u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

1984. Dois agentes de campo da CIA são enviados à Nagônia, uma república pró-soviética na África Central, para participar de uma operação com o objetivo de derrubar o governo. Um deles é um jovem descendente de irlandeses chamado Bruce Goldfield. Seu alvo é Slavin, agente da KGB supostamente responsável por liderar as forças soviéticas no país. Codinome “Maneater”. Em meio a reviravoltas, Goldfield descobrirá a verdade sobre Slavin, que as ações soviéticas na Nagônia são muito mais complexas do que aparentam, e que armas nucleares não são a ameaça definitiva da Guerra Fria. Primeira história das “Crônicas de um Espião”, uma reimaginação de tramas de espionagem criadas por mim na adolescência e que originaram o pseudônimo “Goldfield”. História parte do ADAMSVERSE.


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Prólogo

Crônicas de um Espião:


Memórias de Bruce Goldfield


CONFIDENCIAL


Prólogo


Cairo, Egito, maio de 2002.


O sol banhava a metrópole árabe em ofuscantes espectros dourados – a silhueta das pirâmides, distantes mas imponentes no subúrbio de Gizé, só rivalizando com os minaretes postados como lanças por toda a paisagem. No topo destes, diversos fiéis entoavam orações convocando a comunidade à prece da sexta-feira, ao mesmo tempo em que as ruas e avenidas se enchiam gradativamente de ônibus e automóveis, o misticismo tradicional misturado à pujança de uma complexa cidade moderna.

Num dos bairros mais distantes do centro, a rotina das vielas era quebrada por silhuetas estranhas aos moradores – embora poucos estivessem fora de suas casas, ou às janelas, para vê-las. Apenas um comerciante descarregando mercadorias de uma van ao seu bazar ainda fechado, e uma criança na rua sem o consentimento dos pais, puderam enxergar os misteriosos visitantes: homens de colete, capacete, veste tática e submetralhadora avançavam em movimentos coordenados pelo perímetro de alguns quarteirões, convergindo a um prédio de apartamentos em específico. O menino, que brincava com soldadinhos em miniatura, olhou para as peças de plástico num misto de temor e empolgação, perguntando-se a respeito de sua imaginação finalmente ter ganhado vida...

Aquele destacamento não estava ali se divertindo, no entanto; nem tomando parte em qualquer espécie de treinamento. A ausência de símbolos ou etiquetas de identificação nos uniformes, por sinal, depunha mais sobre sua lealdade do que poderiam considerar. A tropa da WACSF – a Worldwide Agent Consortium Special Force – deveria surgir e desaparecer com seu objetivo cumprido e o mínimo de testemunhas capazes de elaborar qualquer relato coerente sobre sua passagem, tornada apenas "lenda urbana" ou um relato a mais em algum obscuro site conspiracionista da Internet, igual destino de muitas outras de suas operações passadas.

O propósito daquela, em particular, sendo caçar um homem.

Os membros do destacamento surgiram de todos os lados do prédio, assegurando com rapidez as possíveis entradas. Enquanto alguns soldados permaneceram no exterior em vigília, outra parte entrou, acelerando pelos blocos de escada com discrição e cautela rumo ao quarto andar.

Esses grupos menores, flagrados por esparsos moradores que tiveram como reação universal trancarem-se assustados em seus apartamentos, reuniram-se todos diante do imóvel 404 – o número preso à porta em algarismos metálicos. Na mente dos oito combatentes, surgia como distração imaginar o que os inquilinos pensavam sobre sua presença, a vida num mundo pós-11 de setembro fornecendo fachadas interessantes que a WAC não se furtava em utilizar. Talvez fossem soldados de elite dos EUA em busca de um integrante da Irmandade Muçulmana, quiçá da própria Al-Qaeda...

O que nenhum dos egípcios vivendo no prédio poderia imaginar era aqueles homens preferirem enfrentar mais de cem terroristas de uma só vez do que o indivíduo que supostamente se encontrava no apartamento.

E o prazo para arrependimentos terminou quando dois deles arrombaram a porta usando um pequeno aríete.

A tropa confluiu para dentro da residência no procedimento padrão: armas apontadas, os olhos atentos e miras laser esquadrinhando cada centímetro possível. À primeira vista, não passava de um típico domicílio árabe. Pratos com restos de um cordeiro jantado na noite anterior ainda estavam sobre a mesa da cozinha, junto a taças com resquícios de vinho. Um tapete disposto em meio à sala de estar voltado a Meca acusava que o alvo ainda estivera ali aquela manhã realizando a primeira oração do dia. Nenhum dos outros cômodos revelou sua presença, no entanto. Tampouco das outras duas procuradas.

Instantes mais tarde, os invasores se reuniram à sala, um pouco mais relaxados diante da perspectiva de não terem membros quebrados ou baleados. Nenhum deles participara da incursão em Havana, mas diversos de seus conhecidos da WACSF permaneciam hospitalizados. O alvo adotara a prática pessoal de não matar sempre que possuía a opção de escolher – ainda que isso gerasse o dilema sobre o fim imediato ser preferível a uma vida lidando com as sequelas. O alívio momentâneo de não ter de lidar com isso, porém, apenas anunciava que dentro em breve aquela angústia se repetiria em alguma outra parte do mundo.

