Embaixador Secreto — Batalha da Embaixada 2021 Follow blog

embaixadabr Inkspired Brasil alexisrodrigues Alexis Rodrigues amandaismirnadc Amanda Luna De Carvalho arnaldo-zampieri Arnaldo Zampieri atherabeckman Ruana Aretha dracula amy ᘛ 🦋 isismarchetti Isís Marchetti nicansade Verônica Ashcar Neste blog você encontra as histórias do Embaixador Secreto feitas na última semana da primeira Batalha da Embaixada de 2021. • Embaixador Secreto da Batalha da Embaixada, Maio de 2021. • Organização e revisão: @karimy • Times: Caçadoras de Dragões versus Sociedade Literária

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Presente dado por @amandaismirnadc - Amanda Luna

Bem, o que poderia comentar da Isis?

Desde que entrei no Inkspired e me tornei Embaixadora da plataforma, conheci pessoas adoráveis, que nunca esquecerei! Tudo aqui é como uma grande família, que cresce cada dia mais. Sabe, às vezes nos deparamos com situações meio inusitadas, até diferentes do que estamos habituados. Conhecer novos rostos e personalidades é algo excelente para sair da zona de conforto. Eu penso que existem momentos em que nos deparamos com tanta gente interessante, que temos novas oportunidades de apreciar a vida de mais perto, experimentar como tudo é atraente.

Uma noite, tive um sonho bem estranho em que Isis estava presente. Nós estávamos saindo para uma grande aventura e nem imaginávamos que seríamos estrelas de um espetáculo da Broadway! Quando menos esperávamos, paramos no meio de Nova Iorque.

— Onde estamos? — Isis perguntou, aflita. — Não conheço esse lugar, mas acho que já vi antes.

— Isis, acho que estamos em Nova Iorque — eu respondi extasiada. — Olhe só, aqui é a Broadway!

— Mas o que as duas estão fazendo aqui no meio da rua? — um homem gritou em inglês e entendemos tudo. — Venham para cá e entrem agora!

Ficamos tão confusas, que mesmo tentando articular qualquer palavra, fomos puxadas para dentro de um grande teatro e, quando olhamos a divulgação, estava escrito: "O Fantasma Da Ópera". Ainda tentamos dizer mais alguma coisa, mas fomos lançadas para um enorme camarim, com inúmeras pessoas se trocando e se maquiando também. Por causa daquilo, decidimos ver até onde tudo acontecia.

Percebemos que estávamos nos papéis principais e, quando terminaram nossas maquiagens, ficamos deslumbrantes! Não compreendemos o que faríamos exatamente no espetáculo, mas fomos guiadas pelos nossos instintos. Quando menos notamos, bailávamos e cantávamos com voz refinada de soprano, como se soubéssemos o que estávamos fazendo. Corremos para lá e para cá, atraindo olhares e aplausos cheios de vontades do público. Confesso que ficamos emocionadas com aquilo tudo.

Quando tudo terminou, fomos guiadas até um salão com diversos convidados. Tudo era convidativo e lindo. Luzes brilhavam por todos os lados, onde repórteres tiravam nossas fotos ao lado de celebridades do mundo artístico. Eu e Isis éramos festejadas e guiadas para todos os cantos. Quando tudo terminou, alguém nos levou até o Hotel Wardolf Astoria, para nossa surpresa. Como estávamos cansadas, fomos para os nossos quartos dormir. Mas quando acordei, percebi que tudo tinha sido um sonho realmente.

Levantei e fui fazer café da manhã, quando notei um jornal em frente da porta quando abri. Para meu susto, estava estampado meu rosto e de Isis, como as estrelas desaparecidas da Broadway! Será que tinha sido mesmo apenas um sonho?

April 10, 2021, 1:50 a.m. 2 Report Embed 5
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Presente dado por @niccax - Nica

Notas:

Gente, tudo bem?

Avisos: o ritual citado no texto é licença poética, por favor, não fazer.

Gente, não faça um ritual sem estudar muitoooo antes, please! 😉

***

A questão de momentos desesperados geram soluções desesperadas era a realidade daquele momento.

Verônica havia feito o possível para que seu bebezinho, Damasco, o gato de nariz rosinha, ficasse bem. Até mesmo o veterinário havia descartado a possibilidade de melhora, era uma condição que não tinha cura.

Agnóstica quase Atéia, de tamanho ceticismo, fez o inimaginável: orou. Não era uma pessoa de fé, mesmo que estudasse magia do caos, tais estudos eram apenas para meditação.

Até que uma ideia, que no momento parecia ser loucura, se tornou a possível única solução.

Sem qualquer habilidade suficiente por estudos e prática, resolveu evocar Eris, a deusa da discórdia e do caos. O pequeno apartamento foi o palco do possível ritual com todos os erros cometidos por uma pessoa sem experiência.

A sala de paredes brancas teve todos os móveis arrastados para um lado do cômodo, a cortina escura nem se abriu naquele dia em questão, tanto Damasco quanto Jurema e Strogonoff foram postos com amor em um dos quartos com a porta protegida por sal grosso.

Verônica desenhou um círculo de proteção em um pedaço de pano branco, pegou um espelho negro, pôs de frente para o círculo e acendeu algumas velas que circulavam o pedaço de pano.

Segurou entre seus dedos seu diário mágico, passo a passo do ritual simplificado. Nunca admitiria em voz que as mãos trêmulas era por medo, afinal o orgulho gritava mais alto, por isso o rosto alvo impassível, até algumas palavras serem sussurradas:

— Focu pocus... — A varinha que um dia foi um tronco de uma árvore qualquer apontada para o noroeste. — dim boom dum!

A voz por último saiu num fio aterrorizado, o ar faltou quando vela por vela se apagou em sua frente. Ainda dentro do círculo, girou os pés, observando o espelho negro. As paredes brancas do caderno.

Mas fora as velas se apagarem, nada aconteceu, o espelho estava como sempre, o ambiente queimava, mas ela morava num país tropical e deveria estar pelo menos 30 graus do lado de fora do apartamento.

Mas sabe o que ela esqueceu? Que nunca se deve sair do círculo de proteção até o final do trabalho, bastou apenas um pé do lado de fora para a mão dourada se materializar bem diante de si. Tudo escureceu bem diante de seus olhos.

