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Bonde das Categorias Follow blog

embaixada-brasileira Inkspired Brasil Fez a correção, a capa é da hora e seus amigos esperam com ansiedade, e talvez preocupação, pelo momento que sua obra será lançada. Até marcou um dia: hoje. Um frio na barriga! Olha mais uma vez aquela belezura, cheio de orgulho, e se prepara para inseri-la no site e compartilhá-la com o mundo. De repente, percebe um buraco na coisa toda: falta a classificação da história. E agora? Ação? Aventura? Drama? Tudo junto? Existem várias categorias e uma narrativa não está restrita a apenas uma, o que torna comum a dúvida na hora de escolher em qual inserir seu livro. É por conta disso que este blog existe: auxiliá-lo nessa tarefa que, muitas vezes, pode ser amedrontadora. Confira o Bonde das Categorias e não fique mais inseguro na hora de lançar sua história.
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Luz, câmera... Ação!


Alô, alô, galerinha linda! Estreando o blog novo, falaremos sobre a categoria Ação! Ação na verdade é um gênero. Quando tratamos de categorias, estamos dizendo que a ação age como gênero principal. Discutiremos o que é a ação, o tipo de histórias que a abordam e, de forma geral, como escrevê-la. Ao fim, falaremos sobre os elementos que a história precisa ter para entrar na categoria Ação.


Essa categoria aqui é mais complicadinha porque a ação não costuma ser a principal de nenhum texto longo. Aborda histórias rápidas, com muito movimento, lutas, brigas, disputas, gritos e talvez explosões. É um gênero muito mais visual do que literário, tanto é que temos vários filmes de ação. Na literatura, porém, é mais comum abordarmos o interior dos personagens, os seus pensamentos, e a ação, mesmo quando é parte importante da trama, acaba ficando em segundo plano.


Existem livros com muitas cenas de ação, por isso é tão comum vermos ação como um dos gêneros principais. Percy Jackson, Harry Potter e Jogos Vorazes são exemplos de sagas com diversas cenas de ação, porém podemos concordar que nenhum desses livros a tem como categoria principal.


Histórias rápidas, curtas e dinâmicas (normalmente violentas), que narram uma ou mais cenas são as que se encaixam melhor nessa categoria. No caso, é mais comum encontrarmos contos do que romances de ação. A maior parte das outras pode levar ação como tag.


Como já estipulamos que as histórias dessa categoria na verdade são cenas de ação, eu vou falar um pouquinho sobre como funciona escrever esse tipo de texto.


O objetivo é acumular tensão no leitor para que ele se sinta no meio do problema que a sua história desenvolve. Uma das melhores formas de acumular tensão é escrever utilizando frases curtas, que passem a ideia de várias coisas estarem acontecendo ao mesmo tempo em momentos diferentes. É o que torna a história dinâmica.


Frases longas ajudam na hora da intensidade. É como se tudo fosse tão forte ou tão intenso que o próprio personagem já não consegue mais respirar. A falta de pontuação faz isso, porque lemos de acordo com vírgulas e pontos; sem eles, o leitor tenta chegar ao fim da frase o mais rápido possível e pode até perder o fôlego. São duas maneiras distintas de abordar a velocidade com que as ações acontecem numa história.


Vou usar como exemplo um texto do André Vianco. Ele é um escritor nacional bastante conhecido, que costuma trabalhar muito bem com vampiros. Em O turno da noite, há uma passagem assim:


Vampiros fracos e sem instrução, virando-se nas trevas, repudiando o sangue, sentindo o estômago queimar e a mente afundar num torpor infinito que impedia o entendimento de tudo que se passava. Talvez alguns deles tenham pensado em voltar para sua família, voltar para suas casas. É possível que tenham desistido ao chegar o umbral da porta. A barriga queimava. Sabiam que queriam sangue. Qualquer sangue. Talvez o da irmã mais nova. Talvez do pai.

(VIANCO, 2006, p. 10-11)


Essa não é necessariamente uma cena de ação, mas ele usa as ferramentas de que falei e acredito que seja um bom exemplo. A primeira frase é bastante longa e ajuda a passar a agonia que os personagens sentem; o leitor se deixa embalar pelo ritmo da frase. Logo a seguir vêm as frases curtas, que representam pensamentos aleatórios, intensos, que vão deixando o leitor nervoso ou ansioso para saber o que vem a seguir.


