ellariamlamora EllariaM Lamora

A pesada cortina vermelha foi puxada e o holofote acima do palco expôs para o público Uchiha Sasuke trajado como um sanguinário samurai. Nos bastidores, olhos anis cintilavam fascinados, perguntando-se em que o momento o orgulhoso ator havia se transformado naquele rapaz tão estonteante, deixando para trás a imagem de um irritante corvo grasnando furiosamente, pronto para bicar qualquer um com seu cinismo e arrogância, [DESAFIO #MMMF DO GRUPO FANFICS NARUTO SHIPPERS]


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#mmmf #desafio #fanfic #yaoi #sns #narusasu #sasunaru #naruto
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ATO 1

NAQUELE DIA UZUMAKI NARUTO estava deitado no proscênio de barriga para cima, com as mãos atrás da cabeça e cantarolando Story of My Life. Ele desfrutava de uma pequena folga antes que Tsunade — a diretora técnica — surgisse berrando ordens e decretos típicos de uma ditadora. Não que pudesse culpá-la por seu recente estresse, dado que Kakashi estava finalizando o roteiro da nova peça e Jiraya começava a mobilizar a equipe da cenografia, recrutando novos funcionários e atores.

Refletindo sobre isso, o jovem assistente suspirou exausto. A peça só estaria pronta dali há seis meses e mesmo assim todo mundo andava uma pilha de nervos, ainda mais com a recente descoberta de que o governo havia cortado uma boa parte da verba deles. E mesmo que os três pilares daquele teatro fingissem que nada estava acontecendo, Naruto bem sabia como Tsunade, Kakashi e Jiraya reuniam-se em segredo para buscar formas de criar uma história que chamasse bastante atenção, rendesse bons lucros e fosse barata.

Amaldiçoando os governantes baixinhos, foi surpreendido quando dois corpos surgiram caminhando em sua direção. Eles desciam as escadas juntos e o holofote principal os iluminava, jorrando sua luz branca naqueles rapazes que — por trazerem traços semelhantes — o Uzumaki deduziu serem irmãos. O loiro sentou-se no proscênio e fitou a dupla desconhecida — pronto para dizer que as audições seriam somente na próxima semana — quando seus olhos azulados foram capturados pelas esferas escuras do mais novo, ao qual caminhava com um orgulho de quem sabe que o mundo o pertence, projetando em sua expressão o puro desdém, franzindo as sobrancelhas e lábios para indicar o aborrecimento por estar em tal lugar.

Não demorou para o assistente da Tsunade chegar à conclusão de que aquele jovem carregava em seus trejeitos o orgulho de quem poderia trazer a revolução ao mundo, ao bairro ou até mesmo ao teatro principal daquela pequena cidade. A ironia em seus olhos cor-de-carvão faiscava, desafiando o Uzumaki a comprar uma briga e menosprezando sua existência.

— Ei, Naruto! — Da primeira fileira, Kimimaro o chamou rispidamente — Cuidado, os corvos já souberam de nosso declínio e vieram grasnar para nós.

— Feche os olhos ou eles irão bicá-los. — Kiba juntou-se ao amigo e o assistente percebeu que os dois antes liam o esboço do roteiro de Kakashi, mas o tinham abandonado na poltrona para fuzilar com os olhos a dupla que se agora estava de frente para o loiro.

O mais velho aspirou o ar e soltou-o lentamente.

— Desembucha, Uchiha. — Kiba vociferou e fez menção de que iria partir para cima dos irmãos a qualquer momento. Naruto, prevendo a possível briga, pulou do palco e tocou com gentileza em seus ombros.

— Eu cuido disso, caras. — Anunciou e Kiba franziu as sobrancelhas castanhas pronto para discordar. Como pupilo reconhecido dos Três Pilares da Companhia Nacional de Teatro Japonês Konoha, Naruto o fitou com firmeza, sem espaço para discordâncias. Era uma ordem. Kiba e Kimimaro relaxaram os ombros e resmungaram ao assentir, não querendo ser demitidos por contrariar as ordens do futuro diretor daquele lugar — Vão chamar a Velha Tsunade, antes que os corvos nos devorem ainda vivos.

Os dois partiram correndo e Naruto voltou-se para os Uchihas.

— Então a plebe consegue controlar a própria plebe. — O mais novo cuspiu seu sarcasmo, fingindo surpresa.

O assistente ergueu os braços em uma encenação de rendição.

— Ei! Vamos com calma. Não quero brigar.

— Nós também não. — Foi a vez do mais velho se manifestar e sua mão projetou-se contra a cabeça do irmão, ao qual bufou pelo gesto tão infantil — Receba as minhas desculpas, não queremos problemas.

— Então? — O Uzumaki arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços na frente ao peito, colocando-se em frente ao palco — O que os herdeiros dos Uchihas fazem em nosso teatro? De certo ouviram os boatos de que nossas últimas peças foram um fracasso e vieram grasnar por aqui, prontos para devorar até o último fio de nossa cortina. — Murmurou com o queixo erguido, demonstrando que não iria se abalar e que a companhia não iria ceder aos empresários — Vão embora, corvos. Não há nada para vocês aqui.