Sabe qual é a lição, caras crianças?

Nunca mexa com o que você ainda não manipula com total certeza.

***

Amanda piscou algumas vezes quando o despertador tocou alto.

Todos os dias era basicamente a mesma coisa, exceto aos finais de semanas quando ia ao parque fazer uma longa caminhada e depois fazer piquenique com sua irmã Rubenita, comer pudim e alguns de seus lanches preferidos, como hambúrguer do BK.

E naquela quarta-feira não poderia ser diferente, por isso, levantou mesmo que sob protestos e reclamações, afastou o Pudim, o gato gordo caramelo que dormia em cima de seu chinelo ao lado da cama, o animalzinho chiou e a olhou com desprezo. Algo normal para um bichano. E se moveu o mais rápido possível até o banheiro, afinal, tinha que ficar pronta para mais um dia exaustivo, e o tempo não perdoa, 40 minutos se passa voando sem organização. Mas por algum motivo, algumas coisas naquele dia em questão saíram de seu controle.

Ao adentrar o pequeno banheiro, de cara Amanda não notou a presença da mulher de braços cruzados na altura do peito. Verônica estava parada encarando o espelho, e talvez fosse o sono que impediu Amanda de notar a presença de uma pessoa desconhecida ali.

Então notou o ser humano de pele clara como uma folha de papel, olhos grandes e amarronzados como avelãs, e cabelos acobreados batendo na altura do pescoço, e Amanda não sabia como reagir à desconhecida que possuía o semblante mal-humorado e um copo gigante de café na mão.

As duas se encararam por muito tempo, até Amanda criar coragem e falar com a voz semi-abafada pelo susto:

— Quem é você? — A moça encarou o cômodo apertado tentando encontrar algo para se defender. — O que pensa que está fazendo na minha casa? Eu vou chamar a polícia!

A mulher desconhecida nem ao menos modificou a sua face, deu de ombros para o que Amanda dizia e respondeu:

— Vim trazer café, não está vendo o seu copo aqui na minha mão?

Amanda corou com a resposta imediata da outra e novamente bradou em ameaça:

— Por favor, seja quem você for, eu não quero café de uma desconhecida. Vai embora. Quem você pensa que é?

A mulher de cabelos cobres e rosto insosso apenas riu ácida e pronunciou pausadamente:

— Por acaso, cara Amanda, você já ouviu falar sobre Eros?

Amanda apenas lembrou-se da versão grega do cupido e só então percebeu algo curioso nas costas da mulher de cabelo acobreado à sua frente. Além de asas como de um anjo, ela possuía um arco e uma bolsa com flechas. Amanda tentou pensar se estava próximo do Halloween e de gostosuras ou travessuras, porém estava no mês de maio, muito longe do final de outubro, quando a data era comemorada.

Então, com medo da resposta, enquanto bocejava pelo sono questionou:

— Por acaso Eros não é o mesmo Eros da mitologia grega, o deus do amor, equivalente ao cupido, né?

Verônica sorriu de lado com seus dentes amarelados de cafeína, e depois de tal fala, como se a outra à sua frente fosse a pessoa mais genial, bateu palminhas e por fim terminou:

— Acredito que seja muito inteligente, este mesmo! Aliás, meu nome é Verônica, porém neste momento pode me chamar de Eros.

Amanda, que até aquele momento não havia cogitado o motivo real daquela mulher desconhecida estar no seu banheiro às 6:30 da manhã segurando um copo de café, achou tal história muito estranha, mas era melhor prevenir do que remediar. Afinal, a tal Verônica parecia lúcida, e por não saber quem realmente era ela, achou melhor só falar qualquer coisa que a desagradasse quando estivesse fora da sua casa.

Então o copo descartável com café foi depositado em sua mão, e foi ali que ela disse com ordem:

— Amanda, avisa ao Gustavo que você não vai trabalhar hoje.

Amanda até tentou dizer que não podia faltar no trabalho, contudo a mulher na sua frente a encarava com muita ênfase de que não a deixaria ir para sua atividade. O pensamento até mesmo camuflou o seguinte fato: como que Verônica sabia o nome de Gustavo?

***

Ainda em casa mais tarde, Amanda, que tinha em suas mãos o copo de plástico com todo o líquido marrom que a tal Verônica lhe deu, agora observava a mulher com seu gato Pudim no colo, acariciando as orelhas felpudas do animal. Pudim ronronava alto enquanto se esfregava nas mãos de unhas compridas e coloridas da mulher, que sorria fofa, diferente de outrora, quando soou diversas vezes sarcástica.

Como que ela sabia seu nome, o nome de seu chefe e até mesmo, sem apresentar, o nome do seu gato?

Até que os olhos castanhos encararam-na, tirando de Amanda novamente um rosto enrubescido, então enfática Verônica pronunciou, ainda fazendo carinho na orelha felpuda do gato caramelo:

— Deve estar se perguntando o que eu faço aqui, não é mesmo, Amanda?

A voz de Amanda saiu levemente esganiçada pela timidez, um sim, Amanda era sempre muito tímida, principalmente com pessoas que havia sido introduzidas há pouco tempo em sua vida. Se perguntasse para ela se em algum momento da sua vida estaria conversando com uma completa desconhecida na sua casa às 7 horas da manhã num dia útil, ela riria.

Pudim miou alto e saltou do colo de Verônica, indo em direção ao pote de ração. Viu a mulher misteriosa sorrir em direção ao animal e voltar-se para ela.

— Como havia dito mais cedo, estou aqui em nome de Eros. Pode parecer loucura, mas acabei tendo que passar dois anos no lugar do deus do amor. Em algum momento, se houver tempo, contarei, porém agora tem algo importante que eu preciso lhe falar.

Amanda piscou algumas vezes encarando a mulher de tez alva, incredulidade, e pela primeira vez teve coragem o suficiente para gesticular para a outra:

— Acha mesmo que vou acreditar no que você diz? — Amanda cruzou os braços no peito. — Fala, de uma vez por todas, o que você faz aqui. Quer dinheiro? Veio ao lugar errado!

