mirz MiRz

Após a Guerra Santa, Seiya volta ao Santuário para se despedir de um velho amigo e se lembra de um dos raros momentos felizes do seu treinamento, onde aprendeu mais do que apenas lutar e morrer pela causa de Atena.


Fan-Fiction Anime/Manga Alles öffentlich.

#drama #deathfic #cavaleiros-do-zodíaco #Seiya-de-Pégaso
Kurzgeschichte
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Único

O vento corria pelas colinas do Santuário espalhando o pó e a sujeira por todo o mármore destruído do Templo Sagrado de Atena. Seiya estava na entrada do lugar que viveu por seis anos, vendo toda a destruição que a Guerra Santa causou. Era uma paisagem triste de se olhar, principalmente para alguém que conhecia como era antes da destruição. O lugar que outrora transbordava da vivacidade dos Santos protetores, agora parecia morta e sem cor. Não havia ninguém para recebê-lo na fronteira e seus passos ecoavam pela arena vazia, sendo o único som que se propagava naquele lugar.

Passaram-se quatro meses desde a derrota definitiva de Hades e de sua corja de deuses. Hades morreu enquanto e as almas de Thanatos e Hipnos voltaram a ser seladas dentro da Caixa de Pandora, soterradas em um lugar que ninguém mais acharia e os libertaria. Durante todo esse tempo, Seiya e seus amigos ficaram no hospital em coma, se recuperando da dura provação e quando recebeu a alta tão desejada, o Santo de Pégaso voltou para aquele lugar abandonado e em ruínas.

Continuou sua caminhada solitária de maneira lenta, sem pressa de chegar ao destino, com as mãos displicentes dentro dos bolsos da calça jeans tão desgastadas pelo uso e com a armadura de bronze nas costas, como se não pesasse nada nos ombros.

Atravessou a arena que treinou em seus tempos de moleque, passou pela entrada do dormitório dos aprendizes e pegou parte da trilha para os refeitórios, mas desviou do caminho principal, andando por vários minutos até avistar o arco de metal gigantesco que se lia “Cemitério dos Cavaleiros”. Não havia muros ou paredes para esconder as diversas lápides. Algumas eram de pedras, outras de mármore preto e outras de mármore branco.

O menino parou por um segundo debaixo daquele arco, questionando-se se deveria seguir adiante e completar o objetivo que se propôs a cumprir.

Sentiu a saliva secar dentro da boca, sentindo a mesma sensação que tinha antes das batalhas se instalar na boca do estômago. Uma mistura de ansiedade e adrenalina que não deveria estar sentindo naquele momento, pois não era uma batalha. Era apenas a entrada do cemitério, mas no fundo sabia o porquê que tinha aquela sensação. A Guerra Santa do Século XX começou naquele lugar, quando o Mestre Shion e os outros se levantaram do túmulo com um plano muito astuto e igualmente perigoso para enganar o Deus do Submundo e acabarem de vez com a guerra infinita entre Hades e Atena. Pelo menos, era nisso que Seiya tentava firmemente se focar para não pensar que aquela sensação era apenas culpa pelas mortes de todos aqueles que se sacrificaram por ele e seus amigos no Muro das Lamentações.

Reunindo os fiapos de coragem que ainda tinha, respirou fundo, firmou os pulsos para fazer sua mão deixar de tremer e voltou a andar, tendo em mente um caminho específico. Seus pés lhe guiaram automaticamente para as primeiras lápides das fileiras mais recentes, se a terra úmida e cavoucada lhe dizia alguma coisa sobre o tempo que foram feitas.

Todas as lápides naquela fileira eram de mármore branco, levemente mais ornamentadas que as demais, exibindo símbolos zodiacais, postas em ordem de constelação e com o nome de cada Cavaleiro de Ouro esculpido na pedra. Não havia mais flores para aqueles que se foram e a grama estava apenas começando a brotar novamente.