Os olhos anis fitaram os irmãos com determinação e prontos para qualquer briga burocrática. Aquele teatro representava toda a existência de Naruto, que antes mesmo de andar se arrastava pelos palcos em que seus país um dia iriam se apresentar. Ele aprendeu a falar ouvindo as declamações dos atores ao seu redor, imerso na cadência de suas vozes, que se alteravam ou suavizavam de acordo com os roteiros em que seguravam. A compreensão da leitura veio com os velhos rascunhos de Kakashi, que não se importava de garantir uma cópia para o pequeno Uzumaki. Foi dentro dos bastidores que Naruto aprendeu também sobre o poder das maquiagens, da sonoplastia e da iluminação. Ele vivia e respirava aquele teatro e a importância daquele prédio, assim como o conjunto de seus detalhes, os profissionais e seus amigos estavam consigo, correndo em suas veias como seu próprio sangue vermelho.

Por isso não hesitaria em proteger aquilo que amava, mesmo que no processo precisasse lutar contra o imperador. De forma que o um dos mais importantes grupos imobiliários do país não representava nada para ele. Uzumaki Naruto não iria se curvar para os Uchihas, nem ceder e entregar tudo o que lhe era mais importante.

Estava pronto para dizer isso, quando encontrou os olhos do Uchiha mais velho presos nos seus. Ele esperou encontrar o cinismo de seu irmão, mas aquele homem carregava apenas a bondade nas esferas tão negras quanto o céu sem estrelas.

— Acredito que não nos apresentamos ainda, Uzumaki Naruto. — Pronunciou com um sorriso simples e o mais novo revirou os olhos.

— Que descortês de sua parte, irmão. — Ironizou áspero.

— Eu sou Uchiha Itachi. — O homem disse, ignorando o sarcasmo de seu irmão — E esse aqui é Uchiha Sasuke.

O assistente estava para lhe dizer que aquilo não importava, quando a voz de Tsunade preencheu o palco vazio em uma exclamação animada. Ao virar para trás, O Uzumaki assistiu a mulher atravessar a cortina vermelha em êxtase, correndo até eles em seus saltos costumeiros. Atrás de seu cabelo esvoaçante, Kakashi e Jiraya tinham os olhos arregalados.

— Sejam bem-vindos, meninos! Não consigo acreditar que aceitaram minha oferta!

— Que porra é essa, vovó? — Disparou quando ela parou ao seu lado.

Mas ela estava mais interessada nos herdeiros Uchihas e ignorou o neto.

— Como vocês cresceram! Como a Mikoto está? E pensar que ela domou um homem como um Fugaku e conseguiu mandá-los aqui. Que mulherão, meu deus.

— Ela está bem. — Itachi respondeu com um sorriso divertido — Infelizmente precisou continuar na capital para resolver as burocracias da empresa com nosso pai, mas lhe mandou presentes e abraços. Esqueci os presentes no hotel, desculpe.

— Oh, que bobeira da parte dela. Só de vocês estarem aqui vale mais do que qualquer presente que poderia ganhar.

Ao dizer isso, ela os envolveu em um abraço apertado, bastante emocionada.

— Que porra é essa? — Naruto voltou a questionar, imaginando se sua avó, no auge de seu estresse, havia vendido a companhia e o teatro para aqueles corvos. O sangue gelou e ele engoliu em seco, temendo o pior.

Dessa vez foi Itachi que respondeu:

— A partir de hoje o Sasuke vai fazer parte de seu elenco.

✼✼✼

Um mês depois de ser apresentado para aqueles rapazes tão singulares, O Uzumaki acabou por descobrir que a poderosa Família Uchiha não queria comprá-los, muito menos acabar com a história deles. Era o contrário. Mikoto era uma antiga amiga de faculdade da mãe de Naruto e ficou abalada ao saber que sua família estava em maus lençóis, voluntariando-se a doar uma quantidade de dinheiro exorbitante e seus preciosos herdeiros para ajudá-los. Itachi se encarregaria de administrar o dinheiro e investimentos do teatro com Jiraya, procurando dar uma repaginada nos equipamentos e no prédio, ao passo de que Sasuke — para atender os caprichos da mãe — atuaria. Eles esperavam que o sobrenome chamasse a atenção das pessoas e levantasse a moral da companhia.

Com a história explicada, o roteiro finalizado e um futuro próspero, todos esperavam que o Uchiha mais novo acabasse em um papel secundário qualquer. Ele era rico e bonito, mas naquele lugar em que se respeitavam os talentos e esforços dos outros, seu dinheiro e a bondade de sua mãe não comprariam o papel principal. Era o que diziam e cochichavam por suas costas.

Até o dia da audição.

O Uzumaki estava sentado na poltrona com Os Três Pilares ao seu lado. Algumas pessoas importantes foram chamadas para fazer parte do comitê de avaliação e os candidatos foram chamados um a um, dando o seu melhor para conseguir os papéis aos quais desejavam. Tudo seguia naturalmente: os pontos do relógio de pulso do loiro foram se movendo e, antes que ele percebesse, o dia havia chegado ao fim. O comitê começava a discutir sobre quem ficaria com o papel de protagonista, quando Sasuke surgiu, tão prepotente quanto o dia em que Naruto o tinha conhecido.

