drama_queen Amanda Andrade

Em um ano, muitas coisas podem acontecer. Jane não esperava se apaixonar no casamento do melhor amigo, porém o destino tinha outros planos para o coração da jovem de 24 anos. Bom, muitos planos. Em meio a uma relação digna de contos de fadas, Jane e Louis passarão por algo que colocará todo esse amor a prova. Mas é como dizem, ame enquanto pode, ame o máximo que puder, antes que seja tarde demais.


Romance Young Adult Romance All public.

#drama #amor #oneshot #morte #doença #casamento #258 #câncer
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Unique

2015

- E lá vamos nós. – ouvi uma voz do meu lado e vi que era um dos convidados do casamento. – Já viu algo tão assustador como quando a noiva vai jogar o buquê?

- Já, o noivo surtando quando soube que ia atrasar 10 minutos por conta do trânsito e depois com medo de levar um soco meu. – bebi mais um pouco da taça de champanhe e ouvi o cara gargalhar.

- Primo da noiva. – estendeu a mão e a apertei. – E você?

- Melhor amiga do noivo.

- Então você é a famosa Jane?

- Famosa não sei, só espero que aquele moleque não tenha falado coisas ruins de mim. – rimos e ficamos olhando as convidadas se arrumando para pegarem o buquê. – Qual o sentido disso?

- Não acredita em pegar o buquê e ser a próxima a se casar?

- Com certeza não, e o alvoroço delas acaba destruindo as flores.

- Por isso não foi até lá? Para não destruir as flores?

- Além disso, gosto de permanecer inteira e não desesperada por casamento.

- Nem todas parecem desesperadas.

- Isso é o que você pensa. Aquelas duas – apontei para a prima e para a irmã do meu melhor amigo – vão sair no tapa.

- Conhece elas?

- Até demais. Prima e irmã do Nick. Brigam desde crianças.

- E você? Briga também?

- Que nada, eu corro disso. – ele riu e ficou me olhando. – O que?

- Imaginei você brigando. – ri e neguei.

- Sou a pessoa mais pacífica desse mundo.

- Você quase socou o Nick.

- Em minha defesa, ele estava me irritando.

- Claro Jane, então você é super pacífica.

- Exatamente senhor...

- Louis.

- Certo. Senhor Louis.

Falamos sobre coisas banais em casamentos até que a Sarah anunciou que ia jogar o buquê.

- Isso vai ser divertido. – virei o restante do conteúdo da taça na boca e esperei a batalha.

Eu e Louis ríamos das caretas que as mulheres faziam umas para as outras, principalmente as mais velhas solteiras para as mais novas.

Sarah jogou o buquê enquanto eu pedia outra taça ao garçom, mas quando fui pegar, senti o impacto de algo na bandeja e vi que era o que eu mais queria distância. Peguei o ramo de flores e vi todos olhando para mim.

- Finalmente você vai desencalhar! – meu melhor amigo gritou e ouvi a risada do Louis.

Sorri envergonhada e voltei a sentar. Esperei outro garçom passar e peguei outra taça.

- Ora ora, com quem será que você vai casar? – Louis cantarolou do meu lado e revirei os olhos. – Espera, eu estou do seu lado. Será que isso conta?

- Nos seus sonhos. – virei a taça e ele riu novamente.

- Vai devagar Jane, quero minha futura noiva consciente e sóbria.

- Você é quem bebeu para me chamar assim.

- Não duvide do destino querida Jane. Ele pode te fazer se arrepender dessas palavras. – disse risonho e esticou a própria taça. – Ao nosso futuro noivado.

- À sua imaginação fértil. – rimos e brindamos.

2016

- Eu juro que se você não se arrumar logo, vou sozinha no cinema. – disse para Louis que estava enrolando no quarto. – Você me ouviu?

Subi as escadas e vi a porta do quarto aberta e o barulho da pia do banheiro ligada. Vi respingos de sangue no chão até o banheiro e os segui, encontrando Louis com o nariz sangrando.

- Ai meu Deus, o que aconteceu? – perguntei e fiz ele levantar a cabeça. Depois de ter feito o nariz dele parar de sangrar. – Você está bem?

- Sim, podemos ir ao cinema agora?

- Lou até parece. Vamos ao hospital ver o que aconteceu.

- Gatinha, estou bem. Está muito calor e é normal isso acontecer com as pessoas. Não precisamos cancelar nossos planos por causa disso.

- Mas...

- Estou bem, eu juro para você. – pegou minhas mãos e sorriu. – Deveria ser enfermeira e poderia cuidar de mim.