O menino fez uma breve oração para todos eles, mas se abaixou em frente da quinta lápide, onde se lia apenas “Aiolia de Leão”. Assim como as demais sepulturas, não havia nada sobre o chão e Seiya lamentou vir de mãos vazias. Apesar de já ter tido há mais de três meses um memorial adequado para os heróis de guerra, e tanto Saori como os outros cavaleiros sobreviventes já terem superado o luto, para Seiya parecia que a perda havia acontecido ainda ontem.

De todos os Cavaleiros de Ouro, o Santo de Bronze teve mais contato com Aiolia e foi impossível de conter o sorriso com as lembranças que lhe assaltavam a mente ao pensar no corajoso Leão Dourado.

Seus dedos tremeram com a vontade louca de movê-los sob as cordas de um violão, gesto instintivo sempre que sentia que o Santo de Leão estava por perto.

Aiolia sempre “arrastou asa” na Marin e se dar bem com ele foi a maneira que o mais velho achou para se aproximar dela, que estava sempre tão concentrada no dever. Depois que passava o dia treinando arduamente, Aiolia se aproximava da casinha que ele e Marin dividiam carregando um violão velho.

O loiro lhe contou que seu pai tocava o instrumento e ensinou o irmão mais velho dele, mas morreu antes que pudesse ensiná-lo pessoalmente. Aiolia lhe disse também, que quem tomou a tarefa de ensiná-lo, então, foi Aiolos. Depois da história, sem dizer mais nada, Aiolia simplesmente colocou o instrumento na sua perna e posicionou suas mãos no braço do violão e passou a lhe ensinar os acordes básicos. Primeiro foi o Dó maior, seguido do Ré maior e depois o Mi. Teve um pouco de dificuldade de aprender o acorde Sol, porque suas mãos ainda eram muito pequenas para usarem um violão de adulto, mas Aiolia não o deixou desistir.

Passaram várias horas tocando e quando chegava o horário da janta, Marin chutava o Cavaleiro de Ouro para fora, que ia embora com a promessa de que voltaria no dia seguinte para continuarem praticando.

Não foi todo dia que havia essa rotina, muitas vezes caia desmaiado, não acordando até o dia seguinte para o treino, mas virou uma coisa deles, algo que nem mesmo Marin interferia. Desde então, Seiya associou Aiolia com o violão. Quando se graduou, conseguindo a armadura e estava prestes a embarcar de volta para o Japão, Aiolia foi se despedir. Como presente, doou o velho violão do seu pai a ele.

Vira e mexe, nos intervalos entre as batalhas principalmente, Seiya tira o instrumento do armário e arrisca a tocar algumas notas novamente. Aprendeu a tocar algumas músicas da moda e até mesmo compartilha um pouco do seu “talento” com os seus amigos de Bronze. Após o sacrifício dos Santos de Ouro, aquele violão parece ser ainda mais especial, porque provavelmente foi uma das poucas coisas materiais que Aiolia e Aiolos deixaram na Terra.

Seiya não sabe quanto tempo ficou lá no cemitério, repassando os acordes na sua cabeça como se Aiolia ainda estivesse do seu lado lhe ensinando, quando ouve passos se aproximando atrás dele. Quando se vira para ver quem é o intruso, se depara com Marin.

Sua mestra vestia roupas civis ao invés da sua armadura, mas a máscara estava sempre presente, cobrindo seu rosto. Uma mensagem clara de que o dever perante Atena continuaria. Sendo segurado pelas mãos fortes e firmes, estava o dito violão. Seiya não sabia como ela havia conseguido, mas não teve tempo de se importar porque a ouviu dizer:

— Toque alguma coisa, Seiya. Aiolia gostaria de ouvir como você melhorou desde quando tinha 9 anos. — Estendeu o objeto para o pupilo.

As mãos dela estavam firmes, mas sua voz estava mais embargada que o normal. Talvez houvesse alguém além dele, que também não superou ainda a morte dos 12 Santos de Ouro.

— Você o conhece, ele só vai gostar de me ouvir tocar se você ficar por perto também — respondeu para sua mestra com um sorriso atrevido. Talvez não entendesse ainda a estranha dinâmica entre os dois, mas sabia que havia alguma coisa acontecendo entre os dois antes de Aiolia morrer.

