gabyometto Gaby Ometto

O Reino das sereias existe há milênios de anos, mas em 2049, algo vindo da superfície ameaça a sobrevivência deles, o lixo. Após perder sua amada esposa, o rei dos mares criou uma barreira ao redor da cidade, impedindo que o lixo pudesse ferir mais alguém, protegendo todo o seu povo. Todos sempre encararam a barreira como uma benção, exceto uma pessoa, a princesa dos mares, Darya, que sempre escapava da cidade para conhecer mais do imenso mar que ela chamava de lar. Numa de suas aventuras ela vê um grande barco naufragando, no meio de tanto caos, ela vê um lindo homem e se apaixonando à primeira vista. Darya não consegue esquecer o rapaz que salvou, o que a leva a procurar a temida bruxa do mar fazendo uma troca cruel: sua voz, por pernas e a chance de viver um grande amor. Mas o caminho não vai ser fácil com a princesa imaginou.


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1. ATLÂNTIDA

Diziam as histórias antigas, que Atlântida deixou de existir há muitos séculos, mas estão profundamente enganados. Quando a grande onda atingiu o reino, ele afundou, ali foi apenas o começo de uma nova era, e não o fim de uma grande civilização.

Atlântida foi formada para abrigar os descendentes de Poseidon, mas com o tempo, se tornaram gananciosos, provocando a fúria dos deuses, que destruíam a cidade com apenas uma onda.

Porém, Poseidon ficou apiedado de seus amados, aqueles que ainda mantinha seu coração puro, teriam um destino diferente. Muitos atlânticos morreram em meio ao mar, mas outros abençoados pelo deus, tiveram uma grande transformação, suas pernas se tornaram caudas, com escamas de cores variadas, eles conseguiam respirar debaixo d'água. Eles se chamaram dali por diante de Sereias. Com o passar dos anos, foram esquecendo sua origem, passando a acreditar, que sempre viveram no mar.

Com sua nova forma eles passaram a habitar o fundo do mar, no meio do Oceano Atlântico, onde aos poucos se reergueram num reino seguro e prospero, mas nunca deixaram que a grandeza corrompesse seus corações novamente.

Foi no ano de 2022, numa maré alta, que os atlânticos vibraram com o nascimento de Darya, a futura soberana de Atlântica, filha de Nereu, rei dos sete mares e Sirene, sua rainha.

A pequena sereia foi a alegria para todos os atlânticos, mas nem mesmo seu nascimento, fazia com que se esquecessem da tristeza que se aplacava em cada ser do mar. Seus amados mares sendo destruído pelo que chamavam de "massa negra"; na superfície o chamam de petróleo, e estava se espalhando pelos 7 mares.

Nereu, estava furioso com isso, sob seu comando, ondas destruíam os navios que se aproximando, numa tentativa de que parassem, pórem não houve resultado.

Os médicos atlânticos estavam trabalhando noite e dia para retirar as impurezas, dos animais marinhos. Essas impurezas não eram nada mais além de lixo humano, que a cada ano, jogavam ainda mais nos mares, antes era lixos eram trazidos das praias pela maré, mas agora, eles pegavam seus navios e despejavam diretamente no mar.

Dois anos se passaram e uma fatalidade ocorreu, vítima da massa negra, para salvar um polvo, um pouco descuidado, Sirene pereceu e meio aquela densa gosma, seu corpo nunca foi encontrado. Sua morte repercutiu por todos os sete mares, todos lamentavam sua morte. Nereu estava inconsolável, ninguém conseguia o tirar de sua tristeza, a não ser Darya, que era nova demais para entender o significado da morte, e que nunca veria sua mãe novamente.

Sem mãe a pequena sereia cresceu, era o tesouro de Atlântida, todos a amavam e esperavam que seguisse os passos do pai quando crescesse. Porém escondido de todos cultivava um grande fascínio em tudo que era relacionado com a superfície, o que seria totalmente mal visto pelo povo do mar.

Depois do incidente de Sirene, Nereu, com seu tridente dourado fez uma barreira ao redor do reino, mantendo--o limpo, mas sua magia era limitada, fazendo com que a proteção se estendesse apenas à cidade de Atlântida. Longe dos perigos, para que sua filha ficasse totalmente segura.

O que ele não sabia, era que Darya saía escondida da proteção do reino e ia para o cemitério dos navios, onde ao longo dos anos, os antecessores de Nereu, além dele mesmo, naufragavam os barcos que chegavam muito próximos de seu palácio, e lá ela buscava seus tesouros.

(...)

Os anos se passaram e a pequena seria cresceu, agora com vinte anos tornando-se a mais bela de todo reino e a mais aventureira. Darya nadava rumo ao cemitério com sua bolsa feito de algas pendurado no ombro. Havia acabado de escapar do palácio, nadava rápido, com medo de que algum atlântico a visse. Conforme sua cauda azul escura batia na água, seus cabelos negros como o mais fundo abismo ondulavam ao redor de seu harmonioso rosto, tinha a beleza digna de uma princesa, mas não o comportamento.

