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embaixada-brasileira Inkspired Brasil Os autores estão indecisos, escondidos, com medo: a Gramática os ameaça de todas as formas. É neste cenário caótico que um esquadrão se formou: soldados competentes em busca de justiça, recrutando mercenários para lutarem ao seu lado e, juntos, combaterem o Obscurantismo. Assim, o Esquadrão da Revisão ergue-se contra a tirania da Gramatica para submetê-la aos autores. Entender como funciona a gramática normativa é a base de qualquer escritor. Passar a ideia da cabeça para o papel de forma harmônica é a maior dificuldade de muitos literatos. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês que a gramática não é uma tirana; ela não passa de uma ferramenta que serve para ajudá-los. Juntem-se ao nosso esquadrão para desvendar os mistérios da Gramática e de suas normas.

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Primeiro contato com os verbos: Conhecendo os modos e flexões no presente

Primeiro contato com os verbos: Conhecendo os modos e flexões no presente


Texto por Camy


Olá, gente linda! Hoje vamos falar sobre algo de extrema importância na hora de escrever: os verbos. Eles são o centro da grande maioria das nossas frases e não há como desenvolver uma história sem os utilizar. Como o assunto é muito extenso, vamos dividi-lo em três partes. Neste começo trataremos da definição, da sua importância e de noções gerais sobre os modos e as formas nominais, tudo isso com foco no tempo presente. Nos próximos textos abordaremos o pretérito e o futuro.


Camy, espera aí! E a conjugação?


Tenho dois sites ótimos para você: conjuga-me e conjugação. Você com certeza encontrará o que procura num deles. Meu objetivo é explicar como a conjugação é feita e o que cada tempo e modo realmente significa. Sabendo isso, é possível conjugar qualquer verbo regular (os irregulares podem nos dar dor de cabeça, mas isso é assunto para mais tarde). Não vejo motivo para encher isso aqui com tabelas que vocês podem encontrar com facilidade no Google.


Pronto? Café em mãos? Ótimo!


O que são verbos, afinal? Verbos são aquelas palavras que indicam ação, estado ou fenômeno. Eles têm três terminações em suas formas infinitivas (quando não estão conjugados): ar, er e ir. O diferencial do verbo para as outras classes é que ele pode ser flexionado em pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles), tempo (pretérito, presente e futuro), número (singular ou plural), voz (ativa ou passiva) e modo (indicativo, subjuntivo e imperativo); além disso, há também as formas nominais do verbo (infinitivo, gerúndio e particípio). “Chuva” e “chover”, por exemplo, são palavras com um sentido bastante parecido. A chuva é a água caindo do céu em si, a “coisa” (substantivo). Chover é o ato, o fenômeno (verbo).


Mas, Camy, não tem como conjugar “chuva”! Não existe “eu chovi, tu chovestes”.


Verdade, não podemos conjugar fenômenos da natureza em todas as pessoas, mas na terceira, sim. Além disso, nós podemos modificar “chover” para indicar tempo. Olha só:


Choveram flores ontem. (elas choveram - pretérito do indicativo)

Que chova semana que vem! (presente do subjuntivo)

Está chovendo! (presente, gerúndio)

Três dias atrás, havia chovido. (pretérito, particípio)


Recapitulando: verbos exprimem ação, estado ou fenômeno, possuem três terminações e podem ser flexionados em pessoa, tempo, número, modo e voz. Beleza? Não é tão difícil, vamos lá!


Camy, espera! Você disse três terminações: ar, er e ir. Mas e “pôr”? Não é verbo também?


Sim! “Pôr” é um verbo (eu ponho, tu pões, ele põe...) e se enquadra na segunda conjugação: er. É possível perceber esse “e” em algumas flexões, como em “põe”, por exemplo. Isso porque originalmente o verbo era “poer”, não “pôr”. Isso aqui é mais uma curiosidade do que qualquer outra coisa.


Acho que assim já temos uma noção do que é o verbo e de como ele funciona, certo? Ok. Vamos, então, entender por que ele é tão importante na hora de escrever. Os verbos compõem a classe de palavras que mais contém informações num termo. Quando estamos desenvolvendo uma cena, é importante sermos concisos para que possamos passar a ideia desejada sem deixarmos a narrativa maçante.


Vamos tratar com exemplos que fica mais simples, ok?


Entendíamos muito bem o que estava acontecendo.


Temos três verbos aqui. O primeiro é “entendíamos”, que está conjugado na primeira pessoa do plural (nós), então sabemos que o narrador está incluído; “-ia” aponta que o verbo está conjugado no pretérito imperfeito do indicativo (que veremos mais a fundo no próximo post). Só com essa palavra, percebemos que:


1) “Nós” está subentendido;

2) O que é narrado está no passado.


“Estava acontecendo” são os dois outros verbos (estar e acontecer) que aqui se juntam numa locução verbal. Isso significa que há um verbo mais importante que o outro; um auxiliar e um principal. O auxiliar basicamente acompanha o principal e ajuda a complementar seu sentido; nem tudo pode ser expresso por um verbo só. Estar é o verbo auxiliar, acontecer é o principal. O tempo é indicado pelo auxiliar: “-va” indica o pretérito imperfeito do indicativo. A terminação “-ndo” indica o gerúndio, que sempre aponta ações simultâneas (que acontecem ao mesmo tempo). Assim, percebemos o seguinte: (Nós) entendemos o que se passava ao mesmo tempo que a cena em si acontecia (tudo isso no passado).


Eu sei que parece um pouco confuso agora, porém vamos trabalhar com vários exemplos até o final desse assunto e acredito que tudo se encaixe até lá. É importante conhecer todos os modos para que possamos trabalhar a conjugação; deixe-me apresentá-los a você:


Indicativo: Certezas, fatos. É o que já aconteceu, está acontecendo ou acontecerá em breve.

Subjuntivo: Incertezas. Talvez aconteça, depende de algo para acontecer no futuro ou para que tivesse acontecido no passado.

Imperativo: Ordem, comando.


Além disso tudo, o verbo também pode aparecer em uma das suas formas nominais. Antes de trabalharmos conjugação, vamos dar uma olhadinha nelas:


Infinitivo: É quando o verbo aparece com a sua terminação -ar, -er ou -ir. Amar, beber, sorrir, por exemplo.