Verônica estalou a língua no céu da boca, olhou para Amanda com ar de deboche e, ácida, pronunciou lentamente, como se estivesse ensinando uma criança a ser alfabetizada:

— Queira ouvir, queira, caso contrário, problema teu! — A mulher à sua frente a encarou incrédula, e Verônica prosseguiu: — Sei das modinhas de pessoas que andam fantasiadas para cima e para baixo nas ruas. Olha para minha cara, vê se eu tenho cara de quem andaria com arco e flecha e um par de asas em minhas costas. Garota, eu quero me matar desde que fui obrigada a fazer esse papelão! O que eu tenho a te dizer é sobre o seu amado Peter!

Peter? Amanda pensou quase suspirando ao ouvir o nome do amado. Ela guardava sentimentos pelo professor de história da arte do colegial. Ele não sabia que Amanda às vezes o via tocar com sua banda suas belas melodias. O ex-professor de Amanda era um homem belo, de queixo angular, o sorriso largo de dentes branquinhos e seus olhos azuis como o céu do meio-dia sempre viviam brilhantes.

Peter Carroll era sua primeira paixão, mesmo que inocente, por Amanda nunca ter conhecido outra pessoa que acelerasse seu coração, contava muito para ela, afinal nem mesmo Rubenita tinha ideia de quem era o amor secreto de sua irmã.

E fora a paixão reprimida que ela aguardava desde sua adolescência, Peter, longe das salas de aula possuía uma banda, com as melodias mais doces e as letras das músicas mais belas que Amanda já tinha ouvido em algum momento de sua vida. Por isso, quando Verônica pronunciou que o assunto a ser tratado era sobre o amado, a postura, que antes era de hesitação, agora estava mais aberta para a desconhecida.

Mesmo que os músculos do pescoço dela enrijecessem com a tensão pela quebra de seu paradigma matinal.

Ela mordeu os lábios nervosa e puxou a pele do dedinho com a unha roída, numa tentativa falha de acalmar o coração que agora não dava trégua. Quase perdeu a postura pela demora de uma fala da mulher à sua frente, que mais parecia diverti-se com a tortura. O silêncio de Verônica vinha junto de um risinho cínico, de um olhar presunçoso e de uma postura ereta com classe. Ela, depois de muito notar o desespero no rosto de Amanda, resolveu complementar o que dizia:

— Por algum motivo de sorte, que não dou a mínima, menina — desdenhou —, os Deuses gostam de você. E segundo Afrodite, que me deu esta missão, você e Peter são destinados um ao outro, e toda essa cafonagem de amores eternos e os cacetes todos!

Amanda estreitou os olhos, desta vez curiosa. Verônica parecia muito diferente de Eros, conforme a mitologia, a começar pela aparência andrógina. Se não fosse pelo cabelo pintado como os do Camaleão do Rock, acreditaria que, bem diante de seus olhos, estava Boy George.

Então foi aí que o inevitável aconteceu, e ela, curiosa, questionou:

— Você sempre foi Eros?

A mulher robusta lhe lançou um olhar presunçoso e respondeu sem rodeios:

— Não, apenas assumi seu lugar por causa de uma confusão.

— Quer falar sobre isso? — Amanda questionou gentil, quase amolecendo o coração da outra... quase.

Um sorriso amarelo foi direcionado a si.

— Agradeço a preocupação, Amanda, porém neste momento o foco é só um. — Ela sorriu com os dentes amarelos e tortos. — Acertar vocês dois com isso! — Os braços curtos e gordos retiraram uma flecha dourada com ouro maciço de suas costas, e Amanda arregalou os olhos. Será que doeria?

Como Amanda queria acreditar que aquelas palavras eram verdadeiras! Nunca pensou que teria tanta sorte em sua vida. Desde a formatura, sua vida resumia-se em estudar noite dia para o vestibular que não havia passado de cara e trabalhar para poder sustentar a casa. Saber que poderia ser tão feliz ao lado do amado a fazia acreditar que aquela mulher estranha, logo cedo na sua casa segurando um copo de café, com asas nas costas, um arco e flecha junto, era um anjo. Mesmo que seu mau-humor denunciasse o oposto.

Fez o qualquer pessoa em seu lugar Faria numa situação tão atípica como aquela: se beliscou. A mulher à sua frente, sentada na poltrona bege, sorriu de lado, era engraçado ver as atitudes humanas pelos olhos de um Deus, mesmo que Verônica não fosse de verdade um Deus.

**

A humana, símbolo de Eros naquele momento da Terra, encarava uma Amanda diferente da garota sonolenta que encontrou dias antes no banheiro da sua casa.

Amanda tinha os cabelos castanhos claros presos num rabo de cavalo alto e despojado, a sombra azul elétrica circulava os olhos castanhos da garota, assim como lápis preto emoldurando a base de seus olhos. Uma camada de rímel amarelo levantava os pelos dos olhos deixando-os curvados e emoldurados. Na boca um batom vermelho.

Tudo nela brilhava, desde os fios desprendidos saltando por seu rosto a até mesmo o blazer preto com ombreiras que usava por cima do conjuntinho monocromático vermelho. Com figurino como o de qualquer mulher de 20 anos em 1987.

Apesar de diferente da mulher sonolenta que Verônica encontrou dias antes, Amanda parecia tão desconcertada como em outro momento, e até encontrar seu ex-professor, que dançava balançando os braços de um lado ao outro, não soltou as mãos de Eros em nenhum momento, já a Verônica tudo que pensava era em acabar com aquele infortúnio o mais depressa e encher a cara.

Era uma das boates iguais nas noites de Chicago, naquele período do ano quente de manhã e agradável de noite.

Enquanto uma tentava encontrar o bar, se estreitando entre pessoas dançantes ao som de The last dance, a outra buscava com os olhos seu alvo, mesmo que Verônica tivesse garantindo que ela lançaria sobre Peter e ela uma flecha do amor de Eros.

Amanda sentia o coração palpitar, enquanto apertava sua mão na outra para controlar o nervosismo. Porém bastou seus olhos encontrarem o ex-professor que o coração dela começou a tamborilar forte, a boca secou quando ele a olhou e sorriu a reconhecendo. Pois nem precisou da flecha de Verônica/Eros: os dois souberam naquele momento.

Verônica, que chavecava o barman, apenas olhou para cena de Amanda, sorriu largo e disse baixinho apenas para si:

— Menos um, e logo me livro desse infortúnio!

O ar congelou no momento em que as notas de The last dance alcançaram o refrão, a batida dançante invadiu a pista semi-escura, Verônica retirou da bolsa uma das flechas antes de virar o drink amarelado conseguido de graça com o barman gatinho.

