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icarusdive Ícaro S. Um tête-à-tête sobre as besteiras que eu posto e escrevo nesse site.
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Sobre "O estranho"

[TW: violência infantil, depressão, ansiedade]

[Esse capítulo vai  ser longo e bem pouco otimista.]

Longe do que eu acreditava quando eu era pequeno, pessoas que escrevem não são necessariamente pessoas sérias ou extremamente cultas, porque eu comecei a escrever aos 13 ou 15 anos. Só comecei a gostar do que eu produzia aos 20 anos, mas aí é porque ansiedade. Enfim, eu gosto muito de escrever pro "Em uma sentada", porque eu posso ser eu mesmo (um completo imbecil) e os leitores percebem que eu sou só alguém que escreve poesias e joga elas na internet. Eu acho que nenhum de nós é superior por colocar palavras bonitas no papel, somos só alguém que passou mais tempo fazendo isso.

Mas enfim, "O estranho" é provavelmente o mais próximo que eu escrevi de um desabafo autobiográfico. Não é engraçado, não é bem-humorado, não é otimista; e o pior de tudo, é uma realidade.

Eu escrevi isso durante uma péssima semana emocional pra mim. Foi uma semana em que eu finalmente percebi o quão sozinho eu realmente estou emocionalmente e como as outras pessoas são parte de embarcações emocionais que vão e vêm em velocidades diferentes e como eu sou só uma ilha no meio do nada. Eu vi como as pessoas se relacionam emocionalmente umas com as outras, com amigos, família, com elas mesmas. E a única pessoa que tem efeito sobre o emocional… sou eu mesmo.

E embora eu tenha me preparado psicologicamente e saber que é parte da vida ter só uma única pessoa em que você possa se apoiar a sua vida inteira (você), isso tudo não torna as coisas mais fáceis.

Enfim, isso não vem muito ao caso, mas foi uma péssima semana. Eu estava no banheiro (obviamente cagando) e eu só comecei a pensar em como a minha infância foi uma salada de sentimentos mistos.

Eu tenho meus 22 anos hoje. Eu nasci em 1996 e disciplina sempre foi uma coisa levada bem a sério na minha família, principalmente porque a minha família é asiática. Agora, embora isso seja cair um pouco no esteriótipo de pais asiáticos rigorosos, infelizmente ainda é uma realidade bem presente (ainda mais, porque eu sou só a segunda geração nascida no Brasil).

Cortando os detalhes, eu apanhei bastante. Eu tenho traumas que eu não consigo mais tratar. Eu fui o exemplo pros meus irmãos. Eu era punido por coisas pelas quais eu não tinha culpa.

… Mas o meu pai era o provedor. Ele me dava tudo, porque ele trabalhava a semana inteira e chegava cansado no fim de semana. Nós não vivíamos bem, mas raramente faltava comida em casa. Então tudo isso pesava demais quando eu questionava meu pai a respeito de algumas medidas discplinares questionáveis. E aí eu era chamado de "ingrato", que influenciaria grande parte da minha vida muito depois.

Porque, no final das contas, meu pai me dava brinquedos, levava a gente pra tomar sorvete, pra brincar na piscina, etc.

Meu pai era uma pessoa que eu queria muito odiar. Mas depois de tanto tempo, alguma coisa me força a não olhar pra ele desse jeito monstruoso. Todos os sinais mistos que eu recebi quando criança contribuem bastante pra uma conclusão cinza a respeito da minha figura paternal, da qual eu não consigo mais fugir.

Eu ainda me pergunto se isso seria uma fase de aceitação de uma Síndrome de Estocolmo.

Sept. 23, 2018, 12:26 a.m. 0 Report Embed 0
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Sobre "Mairiporã"

Acho que eu escrevi isso no começo de 2015? Depois de um fim desastroso de um relacionamento à distância, eu fiquei inconsolável por muito tempo. Foi o meu primeiro namoro, e  relacionamentos à distância são um pouco difíceis por natureza.

Foi só uma coisa unilateral, boba e inocente, até que acabou.