Gerúndio: Indica uma ação em andamento. Sua terminação é -ndo. Amando, bebendo, sorrindo.

Particípio: Sempre exige um verbo auxiliar (ter ou haver). Nos verbos regulares, sua terminação é -do. Amado, bebido, sorrido.


Ok, isso encerra a primeira parte do texto, que focava em lhe apresentar os elementos com os quais vamos trabalhar a partir daqui. Agora você tem uma noção bem básica de como os verbos funcionam, portanto é hora de aprofundar esses conhecimentos. A fim de não sobrecarregar ninguém, o resto do texto abordará apenas exemplos com verbos no presente. No próximo texto, abordaremos o pretérito e, a seguir, o futuro. Desse jeito, acredito eu, poderemos falar sobre o que realmente é preciso saber a respeito de verbos na hora de escrever uma história.


O presente é o que acontece agora. Não o que se passou ontem, não o que acontecerá semana que vem, mas o hoje. Algumas pessoas gostam de escrever neste tempo, apesar de, ao menos em plataformas virtuais (em especial se tratando de fanfictions), o pretérito ainda ser mais comum.


Indicativo: Como eu disse antes, o presente do indicativo aponta certezas. Lembram-se de que falei sobre todos os verbos serem separados em três grupos, cada qual com sua terminação? Pois é, agora isso será importante. Tudo que eu mostrar a seguir se refere aos verbos regulares.


1ª Conjugação no singular: Substituir o -ar final por -o na primeira pessoa, o -r por -s na segunda e eliminar o -r na terceira.

1ª Conjugação no plural: Substituir o -r final por -mos na primeira pessoa, por -is na segunda e por -m na terceira.


Costumamos fazer essas associações de forma automática, porque o português é nossa língua materna.


Digitar → Eu digito muito devagar.

Falar → Tu ainda falas com ela?

Achar → Ela acha que sim.

Amar → Nós amamos você.

Cantar → Vós cantais bem.

Fechar → Eles não fecham os olhos quando beijam.


Perceberam que algumas dessas frases não representam ações que necessariamente acontecem neste instante? Por exemplo, “eles não fecham os olhos quando beijam” é uma frase que pode ser usada numa conversa que se passa três dias depois do dito beijo. Isso é porque o presente pode ser visto como recente, não apenas como imediato. Eles não fecham os olhos sempre que beijam, em todos os beijos dados nos últimos tempos e nos que serão dados num futuro próximo também, porque é algo que se repete. Não temos um nome específico para esse fenômeno na língua portuguesa, mas o que já vem acontecendo há um tempo e provavelmente será repetido no futuro tende a ser dito no presente.


“Nós amamos você”, por exemplo, se enquadra nesse mesmo quesito: o amor não existe neste único momento, ele é uma constante na vida dessas pessoas.


As regras da segunda conjugação são muito parecidas com as da primeira, veja:


2ª Conjugação no singular: Substituir o -er final por -o na primeira pessoa, o -r por -s na segunda e elimina o -r na terceira.

2ª Conjugação no plural: Substituir o -r final por -mos na primeira pessoa, por -is na segunda e por -m na terceira.


Beber: Eu bebo suco de laranja.

Viver: Tu vives muito bem.

Vender: Ela vende carros usados.

Aprender: Nós aprendemos a cozinhar na escola.

Escrever: Vós escreveis muito rápido.

Correr: Eles correm todas as tardes.


A terceira conjugação é diferente das outras duas porque muitas vezes sua vogal muda de i para e.


3ª Conjugação no singular: Substituir o -ir final por -o na primeira pessoa, por -s na segunda e por -e na terceira.

3ª Conjugação no plural: Substituir o -r final por -mos na primeira pessoa, por -is na segunda e o -ir final por -em.


Sacudir: Eu sacudo os lençóis.

Mentir: Tu mentes mal demais.

Dividir: Ele divide a comida.

Fugir: Nós fugimos de carro.

Dormir: Vós dormis a tarde inteira.

Desistir: Eles desistem de sair.


A questão com a terceira conjugação é que ela abriga muitos verbos irregulares, como sorrir, cair, sair, ir, vir, pedir etc. Como dito no começo, existem diversos sites com a conjugação correta deles e não é minha intenção passar tabelas aqui. Falaremos apenas sobre um verbo irregular hoje: ir.


Por que o ir? Bom, porque ele não foge às regras apenas na conjugação gramatical, ele também age como verbo auxiliar e, mesmo conjugado no tempo presente, refere-se ao futuro.


Comecemos pelo gramatical, conjugando “ir” no presente do indicativo: eu vou, tu vais, ele vai, nós vamos, vós ides, eles vão. A única pessoa do discurso que lembra mais ou menos a forma infinitiva (ir) é o vós, entretanto ele está em desuso nos dias de hoje.


Nos exemplos a seguir, percebam que “ir” faz referência ao tempo futuro, mesmo estando conjugado no presente:


Vamos à praia amanhã?

Eles vão na viagem de semana que vem?


A gramática normativa nos manda utilizar “iremos” e “irão”, respectivamente, nesses dois exemplos. No Brasil, porém, o futuro do verbo “ir” é pouquíssimo utilizado (e isso apenas acontece em momentos formais ou quando é preciso escrever um texto acadêmico).


A bem da verdade, no cotidiano brasileiro, o futuro de forma geral é utilizado muito pouco. O mais comum é construirmos as frases utilizando o verbo “ir” como auxiliar. Veja:


Vamos ir à praia amanhã?

Você vai querer um sorvete?

Ele vai pedir a mão dela em casamento!


Todas essas frases estão com o verbo auxiliar conjugado no presente, porém se referem a um fato futuro. Na hora das descrições (principalmente se seu texto estiver em terceira pessoa), é bom evitar esse tipo de construção, porque o exagero de “vai” pode deixar o texto um tanto poluído e repetitivo. Em diálogos, por outro lado, é aconselhável utilizá-las para que a conversa entre os personagens saia natural (afinal, quem diz “Você quererá um sorvete?”?).


Subjuntivo: O subjuntivo indica dúvidas, incertezas e às vezes desejos. O presente aqui funciona da mesma maneira que no indicativo: representa todo o contexto atual da pessoa, não necessariamente o que acontece naquele instante. Uma dica para fazer a conjugação no presente do subjuntivo é colocar um que ou um talvez antes do verbo. A primeira e a terceira pessoa do singular sempre são iguais (eu e ele).