Somente ela se moveu naquele instante. Deixou os dedos finos deslizarem pelo arco de ouro. Como era bom ser um Deus.

April 10, 2021, 1:50 a.m. 2 Report Embed 2
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Presente dado por @isismarchetti - Isis

Aquele dia seria um dia incomum para si, sabia disso, pois estava acostumada a ler suas cartas de Tarot sempre antes de ir dormir, para saber o que o destino reservava para si no próximo dia. Era mais do que um hobbie, ela confiava nas cartas como confiaria sua vida a alguém importante e, para ela, tudo que estava ali era mais do que real. Noite passada, uma de suas cartas disse que ela conheceria alguém diferente, alguém que precisava de sua ajuda e que só ela poderia fazer diferença na vida dessa pessoa.

Após acordar cedo, fazer seu yoga e desfrutar de uma boa refeição, decidiu que já passava um pouco da hora de abrir sua pequena salinha, onde prestava atendimento para as pessoas que pediam para que ela lesse suas cartas. Modéstia parte, era a melhor nisso, passou com excelência nos testes de admissão e teve os melhores ensinamentos, não era pra pouco que ela era super-reconhecida no que fazia. Seus vizinhos a amavam, e pouco tempo atrás, quando deixou seu apartamento para morar em uma casa e abrir sua salinha de atendimento, levou consigo vários clientes que eram vizinhos de antiga moradia.

Apesar de ter inúmeros clientes que lhe eram muito queridos, naquele dia ela estava interessada em uma única pessoa. Era engraçado se sentir assim, já que ela não conhecia o dito cujo, mas algo em seu âmago dizia que, assim que ela batesse o olho na pessoa certa, a reconheceria. Seus instintos não dependiam do Tarot, mas ao longo dos anos foi obtendo tantos conhecimentos, que agora ela lia fácil não somente as cartas, como também os seres humanos.

Apesar de parecer clichê, ela adorava barulhos de sinos e, quando o da porta soou assim que alguém passou por ela, seu coração pulsou bem mais rápido, suas expectativas estavam tão para cima, que não conseguia deixar de se sentir nervosa.

— Em que posso ajudá-lo? — Sua pergunta morreu sem que ela pudesse proferir o resto.

A humana diante de si estava tão abatida, que era possível notar que alguma coisa não estava certa de bem longe. A aura à sua volta era pesada, poderia descrevê-la como uma névoa negra que, apesar de estar ao encalço dela, grande parte se concentrava nos ombros, fazendo com que ela tivesse uma ligeira inclinação para frente, como se aguentasse o peso todo ali, deixando sua postura curvada.

Nica, a cartomante, se levantou e se aproximou do seu mais novo cliente, seu coração batia tão depressa que parecia que sairia pela boca. Em sua frente estava quem as cartas disseram que precisaria dela, a pessoa para a qual ela faria diferença na vida e, como um piscar de olhos, sua ansiedade em conhecê-la mudou para ansiedade em poder ajudá-la o mais depressa possível.

Seu coração, amável do jeito que era, estava tão apertado, que mal conseguia se concentrar no que queria fazer.

Com as mãos trêmulas, se questionou como a pessoa reagiria ao seu próximo passo, mas, com o coração voltado a ajudar, cogitou que aquela resposta não faria diferença, então fez o que tinha que fazer. Com as mãos trabalhando depressa, abanou, como se espantasse um mosquito, toda aquela aura que rodeava o corpo daquele ser entristecido. Aquilo não era muito, mas seria o suficiente para aliviar toda aquela tensão do corpo pequeno e mirrado à sua frente.

— Ah... que alívio! — exclamou a mulher.

Sua postura relaxada demonstrava o quanto suas palavras eram verdadeiras.

— Parece que um peso saiu das minhas costas, sabe? A propósito, eu sou Isis — disse, um pouco mais à vontade diante da presença da cartomante.

— Bom, é um prazer conhecê-la, enfim...

Isis arqueou a sobrancelha, não sabia o que aquele enfim queria dizer, mas não queria se aprofundar naquilo, ainda mais quando notou a sinceridade nas palavras daquela mulher que havia acabado de conhecer.

—Sabe, as cartas me disseram que você viria — explicou a mulher.

O que era engraçado era que, apesar de Isis ser uma pessoa que se considerava cética, gostava de ouvir o que as pessoas tinham a dizer, e isso sempre a surpreendia, sempre houve nela um espaço para que pudesse ouvir as outras pessoas, e gostava disso. Cada pessoa era diferente, e cada uma delas tinha algo diferente para oferecer e ensinar. Era isso que a havia levado até ali. Apesar de se considerar cética, tinha pressa para saber o que o futuro estava reservando para ela, se possível.

— Desculpa o meu nervosismo, é a primeira vez fazendo isso — disse Isis, como se confessasse um segredo guardado a sete chaves.

— Bem que dizem que para tudo tem uma primeira vez, não é? — Nica tentou quebrar um pouco aquele clima de nervosismo da sua cliente.

Isis somente confirmou com a cabeça, inspirou fundo e em seguida expirou, buscando controlar sua ansiedade.

— Que tal começarmos com você me dizendo o que você espera dessa visita? — perguntou Nica, enquanto estendia o braço em direção ao sofá em que já estava sentada, em um convite para que Isis fosse sentar-se também.

Isis arranhou a garganta várias e várias vezes, todo aquele silêncio e nervosismo... parecia que ela não sabia por onde começar, até mesmo por sua reação, um tanto quanto esperada, já que a maioria das pessoas que iam pela primeira vez reagiam da mesma forma, algo nela era diferente e Nica havia notado assim que ela ultrapassou sua porta, só ainda não sabia o quê.

— É que eu quero saber se eu vou ser bem sucedida algum dia — despejou ela após um longo período de silêncio.

Nica tinha uma regra que era só sua, ela transmitia sua calma através do cuidado e silêncio, deixando que Isis absorvesse aquilo como uma deixa para que ela falasse quando se sentisse à vontade e aquilo sempre funcionava. Apesar disso, o que as pessoas não sabiam era o quanto ela se fazia de forte do lado de fora, mas por dentro ela relutava consigo mesma, pois tinha uma certa urgência em ajudar as pessoas que iam até ela.

