sua maneira.

Aish, deveríamos conversar mais — disse rindo. — Gosto de você, Jungkook-ah.

O moreno ergueu a cabeça e seus olhos se prenderam nos orbes castanhos do outro. Se pensativo Jimin era bonito, alegre ele eraa coisa mais bela que Jungkook já viu. Então analisou todo o rosto alheio. Os olhos sorridentes, o nariz arrebitado, os lábios carnudos, tudo se encaixava perfeitamente. Ao se dar conta do quanto o encarou, desviou o olhar, envergonhado. A boca do ruivo se curvou minimamente com o desconforto do outro. Como explicar a vontade de tocá-lo que Jimin sentia naquele instante? Ele só queria saber se aquele garoto tão especial aos seus olhos era mesmo de verdade.

O sinal tocou, anunciando que estava na hora de voltarem para as suas salas, mas nenhum dos dois pareceu se importar. Eles estavam onde sentiam que deveriam estar.

Jimin levou sua destra até o rosto do moreno. Este, estremeceu com o toque. A forma como a mão fofa do menor envolvia seu rosto trouxe-lhe uma sensação boa. Também sentia-se ansioso, com receio de se mexer e perder o afago, logo, não conseguiu manter a respiração regular.O ruivo passeava seus dedos pela pele macia, dedilhando cada centímetro, seguindo do queixo até o lóbulo alheio. Jungkook era lindo. Com suas pintinhas, sua cicatriz na bochecha, absolutamente perfeito.

Estava a ponto de tomar distância quando uma mão maior e mais quente envolveu a sua. Surpreso, Jimin parou os movimentos. Visualizava o outro virar em sua direção, fitando-lhe mais intensa e calorosamente que antes. Assim como foi feito consigo, a mão livre fez seu caminho até o rosto do ruivo. Os dedos, mais compridos que os do menor, não tinham pressa em seguir até os lábios levemente rosados. Jimin não conteve um arfar com os toques sutis do moreno. Ambos os olhares agora se perdiam em suas bocas, imaginando o sabor destas. Jungkook se aproximou calmamente e o outro apenas fechou os olhos. Em pouco tempo, pôde sentir a sutileza com a qual os lábios se tocaram. O ato sustentado pelos seus participantes, intensificou-se assim que o cheiro amadeirado de Jungkook ficou mais forte e o ruivo levou sua mão até a nuca alheia, querendo embriagar-se nele. Jimin não havia feito nenhum lanche antes pois estava sem fome, mas o gosto de leite de banana presente na boca do outro, despertou nele uma sensação de voracidade.

O beijo que iniciou-se singelo, ficou cada vez mais molhado e profundo. Eles haviam perdido o controle e seus corpos desenvolveram autonomia. As mãos de Jungkook apertavam a cintura do mais velho desejando cada vez mais contato. Ele nunca havia se sentido desse jeito antes. Queria mais, aproveitar como se não houvesse um amanhã, coisa da qual ninguém tinha certeza, na realidade. Queria explorar-lhe não somente a boca, mas também dar atenção ao resto do corpo tão lindo do ruivo. No entanto, como é de praxe, as células gritaram por oxigênio e eles atenderam ao chamado. Separaram-se ofegantes, encarando um ao outro em silêncio, enquanto os interiores ansiavam por bis. Jungkook sorriu com a imagem que tinha do ruivo. Jimin estava com fios de cabelo bagunçados, alguns já grudados na testa, os lábios vermelhos e entreabertos, representando a respiração ainda descompassada. E com o moreno sorrindo ficava mais difícil normalizá-la.

— V-você acha que a Senhora Choi vai nos deixar entrar na sala? — indagou desviando o olhar do mais novo.

— O quê? — Jungkook piscou como se despertasse de um transe. — Ah, é, eu não sei, precisamos de uma boa desculpa.

Jimin suspirou, encostando o dorso nas barras metálicas.

— Tudo bem — passou a mão pelo cabelo. — Aqui está bem mais interessante de qualquer jeito.

Aug. 30, 2020, 12:54 a.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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두다 Albuquerque escritora rasa e monótona ⭒ capista e beta ❴hiatus❵ portfólio (capas): www.dhxzs.tumblr.com

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