1ª Conjugação no singular: Para formar a primeira e a terceira pessoas, é preciso retirar o -ar final e substituí-lo por -e. Para a segunda, substituir o -ar final por -es.

1ª Conjugação no plural: Substituir -ar por -emos na primeira pessoa, por -eis na segunda e por -em na terceira.


DigitarTalvez eu digite muito devagar.

FalarQue tu fales com ele de novo!

AcharTalvez ela ache que sim.

Amar → Espero que nós o amemos tanto quanto você.

CantarTalvez vós canteis melhor em dupla.

Fechar → Que eles não fechem os olhos dessa vez!


2ª Conjugação no singular: Para a primeira e terceira pessoas, substituir o -er final por -a. Para a segunda, substituí-lo por -as.

2ª Conjugação no plural: Para a primeira pessoa, substituir o -er final por -amos. Para a segunda, por -ais e para a terceira, por -am.


Beber: Que eu beba tequila hoje!

Querer: Talvez tu queiras muitas besteiras.

Vender: Que ela venda todos os seus desenhos!

Viver: Talvez nós vivamos para ver isso.

Escrever: Talvez vós escrevais muito rápido para a máquina.

Correr: Desejo que eles corram até cansar…


Percebe que aqui houve uma inversão? Os verbos terminados em -ar ficam conjugados com -e, e os verbos terminados em -er são conjugados com -a!


3ª Conjugação no singular: Para a primeira e terceira pessoas, substituir o -ir final por -a. Para a segunda, substituí-lo por -as.

3ª Conjugação no plural: Para a primeira pessoa, substituir o -ir final por -amos. Para a segunda, por -ais e para a terceira, por -am.


Sacudir: Que eu me sacuda toda nesta festa!

Imprimir: Desejo que tu imprimas isto para mim, por favor.

Dividir: Talvez ele divida a comida… É só perguntar com jeitinho.

Fugir: Que nós fujamos de carro, então! Estou exausta!

Dormir: Que vós durmais à noite tão bem quanto durante o dia!

Garantir: Talvez eles nos garantam segurança...


Como deu para perceber, a terceira conjugação aparece igual à segunda! Parece muita coisa para entender, mas na verdade quase tudo que eu falei aqui é natural ao falante do português brasileiro.


E é isso, acabamos essa primeira parte!


Deu para entender o indicativo, o subjuntivo e suas diferenças? Qualquer coisa, deem um grito na hora dos comentários!


Não vencemos o conteúdo, é claro, porém acredito que eu tenha conseguido pincelar um pouquinho de cada coisa. Minha intenção é não o sobrecarregar com informações demais, por isso nos limitamos a noções gerais, indicativo, subjuntivo, gerúndio e presente nesta primeira parte. Na próxima, falaremos sobre particípio e pretérito. Espero que tenham entendido direitinho, e qualquer coisa deixem um comentário!


Um beijo e um queijo a quem conseguiu terminar isto aqui :*


Revisão por Anne Liberton


Referências

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Lucerna, 2009.

TEMPOS verbais. Só Português, Rede Virtuous, Porto Alegre, [entre 2007 e 2018]. Disponível em: <https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf60.php>. Acesso em: 8 ago. 2018.

INFINITIVO, gerúndio e particípio. Q.I. Educação, [S.l.], 2010. Disponível em: <https://www.qieducacao.com/2011/06/infinitivo-gerundio-e-participio.html>. Acesso em: 8 ago. 2018. 

Sept. 20, 2018, 8:03 p.m. 0 Report Embed 0
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Pronomes: dúvidas frequentes


Pronomes: dúvidas frequentes


Texto por Camy


Olá, pessoas! Hoje nós finalizaremos os textos sobre pronomes. O objetivo aqui é retomar o mais importante do que foi dito até agora e aprofundar partes que não foram muito exploradas. Pegue seu café e se prepare, porque hoje teremos muitas informações para assimilar!


Comecemos pela colocação pronominal! Existem diversas regras e algumas delas são ultrapassadas e não harmonizam bem com o português brasileiro. Lembrem-se que o mais importante numa história é fazer com que as palavras se encaixem; no fim, as frases precisam soar bem se lidas em voz alta.


Temos três possibilidades de colocação: próclise (o pronome vem antes do verbo), mesóclise (o pronome vem no meio do verbo) e a ênclise (o pronome vem depois do verbo).


Regra principal: Esqueçam a mesóclise.


A menos que esteja ambientando sua história num tempo histórico ou país em que a mesóclise seja usada, ignore-a. Mesmo quando bem utilizada, ela destoa da escrita da maior parte dos escritores brasileiros e deixa o texto com um rebuscado falso e nada atraente. Eu usei mesóclise por dois anos antes de perceber que não fazia sentido nenhum manter essa construção nos meus textos, porque não me acrescentava em nada.


Claro que há exceções. Se você é uma daquelas raras pessoas que consegue harmonizar a mesóclise em seu texto, parabéns. Faça o que é melhor para sua história. Aos outros, repito: esqueçam-na. Eu sei que parece radical, mas olhem os exemplos a seguir:


“Amanda queria uma bolsa e consegui-la-ia.”

Acha-los-ia nem que fosse no inferno.”

Beijar-te-ei no dia em que nos encontrarmos.”


Consegue ver o apelo de que falei antes? Essa construção não é nada natural e trava a leitura. Não faz sentido utilizar mesóclise em seu texto, não importa o que a gramática diga. Se você discorda, deixe um comentário expondo seu ponto de vista, porque eu não vejo um ponto positivo em utilizá-la em histórias contemporâneas. É claro que tudo depende de contexto, e textos históricos não se enquadram ao que eu estou falando, porque eles se passam num tempo em que essas construções eram comuns.


De acordo com a gramática, a forma natural da nossa língua é a ênclise. Ou seja, a menos que tenhamos um elemento que puxe o pronome para frente, ele sempre ficará depois do verbo. Vários gramáticos acreditam que isso talvez ainda seja verídico para Portugal, porém que não se aplica mais ao Brasil. Eu concordo com eles, na língua falada nós não utilizamos mais os pronomes depois do verbo. Na escrita, por outro lado, eu ainda vejo (e utilizo) a ênclise na maior parte das vezes, porque isso ajuda a deixar o texto mais harmônico. Em textos acadêmicos, ela aparece bastante (às vezes até demais), e na literatura também é uma ótima ferramenta para evitar repetição.


