anjosetsuna Anjo Setsuna

Reza a lenda que São Valentim é o protetor dos casais e amores impossíveis. Padre Karamatsu com certeza podia confirmar isso, já a Irmã Ichimatsu não teria tanta certeza. Conheça nesses dois contos uma adaptação da lenda de São Valentim com o Matsuno mais doloroso para vocês.


Fan-Fiction Anime/Manga Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#ua #death-fic #valentine's-day #osomatsu-san #kara-ichi #religionmatsu #padre-karamatsu #freira-ichimatsu
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Meu querido Valentim

Notes:

Atenção, para quem não sabe nesse UA (Universo Alternativo) os temas ligados a religião (se bem que aqui consegui manter mais no cristianismo) se misturam no fandom gringo, então qualquer piada ou mistura religiosa por favor não tomem como ofensa, esta fanfic é apenas uma obra ficcional. (se bem que eu vou para o inferno em todas as religiões possíveis *assobia*)
Notas de vocabulário no fim

— Sua benção, Padre.

— O Senhor te abençoe, minha filha.

O religioso sorriu para a garota de vestes rosas que saía, era uma das poucas fiéis da pequena paróquia que sempre aparecia nas missas matinais durante a semana. O tempo de guerra havia deixado a igreja praticamente vazia, pois os homens da vila haviam partido para batalhas, e as mulheres tentavam, cada a uma ao seu modo, sobreviver aos dias difíceis, lembrando das rezas apenas no momento que alguém caía acamado. Somente jovens ainda apareciam vez ou outra para se confessarem ou rezar para não serem enviados a guerra. Com a proibição de novos casamentos por parte do imperador devido a guerra, alguns até se arriscavam a ir na igreja para trocarem juras de amor.

Karamatsu passou os dedos pela estola* em cima da batina, a faixa de tecido azul gasta o fazia sorrir, pois sempre o lembrava de quando tomou o sacerdócio. Escutou um pigarro e passou as mãos pelo cabelo confiante.

— Olá irmã Ichimatsu! Lindo dia nesse mundo maravilhoso regado pelo amor de Deus, não acha! – o padre cumprimentou animado fazendo pose.

— Morra... – a freira respondeu aborrecida com tanta animação.

— Ichimatsu! Injúrias dentro da igreja não, já te disse!

— Claro, claro... Eu já terminei de arrumar a sacristia, mas o que são aquelas flores? Vai ter algum velório?

— Por Deus não fale isso! São para a Todoko, não são lindas he?

— Resolveu assumir seu lado pedófilo, Karamatsu?

O padre que estava tão calmo ficou irritado e saiu arrastando a freira pela orelha até a pia de água benta.

— Ei! Ei!! Assassinato na igreja é pecado!

— Pai, perdoe-o, ele não sabe o que faz!

Logo a freira tinha o rosto encharcado de água benta. Ambos saíram da igreja indo para a sacristia, mas só depois do padre fazer a freira ajoelhar e rezar alguns pais nossos. Algumas crianças corriam pelo pátio da igreja enquanto eles atravessavam, Karamatsu parou para jogar um pouco de bola com eles, quase levando um tombo ao pisar de mal jeito na barra da batina.

Ichimatsu observava o religioso jogar, as vezes custava a acreditar que aquele homem brincando de forma tão despretensiosa havia salvado sua vida. Graças ao padre podia viver disfarçado de freira na pequena paróquia, foi o único modo de fugir dos perseguidores de outros países de seus tempos de espião. A guerra realmente estava cada vez mais violenta.

Tanta bondade vinda de um homem só lhe aquecia o coração, as vezes ficava aborrecido pelo que julgava uma inocência excessiva vindo do pároco, várias vezes expulsou ladrões sem que o homem soubesse, pois sabia que se dependesse de Karamatsu ele daria tudo que tinha para os algozes terem menos sofrimento. Todo aquele amor incondicional pelo próximo ainda lhe traria problemas pensava, só esperava que o padre tomasse jeito um dia.

Logo os olhos da freira pararam desconfiados, a mesma garota da missa da manhã novamente estava ali falando com o padre, parecia chorosa, ela seguia o religioso para a sacristia.

— Irmã joga com a gente!

As crianças pediam, Ichimatsu ia recusar, ele queria seguir os dois, seu tempo na guerra sempre deixava seu lado desconfiado em alerta, mas insistiram tanto que foi impossível negar. Os garotos riam muito porque a freira quase toda hora se embolava nos passes por causa do hábito* preto.

A tarde se arrastava, a partida tinha terminado e outra começava e nada da garota ir embora da sacristia, Ichimatsu se despediu das crianças e se aproximou sorrateiro da pequena casa. A cena que viu fez seu coração apertar, Karamatsu dava um pequeno beijo na testa de Todoko e a abraçava. Riu com escárnio, pensando que no fim das contas Karamatsu era um homem com bolas entre as pernas como qualquer outro. Sua exaltação foi tanta que sem querer derrubou uma das taças usadas na missa, chamando a atenção do casal.

— Ah, irmã Ichimatsu, que bom que apareceu. Vamos, pare de chorar Todoko. Pegue um copo de água para a garota, sim?

— Sim, Padre.

A freira atendeu o pedido com muita má vontade, ao voltar de cozinha viu Karamatsu entregar as flores que achara mais cedo na mão da garota e limpar as lágrimas que caiam no rosto dela. Novamente seu coração se apertou.

— Obrigada Padre Karamatsu! São realmente lindas. Você acha que o Atsushi vai gostar também?

— Oh minha querida filha, eu tenho certeza que ele vai amar! Quando ele chegar tenho certeza que irá se derreter! Irmã Ichimatsu, me ajude com isso aqui, sim? E não esqueça de levar o cálice cerimonial.