— Posso assegurar que você está no caminho certo — disse sem nem esperar muito para poder responder.

— Mas eu quero saber se isso vai ser logo, meus amigos me disseram que o Tarot podia revelar...

— Querida... — começou Nica, pensando com tanto amor e carinho em como responderia aquela pergunta sem decepcionar Isis, mas querendo abrir seus olhos. — As pessoas costumam ser muito imediatas, mas se esquecem que primeiro precisamos plantar, depois regar e cultivar, tirar as daninhas, para só depois colher. — Conforme ia falando, se sentiu à vontade para pegar na mão daquela pessoa desesperada em saber sobre seu futuro, mas que olhava de uma forma errada. Como se quisesse pegar e acolhê-la. — O primeiro passo tenho certeza que você já deu, agora precisa ter paciência e fé de que vai chegar até o final.

Após proferir suas últimas palavras de conforto, abraçou aquela menina mirrada e viu Isis se derramar em lágrimas. Agora entendia qual era seu papel importante ao conhecer aquela vida, precisava salvar o futuro dela. E ter aquela luz iluminando aquela verdade bem diante de seus olhos a fazia sentir como se tivesse nascido para aquilo.

Assim como foi com Isis, Nica salvaria muitas outras vidas.

April 10, 2021, 1:46 a.m. 1 Report Embed 2
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Presente dado por @alexisrodrigues - Alexis

Sinopse: A mente humana é, indiscutivelmente, um dos lugares mais assustadores que existem. Os crimes mais hediondos lá germinaram, as maiores histórias de terror saíram de uma mente humana. Os desavisados tendem a acreditar que a mente de um escritor é um lugar colorido e cheio de vida, onde tudo é possível e todos os personagens são maravilhosos, mas somente um escritor reconheceria o horror de estar preso na cabeça de outro. Quando Amy acorda em um lugar estranho, rodeada de desconhecidos, ela foi sufocada por um horror desconhecido: a cabeça de Alexis.

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Único

O frio em seus ossos foi a primeira coisa da qual se deu conta. Quando abriu os olhos, não enxergou nada direito, sua visão estava embaçada. Tudo estava escuro, mas ela entendeu que estava deitada em uma cama. Dolorida, sentou-se devagar, no que uma forte luz branca se acendeu acima dela. Vendo nada além de silhuetas, tateou o que estava ao lado da cama, provavelmente uma mesinha de cabeceira, e percebeu que seus óculos estavam lá. Aliviada, colocou-os no rosto.

E o alívio acabou ali mesmo.

Porque ela estava presa em um quarto acolchoado, cuja porta era de metal maciço.

‘‘Quê?’’, pestanejou repetidamente. ‘‘Onde eu tô?!’’.

Se levantou rapidamente, imaginando como iria abrir a porta. Para a sua surpresa, não precisou de grandes esforços. Assim que pôs a mão na maçaneta, ela girou e a porta se abriu, levando-a a um corredor largo, igualmente acolchoado.

Branco demais, claro demais. Aquilo era um método de tortura, não?

– Pst! Ei!

Uma vozinha baixa chamou sua atenção, obrigando-a a se virar e ver quem era.

De dentro de outra sala, esticando apenas a cabeça para fora, uma coisinha pequena, que se parecia com uma mulher, de grandes pés descalços peludos e volumosos cachos cor de fogo a espiava, gesticulando para que se aproximasse dela.

– Venha! Venha logo, antes que ela apareça! – sussurrava com urgência.

– Ela quem? – Amy franziu o cenho.

A pequena mulher se assustou com algo e correu de volta para o interior de sua sala, fechando a porta rapidamente. Amy engoliu a seco, sentindo uma presença atrás de si. Virou-se devagar, esperando que, quem quer que fosse, não lhe fizesse mal.

Mas foi como se tivesse visto um fantasma.

Aquele traje específico de médica, o broche de cabra na lapela do jaleco azul, os cabelos castanhos em um ombré loiro nas pontas onduladas e os grandes óculos redondos não lhe deixavam duvidar:

– Mia? Mia Morgasdóttir?

A mulher pálida à sua frente mudou de aspecto mais rapidamente do que Amy gostaria. Sua faceta demoníaca surgira: as patas de cabra no lugar de pernas, garras negras afiadas no lugar de mãos e grandes chifres em sua cabeça.

Ela segurou Amy pelo pescoço, segurando-a contra a parede acolchoada enquanto a encarava com grandes olhos negros.

– Como sabe o meu nome? – a voz monstruosa ecoou no corredor.

Como poderia explicar aquilo sem que parecesse loucura? Havia saída melhor além de ser honesta? O fato de Mia estar bem à sua frente a fazia crer que aquilo se tratava de um sonho inofensivo, então o que de pior poderia acontecer?

– Eu li a sua história – respondeu nervosa, erguendo as mãos em rendição.

– Minha história? – Mia franziu o cenho.

– Sim, eu li a fanfic onde você era a personagem principal. A propósito, eu sou sua fã – sorriu nervosa, esperando não ser morta por uma personagem querida. – Muito legal a forma como você cuida do ruivinho lá, eu amo ele.

Mia soltou sua garganta, sua expressão confusa enquanto assumia sua forma humana novamente.

– Conhece o meu aprendiz?

– Conheço todo mundo ali – Amy sorriu. – Eu amo vocês todos.

Mia piscou algumas vezes e então semicerrou os olhos.

– Como...?

– Ah, então, não sei como te contar isso, mas... Você é uma personagem original criada para uma fanfic. No meu mundo, você não existe, apenas no seu.

– Ah...! – desviou o olhar, se afastando. – Isso explica muita coisa. É por isso que os outros estão aqui, então? – apontou para as celas.

– Como assim, do que está falando?

Mia gesticulou para que Amy a acompanhasse, no que abriu a janelinha de uma das portas de uma das celas. Espionando o interior, Amy não reconheceu quem estava lá, mas era uma mulher de cabelos loiros curtos, acorrentada em grandes grilhões dourados firmemente presos ao chão e ao teto. Ela estava em uma armadura grega branca e seus olhos estavam vendados, além de a boca estar amordaçada.

– Quem é essa?

– Atanasia. Não conhece?

– Bem, não. Não sei de qual história ela é.