Após verbos, não utilizamos pronomes retos (eu, tu, ele, nós, vós, eles). Por isso, “vendeu ele” ou “comprou ela” são construções a serem evitadas na hora da narrativa. Além de irem contra a gramática, elas não soam bem e costumam causar muita repetição no texto e deixá-lo poluído. A fim de evitar isso, fazemos o que eu acabei de fazer com o “deixar ele [o texto]”: utilizamos os pronomes oblíquos. “Deixar ele: deixá-lo”. Em diálogos, por outro lado, o autor pode escolher por não utilizar esse recurso a fim de manter a naturalidade da conversa.


Há uma regra: se não há elemento que puxe próclise, é ênclise. Não se iniciam frases com pronomes, porque não há nada que os puxe para frente. Eu recomendo que ignorem essa regra na hora dos diálogos, porque os deixa muito artificiais. Dica: se há vírgula na palavra anterior ao verbo, é ênclise.


Amo-te mais que tudo.”

“Gostaria de vê-lo sempre bem.”

“Queria que a amizade entre os dois permanecesse dessa forma para sempre, mantivesse-se forte como naquele momento.”

“Sorriu, fazendo-se de difícil.”

Seguiu-a pelo caminho esburacado.”


O primeiro exemplo é de um diálogo, provavelmente, já que a frase costuma ser dita para outra pessoa. No nosso século, ninguém mais fala assim no cotidiano, nem as avós. Soa artificial. “Te amo mais que tudo” é bem mais agradável ao ouvido, porém gramaticalmente inadequada. No que diz respeito aos pronomes, escolham sempre a harmonia e deixem a gramática um pouco de lado.


O segundo, o quarto e o quinto exemplos já são muito mais agradáveis e corriqueiros. Em narrativas, são as melhores formas de evitar repetir demais palavras como “ele”, que já aparecem bastante por serem as que usamos para nos referirmos aos personagens. Em diálogos, eu aconselharia a trocar a segunda para “Gostaria de te ver sempre bem”, ou “Gostaria de ver ele sempre bem”, porque parece mais natural, mas isso é assunto para o Tecendo Histórias.


O terceiro exemplo está gramaticalmente correto, como o primeiro, mas não tem harmonia nenhuma. Sendo honesta, eu reformularia a frase inteira para remover o segundo verbo, mas digamos que eu queira mantê-lo na frase. Eu disse que a vírgula manda o pronome para o fim do verbo, e isso está correto, porém nesse caso há um estranho “-sse-se” ao final. Eu colocaria o pronome para frente, mesmo sabendo que isso é contra a gramática normativa, porque o leitor conseguiria deslizar os olhos com mais facilidade nessa frase.


Mas, afinal, o que puxa próclise?


Palavras negativas (não, nunca, jamais…), afirmativas (sim, com certeza, sempre…), pronomes indefinidos (tudo, alguém…), pronomes relativos (que, se…) advérbios (qualquer um terminado em -mente, quando, assim…).


Na verdade, as palavras negativas e as afirmativas são advérbios e eu poderia ter juntado tudo num item só. Organizei dessa maneira porque é mais fácil pensar em “palavras negativas” e “palavras positivas” do que em advérbios, ao menos para quem tem dificuldades com nomenclaturas. Essas são ótimas dicas para quem gosta de escrever textos literários, porém se você estiver estudando para o vestibular, precisará procurar mais informações em outros lugares.


“Nunca mais me diga isso!” (palavra negativa)

“Eu sempre te vi como meu melhor amigo.” (palavra afirmativa)

“Provavelmente lhe contaria mais tarde.” (advérbio)

“Tudo se resolveu como queriam.” (pronome)


Também puxam próclise orações exclamativas, interrogativas ou optativas (que exprimem desejo. Elas basicamente têm um “que” subentendido).


“Você se sente bem?!”

“Quem me dera!”

“Deus te abençoe” (que Deus te abençoe)


Algumas frases têm construção pronta, como as seguintes:

-> Em + pronome + verbo no gerúndio:

“Em se tratando de pronomes, é assim que funciona”


-> Preposição + pronome + verbo no infinitivo (flexionado ou não)

“Por me desrespeitarem, serão castigados.”

“Para te agradar, comprei um bolo.”


Se você prestou atenção, deve ter percebido que pronomes pessoais e pronomes demonstrativos não puxam próclise. Eu, particularmente, puxo próclise quando qualquer pronome aparece na frase porque soa melhor para mim. “Eu amo-te” me parece errado demais. Os pronomes demonstrativos, por outro lado, não ficam ruins em ênclise:


Aquelas pessoas estranhavam-se.”

“As mesmas crianças batendo-se de novo.” (apesar de, aqui, eu preferir próclise)

Esse estranho chamou-me de canto.”

Cabe ao autor decidir como se sente mais confortável, nesses casos. Como deu para perceber, não é nenhum bicho de sete cabeças. Ainda assim, são regras importantes e é bom manter certa atenção sobre elas, porque segui-las ajuda muito na hora de manter o texto coeso. Mas lembrem-se: harmonia, na hora da colocação pronominal, é mais importante que gramática. Eu recomendo que você pesquise em alguns outros sites macetes de como decorar essas regras ou mesmo para vê-las de forma mais profunda, porque para se decidir se quer ou não seguir a gramática normativa, é essencial que você a domine.

Entendeu como a colocação funciona? Ótimo! Hora do café. Levante-se, pegue mais uma xícara, alongue os braços e se prepare para a próxima rodada. Pronto?

Os pronomes demonstrativos sempre causam mais dúvidas, em especial este, esse e suas variações, por isso resolvi aprofundá-los neste último texto. Esses pronomes se referem a objetos, pessoas ou acontecimentos em tempo, espaço ou mesmo no próprio texto. Trabalhemos com essas diferenças para que fique mais simples de todos entenderem.

Tempo

Este: presente. É o que acontece agora ou que ainda está acontecendo ou que acontecerá em breve. Esta semana é a semana em que escrevo o texto que você lê agora.