A surpresa foi expressada nos rostos dos membros que iriam avaliá-lo. Tsunade até tentou persuadi-lo a conseguir outro papel, mas o Uchiha mostrou-se firme em sua decisão. Sem ter o que fazer, o grupo apenas deixou atuá-lo, esperando pelo pior.

Afinal não era comum que novatos conseguissem um papel tão importante dos roteiros de Kakashi. O albino exigia técnica, experiência, dedicação e muito talento para alguém representar seus protagonistas. Seus personagens eram complexos, com passados conturbados e camadas profundas em suas personalidades. Somente verdadeiros profissionais conseguiam lidar com aquele tipo de trabalho e o Uzumaki conseguia captar a desaprovação do roteirista quando Tsunade gritou “Ação”. Ele com certeza estava tomando a atitude do mais novo dos Uchihas como um insulto, pois sua raiva estava exposta nas sobrancelhas franzidas e lábios cerrados.

As esferas cor de céu voltaram-se para o palco, aonde Uchiha Sasuke respirava fundo. Ele fechou os olhos e limpou a garganta. Da poltrona, apenas silêncio e pares de olhos o acompanhavam, esperando a pior audição de toda a história. Naruto viu-se tentado a gravar e mandar para Haruno Sakura, sua melhor amiga, certo de que aquilo lhe renderia boas risadas mais tarde, mesmo sabendo que ela desaprovaria sua ação.

O mais novo dos Uchihas voltou a abrir os olhos e o assistente percebeu que o ar ao seu redor havia mudado. Ele era a personificação da concentração. O rapaz de cabelos escuros virou-se na direção de seus avaliadores e, com um dedo em riste, declarou:

— A culpa vai recair sobre ti para todo o sempre! — O timbre colérico estava presente e Naruto tomou um susto com a força de sua voz — O sangue dela estará em suas mãos, sujando teus punhos e mesmo que morra, renasça, morra e encarne novamente, tua alma continuarás a carregar este sólido pecado! — A feição dele estava moldada para o ódio e seu discurso carregava a dor e a repulsa sentidas pelo protagonista.

Diferente da ausência de som do início, em que a plateia o assistia com aversão, o silêncio que se costurava ao redor deles era de surpresa. O Uchiha se curvava e fazia um gesto de quem desembainhava uma espada, silenciosa e lentamente, não deixando de fitar o comitê. A intensidade de seu olhar e de sua linguagem corporal chocaram o Uzumaki, que o encarou perplexo. Ele estava imerso na ira de seu papel.

Cabisbaixo, o rapaz moveu a cabeça, balançando os cabelos para retirá-los de seus olhos e dar mais drama ao que o personagem estava fazendo. O holofote recaiu sobre o rapaz e Naruto quis matar os gêmeos Zetsus, sabendo que se divertiam com a surpresa do comitê. Entretanto, o pior foi o momento na qual a luz iluminou seus olhos mergulhados em um falso luto, quando tornou a levantar a cabeça e ele voltou a mexer os cabelos, aproveitando para limpar as lágrimas inexistentes, lançando aos espectadores uma expressão transfigurada pela dor. O coração do assistente bateu forte em seu peito quando os olhos de Uchiha Sasuke foram em sua direção e o rapaz ergueu uma espada fantasma em sua direção.

— Não cante mentiras para mim! — Rugiu e o Uzumaki procurou seu roteiro, entendendo que ele respondia ao monólogo de seu rival. O punho dele sacudiu no ar e Naruto soube que ele estava mexendo sua espada, balançando-a em desespero como demandava o roteiro — A luz preciosa dos olhos dela se apagaram por sua causa. — Sua voz falhou quando o caçula dos Uchihas caiu de joelhos no chão.

De acordo com a cena, nesse momento Minoru, o protagonista, seria perfurado por aliados do assassino de sua amada, aos quais ajudariam o líder a fugir. O Uchiha, seguindo a sequência, arrastou-se no chão e ao assistente foi possível visualizá-lo nos farrapos, sujando o chão com seu sangue, enquanto tentava perseguir os que haviam destruído sua felicidade. Ele gemeu e levou a mão ao local da ferida, tossindo o sangue falso. A dor física foi moldada em sua face quando ele desabou no chão, projetando seu corpo para fitar o loiro.

— Se não fosse tão fraco... — Sussurrou voltando a tossir e esmurrando o chão — Se fosse mais sincero comigo mesmo e menos orgulhoso... Nós estaríamos vendo as cerejeiras juntos. — Declarou para o nada e fechou as pálpebras — Mas vejo que os céus me castigam por minha prosápia — Ao murmurar, ergueu um dos braços para o alto e o fitou com ternura, abrindo e fechando seu punho — Não chores... ficarei bem. — Naruto soube que o roteiro demandaria chuva nesse momento — Se sobreviver, peço aos deuses que me permitam percorrer o Caminho da Guerra, destruindo tudo e todos que foram responsáveis por te tirar de mim. Não importa se seja nessa vida ou em outra. Eu te vingarei, Mizuki. — Sussurrou e recolheu a mão, com tristeza — É uma promessa. — Grunhiu e o palco foi envolvido pela escuridão, quando seu personagem perdeu a consciência.

A decisão foi unânime: Uchiha Sasuke ficaria com o papel de protagonista.



