Esquadrão da Revisão Follow blog

embaixadabr Inkspired Brasil Os autores estão indecisos, escondidos, com medo: a Gramática os ameaça de todas as formas. É neste cenário caótico que um esquadrão se formou: soldados competentes em busca de justiça, recrutando mercenários para lutarem ao seu lado e, juntos, combaterem o Obscurantismo. Assim, o Esquadrão da Revisão ergue-se contra a tirania da Gramatica para submetê-la aos autores. Entender como funciona a gramática normativa é a base de qualquer escritor. Passar a ideia da cabeça para o papel de forma harmônica é a maior dificuldade de muitos literatos. Nós queremos, neste blog, mostrar a vocês que a gramática não é uma tirana; ela não passa de uma ferramenta que serve para ajudá-los. Juntem-se ao nosso esquadrão para desvendar os mistérios da Gramática e de suas normas.

#acentuacao #EmbaixadaBrasil #gramática #revisão
54
16.6k VIEWS
AA Share

A maravilhosa e temida vírgula

Olá, pessoas! Tudo certo?


Enfim chegamos no ouro, hein?! Muitas pessoas buscam na internet sobre o emprego de vírgulas. Inclusive, aposto que em algum momento você já deve ter buscado algo. É uma coisa bastante normal, acredite. E está tudo bem. O grande problema aqui é outro: a falta de conhecimento nas outras áreas da gramática, como as classes morfológicas. Se você não conhece as conhece, dificilmente vai compreender a explicação de um gramático ou de um professor sobre como usar as vírgulas e as pontuações em geral, isso porque, para pontuar, você precisa saber o que está pontuando.

Justo pelo fato de a grande maioria das pessoas que buscam por informações quanto à pontuação não conhecerem os termos da oração e afins, que existem tantas reclamações acerca do uso da vírgula. Que a vírgula é difícil. Que não dá para entender a vírgula. Que o negócio é pontuar onde quiser. Entre outras coisas. Então, aconselho que, se você ainda não conhece muito sobre as classificações das palavras e afins, leia o conteúdo do blog na sequência correta antes de vir para este artigo. Dessa forma, você vai conseguir compreender tudinho que está escrito aqui.

Então vamos lá desvendar os mistérios da vírgula!


A vírgula pode ser vista sob duas perspectivas: a semântica e a sintática. Mas fique calmo, vou explicar agora mesmo o que isso quer dizer. Observe a seguinte exclamação:

Não vá!


Através do ponto de vista semântico, notamos que, dependendo de onde a vírgula estiver posicionada, o significado do que foi escrito pode ser completamente diferente. Para entender o que isso significa, observe agora outra exclamação:


Não, vá!


Olha só. Tá-dá-dá-dá! Você percebe que usei as mesmas palavras da exclamação anterior, a única diferença é que a primeira não tem vírgula e a segunda tem? O que isso modifica no significado dessas frases?

“Não vá!” significa um pedido para que uma pessoa permaneça onde ela está. Enquanto “Não, vá!” significa um pedido para que a pessoa se retire de onde ela está e vá para outro lugar.

Agora, o ponto de vista sintático do uso da vírgula tem a ver com a utilização da ordem direta. Já falamos em outra aulinha por aqui sobre o uso da ordem direta e indireta das palavras, sobre a relação que as palavras estabelecem entre si. E, quando as palavras estão organizadas na ordem direta (e não há repetição de termos de mesmo valor), não há o emprego de vírgulas.

Vamos exemplificar:


Ana comprou um livro novo no Shopping.


Essa frase está na ordem direta, pois segue o padrão, que é Sujeito + Verbo + Objeto direto + Objeto indireto, ou ainda, Sujeito + Verbo + Predicativo + Adjunto adverbial. O mesmo acontece na seguinte frase:


O proprietário da loja do Shopping vendeu um livro durante o horário de almoço.


É uma frase enorme, não é mesmo? Você colocaria vírgula em algum lugar nela? Acontece que, assim como na primeira frase, essa não precisa de vírgula, pois se encontra na ordem direta.


O proprietário da loja do Shopping = Sujeito

Vendeu = verbo

um livro = objeto

durante o horário de almoço = adjunto adverbial


Quando aprendemos sobre a vírgula, é normal que digam que a vírgula é uma pequena pausa. Essa não é uma definição de todo incorreta, até porque através dela começamos compreender a forma como devemos lidar com essa pontuação, no entanto não é também uma definição completa. Do contrário, cada um pontuaria de acordo com o ritmo de fala que possui ou até mesmo todas as vezes que se sentisse cansado durante a fala. E não é assim. Existem regras para a colocação da vírgula, pois dessa forma podemos evitar ambiguidades, confusões, etc.

Pensando nisso, querido padawan, você deve estar se perguntando quando deverá usar vírgula então. E eu respondo agora mesmo para você!