– Segundo os cochichos, ela era uma amazona do exército de Hades, fez parte de uma aliança de deuses contra o rei deles. Como traidora dos deuses, ela foi punida. Ao que parece, mesmo aqui ela ainda está acorrentada, é poderosa demais.

– Quem é a mulher ruiva que falou comigo?

– Ah, aquela é a pequena hobbit, Belladonna, esposa dum rei elfo aí. Fofinha, não? Nem parece ser capaz de acertar seu olho com uma flecha de cima de uma árvore na calada da noite.

– Meu Deus – Amy estremeceu. – Quem mais está por aqui?

Mia assoviou, alto o suficiente para que os ouvidos de Amy doessem, e logo outros surgiram. Todos personagens de histórias que ela não havia lido. Mas a pergunta que não queria calar era:

– Por que os personagens da Alexis estão aqui?

Uma longa conversa se seguiu entre todos eles. A maioria era personagem original de fanfics, mas outros personagens, oriundos de contos originais e afins, também estavam lá.

Aparentemente, segundo eles entendiam, sua criadora estava em um coma. Alguns de seus personagens mais poderosos haviam raptado a versão de Alexis que existia ali entre eles. Ninguém sabia que mundo era aquele onde se encontravam, sabiam apenas que ela era sua criadora e que nada do que estavam fazendo estava funcionando para fazê-la acordar.

Alguns estavam deveras rancorosos com sua mãe, vulgo, a autora e criadora deles todos, e outros, apesar do rancor e do ódio, estavam ansiosos para sair dali, mas havia aqueles que estavam ansiosos para matar a autora com as próprias mãos.

Motivo pelo qual Atanasia se encontrava presa naquela cela. Ela tinha o poder de uma deusa, considerando suas origens, obscuras aos leitores, mas de conhecimento de todos os outros personagens, e fora treinada desde o berço para matar qualquer um se seus superiores ordenassem, mas, ao que parecia, só havia dois deuses ali, ambos também presos, e nenhum deles conseguia controlar Atanasia.

Naquele lugar, um falso hospital psiquiátrico, estavam os personagens sem poderes, os personagens que não obedeciam ordens e não podiam ser controlados, e os personagens que não concordavam com aqueles do outro grupo, que havia os colocado ali à força.

– Antes de ser enfiada aqui, ouvi que há outro grupo, outros personagens, alguns absurdamente poderosos – disse a outra Mia, Mia Stark, da segunda versão de uma fanfic. – Eles se uniram e criaram uma fortaleza, estão mantendo-a lá. Aqui nós somos todos inúteis.

– Por quê?

– Tentamos de tudo para sair – respondeu outra Belladonna, de outra fanfic do mesmo jogo de onde Mia Morgasdóttir saiu. – Magia, tecnologia, mas nada surte efeito. Sempre que destruímos uma porta ou parede, ela se refaz.

– Ué – Amy pôs as mãos na cintura. – Já tentaram abrir com uma chave?

– As chaves não funcionam.

– Cadê?

– Ô Astéria, traz as chaves aí! – Belladonna gritou para uma personagem sentada no final do corredor, uma garota de longos cabelos negros lisos.

– Você tá muito zueira, sua bruxa! – Astéria gritou de volta. – Esqueceu que fantasma atravessa as coisas, sua palhaça?!

– Ou eu sou uma bruxa ou sou uma palhaça, os dois não dá!

– Pelo amor de Deus – Amy deu um facepalm em si mesma. – Me diz onde elas estão e eu mesma pego.

– Cada porta está com uma chave na fechadura – explicou Asphodel, outro fantasma, se aproximando. – Os gênios nem fizeram questão de guardar.

– Adianta nada guardar se elas nem funcionam – a pequena hobbit deu de ombros, suspirando.

– Tá, eu vou tentar abrir – Amy disse determinada, enchendo o peito de coragem. – Qual é a pior coisa que pode acontecer, né mesmo?

– Você não conseguir abrir é o pior – respondeu Iberis, o terceiro fantasma, juntando-se aos amigos no corredor.

Amy respirou fundo, prendendo os cabelos em um pequeno rabo de cavalo e ajeitando os óculos no rosto.

Aquele corredor só tinha uma saída, que dava para um grande refeitório, onde havia uma porta ao sul. A outra saída ficava na cozinha e a outra era pelos esgotos, através dos banheiros, por onde ela definitivamente não tentaria sair nem que lhe pagassem dois reais em barras de ouro.

Foi em direção à porta que estava mais próxima: a do refeitório. Era uma porta pesada de metal, assim como as das celas, e logo todos os personagens que não estavam trancafiados nas celas correram para o refeitório para ver sua tentativa.

– Aposto um kibe que ela não vai conseguir – ouviu Astéria comentar com a hobbit.

– E como você vai conseguir fazer um kibe com as suas mãos de vento? – ouviu Mia Morgasdóttir perguntar.

Astéria apenas rosnou em resposta, ofendida.

Amy começou a pensar no que fazer. Teoricamente era só girar uma chave, certo? Mas se os outros não queriam que eles saíssem, que garantias ela tinha de que aquilo funcionaria? O que ela teria que fazer para que daquela vez fosse diferente? Nem magia e nem tecnologia funcionaram para abrir as portas, então o que poderia...?

Ela teve um estalo.

‘‘E se...?’’.

Segurou a chave e a girou, no que foi possível ouvir algumas engrenagens na porta fazendo barulhos por dentro.

E abrindo para fora.

Amy ouviu os personagens gritando animados aos pulinhos, se abraçando, comemorando sua liberdade.

– Er... Pessoal? – ela chamou a atenção dos demais. – Temos um problema.

Logo os personagens se aproximaram da porta, percebendo que Amy não se arriscava a dar nenhum outro passo para fora.

Havia muitas sombras em meio a uma espessa névoa, mas era possível notar que, quem quer que fossem, trajavam variadas armaduras, variando de armaduras completamente negras a armaduras douradas.

– Quem são eles? – Amy perguntou.

– Ah, merda – Mia Morgasdóttir praguejou e desviou o olhar. – Guerreiros. Alguns são do Séquito de Morrigan, guerreiros já mortos, outros são soldados de Hades, Poseidon e Ares.

– Não é só vocês... Sabe? – Amy arqueou as sobrancelhas. – Você tem a força de um exército.