✼✼✼


Bebericando seu café, o loiro fitava o grupo no meio do palco.

Sasuke estava entre eles, prestando atenção no discurso inspirador de Tsunade. Ao seu lado, Sakura se esforçava para não derramar lágrimas enquanto a mulher discorria sobre a onda de azar que eles haviam enfrentado, mas que não deveriam ser contaminados por aquilo. O passado pertencia ao passado, afirmava evitando expor sua gratidão ao Uchiha mais novo, para que os outros não o perseguissem depois, murmurando que ele só estava no elenco por sua família.

Queimando a língua, Naruto desejou que fosse aquilo. Ele adoraria rir do maldito Uchiha, pontuando sempre que fosse necessário a falta de talento e a vergonha em sua audição. No entanto, contrariando-o mais uma vez, Sasuke havia se mostrado um ator extraordinário, de talentos e técnicas raras. Ele havia emocionado seus jurados e, pela primeira vez em muito tempo, feito Kakashi sorrir orgulhoso em um teste ao ver um personagem tomando vida.

No entanto, o jovem continuava com aquela expressão desgraçada de desdém para seus colegas. Kiba e Kimimaro até haviam deixado de lado as desavenças anteriores e sentavam-se perto dele, empolgados por conseguirem trabalhar juntos. Kimimaro seria Kazuma — o assassino de sua amada —, divertia-se, dizendo que se o Uchiha não se cuidasse, ele acabaria por machucá-lo de verdade. Kiba — um dos capangas do vilão —, deleitava-se com o fato de poder atuar junto ao rapaz.

— Sem mais delongas, vamos fazer a melhor peça que O Teatro Konoha já viu! — Tsunade exclamou e o grupo a saudou com palmas e assobios — O Kakashi sempre estará a espreita, então não se assustem com sua figura fantasmagórica caminhando por aí, ou com seus resmungos perfeccionistas, apenas façam o seu melhor, pois eu e o Jiraya vamos guiá-los pelo melhor caminho possível. — Declarou sorrindo e o grupo a ovacionou — Vocês também podem contar com meu neto, o Naruto ali. — Indicou o rapaz sentado na primeira fileira, ele levantou uma mão — Alguns já o conhecem, mas ele é personificação do que é o teatro em pessoa. Se alguém precisar de ajuda, pode contar com ele.

O rapaz de cabelos dourado sorriu para confirmar as palavras da Diretora Técnica e percebeu que Sakura o fitava com doçura, com seu polegar levantado. Ele retribuiu o gesto e então notou que o maldito Uchiha também o encarava, com as sobrancelhas — mais uma vez — franzidas. Naruto fechou a cara e fez um biquinho, perguntando-se se aquele cara era tão esnobe e orgulhoso que não podia nem encarar uma reunião de boas-vindas normalmente.

— Deve ser inseguro. — Murmurou para si, voltando os olhos para sua cópia do roteiro e percebendo que teriam um longo trabalho pela frente.

✼✼✼

Os dias seguiram como deviam ser. As pessoas continuavam a correr desesperadas de um lado para o outro, fazendo suas próprias coisas. Itachi conseguiu ótimos equipamentos e os irmãos Zetsus ficaram maravilhados com a nova qualidade de seus instrumentos de iluminação. Orochimaru apaixonou-se pelo mais velho dos Uchihas quando ele surgiu com as novas máquinas de som e gabou-se pelo fato do solene rapaz lhe passar seu número de celular, para caso tivesse alguma dúvida. Naruto gargalhou quando Sakura contou a história, apostando que o velho sonoplasta com certeza aparecia com as dúvidas mais triviais possíveis, apenas para ter a atenção do coitado.

Entre os ensaios, enquanto o Uzumaki zanzava pelo palco ou arredores do teatro, prestando atenção em seus amigos atuando ou se estressando com os atos, tornou-se normal flagrar os olhos de Sasuke em si. Ao contrário do irmão que sempre era cortês e gentil, o caçula parecia ter alguma ofensa ou ironia na ponta de sua língua para qualquer situação. Isso quando estava disposto a irritar o assistente de Tsunade, já que muitas vezes apenas fingia que ele não existia, concentrando-se em seus roteiros completamente rabiscados, pontuando coisas que apenas faziam sentido para ele.

O ator nem se movia quando o rapaz de cabelos dourados surgia com barrinhas de chocolates e água para a equipe ou apenas uma caixa de som para eles dançarem e se divertirem. No primeiro mês ignorou os encontros após o trabalho, em que todos se reuniam na lanchonete mais próxima e comiam batata-frita até a barriga estufar.

Contudo, foi terceiro dia do segundo mês que Naruto percebeu algo estranho. Ele tentava separar mais uma das brigas entre Sasori, Deidara e Sai, que discutiam o andamento da produção dos cenários. Na ocasião, o teatro inteiro parou para se divertir com a discussão dos três cenógrafos e o assistente suspirou exausto, enquanto as vozes elevavam-se.

— A plateia vai ir à loucura se colocarmos explosões de fumaça aqui! — Deidara rugiu, apontando para perto do proscênio — Vai trazer todo o suspense que o Kakashi quer.