A vírgula deve ser usada para separar termos de mesma classificação morfológica ou função sintática. O que isso significa? Quer dizer que, sempre que tivermos mais de um termo de mesmo valor (sujeito, verbo, complementos, adjuntos), eles devem, por obrigação, ser separados por vírgula para evitar problemas de compreensão. A vírgula apenas não será necessária caso haja a união dos termos pelas conjunções “e”, “ou” e “nem”.

O que quer dizer, simplificando e com exemplo:


Ana, Joana, Tereza, Maria das Dores e Thiago jogaram a mochila, os tênis e os casacos por cima do muro, ontem, de noite.


Nessa frase nós temos “Ana, Joana, Tereza, Maria das Dores e Thiago” e todos eles são sujeitos da oração — e substantivos. Por todos pertencerem a uma mesma classe de palavras, precisam ser separados por vírgula, salvo no caso do último nome, que está junto do penúltimo através da conjunção “e”. Depois disso, temos um verbo, que é “jogaram” e, em seguida, temos mais três substantivos: “a mochila, os tênis e os casacos”, que são, nesta oração, classificados como objetos. Por terem a mesma função, precisam estar separados por vírgula, salvo pelo último, que está junto do penúltimo pela conjunção “e”. E então temos “por cima do muro, ontem, de noite”, que são adjuntos adverbiais da frase. Por pertencerem à mesma classificação, são separados por vírgula.

Agora que você já entende como essa regrinha funciona, dê uma olhadinha em mais alguns exemplos:


Não vou, não.


Eles estão presos aos ideais, aos desejos e aos padrões impostos pela sociedade.


Ele jamais teve permissão para ver Maria, Rebeca ou Ana depois daquilo.


A vírgula também deve ser empregada para marcar termos deslocados na oração. Um pouquinho para cima neste texto já falamos sobre a ordem direta de uma frase. No entanto também temos a ordem indireta, que é quando deslocamos de lugar os termos da nossa frase.

Um problema muito comum, nesse caso, é a falta de vírgula para separar adjunto adverbial e oração adverbial deslocados. Quando um adjunto adverbial ou oração adverbial está posicionado depois da oração principal, ele está no lugar certo dele, portanto não há necessidade de usarmos vírgulas. Porém é muito fácil encontrar adjunto adverbial ou oração adverbial no começo ou no meio de uma frase, fora de seu local, e é muito importante lembrar de separá-los com vírgula quando isso acontecer.

E aqui vai mais uma informação muito, muito importante, então anote a dica: sempre devemos usar vírgula em orações adverbiais deslocadas. No entanto, quando falamos sobre adjunto adverbial, há concessões: se ele for pequeno, o uso ou não da vírgula é uma questão facultativa, vai depender do escritor e da intencionalidade dele. E o que são adjuntos adverbiais pequenos, oras?! Bom, de acordo com as gramáticas, um adjunto adverbial de uma palavra só é pequeno e por isso os que possuem mais do que uma palavra precisam ser obrigatoriamente virgulados, no entanto a ABL (Academia Brasileira de Letras) diz que apenas adjuntos adverbiais com 3 ou mais palavras são considerados grandes.

Se você for fazer um concurso, é bom ver o que diz a banca, porque cada uma pode ditar algo diferente, hein.

Para compreender melhor, observe os seguintes exemplos:


Léo comprou um livro na plataforma de autopublicação Inkspired.


Nessa primeira frase, não há vírgula justamente porque o adjunto adverbial está ocupando seu lugarzinho de direito. A frase está na ordem direta, como você já deve ter captado.


Na plataforma de autopublicação Inkspired, Léo comprou um livro.


Nessa segunda frase, o adjunto adverbial está no começo da frase, ocupando um lugar que não é dele originalmente. Por causa disso, ele precisa ser separado por vírgula.


Léo comprou, na plataforma de autopublicação Inkspired, um livro.


Nessa terceira frase é onde mora o problema e por isso muita atenção é necessária. É muito, muito comum ver frases como essa com apenas uma vírgula, que seria a última vírgula, no caso (Inkspired, um), e isso quebra completamente a frase, porque separa o verbo (comprou) e seu complemento (um livro), o que não pode acontecer jamais. Então é importante você conseguir identificar onde começa e onde termina o adjunto adverbial para não correr risco de cometer erros quando o deslocamento estiver no meio da frase. O correto é separá-lo integralmente da frase, colocando-o entre vírgulas, em casos assim.

Veja mais exemplos:


Na semana da páscoa, Ana teve muita dor de dente.


Para evitar uma possível briga, Rafael achou melhor não tocar no assunto.


Quando o diretor entrou, Cássia saiu, pois estava cansada de encrencas.


Cansada de tantas encrencas, quando o diretor entrou, Cássia saiu.


Facultativo com uma palavra:


Ontem fui à praia.


Ontem, fui à praia.


Facultativo com até três palavras:


De repente, Raimunda abriu a porta com um pontapé.


De repente Raimunda abriu a porta com um pontapé.


Na Praia Grande, as meninas se divertiram como nunca.


Na Praia Grande as meninas se divertiram como nunca.


Lembrando mais uma vez: ao fazer um concurso, é importante verificar o que diz a banca. Algumas defendem o mesmo que a ABL, mas algumas defendem apenas a justificativa, por exemplo.