Para ela nem tudo era impurezas, como seu povo acreditava, alguns eram tesouros inestimáveis, a maioria encontrado no cemitério, com centenas de navios, cada um diferente do outro, cada um com seus tesouros prontos para que alguém corajoso o suficiente para encontrá-lo, por isso que sempre que podia, ela ia para lá.

Desta vez escolheu um grande barco com madeira há muito apodrecida, em seu casco há um buraco perfeito para uma sereia de seu tamanho passar. Sem perder tempo explorou cada cantinho aquele poço de riqueza, em busca de algo que a seus olhos fosse um tesouro. Sua bolsa se encheu até não sobrar espaço para nada, não percebeu como o tempo passou tão rápido, devia voltar para casa antes que descem por sua falta.

Antes que saísse do barco, viu um tubarão branco se aproximando; era comum tubarões naquela região profunda, este não seria o primeiro, nem o último a atrapalhar Darya em sua busca por tesouros, mas isso nunca a iria impedir de fazer o que ama. Sem querer um confronto com o predador, decidiu esperar até que ele fosse embora.

O tempo passava e o tubarão não ia embora, a deixando impaciente, o tédio dominava seu ser, nem podia passear pelo navio em busca de mais coisas, pois já havia limpado totalmente aquele barco, tudo o que considerava belo já estava dentro de sua bolsa.

Sereias têm o dom de falar telepaticamente com os animais marinhos, mas não os tubarões, eles são seres inferiores, não possuem inteligência, são animais que apenas agem por instinto. Excluindo a opção de Darya pedir educadamente o que peixe se retirasse para longe dali.

Cansada de esperar ela decidiu agir, tocou o cinto, um fino entrelace de metais prateados ao redor da fina cintura, sua mão deslizou até encontrar o metal prateado frio. Aos olhos destreinados parecia apenas um bastão prateado de dez centímetros, mas nas mãos da princesa de Atlântida, se tornava um tridente. Não era tão poderoso quanto o do pai, mas forte o bastante para espantar um tubarão. Ela havia ganhado do pai quando completou quinze anos, Nereu acreditava que a filha precisava treinar para sobreviver, caso por algum motivo ela precisasse sair foras do domínio.

Parecia que no seu íntimo, o rei sabia o que sua filha fazia nas horas vagas. E sentiu necessidade de saber que estaria protegida. Mas Darya sabia que era coisa da sua cabeça, se seu pai ao menos desconfiasse o que ela fazia, a proibiria de sair do alcance de seus olhos.

Assim que saiu do esconderijo o tridente tomou sua forma, ele tinha um metro e cinquenta centímetros, apenas dez a menos que ela. Com a movimentação da água, o tubarão percebeu sua presença e avançou com a boca aberta mostrando todos seus dentes.

Sem hesitar ela lançou um pequeno raio para cima do animal, sua intenção era apenas atordoar, não se perdoaria caso machucasse um animal marinho, mesmo que fosse um tubarão. Assim que o raio atingiu a região acima da boca, ele começou a se sacudir assustado.

Aproveitando a chance fugiu a toda velocidade, por alguns minutos viu tubarão a perseguiu, mas não se importou, a distância entre eles já era muito grande, em pouco minutos, acabou por desistir.

Assim que chegou em frente a um amontoado de grandes algas verdes, se embrenhou entre ela sem medo, passando pela passagem escondida entrou em sua caverna secreta, ninguém sabia de sua existência, a não ser ela. Nunca havia trazido ninguém até ali, e nunca iria trazer, ninguém compreendia o porquê de sua admiração pelos humanos

Darya arrumou rapidamente suas novas aquisições, geralmente ela passava um tempo admirando suas preciosidades, mas naquele dia não teria oportunidade, o tubarão havia tomando-lhe muito do seu preciso tempo.

Desde pequena, pela primeira vez que ela viu a massa negra, quando tinha dois anos de idade, Darya criou uma meta de vida, um dia, daria um jeito de ir a superfície e expor ao mundo humano os problemas de seu povo. Ela não conseguia ver um povo que deixasse as impurezas dominar o mar, eles deviam não saber o que estavam fazendo.

Saindo da caverna ela nadou a toda velocidade até a barreira do reino, era uma grande cúpula que protegia o castelo e a cidade, atualmente muitos peixes viviam pela cidade, por ser o único lugar do mar que era totalmente limpo, sem nenhuma interferência da superfície, ela atravessou atrás do palácio, onde era raro que alguém andasse por lá.

Atravessar a barreira sempre foi entranho para ela, ao passar sentia algo estranho varrer seu corpo, como se tivesse tirando as impurezas da pele macia da pequena sereia. Poderia dizer que seu corpo esfriava um pouco, além de sentir a pele formigando, essas eram as únicas sensações que se tinham ao passar pela membrana translucida.