— Não faz sentido explosão no Japão Feudal, seu idiota. — Sasori apontou, bufando — Nosso cenário vai ser construído para dar a ideia de madeira, principalmente as casas das vilas em que o protagonista vai visitar. Não vai fazer sentido, porra.

— E não vou correr o risco do papelão que gastarei horas pintando queimar por burrice sua. — Sai completou, exasperado.

— Essa merda vai pegar fogo de qualquer forma quando ela for morta, caralho! — Rugiu impaciente — A fumaça vai dar a ideia de o Minoru não conseguir encontrá-la com facilidade, e quanto mais fumaça, mais desesperado o público vai ficar.

— Só se for com eles morrendo sufocados, seu imbecil! — O ruivo respondeu, levando a mão ao rosto — Vamos fazer metade papelão, metade madeira. E sem bombas de fumaça.

— Vai se foder. — Deidara vociferou.

— Vai se foder você, teimoso do caralho!

Naruto aproximou-se do trio. O Uzumaki respirou fundo, sabendo que aquela tipo de briga era a coisa mais normal quando se tratava de seus amigos. Eles sempre discordavam, raramente aprovavam as ideias dos outros e tentavam fazer tudo sozinhos, mas de alguma forma — às vezes — conseguiam trabalhar juntos e, quando isso acontecia, o cenário se transformava em algo de alto nível. Por mais que desse tudo errado, que os microfones falhassem, o áudio não saísse, a iluminação não funcionasse, ao menos as pessoas sempre saíam elogiando o cenário e como ele ganhava vida, trazendo mais imersão para a história do que os próprios personagens.

— Ei, gente. Vamos com calma. — Sugeriu com um copo de café em uma mão e sua prancheta na outra. Ele iria dizer que se trabalhassem juntos, iriam dar um jeito, mas nesse momento Deidara já havia partido para cima de Sasori, batendo em sua mão no processo e derramando o café quente em seu braço.

Naruto arquejou quando sua pele queimou e o amigo o fitou apavorado.

— Puta que pariu, Naru! Me desculpa, caralho. — Deidara adiantou-se, buscando por uma toalha ou papel.

O cenógrafo lançou olhares desesperados para os amigos, que não tinham nada em mãos.

— Aqui. — A voz de Sasuke sobrepôs-se no silêncio horrorizado, entregando uma toalha. Ele continuava com a expressão vazia, mas o Uzumaki percebeu que não desviava os olhos de si e as esferas tão escuras pareciam perturbadas.

Como Deidara não se mexeu, o Uchiha revirou os olhos e puxou o dono dos cabelos cor-de-sol para um local que ele pudesse se sentar. Sakura brotou do chão, preocupada com o amigo, e Naruto sorriu para acalmá-la. No fim não estava doendo tanto, só lhe deixava desconfortável.

— O café não estava tão quente. — Disse para acalmá-los — E foi no meu braço ruim, Sakura. Você sabe que não sinto tanto dele.

— Foda-se. — A resposta simples foi proferida quando ela puxou a manga de sua camisa — Ficou um pouco vermelho... será que deveríamos levar ele no médico, Sasuke? — Virou-se para o caçula dos Uchihas, mas o rapaz não estava mais lá.

Naruto suspirou e refletiu que talvez ele não gostasse de si.

O pensamento o deixou incomodado e o assistente balançou a cabeça para dispersá-lo.

— Eu vou ficar bem. É só uma queimadura boba.

— Naru...

— Tô falando sério, agora posso processar a Velha por acidente de trabalho, ficar rico e me aposentar. Enquanto você vai ficar triste, estarei em Paris comendo croissant.

— Você é um grande idiota. — Ela riu do humor sombrio dele — Não se esqueça de agradecer ao Sasuke se a Tsunade te deixar vivo após o processo.

— Como se ele se importasse.

— Não diga o que não sabe, Usurontokashi. — A voz grave do Uchiha foi proferida quando ele surgiu com uma pomada para queimaduras.

Naruto e Sakura o fitaram boquiabertos e pela primeira vez na vida, o loiro presenciou as bochechas dele adquirirem um tom rubro, enquanto o rapaz desviava os olhos, desconfortável.

— Você é incrível, Sasuke! — Aquela que tinha os fios rosados exclamou, arrancando o remédio de sua mão e despejando uma grande quantidade no antebraço do amigo. Ela espalhou com cuidado, preocupando-se em não machucar o assistente — O salvador do dia.

— Irritante. — Ele grunhiu, observando com curiosidade a cicatriz no braço do Uzumaki — Só carrego algumas coisas por preocupação. — Explicou sem-jeito.

— Pensei que seus mordomos que faziam isso por você. — Naruto respondeu para desviar sua atenção do fato de que seu braço não funcionava direito — É um milagre não ter vários deles aqui fazendo as suas vontades.

— Imbecil. — Rosnou irritado, dando as costas para a dupla.

Naruto suspirou e a amiga estapeou sua cabeça.

— Qual a necessidade de dizer isso?

— Sei lá, não gosto de burguês. — Mentiu quando ela finalizou seu trabalho — São chatos e esnobes.

— Se você respeitar o tempo do Sasuke, vai ver que ele é um cara muito legal. — A rosada grunhiu — Ele só está meio perdido aqui.