Esse: pretérito recente. É o que já aconteceu. As frases precisam de certo contexto para que possamos compreender a que termo o pronome se refere. “Fui passear semana passada. Isso foi muito especial.”

Aquele: pretérito não-recente. É o que já aconteceu há muito tempo, que está distante. “Quando eu tinha seis anos, fomos à praia. Aquela foi uma viagem muito especial”.

Espaço

Este: É o que está ao alcance da sua mão, ou muito perto. É o celular ou computador em que lê este texto, a roupa que usa.

Esse: É o que está um pouco mais distante. Pode se encontrar na porta ou mesmo do outro lado da sala.

Aquele: É o que está bem longe, como em outro cômodo ou casa.

Texto

Eu separei isto aqui porque acho essencial e o que mais usamos, na verdade.

Este: É o que você ainda não disse. Menos comum, normalmente vem junto de dois pontos. “Meu prêmio é este: uma barra de chocolate.” “O problema da minha cidade é esta falta de saneamento básico.”

Esse: É o que já foi dito no texto. Muito mais comum, porque o costume é retomarmos o que já dissemos. “Uma barra de chocolate, esse é meu prêmio.” “A falta de saneamento básico. Esse é o grande problema.”

Aquele: Pouquíssimo utilizado hoje em dia, porém explicarei para desencargo de consciência. Quando tivermos três elementos numa frase, como três nomes, o aquele se refere ao mais distante da nova frase (o esse ao do meio, o este ao mais próximo do ponto final). “Manuela, Allan e Kauê vieram à praia. Aquela usava biquíni, esse calção e este carregava uma prancha.” Como dá para perceber, a frase pode ficar confusa justamente por muitos não fazerem diferença entre esse e este, e caiu em desuso.

Durante este texto, eu utilizo “isso” ou “esse” em diversos momentos, podem cuidar. Depois que você entende a lógica por trás desses pronomes (os demonstrativos), eles não parecem tão difíceis, certo?

Agora que a parte mais pesada passou, vamos falar sobre os maiores erros que o pessoal costuma cometer no que diz respeito aos pronomes:

- Uso de mesmo/mesma.

Já aprendemos a diferença entre o pronome pessoal (eu, tu, ele…) e pronome demonstrativo (mesmo, aquele, isso…), certo? Muitas pessoas utilizam a expressão “o mesmo” ou “a mesma” como se fosse um pronome pessoal. Infelizmente, o erro já foi tão espalhado que até temos “Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado no andar”. Para quem já está familiarizado com o uso padrão dos pronomes, ter “o mesmo” numa posição assim não agrada. Sugiro que evitem o uso desse pronome sempre que ele puder ser substituído por “ele” ou “ela”. Isso ajuda a deixar o texto mais gostoso aos leitores críticos.

- Uso de onde/aonde

Este aqui é bem comum e causa muita discórdia. Entretanto, é bastante simples de usar: aonde indica movimento. É a junção de “a” + “onde”, sendo “a” a preposição que vem acompanhada ao verbo. Por outro lado, onde representa locais físicos, lugares.

“Vai aonde?” (quem vai, vai a algum lugar.)

Onde você está?” (quem está em algum lugar, já chegou; está parado.)

Vale lembrar que onde não se refere a tempo ou lugares não-físicos, como sites da internet. Em caso de dúvida, substitua por “em que”, porque ambos têm quase o mesmo significado.

“O sonho onde eu era uma astronauta foi bacana.” → “O sonho em que eu era uma astronauta foi bacana.

- cujo

Não se usa artigo depois de cujo. Repito: não se usa artigo definido depois de cujo.

“O escritor cujo o livro eu comprei” → “O escritor cujo livro eu comprei”.

“A menina de cuja a franja eu gosto” → “A menina de cuja franja eu gosto.”

E é isto! Acredito que tenhamos conseguido abordar o mais importante sobre os pronomes neste último texto (que eu estou mexendo agora, que está sendo utilizado neste instante, por isso o “este”). Aqui, eu quis tirar as dúvidas finais e encerrar a parte de pronomes do nosso blog. Quaisquer dúvidas, fiquem à vontade para comentar!

Um beijo e um queijo para todos! :*

Revisão por: Karimy

Referências

MOREIRA, Daniele Fernanda Feliz. Colocação Pronominal. Info Escola, [S.l.] [entre 2006 e 2018]. Disponível em: <https://www.infoescola.com/portugues/colocacao-pronominal/>. Acesso em: 22 ago. 2018.

VILARINHO, Sabrina. Esse ou Este. Brasil Escola, Rede Omnia, Goiânia, [201-]. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/esse-ou-este.htm>. Acesso em: 22 ago. 2018.

MARCONDES, Solange L. Mesmo: você sabe utilizar o pronome? UOL Educação, São Paulo, 2007. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/mesmo-voce-sabe-utilizar-o-pronome.htm>. Acesso em: 22 ago. 2018.

Aug. 30, 2018, 1:25 p.m. 0 Report Embed 1
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Ainda mais sobre pronomes: interrogativos, relativos, indefinidos e reflexivos

Ainda mais sobre pronomes: interrogativos, relativos, indefinidos e reflexivos.


Texto por XixisssUchiha


Oi, todo mundo!


Estamos de volta para continuar nossa conversa sobre pronomes. Como você pôde ver pelo título, hoje conheceremos melhor mais quatro tipos deles e então, no próximo texto, vamos retomar e aprofundar algumas questões para tentarmos minimizar ao máximo as dúvidas sobre esse assunto.


Começaremos pelos pronomes indefinidos. Eles são pronomes que se aplicam à 3ª pessoa do discurso e são utilizados em situações em que se queira exprimir sentido vago ou quantidade indeterminada. Existem diversos pronomes indefinidos e eles podem ser invariáveis (alguém, ninguém, tudo, nada, algo, cada, outrem), variáveis apenas em número (qualquer/quaisquer, bastante/bastantes) ou variáveis em número e gênero (algum(s)/alguma(s), nenhum(s)/nenhuma(s), todo(s)/toda(s), muito(s)/muita(s), pouco(s)/pouca(s), vários/várias, tanto(s)/tanta(s), quanto(s)/quanta(s), outro(s)/outra(s), certo(s)/certa(s)).