– Aqueles ali são imortais. Acredite, nós lutamos com eles antes de sermos enfiados aqui, não deu certo.

– E agora, o que faremos? – a pequena hobbit perguntou chorosa.

Morgasdóttir trocou um olhar com Mia Stark, e com os três fantasmas, que foram rápidos em dizer que era uma péssima ideia. Amy nada entendeu, mas não teve tempo de perguntar, já que Stark começou a puxá-la de volta para dentro, levando-a até a cela de Atanasia.

– Se você conseguiu abrir a porta, vai conseguir soltá-la – disse enquanto destrancava a cela.

– Mas vocês disseram...

– Eu sei que só você pode fazer isso e eu já entendi o motivo. Nos economize tempo e solte ela, por favor.

– Se ela é perigosa agora, o que te faz pensar que ela não vai ser depois?

– Você é uma criadora, é uma mãe, igual a que eu tenho, então pode mudar a Atanasia e nos ajudar.

– Não é assim que funciona.

– E por que não? Você cria coisas, e...

– Eu não criei a Atanasia, ela não se dobrará a mim. Eu só posso controlar quem eu criei, Mia, e eu não criei vocês.

Stark não estava satisfeita, por motivos óbvios, e outros pares de olhos curiosos logo estavam as espionando, no final do corredor.

Mas Mia Stark não desistia facilmente.

– Precisamos arriscar, ou ficaremos presos aqui – abriu a porta, gesticulando para que Amy entrasse.

– Essa decisão não é só sua, pirralha! – a outra Mia chamou a atenção da dupla. – Isso diz respeito a todos nós!

– Você tem uma ideia melhor?

– Não, mas se você estiver errada, teremos um problemão à solta.

– Atanasia lutou com muitos dos que estão lá fora! Só precisamos convencê-la a lutar ao nosso lado, e ganharemos tempo até chegar na Mãe!

– É? E quem vai convencer a matadora de deuses?

– Ela, obviamente – apontou para Amy.

– Eu?!

– Sim. Você é uma criadora, vai saber o que dizer – empurrou-a para dentro e fechou a porta.

Amy engoliu a seco, sentindo as pernas bambearem. À sua frente, uma mulher aparentemente indefesa, de quem todos tinham medo. Lá fora, milhares de guerreiros, alguns mortos, alguns vivos, todos perigosos. Ela não tinha a menor vontade de ficar presa ali, então, se a sorte estivesse ao seu lado, ela não morreria, e nenhum dos personagens.

Aproximou-se de Atanasia, removendo o pano amarrando sua boca, no que a amazona parecia prestes a lhe perguntar algo, mas sua voz não saía. Provavelmente não bebia nada havia algum tempo, então Amy se apressou em se explicar, esperando que aquilo não irritasse a personagem.

– Oi, Atanasia. Você não me conhece, eu não te conheço, mas eu estou aqui para te soltar. A única coisa que eu peço em troca é que me ajude a encontrar Alexis e acordá-la, para que todos nós possamos ficar bem. Brigar entre si não é bom para nenhum de vocês, sabe? Brigar apenas vai mantê-los aqui, desgovernados, sem rumo, por mais tempo. Ouvi dizer que você é muito poderosa. Eu conheço Alexis, no meu mundo. Acredito que ela criou você com a melhor das intenções. Você é uma amazona, deve ser uma heroína. Poderia ser uma heroína aqui também? Poderia nos ajudar?

Amy continuou, retirando a venda que cobria os olhos da amazona, que abriu os olhos com dificuldade. Com um fio de voz, perguntou:

– Conhece a minha mãe?

Alguns minutos depois, quando a maioria já estava crente de que Amy não conseguiria nada de Atanasia, as duas saíram da cela onde ela esteve presa.

– Alguém dê água e comida pra ela! – a criadora pediu. – Ela precisa comer alguma coisa antes de meter a porrada naquele pessoal lá fora!

A hobbit encarou o fantasma de Astéria.

– Está me devendo um kibe.

– E agora, o que eu faço? – Amy se aproximou de Morgasdóttir.

– Tem esses dois – caminhou em direção a uma cela. – Nêmesis e Loki, a deusa olimpiana da vingança e justiça divina, e o deus nórdico do fogo, caos e mentiras.

Amy ficou atônita em ouvir aquilo, sentindo o coração bater mais rápido.

– Você disse... Loki?

– Sim.

O Loki?

– Sim, caramba, o Loki!

– Pode abrir a porta – Amy endireitou a postura, uma aura de confiança tomando conta de todo o lugar, no que Morgasdóttir trocou um olhar confuso com Stark, mas no fim deu de ombros e abriu a porta para a autora entrar.

– Tem certeza de que pode fazer isso? Ele é conhecido por passar a perna em todo mundo.

– Eu sei – ela abriu um largo sorriso. – Deixa comigo – deu uma piscadinha e então entrou, fechando a porta por conta própria.

Os outros personagens, sem saber muito o que fazer, se afastaram, dando de ombros, e esperaram no refeitório por um sinal, enquanto conversavam cautelosamente com Atanasia, temendo incitar sua fúria.

E muito para sua surpresa, Amy saiu daquela cela acompanhada de Loki e Nêmesis, caminhando confiante até a mesa onde Atanasia estava comendo. Por um momento, os demais personagens se afastaram, temendo por suas vidas, mas Atanasia se ateve a entreolhar os dois deuses e os ignorar em seguida.

Amy se sentou à mesa, seguida pelos dois.

– Hora de discutirmos o nosso plano de invasão à fortaleza dos vilões.

~

A visão não era das melhores, é claro. A névoa espessa não facilitava em nada as coisas, e aquele mundo estar escurecido sob um sol opaco e moribundo.

Loki, em sua forma equina, estava prestes a sair pela porta do refeitório. Amy, montada às suas costas, segurava firmemente em sua crina. Nêmesis, flutuando acima deles, assim como Atanasia, segurava sua espada, ansiosa. Morgasdóttir estava à frente deles todos e sinalizou aos demais personagens.

A hora havia chegado.

Morgasdóttir avançou, abrindo caminho para as demais com sua forma demoníaca. Atanasia e Nêmesis a ajudavam naquela tarefa, facilitando a passagem do deus caótico com Amy às suas costas. Stark e a pequena hobbit guardavam as costas dos demais personagens indefesos, que seguiam caminho atrás do cavalo.