A freira teve um mau pressentimento ao ouvir aquele nome. Olhou para os objetos que Karamatsu lhe entregava e entrou em desespero.

— Karamatsu! O que pensa que está fazendo?

O homem o encarou sério e Ichimatsu olhou para o chão nervoso, esquecera que ali era apenas uma freira e a atitude era um desacato para a figura do padre diante dos fiéis.

— Nada pode interferir nos desígnios de Deus, nem mesmo o imperador. Eu não deixarei de unir os corações permeados de amor diante do nosso grande Senhor. Oh, veja, o noivo chegou. Se apresse irmã Ichimatsu.

A freira assentiu apreensiva e seguiu para a igreja fechada, agradecendo que a noite chegava e ajudava encobrir o ritual privado que pretendiam fazer. Passou pelo suposto noivo, o achando familiar. Pela primeira vez rezou seriamente dentro da igreja aquele dia, um pressentimento ruim deixava seu coração cada vez mais apertado.

Mal havia amanhecido quando Ichimatsu escutou passos pesados no pátio da igreja, conhecia aquele barulho ritmado e saiu com cuidado do pequeno quarto que dormia. Encontrou Karamatsu encarando a porta de entrada da sacristia, ele lhe sorriu e colocou um terço feito de madeira clara em sua mão.

— Ichimatsu, eu espero que os dias que passou aqui na igreja você tenha encontrado o amor de Deus. Por favor, cuide da sacristia como sempre. Que o Senhor te abençoe.

— Não! – a freira segurou a mão do pároco – Fuja pelos fundos, você sabe que o imperador não tolera desobediência! Eu disse para não realizar mais cerimônias de casamento! Aquele homem, eu tenho certeza que ele era espião!

O padre o encarou com um olhar terno e abraçou a freira que ficou sem reação.

— Não tema a lei dos homens, pois a lei de Deus sempre é maior, Ichimatsu.

A porta abriu em um rompante, logo soldados invadiam a pequena sacristia arrastando os dois dali para a prisão. A freira viu o noivo do dia anterior entre eles e tentou soca-lo, recebendo um soco no estômago que a desacordou.

Alguns dias passaram, logo rumores sobre a prisão do padre se espalharam na cidade. A freira rezava com algumas crianças na pequena igreja, a pedido de Karamatsu a soltaram.

A sentença de morte fora dada pelo imperador, o padre seria decapitado. Os fiéis da pequena igreja lamentavam pelas ruas, passavam perto da cela e deixavam flores e cartas, principalmente os jovens, que haviam trocado juras de amor com a benção do padre.

Ichimatsu se desesperava a cada dia que passava, haviam barrado sua entrada na prisão. Grossas lágrimas desciam por seu rosto enquanto rezava segurando o terço que havia ganho. Uma criança puxou a barra de seu hábito e ele voltou sua atenção ao pequeno.

— Irmã Ichimatsu – a criança fez sinal para que a freira abaixasse e chegou perto do seu ouvido para sussurrar – Meu papai trabalha na prisão, ele disse que se você quiser entregar algo para o Padre é só me entregar. Ele gosta muito dele, porque ele ajudou a mamãe quando tava doente.

— Ah Chibita! – a freira abraçou a pequena criança cega ainda chorosa, tirou um pequeno camafeu com um anjo entalhado e colocou na mão do infante. – Agradeça seu papai, sim? Que Deus lhe abençoe! Iyami, vão direto para casa e não parem para falar com ninguém.

As duas crianças saíram de mãos dadas, Iyami servia de guia para Chibita pelo caminho.

Mais um dia se passara e o dia do julgamento chegou. Ichimatsu tentava inutilmente passar pelos guardas, mas seu coração parou, assim como seu corpo ao ver Karamatsu indo para o pequeno palco onde aconteceria a decapitação. Apenas choros e protestos podiam ser ouvidos na pequena praça.

— Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem¹. Pai, perdoe-me, porque pequei, por amar um dos seus filhos um pouco mais que os demais.

Karamatsu proferia suas últimas palavras, sua cabeça caindo foi o único som ouvido por vários segundos, até que os gritos de dor Ichimatsu ecoaram.

— Irmã Ichimatsu, não chore, não chore!

Chibita tentava consolar a pobre freira, a puxou dali antes que os soldados a prendessem. Após a beata se acalmar um pouco, a criança estendeu uma carta para ela.

— “De Valentim”? – leu - Mas o que... Chibita, seus olhos?!

A criança abraçou a freira e chorou em seu colo sentida.

— É uma carta do Padre. Ele pediu para te entregar. Irmã! – a criança lhe encarou agoniada – O Padre Karamatsu era um santo não era? Ele beijou meus olhos quando entreguei o camafeu, o papai deixou eu visita-lo. E então tudo ficou claro! Meus olhos! Os meus olhos, irmã! Foi um milagre de amor, não foi?

A criança chorava novamente, Ichimatsu abraçou o pequeno e choraram juntos. Desde aquele dia os namorados pediam ao santo Valentim, que havia lutado pelo amor, para que protegesse suas relações.

FIM

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Bom gente, o São Valentim na sua lenda original morre mesmo. Triste né? Surpreendentemente nessa coletânea quem ficou de fora foi o Osomatsu (não apareceu em nenhum conto). Pobre nii-san!
*estola - faixa larga e comprida que os sacerdotes usam em torno do pescoço e cuja cor varia de acordo com o calendário litúrgico. Como foi dito na fanfic, é aquela faixa azul que o Kara usa por cima da batina.
*hábito – sabe a roupa preta que as freiras usam, então, é esse o nome desse tipo de vestuário.
¹Lucas 23:34

14. Februar 2020 01:57:31 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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