Da série: maternidade não é escravidão Follow blog

susan Susan Hardcliff Pretendo descrever aqui o que muitas mães pensam, mas não têm coragem de admitir ou vergonha de externar...
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#escravidão #mulher #maternidade #babá
Da série: maternidade não é escravidão
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GRAÇAS A DEUS QUE EXISTEM BABÁS!

Nunca sonhei com a maternidade! Cogitava ser mãe, mas isso nunca foi a minha prioridade. Sempre tive como meta estudar bastante,  fazer uma boa faculdade, ter um bom emprego, ganhar bem e satisfazer todos, ou a maioria dos meus desejos materiais.
Pensava em casamento, porém nunca com aquela visão de que estaria me casando com o homem dos meus sonhos ou com um príncipe encantado... Não! A praticidade, a conveniência e o materialismo sempre foram o meu norte e o meu jeito não iria sofrer mudanças com a maternidade...
Uma coisa que me irrita profundamente é entrar no meu Facebook ou Instagram e ver uma foto de uma mãe com o filho ou filhos e ler a seguinte legenda: o melhor de mim, ou a minha melhor parte! Penso que essas falas só são registradas por simples protocolo, porque o senso comum entende que maternidade é abnegação, é anulação, é sofrimento, é perda de vaidade.
Se uma mãe, principalmente mãe de um bebê, anda cheia de olheiras, com o cabelo por cortar, arrumar ou alisar, engorda e “não tem tempo para ir na academia”, não faz as unhas toda semana ou sobrancelha, anda sempre de coque, de pijama ou desarrumada, essa sim é um boa ou excelente mãe, porque só vive para os filhos.
E essa pessoa, não tem vida? Antes de ser mãe, ela não é uma mulher, uma esposa, uma filha? Por que não conciliar a maternidade com outras ações? Por que legitimar o ditado trágico: ser mãe é padecer no paraíso? Não quero e não vou padecer. Tenho muito o que viver, tenho amor para dar, entretanto antes de amar aos meus filhos e o meu marido, eu me amo, acima de tudo e neste arranjo, nesta concepção, eu agradeço sim, e muito, pela existência da minha babá!
Convivo com mães que reclamam que depois da maternidade, não possuem tempo para mais nada: se arrumarem, saírem, cuidarem do visual, curtirem o marido ou o “crush”, enfim, é quase como uma morte em vida. Sem contar nas infinitas reclamações de bagunça, de chegarem do trabalho e terem que dar atenção para os filhos, banho e janta.
Sou advogada! Tenho uma carga horária imensa. Trabalho em vários lugares, gosto de sair, gosto da minha família e amo chegar em casa, às 18h30min, e encontrar os meus filhos de banho tomado, alimentados sobre a imensa vigilância da Judith. Sim, a Judith me salva todos os dias, todas as semanas e nos fins de semana, a sua irmã Bernadete me auxilia. Não me sinto uma criminosa por isso. A minha mãe nos criou de forma idêntica e o resultado não poderia ser melhor! Três filhos doutores: um médico, uma advogada e uma professora universitária!
Ninguém morreu, ninguém ficou traumatizado por conta disso. Mesmo porque os meus pais sempre privilegiaram a qualidade de nossos encontros, do tempo que passávamos juntos. Mesmo a mamãe não trabalhando, víamos a Cláudia, o tempo inteiro, em nossa casa, contudo quando íamos para a escola, a nossa babá não nos acompanhava: a minha mãe fazia questão que esse fosse um momento nosso, um momento de contarmos sobre as nossas experiências, falarmos de nossas professoras, do que mais gostávamos ou nos advertia para não criamos nenhum tipo de problema. Sim! Ainda sou da época em que as crianças ou filhos tinham respeito pelos pais, pela diretora e pela professora. Algo em desuso, nesta nossa geração!
E assim, eu, o meu irmão Peter e a minha irmã Jennifer tivemos uma excelente infância, igual a de muitas outras crianças, recheada de brigas, crises de ciúme, brincadeiras e muita cumplicidade, apesar de sermos bastante diferentes.
Aug. 9, 2018, 12:41 a.m. 0 Report Embed 0
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