- É, você está ótimo. – rimos e seguimos para o cinema.

2017

- É só uma consulta, o que custa?

- Eu já disse que estou bem Jane. O que custa você acreditar em mim também?

- Eu vi você passando mal frequentemente desde aquele dia no ano passado. Não quero mais te ver desse jeito. – cruzei os braços e sentei na minha cama.

- Então se preocupa comigo é? – ele veio com aquele sorrisinho no canto da boca e revirei os olhos. – Você se preocupa comigo Jane?

- Claro que sim. Somos amigos. – ouvi sua risada e o olhei. – O que? Não somos?

- Amigos fazem o que estamos fazendo?

- O que estamos fazendo?

- Saindo, andando de mãos dadas, abraços constantes, até dormir um na casa do outro a gente já fez.

- É claro que sim, amigos fazem esse tipo de coisas.

- E se eu não quiser mais fazer essas coisas sendo seu amigo?

- O-O que? Você não quer mais...

- Deixe eu falar gatinha. – sentou do meu lado e pegou minhas mãos, assim como no dia que o nariz dele sangrou. – E se eu quiser fazer tudo isso, mas sendo mais que seu amigo?

- Melhor amigo? – perguntei e ele riu, descrente com a minha lerdeza. – Ah, entendi. Namorado.

- Como pode ser tão linda e tão lerda?

- Ei! – dei um soquinho no ombro dele e o mesmo fez drama.

- Ó céus, ela me bateu. Eu vou perder o braço. Alguém me socorre. – acabei rindo da cena e ele sorriu para mim. – Dá para curar com um beijinho.

- No seu ombro é?

- Se fosse na bochecha teria mais efeito. – ri e peguei o rosto dele com as mãos, trazendo para mim e deixando um selinho em sua boca. – Efeito imediato, mas acho que desencadeou uma parada cardíaca.

- Seu idiota. – ele riu e me abraçou, enquanto dava beijos em todo o meu rosto.

2018

- O que ele tem doutor? – perguntei enquanto segurava a mão do meu namorado ainda desacordado.

Estávamos andando na rua e indo para o shopping comer alguma coisa e ele desmaiou do nada. Fiquei desesperada e chamei uma ambulância.

- Ele está com anemia.

- O que? Mas ele anda comendo direito.

- Nem sempre é apenas a comida que pode causar uma anemia, senhorita. Muitas vezes são outras causas.

- E o senhor sabe me dizer qual o está fazendo ficar desse jeito?

- Teria que fazer exames mais detalhados, esperar ele acordar para dar consentimento e conversar sobre as possibilidades.

- Como assim?

- Uma das causas da anemia pode ser um tumor causando hemorragia interna. Ele teve algum tipo de sangramento nos últimos tempos?

- Sim, ele...começou em 2016. Pensamos que era apenas por causa do calor, mas o verão passou e os sangramentos continuaram.

- Em quais áreas?

- Começou com o nariz, depois o ouvido...recentemente, quando ele estava escovando os dentes, vi um filete de sangue sair da boca dele. Louis me disse que tinha batido a escova na gengiva, mas agora que o senhor disse...Pode ter acontecido mais vezes e eu não reparei. Ele sempre foi meio desastrado. – engoli em seco e o médico assentiu enquanto escrevia em uma prancheta. – Doutor...pode ser mesmo um tumor?

- Na medicina tudo pode acontecer senhorita, então sim, pode ser um tumor, mas não se desespere. Vamos fazer tudo para que seu namorado melhore.

- Obrigada doutor.

Duas horas depois, Louis acordou e quase morri do coração ao vê-lo acordado.

- Você tem noção do susto que me deu? – ele sorriu e tirou a máscara do rosto.

- Será que o shopping ainda está aberto?

- Não é momento para brincadeiras Lou. Eu conversei com o doutor e pode ser coisa séria. – o olhei e ele sorriu pequeno. – Fiquei preocupada.

- Não precisava meu anjo, eu estou melhor.

- O médico disse que está com anemia e eu contei dos seus sangramentos dos últimos tempos. Estava esperando você acordar para fazer outros exames.

- Não precisa de outros exames, eu estou bem.

- Você pode parar e ouvir o que está dizendo para mim?! – explodi e ele suspirou. – Você me deu um susto, pensei que...eu pensei de tudo. Você não faz ideia do meu desespero Louis, então não fale que está bem, quando claramente não está. Me deixa te ajudar a melhorar.

- Anjo...

- Por favor, me escuta só dessa vez. Por favor. – segurei a mão dele e o mesmo assentiu.