Amy, que nunca esteve em um campo de batalha, tremia com toda a adrenalina em seu corpo. O que aconteceria se ela morresse ali? Não sabia ao certo se era um sonho ou se estava presa em uma realidade paralela. As regras daquele mundo lhe eram desconhecidas em sua maioria, mas ela daria o melhor de si para que todos saíssem dali com suas existências intactas.

Foi então que os verdadeiros chefões começaram a aparecer.

Chefonas, para ser mais exata.

Nêmesis havia alertado sobre os poderes das demais personagens que haviam se recusado a abandonar a mãe. A primeira, Erika Storm, e a nova versão dela, Sisipho. A primeira era uma mutante telepata perigosíssima, capaz de gerar campos de força, usar telecinese, entre outros, e que havia trabalhado como mercenária por muito tempo, não tendo problema nenhum em sujar as mãos de sangue. Sua segunda versão era um pouco mais misericordiosa, mas não menos letal. Diziam ser Sekhmet reencarnada, pois era capaz de se transformar em uma leoa à vontade.

Quando elas apareceram, Nêmesis surgiu para contra-atacar, muito para o alívio de Amy e Loki, mas todos sabiam que o verdadeiro perigo ainda não havia mostrado as caras. Não, não, o verdadeiro perigo tinha muitas versões, mas a versão mais nova, a última, era a pior de todas.

Olivia Teller.

A mais leal dentre os filhos de Alexis e a mais letal, pois, segundo diziam, ambas já haviam se encontrado antes e ela havia entendido os motivos de sua criadora fazer sua história daquela forma.

A fortaleza estava guardada por mais guerreiros do Séquito de Morrigan, mas Nêmesis não perdeu tempo. Loki também se usava de magia para tirá-los do caminho, impedindo que ferissem Amy em suas costas.

Assim que entraram, ele se metamorfoseou de volta à forma de deus e ambos seguiram escadarias acima até o segundo andar, onde encontraram a versão de Alexis que existia naquele mundo.

E aquela... Não se parecia com Alexis.

Aquela tinha o mesmo rosto de Olivia Teller.

– O quê...? – Amy se aproximou, sem entender. – Essa não é a Alexis.

– O quê? – Loki perguntou confuso, erguendo uma barreira ao redor deles, notando a aproximação de Olivia. – Como não? Essa é a autora!

– Não, não é! Esse rosto não é o dela!

– Eu vou lhe dar a oportunidade de ir embora agora – Olivia encarou Amy. – Lhe mostrarei misericórdia em respeito à minha mãe. Vá embora e nos deixe.

– Sem chance! Se ela não acordar, vocês vão se destruir!

– É o fim que merecemos. Somente os fortes permanecerão. Todo o resto será descartado e destruído.

– Seja lá o que vai fazer, faça logo! – Loki implorou, nervoso, assumindo sua forma primordial de chamas no momento em que Olivia quebrou seu escudo.

Uma violenta luta se deu início entre os dois. A versão de Alexis do que era Loki e sua criação original, Olivia. Lá fora, a batalha entre os demais continuava. Havia muitos personagens indefesos lá embaixo, que logo virariam poeira se ela não fizesse nada.

Como acordaria Alexis?!

– Ei, sou eu, Amy! – ela se ajoelhou ao lado da cama onde ela estava, segurando sua mão. – Eu não sei o que tá rolando, mas se você não acordar, seus personagens vão se destruir! Eles precisam de você para continuar existindo, sem você aqui só há caos e destruição! Você precisa acordar e assumir o controle do que tá na sua cabeça, Alexis!

Mas aquele discurso obviamente não funcionou.

Amy sentiu o coração apertar quando percebeu que Olivia estava prestes a quebrar o pescoço de Loki.

Não.

Ela não suportaria ver seu amado Loki morrer de novo.

– Se você não acordar agora mesmo, Olivia vai matar o Loki! É isso que você quer?! Você quer sofrer com a morte dele de novo?! Você não o ama mais...?! É isso que vai deixar que eles façam?! Vai deixar eles se destruírem, Hana?!

Olivia se virou abruptamente ao ouvir aquele nome, imediatamente desinteressada em matar o deus, mas Loki correu ao seu encalço, segurando-a e jogando-a longe, envolvendo-a em labaredas azuis na tentativa de pará-la.

A forma mais fácil de controlar uma coisa é nomeando-a.

Não a Mãe, não a Criadora, não Alexis.

Hana.

– Acorde logo antes que todos eles morram!

Olivia desvencilhou-se de Loki, prestes a golpear Amy em cheio.

Mas Amy segurou seu punho no último minuto.

– Você não tem poder aqui! – Olivia se enfureceu. – Quem pensa que é para entrar e agir como bem entende?!

– Eu sou uma criadora – Amy se levantou, esmagando o punho de Olivia em sua mão. – Eu sou uma Mãe e você é apenas mais uma personagem dentre tantas, uma que pode ser destruída e refeita como ela bem entender, então coloque-se no seu lugar!

– Você não é a minha Mãe! – Olivia mostrou uma feição mais sombria, os olhos enegrecendo completamente.

– Mas eu sou.

Aquela voz...

Olivia se afastou de Amy imediatamente, curvando-se e baixando sua cabeça. Amy virou-se para ver Alexis, não, Hana, de pé, atrás de si. Não se parecia mais com o avatar que usava nas redes sociais, o mesmo rosto de Olivia.

Estava usando seu verdadeiro rosto, com óculos e tudo.

– Obrigada por me acordar, Julia – ela fitou Amy por um momento, se aproximando. – Obrigada por salvar os meus filhos. Está na hora de acordar.

Hana estendeu dois dedos sobre a testa de Julia e então...

Nada.

Julia demorou algum tempo para sentir seu corpo novamente e, quando sentiu, estava dolorida. Ao abrir os olhos, percebeu que estava sentada na frente do computador, com um post da Comunidade ainda por fazer.

Pestanejou, confusa, ajeitando o óculos sobre o rosto.

Aquilo foi um sonho?

Pegou o celular ao seu lado, pensando em que tipo de mensagem enviaria para ela, mas no fim...

Talvez fosse melhor não saber.

April 10, 2021, 1:42 a.m. 0 Report Embed 2
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