whatapanda Políbio Manieri

Com a chegada de um novo vizinho e seu filho, parece haver um tumulto interminável na porta da frente. Não é nada fácil ser pai solteiro, mas eles vão dar o melhor de si.


Fan-Fiction Anime/Manga Alles öffentlich.

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Novas Amizades

Ainda era bem cedo, Metal Lee conseguia saber pelo ar frio que entrava pela janela aberta e o piar dos passarinhos que se amontoavam cada vez em maior quantidade porque tinha visto outro dia que o vizinho de cima mantinha um canteiro com água e comida pendurado na grade.

Ele não dormia de cortinas fechadas, mas ainda não havia sol o suficiente para que se incomodasse, iluminando o quarto de maneira bastante confortável e também bastante preguiçosa. Parecia a luz da sua lanterninha de dormir, por isso Metal gostava muito de ficar deitado nessas condições.

Já conseguia escutar algum movimento pela casa. A batida de portas, o chuveiro ligando e passos, os sons da manhã que em sua cabeça funcionavam em uma devida ordem. Ele ainda não conseguia ler as horas no relógio analógico pendurado na sua parede, mas pelo ouvido sabia quanto tempo demoraria até os sons virem parar na sua porta.

- Metal, está na hora da escola!

Ele ouviu seu papai dar três batidinhas na madeira entreaberta enquanto o chamava, julgando ser suficiente.

Metal Lee não era uma criança difícil pela manhã, mas ainda assim ele era uma criança de todo jeito, então apenas gemeu em desagrado enquanto virava pro outro lado puxando as cobertas sobre si, de costas para a porta.

Ele fazia essas pequenas manhas de propósito porque era o tipo de coisa que ia obrigar Lee a entrar no quarto para executar o plano B e Metal adorava o plano B.

Quando começou a sentir beijinhos espalhados pela sua cabeça e cócegas na barriga ele não conseguiu mais fingir que dormia e se encolheu, gargalhando. Lee sorria também.

- Vamos, seu dorminhoco! – ele deu um último beijo mais demorado, enquanto se levantava de onde estava ajoelhado – Você vai se atrasar.

Metal chegou a afastar os lençóis e sentar na cama, mas logo desabou pra trás abrindo os braços de maneira dramática.

- Não consigo!

- Como não consegue?

- To virando pedra.

Lee gargalhou, mas pegou o filho com facilidade, o carregando por cima do ombro feito um saco de batatas em direção ao banheiro enquanto ele esperneava tentando sair, sem o menor sucesso. Metal Lee sempre achou que seu pai era o homem mais forte do mundo.

- Mesmo as estátuas têm que escovar os dentes, seu porquinho-pedra.

O dia começava bem cedo na casa deles, e seria estranho se fosse diferente.

Na bancada da pia havia um batente de madeira colocado ali para que ele pudesse alcançar a torneira. Com 5 anos de idade Metal já era um menino grande e tinha orgulho de mostrar que podia fazer várias coisas difíceis sozinho, como colocar a quantidade certa de pasta de dente na escova, molhar na água e, antes de colocar na boca, ele espiou o pai atrás de si pelo espelho e Lee estendeu o indicador na frente dos próprios dentes, movendo de um lado para o outro fazendo tic-tac com a boca, como se fosse um reloginho.

- Eu sei! - reafirmou

Claro que sabia, Metal era um menino muito inteligente.

Ele ainda se molhava um pouco na hora de cuspir a pasta, mas ganhou um elogio e um afago nos cabelos pelo trabalho bem feito. Essas pequenas aprovações o deixavam radiante.

O uniforme da escola havia sido separado na noite anterior em cima da cadeira porque ele estava tão ansioso para usar sua roupa nova.

Mais do que tudo ele estava bem animado por ser o primeiro dia de aula. Estava com muita vontade de rever os coleguinhas e também o tio Shino, ele tinha muitas coisas legais para contar sobre como foi a viagem para a casa da vovó nas férias, mostrar que aprendeu a amarrar o cadarço dos sapatos e também o par de meias novas de tartaruga que ganhou do seu vovô.

Metal Lee tinha uma grande família, ele gostava bastante dos seus vovôs, da vovó, da tia Tenten… nenhum deles morava com ele, só o seu papai, mas ele podia ver todo mundo sempre que quisesse.