Há também uso, claro, de outros elementos deslocados, como o predicativo. Veja só:


Janaina chegou sorridente.


Aqui é importante entender que se imagina que, depois de “chegou”, há outro verbo, que no caso seria um verbo de ligação: “Janaina chegou e estava sorridente”. Vê só como o significado da frase não muda em nada? Em vez disso, apenas complementamos o que se sabe através das entrelinhas, por assim dizer. E como essa estrutura está na ordem direta, não há necessidade de colocarmos vírgula. No entanto, veja o que acontece se mudarmos as posições:


Janaina, sorridente, chegou.


Graças à nossa pequena mudança de lugar, a vírgula aparece. Pelo fato do predicativo “sorridente” ter ido do final para o meio da frase, precisamos isolá-lo usando vírgulas.

Agora, veja como fica se colocarmos o predicativo no começo da frase:


Sorridente, Janaina chegou.


É muito comum encontrar frases com o predicativo deslocado para o início de uma frase sem a vírgula o separando, então é importante tomar cuidado com esse deslocamento. E se você não tomar esse cuidado na hora da pontuação, pode deixar a frase completamente confusa.

Agora veja só como tudo pode mudar:


O rapaz saiu contente.


Nesse primeiro exemplo, temos um predicativo do sujeito e para provar podemos colocar um verbinho ali no meio da frase, veja: “O rapaz saiu e estava contente”. Como está na ordem direta, não há necessidade de virgulação.


O rapaz contente saiu.


Agora, nesse segundo exemplo, temos uma estrutura um pouco diferente. Vê que “contente” não está deslocado? Até porque, se estivesse, precisaria ter vírgulas o isolando do resto da frase. Então o que é esse “contente” nessa frase? Um adjunto adnominal! Esse adjunto está classificando o rapaz como o rapaz contente (podem ter outros, vários rapazes saindo por ali, mas esse é especial, porque ele é contente). “Contente” é uma característica fixa dele, é algo que o caracteriza sempre e com eficiência.


O rapaz, contente, saiu.


Diferente do segundo exemplo, esse terceiro carrega a palavra “contente” entre vírgulas, e isso acontece porque se trata de um predicativo do sujeito deslocado. Ele estava contente no momento que saiu — o que é bastante diferente de ele ser contente como uma característica intrínseca a ele. Nessa frase, “contente” é uma característica momentânea.

Viu só como é importantíssimo prestar atenção? Por isso vivo dizendo nos meus textos pra você voltar em outro artigo caso não se recorde sobre um termo. Precisamos estar afiados pra entender tudo direitinho.

Mas vamos prosseguir, que sei que você tá indo mais do que bem nesta aula!


A vírgula também pode ser usada para indicar a supressão de uma palavra — geralmente o verbo — ou de um grupo de palavras.

Exemplo:


Elas levaram as flores; eles, os chocolates.


Como pode perceber, essa vírgula está marcando o lugar do verbo “levaram”, que foi suprimido na frase.


Eu leio terror; ela, romance de época.


Mais uma vez, um exemplo mostrando a supressão de um verbo.


A vírgula também é usada para separar aposto e vocativo.

Um dos erros mais comuns é a falta de vírgula para separar vocativos em uma frase. E por isso mesmo é necessário que se tenha um cuidado redobrado para identificar os vocativos, até porque esse erro costuma acontecer justamente porque há essa dificuldade de localizar o que é ou não um vocativo.

Antes de qualquer coisa, é importante você entender que o vocativo é como você chama alguém. É um chamamento. E por ser uma forma de chamar uma pessoa, ela não precisa ser necessariamente um nome, como Emanuela, pode ser também um apelido, um xingamento, uma palavra doce — ou até o nome de um doce — , enfim.

O importante é você não confundir o vocativo com o sujeito de uma frase também, o que pode ser muito comum quando se está aprendendo essa pontuação. E para identificar é válido se lembrar que o vocativo não faz parte da frase; ou seja, ele não vai fazer falta se for retirado dela. Além disso, o sujeito não pode ser separado por vírgula do seu predicado, então é bom analisar a estrutura frasal também.

Veja alguns exemplos de vocativos empregados em frases:


Anderson, cadê você?


Meu docinho, onde está doendo?


Quando mesmo, Rafael, que vai ser o evento?


Que horas você foi, Vitória?


Um dia vamos lá, boba!


Percebeu outra coisinha com relação à vírgula e o vocativo? O vocativo não é virgulado apenas se ele vier no início da frase. Ele vai receber vírgula se vier depois da frase e vai ficar entre vírgulas se estiver no meio da frase. Ou seja: o vocativo precisa ficar isolado da frase.


E se você quiser relembrar sobre vocativo e também sobre aposto, basta clicar aqui.


Sobre o aposto e a vírgula: os tipos de aposto que recebem a virgulação são os apostos explicativos, comparativos, circunstanciais e da oração.

Exemplo de aposto explicativo:


A Aniquilação, filme de ficção, é excepcional.


