ellariamlamora EllariaM Lamora

[ROTA PACIFISTA] No dia em que uma tortuosa tempestade de neve assolava Nevada, Sans descobriu sobre a bondade que os corações humanos podiam carregar. Flocos branquinhos pousavam em seu corpo quando o monstro compreendeu a pureza daquela garota tão preciosa, a qual preferia se machucar e perdoar a derramar uma só gota de sangue naquele mundo. Embaixo do céu pálido, Sans aprendeu também o quão cruel o frio podia ser para um corpo tão frágil.


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#amizade #undertale #frisk #sans #nevada
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Gentileza

Sans não podia negar: ele estava feliz.

Nunca havia visto Papyrus tão alegre, como desde quando a humana chegara. O esqueleto mais novo não parava quieto, planejando quebra-cabeças, preparando discursos que fizessem a garotaadmirá-lo e cozinhando para ela. A agitação e empolgação do suposto e futuro membro da guarda real era contagiosa.

E pensando na humana, o baixinho tinha que admitir que era a criatura mais curiosa que ele já havia visto. Elagargalhava das piadas excêntricas dele como se fossem a coisa mais engraçada do mundo e tinha uma das melhores risadas que já escutara: sincera e pura. Também encarava os desafios do irmão com garra e jamais debochara destes, pelo contrário, parecia ansiosa em resolver novos. E claro, sempre perdoava e deixava os monstros que a atacavam irem embora sem um único arranhão. Era uma criaturinha muito curiosa e de coração bondoso.

Passeando por uma das florestas próximas de Nevada, em mais um de seus incontáveis intervalos, questionava-se se muitos humanos eram tão doces como aquela menina, quando um som interrompeu sua linha de pensamentos. Acreditando ser algum monstro que fosse zombar de sua folga, preparou uma piada para contra atacar e esperou. O ruído voltou e Sans constatou que, quem quer que fosse, estava aproximando-se. E então o som morreu e um gemido baixinho, quase inaudível, foi ouvido.

"Humana".

Soube na hora.

Todos os pensamentos lhe fugiram, dando espaço para um angustiante: preocupação.

Sem que percebesse, movia-se rapidamente em direção ao barulho.

Ele estava certo. Em choque, pôde contemplar o corpo pequeno da garota caído no chão, curvado sobre si. Uma expressão de dor preenchia sua face e os cabelos e roupas estavam sujos. Os flocos de neve dançavam ao seu redor, pousando suavemente em sua face pálida. Pequenos lábios roxos comprimiam-se, enquanto a humana abraçava-se tremendo descontroladamente.

O esqueleto a fitou estupefato. A floresta estava passando por uma de suas tempestades de neve e ele, por ser um monstro e ter uma forte resistência ao frio, assim como estar acostumado, nem o sentia mais. Em contrapartida, a história era diferente para a humana que somente tinha aquele suéter para esquentar. Ele não compreendia os corpos humanos totalmente, mas era óbvio que aquilo não fazia bem para a garota.

"O frio está matando-a".

O óbvio o desesperou.

Sem dar-se conta, ele arrancou o casaco azulado do próprio corpo, enquanto suas pernas o levavam para mais próximo da humana. Ela tremia cada vez mais e parecia que nunca ia parar. Sans caiu de joelhos ao seu lado, fazendo o que sabia fazer de melhor: contando piadas para esconder seu desespero, em busca de amenizar a situação e dizer que tudo ficaria bem.

Suas mãos pegaram o corpo pequeno dela com a máxima delicadeza que podia e o esqueleto na hora percebeu o quanto ele estava gelado. Rapidamente, vestiu-a com o próprio casaco e, com mais cuidado ainda, levou-a para debaixo de uma árvore, para longe da neve. Seus dedos percorram os fios dos cabelos castanhos da humana, limpando a neve e sujeira.

Lembrou-se das histórias que ouvira certa vez, de como humanos podiam passar calor um para os outros se ficassem abraçados. E ali, vendo o sofrimento da garota, Sans desejou ser um humano. Certamente, poderia ajudá-la com mais facilidade. Mas ele não era e, por isso, somente restou-lhe distraí-la com histórias engraçadas sobre o esqueleto mais novo e fatos inúteis de monstros.

O tempo parecia arrastar-se lentamente e os tremores pareciam que nunca iam parar.

Mas após o que se pareceu uma eternidade, as bochechas da menina começaram a ganhar cor novamente. O brilho misterioso das almas humanas voltou ao seu olhar e ela gargalhava cada vez mais alto com as piadas que o esqueleto contava.

Sans não podia ver, mas seus próprios olhos azulados sorriam em um brilho intenso e mágico; uma mistura de alívio e fascínio por causa da humana. Ele também não sabia, mas naqueles minutos que esperara agarota se recuperar, aprendera o que as almas humanas carregavam dentro de si: determinação.

Ele não soube quanto tempo ficouali com ela; os dois sentados um do lado do outro, encostados no tronco de árvore e conversando trivialidades. Sans só percebeu que precisava encerrar por ali quando outro lado humano deu as caras: a fome.

"Ei, pivete, aproveita que hoje eu tô fazendo caridade e vamos lá pro Grillby's que eu vou te pagar um lanche".

A garota protestou, afirmando que tinha dinheiro, mas Sans já estava em pé e oferecia sua mão para ajudá-la. Ela aceitou e começou a retirar o casaco dele, quando foi impedida.

"Qual é, pivete, depois você me devolve"

E lançou um sorriso para ela.

A menina desviou o olhar, corada pela gentileza daquele monstro.

O esqueleto bagunçou as mechas castanhas e começou a caminhar, sendo seguido por ela.

Permitindo-se perder em seus próprios pensamentos, ele chegou à conclusão de que talvez aquela humana fosse a melhor criatura a pisar no subsolo. Talvez os rumores fossem verdadeiros: ela, de alguma forma, traria a liberdade para eles.

E Sans mal esperava para poder ver o final de tudo aquilo.

Naquele momento, apesar da promessa que fizera antes para a voz das ruínas, ele tomara sua decisão: iria observar por si mesmo e proteger aquela menina. Ela não era somente uma simples criança. Era muito mais. E, talvez, o destino de todos estivessem em seus ombros.

Sans não iria querer um peso daqueles, mas por ela, iria fazer seu máximo para oferecer alguma proteção.

Claro que ela não precisava saber disso.



"Hey, Sans, obrigada"

May 30, 2020, 11:26 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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EllariaM Lamora A vida é apenas uma escolha importante após a outra; siga em frente e observe até onde essas escolhas tolas podem levar você. — YATO. Abuto.

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