- Tudo bem, faço tudo por você meu amor. – era a primeira vez que ele me chamava daquele jeito e senti meu coração dar inúmeras cambalhotas. Tentei segurar a felicidade que estava sentindo ao ouvir aquelas duas palavrinhas e disse que chamaria o médico. – Vê se não sai pulando como doida por eu ter te chamado de meu amor.

- Eu? Até parece, já volto. – saí do quarto e fui procurar o doutor.

2019

- Estou um gato desse jeito não é? – gargalhei e ele me puxou da cama pelos pés. – Você tem que ficar de olho agora. Vai que alguém no hospital curte a minha pessoa careca.

- Pode ter certeza que eu vou ficar de olho em você mocinho. – ele sorriu e me deu um selinho. – Tem químio hoje?

- Sim, as 16.

- Posso ir?

- Sempre, adoro sua companhia enquanto eu faço aquela coisa.

- Eu sei que não deve ser bom, mas você vai melhorar amor.

- Vou?

- Lou já falamos sobre isso...

- Não, você e o médico falaram. Eu não disse nada. – se afastou e encostou na escrivaninha. – Eu odeio isso tudo.

- Eu sei.

- Não Jane, você não sabe. Não é você que está com uma merda de tumor.

- É, eu posso não saber as coisas que você está passando, mas sei o quanto isso dói. A incerteza de que isso pode dar certo ou não. A incerteza de dormir com você de noite e ter medo de acontecer alguma coisa e não poder acordar com você. A incerteza do futuro que nós dois tínhamos em mente. Eu tenho medo até quando você começa a tossir. Medo de te perder. Então não fale como se eu não estivesse sofrendo também. – naquela altura, as lágrimas caíam sem parar e cobri o rosto para que ele não me visse chorando.

- Amor...me desculpa. – sentou do meu lado e me abraçou. – Eu não devia ter falado tudo aquilo.

- Eu que não deveria agir como se soubesse pelo que você está passando. – limpei o rosto, mas algumas lágrimas ainda caíam. – Eu não sei, isso é um fato, mas vou estar do seu lado e vamos passar por isso. Juntos entendeu?

- Ah garota, eu não mereço você. – acabei rindo e o abracei mais forte. – Eu te amo Jane.

- Eu também te amo Louis. – era nossa primeira vez falando isso um para o outro e mesmo com a situação, eu me sentia feliz por estar com ele. Por ser amada e por amar ele na mesma intensidade.

2020

- Você não vai beber mocinho. Temos que ir no hospital ainda hoje fazer os últimos exames.

- Eu posso ir sozinho anjo, pode ir para a sua aula.

- Mas...

- Ei, falta pouco para você se formar. Então vá para a aula, estude e seja minha linda mulher fodona.

- Sua mulher é?

- Eu ia esperar até o fim de semana. – abriu a gaveta e tirou de lá uma caixinha preta. – Eu queria uma vermelha, mas sei que é bem clichê e você não curte clichês.

- Para vai, eu adoro clichês. – Louis riu e abriu a caixinha, se ajoelhando na minha frente. – Nem precisava ajoelhar seu bobo.

- Me deixa fazer direito mulher! - dei risada e o olhei. – Jane, nos conhecemos por acaso, o acaso mais incrível que me aconteceu, e eu soube naquele dia que tinha que continuar com você e bom, estamos aqui, há quase 5 anos depois do casamento da minha prima e do seu melhor amigo. E eu quero que a gente tenha mais anos pela frente, mesmo que eu esteja nessa situação. Vamos passar por isso e vai dar tudo certo. E quando menos esperarmos, estaremos rindo de tudo isso com os nossos 7 filhos.

- Tudo isso? Não vou parir que nem coelho senhor Louis.

- Tudo bem, eu exagerei. Dois?

- Até três vai. – sorrimos um para o outro e ele levantou.

- Casa comigo. Fica comigo para o resto das nossas vidas. Seja minha.

- Seu idiota. – limpei a lágrima que escorreu. – Eu sou sua desde o momento que você me chamou de futura noiva.

- Ah se eu soubesse... – ri e assenti.

- Eu caso com você seu chato.

- Finalmente mulher! – dei risada e ele colocou o anel no meu dedo, para depois me abraçar e me girar pelo quarto enquanto ríamos como duas crianças.

2021

- Finalmente livre! – dei risada do Louis enquanto a enfermeira terminava de preencher os papéis da quimioterapia dele. Era a última e ao que parecia, ele estava melhor e praticamente livre do tumor.

- E vocês dois? Quando vão casar?