– Nenhum sinal deles, senhor! – um soldado informou ao major liderando o destacamento, após retornar do dormitório junto a um companheiro.

– Droga... – embora abafada pela máscara, a queixa do superior soou genuína.

Alguns dos combatentes, todavia, seguiram revirando o apartamento. Entre roupas atiradas pelo chão e objetos triviais – de um aspirador de pó a um cubo mágico – um deles encontrou uma caixa de papelão um tanto suspeita. Não precisou verificá-la por mais de segundos para encontrar algo relevante:

– Hei, vejam isto! – reportou, tendo uma fita de vídeo em mãos com a inscrição "Testamento" escrita a caneta em sua etiqueta, retirada dentre outros artefatos que incluíam um caderno de anotações possuindo o mesmo título à capa.

O major avançou em meio aos comandados, tomando a fita dos dedos daquele que a encontrara.

Havia na mesma sala, sobre uma televisão, um aparelho de videocassete. O líder do grupo ligou-o.

– Senhor, se me permite... – oscilou um dos soldados, o receio tão perceptível em sua fala quanto a responsabilidade. – Nós deveríamos entregar esse material à perícia...

De início ignorando o comentário, o major ativou também a TV. Já estava programada no canal do videocassete, a tela preta apenas aguardando a inserção da fita. Não precisava, mas ainda assim resolveu responder ao subordinado:

– Esse filho da puta... Eu preciso saber. Nós precisamos. E isso não pode esperar!

A fita deslizou para dentro do aparelho e, após breve chiado no monitor, começou a ser reproduzida.

Sentado diante de um fundo branco improvisado por um aparente lençol, um homem de camisa de botões azul, calça jeans e coturnos; turbante e lenço enrolados à cabeça deixando apenas seus olhos expostos, passou a encarar os soldados.

– Olhem isso... – zombou um deles, apontando desconcertado à TV. – Parece mais um daqueles fanáticos!

– Silêncio! – o major ordenou ríspido, uma mão erguida como reforço.

Tendo sua voz misturada apenas, fora do aparelho, ao recitar do Alcorão vindo das mesquitas do bairro, o homem no vídeo começou a falar:

Você já acordou alguma manhã atordoado, perguntando-se sobre a razão de precisar levantar para o trabalho, reproduzir a mesma rotina... Seguir uma série de passos não traçados por você até sua morte inevitável? Teve a sensação de sua vida não ser sua, de haver alguém puxando as cordas por você?

O silêncio no apartamento podia ser fruto de alguns dos combatentes refletirem sobre a razão de pararem para ouvir aquelas besteiras, proferidas por um maldito traidor, alguém que se voltara contra e passara a desrespeitar tudo que eles representavam... Outros, entretanto, já haviam, sim, despertado com aquele pensamento. Inclusive naquela própria manhã, quando lançados contra um antigo colega e havendo claro risco de vários, senão todos, serem gravemente abatidos.

Cresci numa família católica. Apenas recentemente descobri que minha verdadeira obediência a Deus deveria percorrer outro caminho. Mas algo comum a todas as religiões abraâmicas, incluindo nisso o judaísmo, é a força e prevalência da verdade.

Se antes predominava a raiva entre aqueles homens, a reação ao vídeo se convertia agora em atenção.

Eu lhes digo: de uma forma ou outra, o mundo conhecerá a verdade. É assim que pretendo pagar minha dívida para com a humanidade.

O indivíduo de turbante prosseguiu ao início do que pareceu um relato, ao mesmo tempo em que o major examinava a caixa na qual a fita fora encontrada.

Intrigado, apanhou o caderno. Um breve folhear revelou que a totalidade de seu interior estava preenchida a mão.

Pousou o volume sobre um punho, abrindo a capa...

Minha história começa também aqui na África, mas mais ao sul... Num país que, como outros, jamais mereceu no Ocidente mais que uma breve menção em noticiários de TV ou uma nota de rodapé nos jornais...

Naquele dia, a WACSF não desapareceria de cena tão repentinamente como o costume.

11. April 2020 21:00:25 4 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Tomas Rohga Tomas Rohga
Começo instigante!
April 29, 2020, 19:25

Raquel Terezani Raquel Terezani
Olá, Luiz! Sou da equipe de verificação e venho lhe parabenizar pela verificação da sua história. A temática da sua história, espionagem, me surpreendeu muito, é raro encontrarmos um plot tão único em plataformas de auto publicação gratuita. A caracterização detalhada dos países (Egito e o fictício Nagônia) dá ainda mais riqueza à história e a voz de Bruce Goldfield me fez viajar para dentro do mundo da espionagem, me fazendo imaginar estar dentro de um filme de ação. Também não posso deixar de destacar a ortografia e gramática que estão bastante profissionais. Além disso tudo, o que tornou a trama ainda mais verossímil foi a inclusão de fatos históricos reais para contextualização da história. Continue assim! Obrigada e até breve.
April 27, 2020, 14:32

  • Luiz Fabrício Mendes Luiz Fabrício Mendes
    Que legal! Muito obrigado pelo comentário positivo. Tenho muita preocupação com a verossimilhança do que escrevo, e ver alguém destacar esses elementos inseridos para tornar a narrativa mais rica e envolvente é muito gratificante. Obrigado pelos elogios e o apoio. Com certeza continuarei assim, hehe! Abraços. April 27, 2020, 14:58
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