Alguns pronomes indefinidos sempre irão atuar como pronomes substantivos, isto é, sempre irão substituir um nome. É o caso de: alguém, ninguém, tudo, nada, outrem.


Pode ficar tranquilo, já está tudo arrumado.


No caso acima, o pronome tudo está substituindo o que quer que tenha sido arrumado, que poderá ser compreendido pelo contexto mais geral no restante do texto. Esse tipo de uso torna a construção mais sucinta, pois nos poupa de ter que enumerar todos os elementos a que se faz referência.


Por outro lado, alguns deles sempre serão pronomes adjetivos, ou seja, sempre estarão acompanhando um nome. Se encaixam nesse caso: cada, qualquer, certo, algum, nenhum.


Encontrei algumas fotos antigas. (acompanha o substantivo fotos).


Além disso, é interessante notar que os pronomes indefinidos assumem diferentes valores a depender do contexto. Como assim valores? Exatamente da maneira mais simples: certos pronomes indefinidos têm um sentido afirmativo de existência (alguém, algo) e outros um sentido negativo (nenhum, ninguém, nada). O pronome algum, porém, pode assumir ambos os sentidos, de acordo com sua posição na frase. Vamos ver alguns exemplos para ficar mais claro:


Não temos nada para conversar! (sentido negativo, não há o que ser conversado)

Alguém anotou o que o professor disse? (sentido positivo)

Algum desses livros é seu? (sentido positivo, pronome antes do substantivo livros)

Não encontrei livro algum na sala. (sentido negativo, pronome após o substantivo livros).


Temos ainda as locuções pronominais indefinidas, que são grupos de palavras que atuam como pronomes indefinidos, como: cada um, qualquer um, seja quem for, alguma coisa, quem quer que etc.


Quem quer que tenha te contado isso, estava mentindo.


Trocando em miúdos: os pronomes indefinidos são aqueles que utilizados quando não podemos determinar de quem ou do que se fala, bem como quando queremos falar de quantidades sem as especificar. Eles são interessantes na escrita quando não queremos, por exemplo, apontar uma data específica para algum evento.


“Já fazia algumas horas que Lilian esperava pela ligação, mas seu telefone insistia em não tocar”


Ok, vamos seguir em frente, agora falando dos pronomes interrogativos, cujo nome já dá a pista da função. Eles são utilizados para a formação de perguntas, diretas ou indiretas, e referem-se à 3ª pessoa do discurso. Nós temos quatro pronomes interrogativos: que, quem (que são invariáveis, ou seja, não mudam nem em número nem em gênero), qual (que pode variar em número para quais) e quanto (que pode variar em gênero e número: quantos, quanta, quantas).


Qual pronome interrogativo será utilizado depende da natureza do objeto da pergunta. Vamos explicar melhor:


O pronome que é utilizado para se referir principalmente a coisas, materiais ou não.


O que significa isso?


Quem, por outro lado, se refere a pessoas:


Eu quero saber de quem foi a ideia de vir pra esse lugar.


Os pronomes qual e quanto e seus derivados podem se referir tanto a coisas quanto a pessoas. O uso deles difere a partir do contexto da frase. Quando se quer passar uma ideia de seleção/categorização, utiliza-se o primeiro:


Qual é mesmo aquela marca de ketchup de que você gosta?


Já quando a ideia for de quantidade, utiliza-se o outro:


Quantas pessoas já confirmaram a presença no casamento?


Ufa, mais um tipo agora. Aguente firme! Vamos falar sobre sobre os pronomes relativos. Esses pronomes sempre se referem, isto é, se relacionam, a um termo citado anteriormente — por isso são chamados relativos. São eles: qual, o/a(s) qual (quais), cujo/cuja(s), que, onde, quanto/quanta(s).


Os pronomes relativos são muito importantes para nós, escritores, já que são bastante utilizados para evitar repetições e trazer mais fluidez ao texto. Por exemplo:


A Igreja estava toda decorada com flores que exalavam perfumes únicos e intensos.


Se não tivéssemos o pronome que para utilizar na construção dessa sentença, ela teria que ser desmembrada: “A Igreja estava toda decorada com flores. As flores exalavam perfumes únicos e intensos”. A repetição até poderia ser evitada com o pronome elas, por exemplo, mas a fluidez do texto ainda estaria prejudicada, percebe?


Que é o pronome relativo mais comum e pode se referir tanto a coisas quanto a pessoas (assim como o qual e suas variações). Quem, que se refere a pessoas, deverá sempre ser precedido de preposição (a quem/de quem).


Onde transmite ideia de lugar e pode se juntar com preposição (aonde/de onde/donde), conferindo uma ideia de movimento. Aqui é preciso ter muita atenção! É obrigatório que, ao usar o pronome onde, a referência antecedente seja um lugar físico. Não é incomum que este pronome seja utilizado fazendo referência a outro tipo de situação e isso, segundo as normas gramaticais, não é adequado. Muito provavelmente você já viu alguma construção semelhante a esta:


O outono era a época do ano onde Jack se sentia mais confortável.


É justamente isso que devemos evitar. Na frase acima, onde está se referindo a outono, porém tal substantivo não indica um lugar e sim uma estação do ano. Nesse caso o adequado é utilizar um pronome que se refira a coisas:


O outono era a época do ano na qual Jack se sentia mais confortável.


Respire fundo e venha conosco conhecer o último tipo de pronome: os reflexivos. É bem simples de entender: esses pronomes são utilizados quando o sujeito tanto pratica quanto recebe a ação. São pronomes reflexivos por excelência: se, si, consigo. Mas, além deles, os pronomes oblíquos átonos me, te, nos e vos também assumem essa função.


Yuri olhou-se no espelho mais uma vez antes de sair do quarto.

Naquele momento percebemos que havíamos nos preocupado à toa. Ela estava ótima.


Quando há mais de um sujeito praticando e recebendo a ação um sobre outro, os pronomes reflexivos assumem um caráter recíproco.


Qualquer um podia ver que aqueles dois se amavam.


Nesses casos nós corremos o risco de ter que lidar com ambiguidades. Por exemplo:


Mel e Ana enganaram-se.


Mel e Ana enganaram uma a outra ou ambas se enganaram a respeito de uma terceira coisa? Não dá pra saber, não é? Por conta disso, é interessante associar o pronome a uma expressão que dê fim a essa ambiguidade:


Mel e Ana enganaram-se entre si.