O Uzumaki deu de ombros e ela arquejou furiosa, indo atrás do novo amigo. Ele queria pedir desculpas, mas Deidara, Sai e Sasori apareceram implorando por seu perdão, trazendo chocolates e um refrigerante. Naruto gargalhou do desespero dos amigos e aceitou de bom grado seus presentes, afirmando que estava tudo bem e que acidentes aconteciam, mas eles precisavam se controlar para que aquilo não se repetisse novamente. Os três concordaram e Deidara prometeu que naquela noite ele pagaria uma bebida para o assistente.



✼✼✼




Dez dias passaram em um piscar de olhos e Tsunade tornou-se cada vez mais exigente. Ela começou a repassar o primeiro ato incansavelmente e os novatos logo descobriram que não deviam se preocupar com o roteirista — como a mulher havia indicado no primeiro encontro —, pois a verdadeira fera daquele teatro era a Diretora Técnica. Jiraya passava bastante tempo com Orochimaru e os Cenógrafos, discutindo melhorias em seus trabalhos e supervisionando o andamento deste e, por isso, sobrava ao neto acalmar os jovens atores, treinando o nível de suas vozes, as melhores expressões e gestos para o grande dia. O estresse começava a tomar conta da equipe e ele temia que alguém pudesse surtar.

Ou melhor, ele pudesse surtar.

Desde o episódio com o caçula dos Uchihas, Naruto começou a perceber algumas coisas. A primeira delas é que a bondade inesperada daquele rabugento rapaz continuava a sondar seus pensamentos mais do que gostaria, tingindo sua concentração com as cores negras de seus olhos de um corvo desgraçado. O brilho que havia sido demonstrado naquela vez fazia o coração do Uzumaki palpitar fortemente no peito.

Ele pensava sobre isso e ajudava Sakura a incorporar a personalidade de Mizuki, em exercícios vocais e faciais, quando começou a sentir-se observado. Desviando os olhos das reclamações de sua amiga, correu o índigo pelo palco cheio de atores e encontrou, do outro lado o motivo de suas paranoias apoiado em uma caixa de som. Ele bebia d’água que o assistente havia trazido mais cedo e abaixou a cabeça quando foi pego em flagrante. Ao contrário da arrogância que suas esferas carregavam anteriormente, sua expressão era moldada pela vergonha por ser apanhado.

— O que foi? — A voz da Haruno questionou ao perceber que o amigo sorria.

— Nada não. — Respondeu abanando sua prancheta — Ei, sem pausas! A Mizuki jamais usaria um tom informal assim!

— Você é um chato.

— E você tem que ser uma princesa.

Ela revirou os olhos e afastou-se, dizendo que iria ao banheiro. Naruto gargalhou do estresse da amiga e caminhou para seu assento favorito na plateia, refletindo o quão comum havia se tornado flagrar o Uchiha lhe fitando. De onde estava, conseguia visualizar as bochechas dele pintadas pela cor mais vermelha que a pele de alabastro conseguia produzir e subitamente refletiu que era uma imagem fofa.

Arrependeu-se dos pensamentos no mesmo momento e tentou começar a rabiscar em suas anotações, sabendo que naquele dia precisaria ficar mais uma vez sozinho do prédio, largado em seu amado proscênio e bebericando uma cerveja na solidão do palco escuro e vazio. Nos anos em que se passaram desde a morte de seus pais, aquela era a única maneira de acalmar a sua mente e o método funcionava muito bem quando ele encontrava-se perdido e inseguro.

Inseguro. A palavra borbulhou na torrente de ideias e o jovem afastou as mechas finas da cor de ouro dos olhos, perguntando-se se podia atribuir essa característica também a Sasuke. Era difícil, bem sabia, pois ele era um dos herdeiros da poderosa família Uchiha e deveriam ter programado o seu cérebro para compreender que o mundo lhe pertencia. Seu peito usualmente estufado comprovava os resultados de sua educação e a expressão prepotente e arrogante garantia que ele se considerava a última bolacha do pacote.

No entanto, o caçula daquela família parecia esconder alguma coisa.

E parando para pensar sobre isso, Naruto concluiu que havia interpretado mal suas ações. As espiadas que o loiro recebia continuamente e a insistência que o Uchiha tinha para ele, não demonstravam apenas ódio ou raiva — principalmente se o assistente considerasse que nunca havia feito nada de ruim para o desgraçado —, mas pareciam esconder um conjunto de sentimentos que o Uzumaki era incapaz de decifrar.

Talvez ele quisesse ser seu amigo?

Se fosse isso, por qual motivo Uchiha Sasuke tentava afastá-lo, mesmo indicando que estava por perto? Afinal, a pomada que havia surgido em sua mochila não brotara do nada, provinda da generosidade dos deuses. E quanto aos pacotinhos de jujubas de morango que ele sempre encontrava em seu armário? Sakura detestava doces e as pessoas daquele teatro viviam mergulhadas em seus próprios problemas para se importar ou reparar Naruto. Ele era apenas o neto de Jiraya e Tsunade e — por isso — alguns colegas até o evitavam!

VOCÊ É INSEGURO, NÃO SEI POR QUÊ.