- Se tudo der certo, assim que o doutor me liberar. – meu noivo disse e apertou minha mão. – Uma pena que você não vai poder ir na consulta comigo.

- Aproveita e faz uma surpresa para mim. É minha última prova e se tudo der certo, sua última consulta oficial.

- Espero que as coisas dêem certo para vocês. Nunca vi um casal tão bonito. – sorrimos e agradecemos.

Assim que saímos do hospital, fomos para casa. Sim, estamos morando juntos há quase 6 meses. Tudo isso depois do pedido. Fizemos uma reunião com as famílias e amigos e contamos sobre o casamento. Todos ficaram felizes, até mesmo minha mãe que estava preocupada com o tumor do Louis ser hereditário e passar para os nossos filhos. Naquele dia, eu e ela discutimos pelo modo que ela falou e passamos um tempo sem nos falar, mas depois minha mãe pediu desculpa e disse que isso não importava desde que eu estivesse feliz.

No dia seguinte, fui para a faculdade e fiz a prova. Liguei para meu noivo e disse que estava saindo do prédio e indo para casa.

- Conta logo vai. – pedia para ele me contar se estava tudo bem e o mesmo negava, dizendo que ia me contar quando chegássemos em casa. – Seu chato.

Ouvi sua risada e vi o sinal fechar para que eu atravessasse a rua e fosse até o carro. O que eu não sabia era que um carro ia passar no momento em que eu estava passando.

2022

Um ano em coma. Nada de movimentos. Eu tinha virado um vegetal. Louis estava curado e ia fazer check-ups a cada mês. Pelo menos era isso que eu o ouvia dizer. Era insuportável ouvir e não poder dizer nada, não poder abrir os olhos para que ele visse que eu estava viva sim.

Três meses se passaram e eu consegui forças para abrir os olhos. O que eu não esperava era que aquele seria meu último dia vendo o rosto do amor da minha vida.

- Eu estive pensando. E se nós nos casarmos hoje? Você abriu os olhos, está respondendo e...eu não sei se aguentaria ficar sem você novamente. – pisquei uma vez, indicando que concordava, e ele sorriu. – Então vamos casar.

Consegui erguer um pouco da minha boca para sorrir e ele chorou enquanto segurava minha mão. Eu também chorei ao vê-lo chorar.

Naquele dia, Lou organizou tudo. Nossos pais estavam presentes, meu melhor amigo e a prima dele também. Nos casamos e vi o sorriso mais lindo do mundo assim que pisquei dizendo que aceitava casar com ele.

- Eu os declaro marido e mulher. – o padre da igreja da rua dos meus pais disse e meu, agora, marido beijou minha testa.

- Eu amo você. – pisquei uma vez e ele sorriu novamente.

Quando estava de noite, tive uma parada cardíaca. Meu corpo não aguentava mais, mesmo que minha mente aguentasse. Meus sistemas pararam de funcionar, e quando isso acontece, tudo começa a dar errado. Tentaram me reanimar, mas já era tarde. Eu tinha morrido.

2023

Um ano que ela morreu.

Um ano que eu perdi o amor da minha vida.

Um ano que eu não sabia mais o que era viver.

Enquanto arrumava algumas coisas no nosso quarto, encontrei um envelope na gaveta dela na cômoda.

Era uma carta.

“Meu amor, fizemos um ano de noivado e não vejo a hora de poder te chamar de meu marido.

Estou tão feliz que você está melhor, que vamos poder ser felizes juntos, que vamos viver juntos.

Você me disse uma vez que queria 7 filhos. Lembro que foi no dia que me pediu em casamento. Eu não me importaria de ter tudo isso de filhos. Desde que fosse com você.

Eu não sei se vou te entregar essa carta, você sabe que eu não sei muito bem como escrever o que eu sinto e posso até parecer fria às vezes, mas eu amo você. Amo demais.

Então feliz um ano.

Da sua, Jane.”

E ali, lendo aquela carta da minha esposa, me arrependi de não ter aproveitado mais, de não ter falado mais que a amava, de não...de não ter vivido mais com ela.

(...)

E mesmo depois de tantos anos, depois de tanto tempo, eu com os meus 70 anos, poderia finalmente falar que a amava. Poderia dizer que vivi por ela e que poderíamos finalmente ficar juntos.

"Não importa o quanto demore, você sempre será o amor da minha vida e estarei esperando para poder te encontrar novamente.

Do seu, Louis."

June 28, 2020, 9:39 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Amanda Andrade Escritora, dramática, apaixonada por filmes de terror e dramas coreanos. As vezes consigo terminar uma história, mas antes disso já tive milhões de ideias para outras.

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