Esses e os demais pronomes que abordamos nessas últimas postagens têm ainda mais particularidades. A ideia aqui não é mostrar absolutamente tudo, até porque ficaria muito extenso. Mas no próximo texto, o último sobre esse tópico, vamos reforçar algumas questões essenciais e explorar melhor como os pronomes podem nos ajudar a melhorar nossa escrita.


Nos vemos lá, então. Até!


Revisão por Camy


Referências

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Lucerna, 2009.

PRONOMES indefinidos. Norma culta, Rede 7Graus, Matosinhos, entre 2007 e 2018. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/pronomes-indefinidos/>. Acesso em: 26 jul. 2018

PRONOMES interrogativos. Norma culta, Rede 7Graus, Matosinhos, entre 2007 e 2018. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/pronomes-interrogativos/>. Acesso em: 26 jul. 2018.

PRONOMES relativos. Norma culta, Rede 7Graus, Matosinhos, entre 2007 e 2018. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/pronomes-relativos/>. Acesso em: 28 jul. 2018.

FERNANDES, Márcia. PRONOMES reflexivos. Toda matéria: conteúdos escolares, Rede 7Graus, entre 2011 e 2018. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/pronomes-reflexivos/>. Acesso em: 06 ago. 2018. 

Aug. 15, 2018, 9:10 p.m. 0 Report Embed 0
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Mais sobre pronomes: de tratamento, possessivos e demonstrativos

Mais sobre pronomes: de tratamento, possessivos e demonstrativos


Texto por XixisssUchiha


Olá! Tudo bem?


Pronto para continuar nosso papo sobre os pronomes?


Primeiramente, vamos finalizar o assunto que diz respeito aos pronomes pessoais. Lembra-se deles, certo? No último texto nós falamos sobre os pronomes pessoais do caso reto e os pronomes pessoais oblíquos. Desta vez, falaremos sobre os pronomes pessoais de tratamento. Como o próprio nome já diz, eles são os pronomes que indicam que tipo de tratamento o falante dirige a quem está se referindo. Em outras palavras, os pronomes de tratamento indicam o grau de formalidade que há entre os atores do discurso.


Lembram do pronome você? Como a língua está sempre em mudança, hoje ele é muito utilizado como pronome pessoal e conjugado na terceira pessoa. Por conta disso alguns gramáticos já o consideram um pronome pessoal do caso reto. Porém, originalmente, ele era apenas um pronome de tratamento, indicando informalidade/intimidade entre os falantes.


Os demais pronomes de tratamento expressam mais formalidade na relação. Os mais utilizados no dia a dia são: senhor, senhora e senhorita.


Senhor se refere a pessoas do gênero masculino, quando se quer demonstrar uma posição de respeito. Um exemplo de uso desse pronome é quando o falante é bem mais jovem do que o homem a quem está se dirigindo. Senhora e senhorita seguem a mesma lógica, mas a diferença entre eles é que o primeiro se refere a mulheres casadas e o segundo a mulheres civilmente solteiras. É claro que esse não é um tipo de informação que se tenha de imediato em toda e qualquer situação, então muitas vezes o critério para qual deles utilizar se baseia novamente na idade presumida da pessoa com quem se fala.


Há também os pronomes de tratamento utilizados em relação a pessoas que ocupam posições de prestígio social ou de grande autoridade, acionados em contextos de formalidade como Vossa Senhoria e Vossa Excelência. Por fim, alguns pronomes de tratamento indicam um cargo específico ocupado pela pessoa. Por exemplo: Vossa Santidade refere-se ao Papa, sumo-sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana; Vossa Alteza é o pronome utilizado para se referir a príncipes e princesas, enquanto o adequado para reis e rainhas é Vossa Majestade.


Duas coisas que é preciso ter em mente quanto a esses pronomes: quando falamos diretamente com a pessoa em questão, utiliza-se Vossa, mas quando falando sobre a pessoa com uma terceira utiliza-se Sua. Quer um exemplo?


“A rainha se olhou mais uma vez no espelho antes de se virar para sua dama de companhia.

— Como estou?

Vossa Majestade está belíssima — a aia respondeu.

— Ótimo. Por favor, pode avisar que já estou pronta.

A dama de companhia então deixou os aposentos e foi diretamente até o conselheiro real.

— Com licença. Sua Majestade Rainha Eva comunica que já está pronta para a cerimônia.”

Exemplo hipotético.


A segunda coisa a se observar diz respeito à concordância. Em geral, os pronomes de tratamento são substantivos e colocados no lugar da segunda pessoa do discurso, mas sua concordância sempre é feita em terceira pessoa. Ou seja, não fazemos a concordância com a pessoa “tu” e sim com a pessoa “ele(a)”.


Com licença, senhorita. Essa bolsa é sua? (e não “...essa bolsa é tua?”).


Existem vários outros pronomes de tratamento, mas corriqueiramente esses pronomes mais formais não são muito utilizados. Porém, a depender do contexto de uma história a ser contada, o uso de alguns pronomes de tratamento específicos pode ser interessante, então sempre vale se atentar para não cometer alguma gafe.


Pronomes pessoais finalizados! Agora vamos falar sobre os pronomes possessivos. Não é nada difícil deduzir a que eles se referem, não é? Em linhas gerais, os pronomes possessivos indicam que determinada coisa pertence a uma das pessoas do discurso. A forma assumida por eles depende da pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) a que se referem.


São eles: meu(s), minha(s), quando a pessoa é 1ª do singular; teu(s), tua(s), na 2ª pessoa do singular; seu(s), sua(s), na 3ª pessoa do singular; nosso(s), nossa(s), 1ª pessoa do plural; vosso(s), vossa(s), 2ª pessoa do plural; e seu(s), sua(s) na 3ª pessoa do plural.


Mas atenção! No que diz respeito à concordância de gênero e número, os pronomes possessivos acompanham aquilo a que se referem, ou seja, a coisa possuída. Veja os exemplos:


Aqueles sapatos são iguais aos meus.

Aquela blusa é igual à minha.