Ah, ele também morava com a Kami e, falando nela…

- Bom dia, Kami! – ele se aproximou do grande terrario perto da janela, batendo de leve com o indicador para chamar a atenção da tartaruga, mesmo assim ela instintivamente se encolheu toda dentro da carapaça. – Que preguiçosa. – bufou.

Já havia muito tempo que ele pedia um bichinho e ouviu Lee dizendo que eles não tinham condição de ter um cachorro ou gato, mas então tinha uma caixa em cima da sua cama no dia do seu aniversário com a tartaruguinha dentro e o vovô Gai falou que era bom para ele aprender a ter um pouco de resp… responsa… responsalidade!

Quando saiu do quarto, devidamente vestido e penteado – e com seus tênis amarrados! – o apartamento já cheirava à torrada e café, e Metal Lee não gostava de café, era muito preto e muito azedo, mas tinha um cheiro gostoso que indicava comida e era assim que o seu papai cheirava pela manhã.

Ele adorava que a roupa de trabalho de Lee era da mesma cor que a sua, só que de adulto, daí quando fazia frio e ele precisava usar o casaquinho, eles passavam o dia vestidos iguaizinhos.

Sentando à mesa, a vitamina de banana já estava esperando por ele ao lado de um pratinho com torradas e ovo. Pela manhã eles não tinham muito tempo para treinos com garfo e faca, então era bom que fosse uma refeição facilmente realizável à mão.

Sem muitos problemas a fiscalizar, Lee permanecia ocupado revirando a casa.

- Metal, você não viu o meu crachá, viu?

Crachá... crachá... Metal franziu as pequenas sobrancelhas tentando visualizar o que era que ele estava procurando dentro da mochila, e quando o pai fez o movimento lembrando um colar ele lembrou que era o coiso do pescoço que ele precisava levar para o trabalho. E tinha um apito!

Com a imagem formada ele decidiu que realmente não sabia onde estava.

Lá do corredor ele ainda ouviu o pai falar para não se esquecer da tartaruga, então, assim que acabou de comer, pegou um punhado de morangos de cima da mesa e entrou para deixar no terrário para Kami e só assim conseguiu vê-la esticar o pescocinho em direção às frutas. Além de preguiçosa era gulosa.

Eles não podiam demorar tanto assim.

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- Não, Baki. Eu preciso que você ligue para todos os contribuintes e reagende as entrevistas de acordo com a nova data do escritório, pode fazer isso?

Gaara estava parado no meio daquela sala vazia enquanto falava no telefone.

Na sua cabeça buscava palavras bem escolhidas para não se prolongar com o secretário –“secretário-executivo” se corrigiu – do escritório do seu pai. Se fosse por ele, Baki merecia o dobro do salário só por se dispor como interceptador entre os dois. E nem podia culpá-lo pela insistência, porque ele mesmo tinha que admitir que vergonhosamente estava tentando passar essa bomba pra outra pessoa.

Estava atrasado e sem a menor paciência para bater de frente com o Doutor Rasa a essa altura, então torcia que Baki fosse o anjo alado da mediação que fazia parecer.

- Não. Eu nem… Escute. Eu nem sei por onde anda o caminhão de mudanças, e preciso instalar o Shinki corretamente antes de qualquer coisa. - ele olhou pro filho tão submerso no desenho animado que passava no tablet em suas mãos que não se atreveria a protestar o fato dele estar sentado naquele chão empoeirado - Não acho que consigo para essa semana ainda, você acha possível na segunda-feira? Por favor.

Gaara não queria soar tão apelativo para a boa vontade dele, mas também não ia contar nenhuma mentira. O que quer que fosse necessário burocratizar naquela nova franquia ia ter que esperar até que a sua prioridade estivesse resolvida.

Baki podia ser imbatível quando quisesse, mas bom ou ruim, pelo menos funcionou. Do outro lado da linha, o que ele disse soou como a primeira notícia boa em semanas.

- Obrigado – disse sinceramente, aliviado – Eu fico te devendo.

E provavelmente Baki não iria se esquecer disso, mas já era bom ter um problema a menos o que se preocupar.

Gaara desligou e encostou-se à parede por um segundo, em silêncio. Só encostou e respirou.

Ninguém nunca disse que aquilo seria fácil, e nem ele mesmo nos seus momentos mais obtusos pensaria assim… A questão é que não esperava que fosse tão difícil. O que já era relativamente cansativo de fazer sozinho se tornava pior com uma criança, e se tornava a décima terceira tarefa de Hércules com a sua criança.