Exemplo de aposto comparativo:


Os olhos do gato, faróis na escuridão, me assustaram.


Exemplo de aposto circunstancial:


Devido ao temporal, nosso clube de leitura foi cancelado esta semana.


Exemplo de aposto da oração:


Ângela disse que não vai mais escrever, o que me deixou preocupada.


E o aposto enumerativo é geralmente separado por dois pontos e a enumeração que o segue costuma carregar vírgulas. Veja:


Ela só queria isto: paz, silêncio e um milhão de reais.


Usamos a vírgula, também, para separar interjeições.

De acordo com Cunha e Cintra, as interjeições vem de regra acompanhadas por exclamação, no entanto Bechara acrescenta que “Podem, entretanto, assumir papel de unidades interrogativo-exclamativas e de certas unidades próprias do chamamento, chamadas vocativo, e ainda por unidades verbais, como é o caso do imperativo”.

Você pode separar as interjeições das frases usando todos os tipos de pontuação. Qual pontuação você usará, dependerá da frase que você estiver escrevendo e também do que você quiser expressar com ela. O importante é jamais se esquecer de usar uma pontuação para separar as interjeições da frase.

A vírgula também é utilizada para separar expressões explicativas ou conclusivas, que podem ser: aliás, assim, isto é, ou seja, ou melhor, por exemplo…


Tenho dinheiro, ou seja, vou comprar um livro. (Só os leitores entendem essa!)


Comprei um livro ontem, ou melhor, anteontem.


Uffa! Acredito que agora conseguimos terminar o nosso apanhado geral. Porque, sim, esse foi um apanhado geral sobre as regras de utilização das vírgulas, mas ainda há muito mais o que ser falado sobre elas, então fique ligadinho aqui no blog, que o próximo artigo vai falar sobre a utilização das vírgulas nas orações coordenadas e subordinadas. Nos vemos lá!


Texto por: @Karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, abril de 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.
Sept. 14, 2021, 6:14 p.m. 0 Report Embed 0
~

Parênteses e colchetes

Olá, pessoas! Tudo certo?

Hoje o assunto vai ser rápido e simples, então não precisa ficar tenso, hein!

Vamos começar com o uso dos parênteses. Você costuma usar esse recurso na hora de escrever suas histórias ou conhece algum autor que gosta de usá-lo? Bom, se você é fã de histórias de terror, já deve ter se lembrado do Stephen King, com certeza! Mas quando usar essas belezuras?

Vem comigo que você vai aprender agora!

Os parênteses podem ser usados para intercalar em um texto qualquer indicação com peso acessório — e que muitas vezes pode ser descartado. Eles assinalam um isolamento sintático e semântico, além de formar uma relação maior entre quem escreve e quem lê.


1. Os parênteses podem ser usados para dar uma explicação ou uma circunstância mencionada acidentalmente.

Ex.: Joana estava lá (tomando cerveja) na festa.


2. Uma reflexão ou comentário sobre o que é dito.

Ex.: Pedi que todos fechassem os olhos, pois (se fecharam) conseguiriam entender o que eu estava dizendo.


3. Uma observação emocional sobre algo.

Ex.: Lúcia estava sentada na escada da escola, lendo um livro com concentração total, e tinha um sorriso casto nos lábios (estava tão linda, que me senti hipnotizado!).


4. Eles também podem ser usados para isolar orações intercaladas com verbos declarativos.

Ex.: Onde você está (gritei com entusiasmo), sua louquinha da Silva?!


Viu só como não é difícil usar os parênteses? Você só precisa se atentar a alguns fatos e ter certeza de que não está colocando informações cruciais neles que deveriam estar fora deles.

E é importante dizer que, se houver uma frase completa dentro dos parênteses, ela deverá ser pontuada autonomamente. Se houver apenas uma pequena palavra ou informação, pontua-se apenas a frase principal onde essa informação está inserida (ou você pode usar outras pontuação, se preciso, como exclamação, reticências e/ou interrogação dentro do parênteses).


Dito isso, agora é importante que você entenda que as regras de uso dos colchetes não são tão diferentes das do parênteses, principalmente por estarem intimamente interligados por sua função discursiva. A diferença real é que você muitíssimo raramente vai ver os colchetes sendo usados em histórias. No entanto, não poderíamos deixar essa pontuação para trás só por isso, né!


1. Os colchetes podem ser usados para assinalar, em transcrições de textos alheios, observações próprias.

Obs..: quando você está escrevendo uma redação e precisa colocar nela a citação de algum autor, porém percebe ser necessário o acréscimo de algumas notas para que as frases se façam entendidas. Fica logo entendido que o que estiver dentro de colchetes são complementações e observações feitas por você, no entanto é sempre importante deixar isso claro em uma legenda.


2. Se você quiser isolar uma construção que já está separada por parêntesis.

Obs.: isso pode ser usado para acrescentar informações em uma referência bibliográfica que não conste da obra citada, por exemplo.


O uso de colchetes é bastante comum em trabalhos de filologia e linguística. Por exemplo, a transcrição fonética de uma palavra costuma ser colocada entre colchetes.