Antes de entrar no castelo, deu um jeitinho no visual, limpando sua blusinha, feita de conchas rosas. Procurou algum resquício de algo que pudesse incrimina-la em seu cabelo e abriu as portas.

Nadou até o trono, seu pai estava sentado ouvindo um casal de sereias que brigavam. Assim que viu sua amada filha se aproximando, parou de prestar atenção neles, deixando o casal aos gritos sendo ignorados.

Seu pai era grandioso, principalmente sentado em seu trono dourado, que parecia uma grande onda, sinalizando o poder da família real sobre os mares. A única família com o poder de controlar a água, e criar ondas. Nereu não usava coroa na longa cabeleira negra, para demostrar que não era diferente de ninguém, mas seu grande tridente dourado, mostrava o quão poderoso era.

— Olá papai! — Disse ela se aproximando com um sorriso nos lábios.

— Senhor e senhora Tail, podemos resolver a situação amanhã? — Perguntou Nereu com a voz imponente, tornando impossível recusar a sugestão.

— Sim, majestade, voltaremos amanhã. — Ambos se curvaram e foram em bora se empurrado com violência.

— O amor jovem... — Disse Nereu suspirando de forma nostálgica.

— O que foi papai? — Perguntou ela se aproximando, sentando-se no braço do trono, seu lugar preferido para falar com o pai.

— Nada querida, apenas relembrando os velhos tempos. — Disse olhando para o nada pensativo. — Mas me diga, onde estava? Mandei alguns dos meus guardas procura-la, mas nenhum a achou.

— O senhor sabe que gosto de me esconder, é sempre um desafio eles não me acharem, eles sempre procuram por cada canto, é difícil se manter escondida. — Disse ela dando ombros.

Ela não contara uma mentira, quando criança adorava se esconder da babá, o que era o terror de seu pai, pois várias vezes, ele saiu de seus deveres como rei para procura-la, no fundo aquela atitude era para chamar sua atenção, uma das maiores desvantagens de ser filha de um rei, é que nem sempre ele poderá dar a atenção necessária para a filha.

Mesmo depois de crescida, e quando não estava fora da barreira, gostava de se esconder dos guardas enviados do seu pai. Os cidadãos adoravam ver o desespero estampado nos rostos dos guardas por não a encontrar, muitas vezes até ajudavam a escondê-la.

— Você devia ser mais consideração com os guardas, eles ficam desesperados por não te encontrarem. — Disse Nereu acariciando o rosto da filha. — Gostaria de treinar um pouco?

— Gostaria sim. — Disse ela toda sorridente.

Pai e filha nadam para a sala de treinamento. A Sala era ampla com muitas janelas, havia diversos espelhos nas paredes.

O rei se colocou diante da filha, apontando o tridente em seu coração, mostrando que já estava pronto para combate. Sem perder tempo, Darya pegou seu bastão, e fez com que crescesse. Mesmo em seu tamanho normal a pequena arma não se comparava ao esplendor do Grande Tridente dos Sete Mares.

— Acerte um raio em mim! — Incentivou Nereu.

Darya se concentrou a seu tridente emitiu um raio em direção ao pai. Que girou seu tridente, repelindo seu golpe. Esse gesto não foi uma surpresa, Nereu era infinitamente mais poderoso que a filha era inevitável, que não o acertasse.

Assim que sua arma parou de girar, desferiu um golpe na filha, que agilmente travou o tridente dele com o dela. Pensando rápido, Darya deu um impulsa com a cauda indo para trás, destravando seu tridente.

Após ter afastado do rei, ela lançou um raio, em vez de bloquear, como fez da última vez. Ele lançou um raio, chocando os dois, num início, a luta estava equilibrada, mas logo Darya começou a se cansar, tornando o raio fraco. O tridente usa a energia do seu usuário. Depois de um tempo, essa força acaba, é por isso que Nereu sempre ensinou a filha a usar sua arma em combate, não para lançar raios por diversão.

— Chega! — Disse Darya cansada.

Nereu a pedido da filha parou seu raio, ao mesmo tempo que ela, que foi se sentar num banco todo almofadado.

— Você está progredindo muito, querida. — Disse Nereu parando ao lado da filha.

— Não é o bastante! — Disse ela com determinação se levando, empunhando o seu tridente com força. — De novo.

— Calma minha perola, não vá se forçar a fazer algo que não pode. — Disse coçando a longa barba negra. — Você ficará mais forte com o tempo. Não adiante se esforçar agora.

— Mas quero continuar a treinar. — Disse Darya fazendo biquinho.

— Podemos treinar combate, mas sem magia, caso contrário ficara demasiadamente fraca. — Disse ele em tom amoroso.

Juntos treinaram por mais uma hora, até que relutante, a mando do pai, Darya se retirou para seu quarto a fim de descansar até o jantar. Apesar de cansada, a pequena sereia estava com um sorriso no rosto, adorava passar um tempo com seu pai.

July 17, 2020, 12:20 a.m. 0 Report Embed Follow story
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