As palavras trouxeram seu desabafo, escritas com uma caligrafia torta e tremida, bem ao lado da cena em que Minoru expressava seu amor à princesa pela última vez, antes que seus olhos afundassem na escuridão da morte. Naruto gargalhou, comparando mentalmente Sasuke com o protagonista. Os dois eram orgulhosos, impacientes, prepotentes e irritantes, mas sabiam ser gentis e amáveis em momentos importantes.

E se, como Minoru, ele também se armasse do cinismo para esconder suas inseguranças e medos? Se fosse o caso, o que alguém tão poderoso podia temer? A família dele era importante e, conforme os boatos, extremamente tradicionais. Entretanto a Senhora Mikoto não mostrava sinais de intromissão na vida social de seu filho. Na verdade — pelo que Naruto havia escutado de sua avó — a mulher parecia feliz de ele estar fazendo amigos na companhia.

As perguntas martelavam na cabeça do pobre assistente e ele decidiu que estava na hora de agir. Guardando sua caneta mordida, pulou da poltrona confortável e caminhou na direção do palco, percebendo que mais uma vez havia sido acompanhado pelas esferas inteligentes do novo ator prodígio. O loiro deu de ombros e grunhiu para sua avó que estava indo ao banheiro.

Tsunade assentiu e o Uzumaki dirigiu-se para os camarins. Ali, ignorou a entrada dos banheiros e fitou o armário em que Uchiha Sasuke guardava suas coisas. A mochila de Sakura estava ao lado da dele, indicando a sólida amizade que vinham construindo e Naruto precisou se conter quando percebeu que ela carregava um chaveiro rosado, igual ao que a Haruno havia dado para o assistente. Sem delongas, rabiscou em uma folha limpa, amassou-a o melhor que pôde e jogou dentro da mochila escura.

Estava na hora de acabar com aquele joguinho.



✼✼✼



O sol começava a se por do lado de fora do Teatro de Konoha, quando Tsunade expulsou seu elenco do prédio. Ela grunhiu um agradecimento pelo ótimo trabalho e agarrou o braço de Jiraya, gritando que quem chegasse por último no barzinho mais próximo pagaria a primeira rodada de chopp. Sai, Deidara, Sasori, Kiba, Orochimaru e Kimimaro correram desesperadamente para os armários, jogando as próprias bolsas nos ombros e partindo desesperadamente para o pub, enquanto Sakura gargalhava com um Sasuke assustado ao seu lado.

Naruto, sentindo-se responsável pela maluquice de sua avó, assumiu a tarefa de finalizar o dia profissionalmente. Ele ficou na saída dos fundos do local, despedindo-se dos atores novatos e velhos conhecidos, quando percebeu que algumas pessoas olhavam fixamente para a porta. Movendo a cabeça naquela direção, temeu que a passagem estivesse quebrada, indicando que ele precisaria dormir no local para evitar furtos, mas apenas encontrou Uchiha Sasuke deixando o teatro para trás.

Os cabelos escuros brilhavam no pôr-do-sol e um sorriso estranho brincava em seus lábios, suavizando a expressão séria e firme dele. Ali, não era um dos herdeiros da Companhia Uchiha, muito menos o esnobe rapaz vindo da capital. Ele era apenas um cara normal e de bem com a vida. A tensão havia abandonado de tal modo seus ombros que caminhava relaxado, com uma alça da mochila nos ombros, transformando-se em um colega de equipe que estava feliz após mais um dia finalizado. Um homem extraordinário que fazia as pessoas suspirarem com sua beleza ao atravessar uma simples porta.

— Fecha a boca antes que a baba escorra. — Sakura cochichou perto do loiro e ele quase pulou, assustado pela súbita aparição da amiga — Porra, eu sei que ele é bonito, mas não é para tanto.

— Falou a que falta desmaiar quando o Itachi passa perto.

— Ai! Não me julgue. Quem não tem uma queda por esses homens de negócios?

O Uzumaki riu, mas a atriz franziu as sobrancelhas quando percebeu que ele não estava com suas coisas para ir embora. Ela bufou e o estudou criticamente, antes de disparar:

— Você vai ficar até tarde de novo? Naruto, sei que algo está de incomodando, mas saiba que estou aqui para conversar. Odeio a ideia de você ficando sozinho de noite, na solidão desse prédio velho e prestes a desmoronar.

— Não se preocupe. — Respondeu, envolvendo o corpo dela em um abraço apertado — Vou só checar se a Velha não esqueceu nada no escritório. Ou se está desviando dinheiro para bancar seu alcoolismo. — A garota gargalhou da suposição idiota e ele abraçou-a fortemente — Estou bem, Sakura. Juro.

— De mindinho?

— De Mindinho. — Confirmou selando os dedos.

Ela sorriu e se despediu, dizendo que daria um pulo no pub.



✼✼✼



Deitado mais uma vez no proscênio, sabia que seu coração estava acelerado. Ele sentia as marteladas contínuas e fortes em seu peito e, ignorando a escuridão da plateia vazia e a única luz acessa — uma gentileza dos gêmeos Zetsus —, Naruto tamborilava os dedos longos no próprio estômago, amaldiçoando sua ousadia. Sabia que tinha sido estúpido. Infantil. Não era mais uma criança, mas havia agido como uma e agora precisaria lidar com as consequências.