Percebe que o contexto e a pessoa (1ª) são os mesmo em ambas as frases, porém o pronome possessivo sofreu variação? Porque no primeiro exemplo ele precisou concordar com o substantivo sapatos, assumindo portanto gênero masculino e número plural, enquanto no segundo se adequou ao substantivo blusa, feminino e singular.

Os pronomes possessivos também são utilizados em outros momentos, quando queremos incluir a pessoa em determinada comunidade, indicar uma relação de hierarquia etc. Por exemplo:


A Bia está em casa hoje. Teve um problema no encanamento da escola dela.


Observando essa frase sabemos que a escola não pertence à Bia, e sim que ela a frequenta. Ainda assim, fazemos o uso do pronome possessivo.


Opa, mas espera um segundo. “Dela” não estava naquela lista de pronomes possessivos ali em cima. Então, na verdade, esse tipo de pronome possessivo é uma contração de uma preposição (de) com um pronome pessoal (ele/ela(s)). Dele/dela(s) costuma ser utilizado nessa função porque o pronome possessivo de 3ª pessoa, seu/sua(s) pode gerar ambiguidade. Com exemplo tudo fica mais fácil, não é? Então veja só:


Bruna garantiu para Thiago que o trabalho estava sob sua responsabilidade.

x

Bruna garantiu para Thiago que o trabalho estava sob responsabilidade dele.


Na primeira frase não é possível identificar se o trabalho em questão estava sob a responsabilidade de Bruna ou de Thiago. O uso de dele como pronome possessivo resolve essa questão na segunda construção. Tranquilo, não é?


Ainda tem fôlego? Vamos falar de mais um tipo de pronome então, os pronomes demonstrativos. Se você precisa de uma pausa, a hora é agora. Pode beber um gole de água, relaxar os músculos e então voltar aqui, porque esses são bem importantes.


Os pronomes demonstrativos situam alguém ou alguma coisa no tempo, no espaço e em relação às pessoas do discurso. Existem algumas regras na utilização deles, então vamos apresentá-los a você junto com elas.


Tempo presente, objeto próximo de quem fala, o que será mencionado a seguir.

Para esses tipos de situação são utilizados os pronomes: este(s) esta(s), isto.

Ex.: Meu sonho é este: me tornar uma grande escritora.


Passado recente, objeto próximo de quem ouve, o que já foi mencionado anteriormente.

Nesses casos são utilizados os pronomes: esse(s), essa(s), isso.

Ex.: Me tornar uma grande escritora. Era esse meu sonho.


Passado ou futuro distante, objeto distante tanto da pessoa que fala quanto da pessoa que ouve, o que foi mencionado anteriormente, com certa distância no discurso.

Para tais situações usa-se: aquele(s), aquela(s), aquilo.

Ex.: Quando era jovem, me esforçava para ser uma grande escritora. Aquele era meu sonho.


Não é tão complicado, certo? Mas é sempre bom ficar atento. Lembre-se de que, se você já mencionou algo e vai retomar em seguida, o pronome a ser utilizado é o que tem “dois s” (esse e seus derivados). Se você se refere a algo que ainda vai citar, deve-se utilizar o pronome com “t” (este etc.). É importante notar também que o pronome esse e seus derivados costumam ser os mais utilizados, já que na escrita em português é comum que a narrativa seja construída no pretérito.


Mas espere um instante. Parece tão pouco, não é mesmo? Bom, na verdade temos mais. Esses pronomes citados, a depender do contexto da frase, podem se ligar a algumas preposições, assumindo assim novas formas. São elas:


“A” - quando ligados à essa preposição os pronomes assumem as formas: àquele(s), àquela(s), àquilo.


“De” - quando ligados à essa preposição temos: deste(s), desta(s), disto; desse(s), dessa(s), disso; daquele(s), daquela(s), daquilo(s).


“Em” - no caso dessa ligação os pronomes são: neste(s), nesta(s), nisto; nesse(s), nessa(s), nisso; naquele(s), naquela(s), naquilo.


Além disso, algumas outras palavras podem assumir a função de pronome demonstrativo, por exemplo:


O(s), a(s) - acompanham os pronomes relativos que e qual. Podem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.

Ex.: Você anotou o que o professor disse? (Ou “Você anotou aquilo que o professor disse?)


Mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s) - utilizados para reforçar pronomes pessoais já citados.

Ex.: Ele mesmo percebeu que tinha feito uma bobagem.


Atenção! Muita atenção! É muito comum que mesmo e suas variações sejam utilizados na função de pronome pessoal, mas isso não é recomendado. Provavelmente você já leu ou até escreveu algo como:


André estava atrasado. O mesmo saiu de casa às pressas.


Não parece haver nada de errado, não é? Porém, quando utilizadas na função de pronome, a palavra mesmo e suas variações devem obrigatoriamente ter função demonstrativa, acompanhando/reforçando um pronome pessoal, não assumindo função de um. Isso costuma ocorrer muito na busca por evitar repetições, mas, na prática, mesmo não pratica ação. O adequado nesse caso seria utilizar o pronome pessoal correspondente ao sujeito. Ou seja, se você puder, substitua por ele/ela(s).


André estava atrasado. Ele saiu de casa às pressas.


É muito importante saber utilizar bem os pronomes demonstrativos, pois confundi-los pode alterar o sentido da frase. Seu uso não é muito complicado, mas requer atenção. Mas não se desespere se não conseguir decorar as regras logo de cara. Você sempre pode voltar aqui e “colar” ;).


Ufa, tivemos bastante informação hoje, não é?! Então vamos parar por aqui. Temos ainda mais alguns pronomes para conhecer melhor, mas faremos isso na próxima oportunidade.


Até lá!


Revisão por Camy


Referências

PRONOMES possessivos. Norma culta, Rede 7Graus, Matosinhos, entre 2007 e 2018. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/pronomes-possessivos/>. Acesso em: 21 jul. 2018.

PRONOMES demonstrativos. Norma culta, Rede 7Graus, Matosinhos, entre 2007 e 2018. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/pronomes-demonstrativos/>. Acesso em: 22 jul. 2018.

MARCONDES, Solange, L. Mesmo: você sabe utilizar o pronome? UOL Educação, São Paulo, 2007. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/mesmo-voce-sabe-utilizar-o-pronome.htm>. Acesso em: 22 jul. 2018.

Aug. 3, 2018, 4:20 a.m. 0 Report Embed 1
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