Viu só? Começamos e acabamos num piscar de olhos! Ufa, hein! Mas não fique tão sossegado assim. Respire fundo e se prepare, porque o nosso próximo texto não vai estar pra brincadeira!

Um abraço e até lá!


Texto por: Karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, abril de 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.
Sept. 7, 2021, midnight 0 Report Embed 0
~

Dois pontos e aspas, como e quando usar?

Olá, pessoas! Tudo certo?

Bom, eu já estava com saudades de escrever pra vocês, então não vou poupar esses lombinhos, hein. Preparem-se!

Tá-dá-dá-dá… Como podem ver, vamos dar continuidade aos textos anteriores sobre pontuação e, para começar, quero já trazer os dois pontos pra vocês. Escolhi eles para virem primeiro justamente porque eu percebo que, entre os dois, eles causam maior confusão, então fique atento, prepare o cafézinho e vamos lá!

Segundo Cunha e Cintra, os dois pontos marcam, na escrita, uma suspensão da voz na melodia de uma frase. Por isso, inclusive, que essa pontuação entra para as pontuações melódicas das quais comentamos no texto anterior. O que isso quer dizer? Quer dizer que, todas as vezes que você os usa, o seu leitor, enquanto está devorando seu livro, inconscientemente faz uma pausa diferente ao ler a frase que os contém. Portanto, se você os utilizar de maneira inadequada, o seu leitor vai sentir isso com um grande impacto.

Para perceber a pausa de que estou falando, leia esta frase:


João estava confuso demais com aquela situação, mas ainda tinha certeza de duas coisas: a primeira era que Maria era sua aliada, a segunda era que não podia confiar em mais ninguém além dela se quisesse sobreviver.


Conseguiu sentir a pausa que disse? Sim, sim, sim, aposto! Então imagine você um texto cheio de dois pontos usados de forma equivocada? Vamos estar o tempo todo em um estado de suspense.

Entretanto a cavalaria está aqui para te ajudar, então veja só quando e como você pode usar os dois pontos no seu texto:


1. Os dois pontos podem ser usados para marcar enumeração.

Ex.: Ana comprou duas frutas: melão e banana.


2. Em expressões que seguem verbos dicendi, como “dizer”, “falar”, “contar”, etc.

Ex.: Angelina não parava de murmurar:

— Ela me paga. Me paga!


3. Em um esclarecimento, síntese ou uma consequência do que foi enunciado.

Ex.: Aquilo não era cansaço: era desapontamento profundo.


A vida é isto: persistência.


4. Nas expressões que representam quebra de sequência das ideias.

Ex.: Ia gritar com ela naquele instante: não consegui, mordi a língua.


5. Para introduzir um exemplo, uma nota ou uma informação importante.

Ex.: Atenção: esta área é restrita a funcionários.


Eu sei que à primeira vista todos esses exemplos podem parecer um pouco vagos. Mas você pode mudar isso fazendo pequenos exercícios, e já vou até recomendar um: desafie-se a formular frases com dois pontos, sempre levando em conta as dicas deixadas aqui. Compare suas frases com as frases que estão nos exemplos e veja se está tudo certo. Leia-as em voz alta, sinta a sonoridade delas. Você vai ver, logo vai estar craque.

Outra coisa que acho muito, muito importante falar — e que vejo o pessoal errar bastante — é que, depois de dois pontos, não se usa inicial maiúscula (a não ser que depois dele venha nome próprio). Isso acontece porque os dois pontos são o que chamamos de pontuação interna de uma frase — ela está ali para demarcar algo ao mesmo tempo que dá continuação ao que é dito. Sendo assim, se começássemos a palavra que vem depois dele com maiúscula, seria o mesmo que se estivéssemos começando uma sentença completamente nova, o que não é o caso. Ela não termina a frase, apenas acrescenta algo a ela.


Bom, mas agora que você já sabe tudo sobre os dois pontos está na hora de irmos para o uso das aspas.

Antes de qualquer coisa, devo dizer que o uso das aspas na vida cotidiana — ao escrever cartas, um artigo científico, um documento, etc. — pode ser ligeiramente diferente de quando o usamos para escrever uma história — seja ficcional ou não. E isso acontece por causa de uma coisinha que chamamos de licença poética. Porém, e muitíssimo importante, você precisa compreender que só é possível usar corretamente uma licença poética se você souber o que está fazendo. Algumas pessoas, por exemplo, dizem ignorar algumas vírgulas obrigatórias por licença poética, mas isso só é verdade quando a pessoa sabe todas as regras gramaticais e entende que, por exemplo, pode dar um sentido ambíguo a uma frase se não colocar uma vírgula em determinadas frases. Quando é possível perceber esse saber enquanto lemos uma história, então entendemos que o autor fez por querer. Mas, quando é sem querer, fica bastante claro pra quem conhece as regras gramaticais. Então atenção sempre, viu!

As aspas devem ser empregadas quando, afinal de contas? Primeiro vou falar sobre o emprego dela de acordo com as regras normativas da nossa língua, então fique ligadinho!