Veja bem, Shinki não gosta de aeroportos. Não gosta MESMO de aeroportos. Gaara pensou que seria bem mais silencioso cruzar o estado de carro com o filho do que tentar conter a crise que poderia desencadear no interior de um avião, então foi o que fez e, sinceramente, depois dos primeiros 40 minutos de choro no banco de trás ele até que conseguiu dormir.

Bom, sua lombar ainda estava reclamando, mas o seu juízo – ou o que restava dele – até então, permanecia 100% de acordo.

Shinki não gosta muito de surpresas, de qualquer forma. A psicóloga dele havia dito para evitar sobrecarregá-lo, então Gaara tentava fazer o seu melhor dentro do possível. Na atual situação pouca coisa era possível.

No momento ele apenas estava imensamente grato por ter encontrado aquele tablet na bagagem de mão. Só não tinha muita ideia do que fazer quando a bateria acabasse – e a bateria IRIA acabar porque ele não encontrou a droga do carregador – mas era bom respirar por dois segundos que fosse. Shinki parecia confortável, pelo menos por um tempo.

O celular vibrou na sua mão e o número da carreta de mudança piscando no visor fez ele soltar o que provavelmente foi o mais longo suspiro da sua vida.

- Onde vocês estão? - atendeu com a voz mais educada possível, mesmo que tenha pulado os requisitos formais de etiqueta ao iniciar uma conversa por telefone.

Para sua felicidade, ou mais ou menos, o carreteiro não questionou, só respondeu que “achava” que tinha chegado na portaria do prédio e precisava da sua autorização para subir. Gaara olhou de soslaio para Shinki, que permanecia tão imerso no seu mundinho quanto o tinha deixado à 20 minutos atrás, se espreguiçou e avisou ao homem que estava descendo.

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Ele conhecia aquele barulho com a destreza de quem tinha assistido aquele desenho pelo menos 37 vezes – naquela semana. Mas ele não conhecia aquele menino. Pelo menos não lembrava de ter visto ele por ali nunca.

Metal olhou para trás e então olhou para os lados, e, na confiança de que não existia ninguém ali além deles, se aproximou.

- Oi! - ele expressou no brilhante tom que o ensinaram a desejar bom dia.

Nada.

- Oooi? Você tá me ouvindo? – insistiu, mas parecia que ele nem mesmo estava ali.

Tá certo que ele também gostava de bob esponja mas ser ignorado era bem ruim. Metal não sabia como fazer pra estalar os dedos então separou as mãozinhas o máximo que conseguia e bateu uma palma bem forte.

O barulho fez o outro menino olhar na direção dele, nem que seja por um tempinho, porque ele desviou os olhos depois, largando o tablet no chão e tapando os ouvidos.

- Ei! – Metal colocou as mãos na cintura e pretendia reclamar novamente mas sentiu uma mão desconhecida em cima da sua cabeça. Era outra pessoa que ele definitivamente também não conhecia.

Metal Lee, você não devia estar falando com estranhos.

- Ora… olá? De onde você veio?

O menino levantou de onde estava e tentou se esconder atrás do homem. Juntando os pauzinhos na sua cabeça Metal compreendeu que devia ser o papai dele.

- Oi… eu sou Metal Lee. Eu... moro ali. - ele ficou meio envergonhado de repente por estar diante de um adulto desconhecido, e ficou em silêncio com um tempo pensando no que iria dizer, com o bracinho ainda estendido em direção à porta aberta do outro lado do corredor – Como… como é o nome dele?

O pai só suspirou e se voltou pra quem tinha a obrigação de responder essa pergunta.

- Ele está perguntando o seu nome.

- Não sei…

- Como não sabe? – Metal protestou.

- Eu não sei!

Ele estava realmente zangado com tudo isso.

- Você não sabe o seu nome? – o homem insistiu.

O menino ainda parecia contrariado puxando a calça do pai, mas após uns momentos de silêncio em expectativa ele virou o rosto falando baixinho.

- ... Shinki.

E parece que isso era tudo o que eles iam receber.

Metal ainda estava ali parado na porta esperando qualquer coisa enquanto o “pai do shinki” olhava para ele, e o símbolo da escolinha de konoha bordada no peito do uniforme verde não passou despercebido.

- Metal. - o som do nome o fez voltar a atenção pra cima novamente – você tem quantos anos?

- Eu tenho… - o pequeno pensou por um tempinho, logo mostrando a mão direita com um, três, cinco dedos – Tenho cinco!