Marin ficou quieta por vários segundos, e Seiya achou que a ruiva apenas viraria as costas e iria embora, mas ao contrário do que esperava, a mulher se sentou ao seu lado, concordando tacitamente a permanecer por perto.

O menino sorriu para a Amazona de Prata e ajeitou o violão nas pernas. Assim que encaixado, seus dedos já começaram a dançar entre as cordas, tocando uma suave melodia até o entardecer, crente de que de alguma forma, Aiolia estava ali com eles, como quando era criança.


Fim


Referência:


Título: DÓ-RÉ-MI-Sol-Lá são as notas musicais básicas.

15. Mai 2019 01:48:37 2 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Das Ende

Über den Autor

MiRz Olár, amores mio, bem-vindos ao meu perfil! Me chamo MiRz e amo escrever para brincar um pouco com a minha imaginação e dar asas a minha criatividade. Obrigada por terem passado por aqui. Beijinhos de megawatts de luz! <3

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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Cara, como é bom ler uma história mais "light" às vezes! É quase como um descanso, tanto para mente como para os olhos. Apesar de ser uma história triste e que não deveria ter dado essa sensação de "frescor" eu fiquei bem feliz e encantada por ter lido algo realmente mais leve. Bom, eu não sou muito familiarizada com esse anime, então pra mim entender algumas coisas eu preciso ficar sempre pesquisando, para saber quem é o que e tudo mais. Apesar da história não ter sido aprofundada em muitas coisas eu não tive aquela dificuldade em entender, mesmo que eu não saiba como aconteceu a guerra santa e tudo mais, então foi um ponto positivo bem legal o fato de ter lido uma fanfic sobre esse anime e mesmo sem conhecê-lo de fato. Foi quase como se fosse uma história original que alguém lembrava de algo do passado e aquilo trazia lembranças a tona. A coesão e a estrutura do seu texto estão maravilhosas, assim como vários outros projetos seus que eu já tive o prazer em poder ler. Eu acho muito perfeito a forma que você estrutura seus textos, eles ficam simples mas sempre com um gosto de "não queria que acabasse". Posso até dizer que ele me dá aquelas sensações de que um só nunca e o suficiente, preciso ler mais, cada vez mais. Quanto aos personagens, por não ter conhecimento sobre eles, é um pouco difícil para mim falar sobre suas personalidades, fora o que já deu para notar, como o respeito que Seiya tinha pelo cavaleiro de Ouro, e o romance que estava no ar. Eu confesso que fiquei triste em ver a história acabar sem mostrar de concreto que algum romance tinha ali. Fora isso a história foi perfeita do começo ao fim. Desejo a você sucesso em seus projetos e tudo de bom sempre. Abraços.
October 06, 2020, 20:36

  • MiRz MiRz
    Olár! Eu li o seu comentário e fiquei para responder quando chegasse em casa, mas acabei esquecendo, por isso a demora em te responder. A história ficou bem simples porque realmente não há muito o que trabalhar na ideia central. A cena do Seiya tocando violão é canônica, porém nunca houve explicação de onde ou quando ele aprendeu a tocar, visto que é retratado ao longo da série que ele já estava em um orfanato aos seis anos e depois ele aprendeu apenas a ser um Cavaleiro de Atena. Assim como também existe algumas interações motivacionais entre o Seiya e o Aiolia, que é bem mais velho e já era um Cavaleiro de Atena quando o Seiya treinava, mas nada que mostrasse muita intimidade entre eles. O romance ente o Aiolia e Marin também gera muita polêmica se existe ou não, por isso ficou mais sugestionada e não me aprofundei. Basicamente todos os elementos que eu escrevi são bastante subjetivo, daí fica a cargo do fandom imaginar e relembrar. xD Sempre fico muito feliz com esses comentários da verificação, é um ótimo trabalho esse. <3 Muito obrigada por ler e comentar tão carinhosamente. Beijinhos de megawatts de luz! <3 October 18, 2020, 20:24
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