1. As aspas devem ser usadas ao início e fim de uma citação.

Ex.: Pedro sabia bem que impactaria a todos com aquelas palavras: “Você foi o culpado. E eu posso provar.”


2. Podem ser usadas para demarcar estrangeirismos, arcaísmos, vulgarismos, neologismos, gírias, etc.

Ex.: Ela estava tão “annoying” naquele dia.


3. Para acentuar o valor de uma palavra ou expressão.

Ex.: A palavra “concomitante” pode ser usada para falar sobre algo que está acontecendo simultâneo a outra coisa.


4. Para realçar de forma irônica uma palavra ou expressão.

Ex.: Helena era um “anjinho” de pessoa. Adorava coletar segredos alheios.

Nesse caso, fica bem fácil perceber que “anjinho” se trata de uma ironia para descrever Helena. Até porque ela deve ser completamente o contrário se gosta tanto de coletar segredos dos outros.


5. Pode ser usado para indicar o título de uma obra.

Ex.: João estava lendo “Dragões de Éter” quando cheguei na casa dele.


6. As aspas também podem ser usadas para demarcar pensamento de personagens em uma narrativa ou então para demarcar as falas dos personagens. E aqui é importante entender que, se você escolher demarcar as falas com o uso de aspas, então é imprescindível que escolha outra forma de marcação para os pensamentos, e vice-versa, do contrário seu leitor vai ficar muito confuso.

Ex. de uso para diálogos: Eles passeavam pelo jardim por quase cinco minutos, quando ela finalmente criou coragem para perguntar:

“Você gostaria de ir comigo ao parque?”


Ex. de uso para pensamentos: Vitória bateu a porta do carro com força demais, apoiou-se no volante e prendeu o choro como pôde. “Não vale gastar uma lágrima sequer com aquele crápula”, pensou.


Além disso, é bastante importante falar sobre como usar a pontuação após o uso de aspas: se a citação iniciar e terminar com o uso das aspas, o ponto final é colocado antes das aspas. Agora, se a citação não inicia, mas encerra a frase, o ponto final fica depois das aspas.


Lembrando que ainda vamos falar sobre a pontuação das aspas quando usada para diálogos e pensamentos, então não pense sobre isso por enquanto.


Agora, lembra que eu disse, no comecinho de tudo, que as aspas podem ser usadas de forma diferenciada em histórias? Pois é. Em uma redação, por exemplo, se quisermos usar uma gíria, é necessário que a coloquemos entre aspas. No entanto, quando estamos escrevendo uma história, isso se torna desnecessário, a não ser que você queria enfatizar alguma coisa ali. O meu conselho pra você é: se o seu personagem precisa dizer “qual é, mané?”, então ele pode dizer isso sem medo. Por que colocar aspas no seu texto se está explícita a necessidade de ele dizer aquilo e o fato de que se trata de uma gíria? Se você vê a necessidade de colocar aspas em uma palavra, então talvez seja melhor repensar se vale mesmo a pena utilizá-la no seu livro. Lembre-se: por ser um recurso que traz uma estética diferente e que influencia na entonação da frase, as aspas podem te ajudar a engrandecer determinadas passagens do seu livro, mas podem também poluí-lo. Então todo cuidado é pouco.

Se quiser saber mais sobre esse tema, não se esqueça de pesquisar. Existem muitos livros sobre literatura que falam um pouquinho sobre isso.

Bom, por hoje é só isso! Espero que tenha gostado do tema e que tenha conseguido absorver o máximo de informações possíveis.

Até o próximo texto!


Texto por: karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, abril de 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.
Aug. 31, 2021, midnight 0 Report Embed 0
~

Interrogação e exclamação, o que você sabe sobre esses sinais melódicos?

Olá, pessoas! Tudo certo?

Acho que existe uma grande possibilidade de você ter lido o título do artigo de hoje e ter franzido o nariz. Até porque que coisa é essa de sinal melódico? Pois fique calminho aí, respire fundo e não se estresse, inclusive você já viu aqui no blog um artigo sobre um dos sinais melódicos da nossa língua, que é a reticências.

Bom, isso mesmo, a reticências é considerada um sinal melódico, e isso se deve ao fato de ela ter influência direta na entonação das nossas frases. E a partir de agora você verá um pouco sobre os demais sinais dessa categoria, que são os sinais de interrogação, exclamação, dois pontos, aspas, parênteses e colchetes.

Opa! Eu sei que parece muito, mas não precisa ficar preocupado, pois iremos dividir o conteúdo para conquistar (hehe).


Vamos começar pelo mais simples de todos esses sinais, que é o sinal de interrogação. Afinal de contas, todos crescemos já com a ideia de que toda pergunta direta deve carregá-lo.

Antes de qualquer coisa é interessante falar que a vírgula sempre vai ao final de uma pergunta direta. Ou seja: se a pergunta for feita como um tipo de sugestão ou divagação, pode ser que o sinal de interrogação não apareça, que a questão em si fique explícita apenas pelo contexto das ideias colocadas em pauta. Então é sempre bom se atentar a isso. Por exemplo:


Ana não disse que dia chegaria.