— You don't know you're beautiful... — Cantarolou para fugir do frio da noite começava a arrepiar seus pelos, deixando sua pele gelada.

Nesse instante um barulho denunciou os passos de alguém aproximando-se. O rapaz mordeu os lábios, repetindo mentalmente que devia parar se comportar como um pirralho, quando uma voz hesitante surgiu atrás das cortinas vermelhas:

— Não sabia que estava aqui.

Girando a cabeça para o lado, o Uzumaki encontrou Uchiha Sasuke cruzando a passagem do pano longo e pesado. Seus olhos faiscavam em desconfiança e seus passos eram cautelosos. Uma mão segurava a alça da mochila com pressão e a outra trazia um papel amassado, mas aberto. Mas sua voz expôs que ele mentia.

— Gosto de ficar aqui. — A resposta veio com simplicidade e ele sorriu, tentando disfarçar seu nervosismo — O silêncio é o melhor aliado para colocar os pensamentos em ordem. E quanto a você?

— Esqueci um negócio. — Mentiu ao largar a bolsa no chão — Você não tem medo?

— Medo?

— É. — Murmurou olhando para o teatro vazio e mergulhado nas trevas.

Naruto gargalhou e Sasuke o fuzilou pelo olhar, não entendendo sua reação.

— Não sou mais criança pra ter medo do escuro, teme.

— “Se você não quiser perder o papel de Minoru, me encontre no palco depois que todo mundo for embora” — Disparou as palavras escritas naquela folha sulfite amassada — Só uma criança agiria assim, dobe.

O Uzumaki sentou-se e percebeu que o rapaz estava muito perto, o estudando com atenção, buscando por qualquer indício de que o assistente desaprovava sua conquista. As bochechas de Naruto coraram e ele pigarreou.

— Não vou fazer isso. — Afirmou calmamente.

O outro arqueou uma sobrancelha.

— Você se saiu muito bem na audição, Uchiha. Inclusive, fui o que te deu a nota mais alta. — A voz era hesitante e falhou quando ele se pronunciou. Os olhos escuros de Sasuke se arregalaram de surpresa — Aqui nós respeitamos o talento e esforço mais do que qualquer coisa, saiba disso.

— O significa isso então?

— Só queria um pretexto para conversar com você.

Os dois se calaram diante da revelação e Naruto limpou a garganta, procurando em sua mente por frases para explicar a atmosfera estranha que se estabeleceria. Ele sabia que sua fala daria indícios de intenções que com certeza assustariam o mais novo dos Uchihas. O rapaz era de família conservadora, não lidaria com a sentença com naturalidade e o loiro respirou fundo, sabendo que tinha estragado tudo, já prevendo o momento em que ele se afastaria e nunca mais voltaria a encará-lo.

— Ah. — Sasuke sussurrou e bagunçou a franja, disfarçando o vermelho em suas bochechas. Ele caminhou para a beirada do palco e sentou-se ali, fitando o vazio de um teatro sem plateia. O herdeiro dos Uchihas ficou lá, imóvel e em completo silêncio, até que o Uzumaki tomou a liberdade de sentar-se ao seu lado, com medo de que o gesto o afastasse — Eu também queria isso. — Sussurrou em uma voz embolada.

Naruto riu. Muito. Sua risada preencheu o silêncio incômodo, o afastando para longe e ele empurrou o Uchiha para o lado, que lhe lançou o mais intimidador dos olhares. No entanto, ignorando-o, o assistente continuou em sua crise de gargalhadas, que perdurou por eles, os envolvendo com gentileza e suavemente. Antes que percebessem, Sasuke também começara a sorrir, mesmo que mais contido.

— Desculpe por ter te tratado mal no dia em que me queimei com café. — Aquele que carregava o ouro dos cabelos declarou amigavelmente — Sei que fui grosseiro por envolver seu dinheiro em um momento que você só queria me ajudar.

— Estou acostumado com isso.

— É sério, me desculpa.

— Relaxa. — Grunhiu e, a julgar pelo tom surpreso e afetado de sua voz, Naruto percebeu que não era comum ao herdeiro dos Uchihas presenciar situações como aquela. Ele perguntou-se se Sasuke possuía muitos amigos, dado seu desconcerto com as palavras e ações.

O Uzumaki engatinhou até a própria mochila, largada ao lado da caixa de som que Sasuke costumava se apoiar e retirou um algumas caixinhas de pocky’s de morango. O dono dos cabelos cor-de-carvão fitou-o confuso quando o assistente as jogou nele, perguntando o que aquilo significava.

— Estou retribuindo seus presentes. — Esclareceu e o rapaz arfou quando se lembrou das jujubas de morango. Naruto riu mais uma vez e o cutucou com seu cotovelo — Você gosta de morango, né? Eu curto um pouco.

— Não gosto de morango. — Resmungou com um palitinho pendurado no canto dos lábios — Não sei do que está falando.

— Só não comer — Naruto revirou os olhos e abriu sua própria caixinha, mastigando o doce e sentindo o sabor da fruta vermelha explodir em sua boca — Aí sobra mais.

Sasuke o empurrou com o ombro e eles riram baixinho.

June 17, 2020, 5:51 a.m. 0 Report Embed Follow story
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