Ambas são táticas de acúmulo de tensão e de demonstrar intensidade, e funcionam bem, desde que o autor consiga equilibrá-las. Stephen King gosta de usar frases longas na hora de descrever a parte mais intensa da ação, como a briga em si e os tiros, e frases curtas nos momentos em que o leitor realmente não sabe o que está para acontecer.


Em A escolha dos três, Roland (o pistoleiro) tem balas molhadas no tambor da sua arma, então o leitor não sabe se ele vai conseguir atirar ou se a bala é ruim e vai falhar. No trecho a seguir conseguimos ver bem a tensão se acumulando:


Andolini se livrou de Eddie e rolou para a direita, quase nem sentindo a ponta da pedra que rasgava seu paletó esporte de quinhentos dólares. Nesse momento, o pistoleiro puxou um revólver com a mão esquerda e o saque foi como sempre fora (estivesse ele doente ou não, acordado de todo ou meio adormecido): mais rápido que o risco azul de um relâmpago de verão.

(...)

O homem com a camisa rasgada puxou o gatilho do revólver em sua mão esquerda e Jack Andolini achou — realmente achou — que estava morto. Então percebeu que fora apenas um clique seco, não um disparo.

Falhou.

Sorrindo, Andolini ficou de joelhos e ergueu sua própria arma.

(KING, 2007, p. 140)


Ele chega a usar apenas uma palavra num parágrafo inteiro, enfatizando a importância dessa informação. Sempre que o pistoleiro ergue a arma, o leitor prende o fôlego porque não sabe se ela vai funcionar ou não, e nesse momento ele escolheu usar frases curtas, porque o impacto é bem maior. Não é preciso dizer nada além desse “falhou” para passar a mensagem. Antes disso, ele preferiu frases longas que nos embalam e guiam por vários acontecimentos diferentes. Ainda no mesmo livro, ele utiliza o recurso de frases curtas nos capítulos 15 e 16. O capítulo 16 inteiro tem duas palavras:


[Capítulo] 15

Só espero que não falhe de novo, Roland pensou meio tenso, e de novo o polegar fez o cão recuar. Sob a gritaria das gaivotas, ouviu o levemente lubrificado clique quando o tambor girou.

[Capítulo] 16

Não falhou.

(KING, 2007, p. 141)


Eu gosto bastante desses trechos que trouxe porque eles exemplificam muito bem, para mim, o uso das frases longas e curtas em cenas de ação. É claro que não existe apenas um jeito de fazê-las e que cada escritor precisa encontrar seu ritmo, porém acho importante conhecermos o modo que outras pessoas usam para adequar isso ao nosso jeito de escrever.


Como deu para perceber, o foco desse tipo de história não está no personagem, mas sim em suas atitudes e ações. Ela não necessariamente diz respeito apenas a cenas de briga ou de luta, mas esportes, corridas e momentos de adrenalina, de forma geral, podem ser encaixados aqui. Histórias policiais, de perseguição, faroeste e de guerras, quando têm foco especial e principal nas ações físicas, também podem se enquadrar em ação. É importante lembrar que as questões sociais, os relacionamentos políticos e as intrigas não-físicas relatadas nesse tipo de história precisam estar em posição secundária em relação às cenas de ação, ao físico, às batalhas. Sentimentos, cenários ou mesmo diálogos não são o foco dos textos que têm esse gênero como principal.


A essência dessa categoria é o movimento, a velocidade, os fatos. É o que acontece, não o que poderia ter acontecido ou o que o personagem sente ao desenrolar do enredo, ou o que ele pensa e diz. São textos curtos, rápidos, com movimento e ação. Nada de sentimentalismo ou desenvolvimento de personagem. O importante aqui é a adrenalina.