Aqui é bem fácil notar a questão, que é: "Quando Ana irá chegar?”. No entanto, a forma como a frase foi construída a torna uma pergunta indireta. Logo, o ponto de interrogação não se faz presente.

O mesmo acontece nesta outra questão:


Não ficou claro quem ganhou a discussão.


É a mesma coisa do primeiro exemplo. Olha só a implicância dessa frase e como ela ficaria se fossemos a reescrever de forma direta: “Quem ganhou a discussão?” E podemos observar a mesma coisa em frases como “Diga-me quem chegou.”, que poderia ser escrita como “Quem chegou?”, etc.

E existem casos onde fazemos uma pergunta sem expectativa de resposta. Chamam-nas de perguntas retóricas — ou questões fingidas —, que são aquelas que não exigem uma réplica.

Veja só um exemplo:


Está doido? Quer me deixar com raiva?


Essas são claramente questões retóricas levantadas no calor do momento. E também podem ser usadas em momentos de ironia e descontração.

Ah, e você deve estar se perguntando: o que usar depois do ponto de interrogação, letra maiúscula ou minúscula? Bom, a resposta é bem simples. Como o ponto de interrogação finaliza um período, então o próximo deve sempre vir com letra maiúscula. No entanto existem casos, como no inciso do autor em um diálogo, onde a letra minúscula pode ser usada. No entanto, como a gente ainda não entrou nesse assunto sobre pontuação de diálogos e pensamentos, então basta deixar isso de lado por enquanto. E temos também um outro caso, que é quando a interrogação aparece dentro de uma frase com continuidade. Veja só:


“O quê?! tu vens proibir-me de falar... a mim..., na minha própria casa?”

As Raízes do Futuro, de José Régio, p. 199


Percebe o que eu quis dizer com a interrogação aparecer dentro de uma frase com continuidade? O personagem fez uma pergunta retórica, denotando surpresa e estranheza, e logo em seguida deu continuidade à sua linha de raciocínio como se jamais tivesse dito algo antes. Existem muitos casos de falas desse tipo, então é sempre muito importante prestarmos atenção a eles. No entanto, caso a dúvida esteja muito grande na hora de pontuar, o conselho que dou é de usar a letra maiúscula para que não haja erros graves.

Ainda sobre esse caso, você pode encontrar, no livro Moderna Gramática Portuguesa (767/854), um comentário de Bechara sobre essa situação:


“Enquanto a interrogação conclusa de final de enunciado requer

maiúscula inicial da palavra seguinte, a interrogação interna, quase

sempre fictícia, não exige essa inicial maiúscula da palavra seguinte:”


Também é importante lembrar que não há a necessidade de colocar ponto final depois do ponto de interrogação. Ele já é uma pontuação completa. Há casos, no entanto, em que você pode encontrar reticências logo após o ponto de interrogação. O que isso significa?

Bom, isso representa dúvidas e incertezas da parte do locutor. Quer dizer que ele hesitou na hora de formular aquela questão. Essa hesitação pode ter vários significados:


Você realmente sabe?...


Veja bem. Nessa frase, há uma incerteza, um prolongamento da questão assim que ela é concluída. Isso pode acontecer por vários fatores: pode ser que a pessoa quisesse dizer mais algo depois da pergunta, pode ser que, ao perceber a pergunta que estava fazendo, ficou com medo de terminá-la, mas o fez mesmo assim por já estar no fim da frase. Etc.

Há também casos de uso de ponto de exclamação logo após o ponto de interrogação, que é muito usado para realce de expressividade, para demonstrar grande surpresa, indignação ou até mesmo quando a indagação não tem um destinatário e não exige resposta.

Veja um exemplo:


O quê?! Como você deixou ele fugir?!


Nessa frase, é bem fácil perceber a fúria, a indignação e a surpresa que a notícia de que “ele” fugiu gerou nesse locutor. No entanto, é importante usar esses recursos -- interrogação + exclamação e interrogação + reticências — com cuidado, para que seu texto não fique poluído e a importância das falas dos seus personagens não sejam sabotadas pelo uso constante dessas pontuações.

Há também o uso de dupla ou tripla interrogação (?? — ???). É errado? Não, não é errado. Esse tipo de recurso pode ser utilizado para aumentar a carga de dúvida que é expressa na frase, uma forma de enfatizá-la. Porém mais uma vez é um recurso que exige muita, muita cautela e que não deve ser usado em vão.


Agora que você já sabe tudo sobre o ponto de interrogação, vamos falar um pouco sobre a exclamação. E aqui eu já vou dizer uma coisa: existe uma grande, imensa possibilidade de você estar banalizando essa pontuação no seu texto e deixando-o poluído por ela.