- Veja só Shinki, vocês vão estudar na mesma turma.

O pai tentava exprimir alguma vantagem dessa informação mas Shinki ainda não parecia nada feliz com isso, e agora Metal também estava zangado.

Mas então ele ouviu uma porta fechando lá atrás no corredor.

- Metal! – Era Lee se aproximando, ainda não tinha notado a presença de duas outras pessoas até que chegou atrás do filho e pôde ver dentro do apartamento – O que está faz… ah, bom dia…?

- Gaara. Aparentemente… o seu novo vizinho de frente. Este é o meu filho, Shinki.

- Rock Lee. – e após cumprimentar o homem grande, ele se voltou para o pequeno – Prazer em conhecê-lo, Shinki.

Shinki bufou e escondeu o rosto com as próprias mãos ainda atrás de Gaara.

- Sinto muito, ele está bastante estressado com tudo isso da mudança. - ele parecia meio sem graça, mas ainda conformado enquanto falava. Metal lembrava que quando seu pai não conseguia dormir direito ficava com o olho escuro daquele jeito, mas também não era tanto assim.

- Ah, não se preocupe. - Lee apenas sorriu, até sentir umas puxadas na barra da sua blusa.

- Papai ele disse que o Shinki vai ser meu coleguinha!

- É mesmo? Que legal, né?

- Com licença, senhores. Onde devo deixar isso? - havia um homem no elevador de serviço com um carrinho de descarga cheio de caixas.

- Ah, é aqui mesmo. – Gaara deu espaço – Obrigado.

E Metal Lee pensou que talvez fosse bom aproveitar a carona do elevador, porque seu pai fez uma cara um tanto preocupada ao olhar o relógio de braço.

- Bom… no momento estamos bem em cima da hora, mas se precisar de alguma ajuda, mesmo sobre a escola, é só chamar.

- Não queremos incomodar.

- Não é incômodo nenhum. - ele ergueu o cartão que ainda estava segurando (o que tinha um apito e estava perdido) e tinha o mesmo símbolo verde da Escolinha de Konoha ao lado da foto, nome e embaixo “Professor de Educação Física”.

O outro homem parecia feliz com a descoberta, Metal não sabia dizer, era difícil quando tudo no rosto dele demonstrava sono.

- Bom, acho que sei onde vocês moram. – ele respondeu, simplesmente.

- Tenham um bom dia.

Gaara ainda estava acenando com o pequeno peso preso à sua perna quando as portas do elevador se fecharam e Metal segurou a mão de Lee sacudindo para chamar atenção.

- Você acha que ele queria fazer xixi?

- Hm? Por que você acha isso?

- Ele tava sentado se balançando assim. - ele imitou o que estava se referindo, parado no lugar balançando o corpinho para frente e para trás.

Lee pareceu entender o que ele quis dizer porque trocou a expressão confusa por um sorriso. Metal pensou que seu pai as vezes achava graça de algumas coisas que simplesmente não entendia.

- Acho que vocês dois vão se dar muito bem… – e ele perdeu a careta contrariada que o filho fez com a afirmação – Aliás… - continuou – Eu encontrei meu crachá debaixo do sofá mas não lembro de ter largado por ali. Você sabe como ele foi parar lá?

Lee o encarava erguendo uma sobrancelha como quem nem precisa de uma resposta.

Isso Metal Lee entendia, mas ele apenas fez que não com a cabeça beem lentamente.


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N/A: Bom essa vai ser a minha primeira história com mais de um capítulo, então desculpa qualquer coisa, eu só queria fazer um negocio bunitim.
Vou tentar manter periódico de 15 em 15 dias.


29. Januar 2020 05:47:23 4 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Alle 15 Tage.

Über den Autor

Políbio Manieri Being alive...

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Post!
Julia Araujo Calazan Julia Araujo Calazan
Ja estou adorando a história
February 01, 2020, 02:44

Ellen Chrissie Ellen Chrissie
Já gostei!! Tem o Metal pequetito (o que já garante fofura) e o Shinki também (mais fofura). Então tá "seguida". OBS: Ah, sobre o comportamento do Shinki: acho que ele é autista. (Chutando)
January 29, 2020, 15:07

  • Políbio Manieri Políbio Manieri
    aaaa obrigado pelo comentario <3 Sim o shinki é autista! Estava me perguntando se estava identificável de inicio q pretendo trabalhar bastante esse traço dele. January 29, 2020, 16:48
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