Muitas vezes, o protagonista tem um rival que o ajuda a melhorar suas habilidades e a seguir em frente. Esse rival também pode agir como antagonista e frustrar o personagem principal, impedindo-o de atingir seus objetivos. De forma geral, os dois estão conectados desde o começo até o fim da história e o desenvolvimento da trama mostra batalhas, sejam lutas físicas, armadas ou competições (desde que físicas) que vão evoluindo com o passar da história até encontrar o ápice no embate entre o protagonista e seu rival. É nesse momento que as habilidades adquiridas pelos dois no decorrer da história se mostram por completo, colocando-os em uma batalha intensa. Nas narrativas de ação, o bem costuma prevalecer contra o mal e o desfecho não possui muita relevância, já que o protagonista costuma retomar sua rotina, ao passo que o rival pode ter um final mais trágico, como a morte, a prisão ou até perder amigos, namorada ou moral, a depender do tipo de história.


Lembrando que não existem regras pré-definidas, é você quem decide o rumo que sua história vai tomar; aqui há apenas alguns padrões que costumam aparecer em histórias assim. Mas reforço: quando você sai do físico e passa a elaborar mais o emocional, os relacionamentos afetivos entre os personagens, ou até o enredo em si, a história já deixa de ter a ação como elemento principal e deve ser categorizada de outra forma. Por isso é mais comum termos contos de ação, não romances. Ação costuma aparecer mais em tags.


Deixarei aqui embaixo o link de um texto bacana que eu li sobre como escrever cenas de ação e que talvez possa complementar o que já falei aqui. Espero que tenham curtido e escrevam cenas de ação, testem seus limites, conheçam suas zonas de conforto e fujam delas! Espero que tenham entendido, quaisquer dúvidas apareçam nos comentários ;)


Se tiverem algo a acrescentar, comentem!


Um beijo e um queijo, e espero ver mais histórias de ação (ou cenas) vindas de vocês! :*


Texto: Camy

Revisão: Karimy


Leitura recomendada:

Ficcionados: Este texto é bom para quem está em dúvida sobre como escrever uma cena de ação boa.


Referências

KING, Stephen. A escolha dos três. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. (Saga A Torre Negra, volume 2).

VIANCO, André. O turno da noite. Bareuri, SP: Novo Século, 2006. (Saga Os filhos de Sétimo, volume 1.)

Aug. 25, 2018, 1:38 a.m. 2 Report Embed 6
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Introdução

Olá, gente linda! Bom, estamos aqui com um novo blog, com o objetivo de ajudá-los a escolher em qual categoria adicionar sua história. Abordaremos, em ordem alfabética, todas as opções oferecidas pelo Inkspired para que vocês saibam exatamente o que escolher na hora de finalmente colocar seu texto a público.


Nós temos algo bastante parecido no blog Esquadrão da Revisão. A diferença é que esse texto não fala apenas sobre as categorias, mas também sobre gêneros secundários; é uma visão rápida das muitas possibilidades de tags que podem ser usadas. Se quiser conferi-lo, clique aqui.


Este blog deseja se aprofundar mais no assunto. Trataremos, no Bonde das Categorias, sobre como cada categoria funciona, que tipo de histórias se espera encontrar nelas e até algumas dicas sobre como escrevê-las.


Cada categoria representa o gênero principal da sua história. Nós separamos as histórias do site por categorias para facilitar a busca do leitor. Pode ser difícil escolher apenas uma ao postarmos um texto, porque muitas vezes abordamos diversos assuntos diferentes neles, em especial em histórias longas. Podemos ter comédia, drama e terror, tudo dentro de um só capítulo. Livros normalmente têm três ou mais gêneros principais, mas quando chegamos em sites de publicação, precisamos escolher apenas um e isso pode confundir muita gente. O mais importante aqui é decidir qual gênero, dentre os disponibilizados pelo site, é o mais importante dentre todos nos quais sua história se enquadra. Você seleciona a categoria que se destaca em relação às outras e então marca o resto nas tags — lembrando que Fanfictions sempre devem estar na categoria Fanfiction, sem importar o gênero predominante.


Textos não são apenas narrativas. Nós temos roteiros, peças de teatro, poemas e muito mais. Ao tratarmos das categorias, nos referimos a todos esses tipos de texto, porque o que importa para a classificação que trabalharemos aqui é o conteúdo, não a forma.


Se estiver em dúvida, confira nossos textos e veja se o que você tinha em mente ao pensar em “Ação” ou “Aventura” combina com o que nós temos a dizer.

Aug. 25, 2018, 1:38 a.m. 0 Report Embed 5
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