Opa! Não foi minha intenção tocar na ferida, nem nada. É verdade. Sabe, eu leio várias histórias no Inkspired quase todos os dias, então posso dizer com toda a certeza que já li muitas e muitas histórias com uma escrita fantástica, a ortografia e a gramática em dia, porém com um uso excessivo e desnecessário de exclamações. Isso pode acontecer por vários fatores, mas acredito eu que o principal é o fato de sempre associarmos aquilo que escrevemos com fortes emoções — sejam elas boas ou ruins —, até porque as sentimos quando escrevemos. E quando aprendemos na escola sobre as exclamações, normalmente o que nos é dito? Que a exclamação é usada para expressar sentimentos. Certo? E essa definição está incorreta? Não, não está. O problema aqui é pensar que, sempre que um personagem exprime algum tipo de sentimento, deve-se usar a exclamação. Afinal de contas, sempre demonstramos algum tipo de sentimento quando conversamos, seja ele empatia, empolgação à apatia e desânimo. Sempre há algum tipo de sentimento envolvido quando há uma pessoa envolvida, certo? Então é bom pensar sobre isso sempre.

Agora que você já pôde refletir um pouco sobre esse assunto, te pergunto: quando devemos usar o ponto de exclamação? Bom, devemos usá-lo quando queremos demonstrar de forma bastante clara que as coisas estão pegando fogo com o nosso personagem. Veja só: devemos ter cuidado, porque o ponto de exclamação, se usado levianamente, pode poluir o seu texto tanto visual quanto oralmente falando. Imagina só pegar um livro cheio de exclamações e lê-lo em voz alta! Iríamos o tempo todo gritar, falar com fúria, fazer caras e bocas de uma forma que nos deixaria cansados com rapidez. E é isso que o uso desenfreado de determinados recursos faz: deixa a leitura cansativa. Então, ao empregar a exclamação no seu texto, leia-o em voz alta para ter certeza de que aquele é um bom momento para usá-lo.

Agora vamos desvendar um pouco mais a exclamação: ela pode ser usada logo após interjeições, ou termos que equivalem a interjeições, assim como podem ser empregadas em apóstrofes, os vocativos intensivos:


Ora essa!

Mas que coisa!

Uffa!

Ó Deus!

Joaquim! Onde você foi?

Não faça isso, Emanuel!


A exclamação pode também, como dissemos lá em cima, ser usada para frases com um grau elevado de emoção, seja raiva, tristeza, amor, paixão, etc. Veja alguns exemplos:


Que droga!

Ai que raiva de você!

Quanto alívio!

Isso me deixou tão emocionada!


Também há o caso de utilização de dupla ou tripla exclamação (!! — !!!). Esse recurso é muito usado quando os escritores querem enfatizar a carga emocional incrustada na fala, passagem. Mas, como sempre, é importante tomar cuidado com esse recurso para não trazer pontuações desnecessárias ao seu texto.

Há também a possibilidade de usar a gradação de exclamação para denotar grande carga de surpresa. Veja um exemplo.


— Você não sabe da nova.

— O que aconteceu agora?

— A Mariana está grávida.

—?!

— Pois é. E dizem que o pai é o primo.

—!!

— Já ouvi dizer até que vão ser obrigados a casar ainda este mês,

—!!!


Percebe só a força dessas exclamações? Não é preciso que o personagem diga nada, nem que a narração o faça. Podemos imaginar a reação dele só de ver as exclamações. Acredito também que esse exemplo tenha sido capaz de mostrar como a exclamação é poderosa e o motivo de termos de ter cautela ao utilizá-la.

É importante frisar que o ponto de exclamação pode ser usado com ponto de interrogação e reticências. Quando usado com o ponto de interrogação, indica surpresa, raiva, etc. durante a realização da questão. Já quando utilizado com reticências, pode significar incerteza na exclamação — quando o personagem está com aquele pico de emoção, mas não tem muita certeza de se deveria se sentir dessa forma, por exemplo.

Ah, e é muito importante dizer que as mesmas observações feitas aqui em cima sobre o ponto de interrogação e o uso de letras maiúsculas ou minúsculas são aplicadas também ao ponto de exclamação. Ou seja: quando a exclamação aparece dentro de uma frase com continuidade, o que vem depois pode ser escrito em letra minúscula. No entanto é muito importante que haja uma análise do caso para que não se cometa erros; na dúvida, comece a segunda frase com maiúscula.

Bom, eu penso que agora, depois de tudo isso, você já está bastante esperto com relação a essas pontuações, não é mesmo? Ah, e não se esqueça de treinar o que aprendeu. Você pode fazer isso lá nos seus escritos: basta lê-los com atenção e observar a forma como você tem usado essas pontuações, corrigindo tudo se preciso. Também é muito importante pesquisar mais sobre o assunto, caso haja qualquer tipo de dúvidas. Lembre-se que estamos aqui para ajudar também, então pode deixar seu comentário.

Um abraço e até o próximo texto!


Texto por: Karimy


Referências:

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Breve gramática do português contemporâneo. João Sá da Costa, abril de 1998
  • Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37.a Edição. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, Editora Lucerna, 2019.
Aug. 24, 2021, 7:25 p.m. 0 Report Embed 0
~
Read more Start page 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14