Enfim, a história do ocorrido foi: Eu estava cansado depois de um longo primeiro ano na minha primeira faculdade. E alguns conhecidos da escola tinham me chamado pra uma festa de virada com algumas pessoas do terceiro ano. Eu nunca fui muito sociável ou muito popular, mas alguns dos meus amigos eram. E no meio desse networking todo, eu me encontrei convidado para uma house party no meio de Mairiporã, num condomínio bem perto da represa.

Eu meio que mudei muito desde quando eu saí do ensino médio (no final de 2013), então muita gente provavelmente ia me estranhar na festa (ou não, minha ansiedade me fazia acreditar que todo mundo me odiava).

Enfim, uma semana antes da festa, eu adoeci e talvez não conseguiria ir à festa. Só que alguma coisa me dizia que ia ser Uma Festa do Caralho™. Muita gente ficou triste de saber que eu não iria e eu fiquei triste de dizer que não conseguiria ir. Mas de última hora, eu acabei decidindo ir, e lá estava eu, em Mairiporã, umas boas 3 horas adiantado pra ajudar a lavar as latinhas de cerveja.

E eu acreditei que eu conhecia todo mundo que iria na festa.

Spoilers:

- 1) Havia uma moça que eu não conhecia;

- 2) Ela era (e ainda é) um doce de pessoa;

- 3) Eu não estava percebendo, mas ela tava mandando uma ideia em mim;

- 4) Basicamente, foi o meu melhor amigo que me apresentou pra ela (sob o pretexto de eu ter um ótimo Tumblr com vários memes de qualidade);

- 5) Nós ficamos naquela festa. Diversas vezes. Bêbados, e então mais bêbados, e então sóbrios;

E foi bem um sinal do universo pra que eu percebesse que, depois de três meses de luto por um relacionamento meio "???", ainda havia uma montanha-russa inteira de sentimentos pra sentir por outras pessoas.

No caso dessa moça, seria um parque de diversões inteiro. Sem cintos ou travas de segurança.

Sob o último pôr do sol de 2014, eu arremessei a minha aliança nas águas de uma represa em Mairiporã.

Ai, esses adolescentes… Sempre tão dramáticos. Eu deveria ter derretido ela e feito alguma coisa com aquele anel de prata.

Sept. 16, 2018, 6:27 a.m. 0 Report Embed 0
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Sobre "sobre amar:"

Meu sonho de princesa (príncipe?) sempre foi poder escrever alguns adendos das minhas obras? Sem que o adendo fique gigantesco nas notas finais de capítulos ou etc. Então nada melhor do que estrear esse recurso de blog! O "Uma Sentada" são pequenos (ou não) registros que eu (teoricamente) faço em "uma sentada".

E nada melhor do que começar com a primeira obra que eu postei, que foi "sobre amar:"

É um poema bem recente, originalmente escrito em inglês. Ele surgiu durante um projeto pessoal – que durou pouco tempo, pra minha infelicidade, – no qual eu tirava uma hora aleatória do dia (geralmente de madrugada) pra escrever o que quer que estivesse passando na minha cabeça no momento.

"sobre amar:" nasceu em uma tarde ensolarada de julho, após um banho e durante uma cagada surpresa. O poema compreende… muita coisa. Eu não quero parecer aquele autor de livro de autoajuda (nada contra), ainda mais porque eu quero manter o caráter de conversa tête-à-tête do "Em uma sentada".

Mas "sobre amar:" é a conversa séria que eu queria ter com muitas pessoas sobre tudo que compreende o sentimento "amor", em todas as diversas facetas dele. Então, o poema é bem direto e reto em si.

Agora, eu não sou uma pessoa séria. Então sentar e realmente ser honesto comigo mesmo, tentar entender o que eu tô sentindo, botar isso no papel, tudo isso enquanto eu tô sentado no vaso sanitário; isso tudo constrói uma cena, no mínimo, interessante.

Daí eu postei nos stories do Instagram.

Muita gente veio me dizendo o quanto o poema era legal, o quanto aquilo ressonava nas pessoas. Muita gente me perguntou se eu publicaria em algum lugar aquele monte de poesia que eu tava vomitando nos stories.

E daí eu comecei a matutar a ideia de uma plataforma exclusivamente pra essas coisas.

Esses pensamentos estranhos às 3 da tarde, em cima de um vaso sanitário.

Sept. 15, 2018, 3:43 a.m. 0 Report Embed 1
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