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Dez anos, é há esse tempo que Yoongi e Jimin estão juntos. Há seis desses dez anos, são casados. E relacionamentos geralmente esfriam um pouco após períodos muito longos, mas para eles dois não poderia haver nada pior do que a monotonia. A rotina fez com que o casal — tão acostumado com movimento e mudança constante — deixasse de se entender, e a comunicação se tornou, então, inexistente. Por isso, Jimin, já cansado dessa situação, resolve agir e convence seu marido a ir a uma festa numa tentativa de voltarem a ser como nos velhos tempos. Mas as coisas não funcionam bem da maneira como ele desejava e, em meio a acontecimentos inesperados e a aparição nunca imaginada de um ser mágico, ele e Yoongi acabam sendo levados a uma viagem para o passado onde se veem frente à possibilidade do fim de seu casamento. E, de uma hora para a outra, Jimin precisa recordar o quanto lutar por seu relacionamento vale a pena e tentar reverter a bagunça por ele causada.


Fan-Fiction Bands/Sänger Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

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Coração tatuado

Escrito por: @iceteaaholic

Capa por: @Nutella.Kpop_


Notas Iniciais: oioi pesseguinhos! voltei com mais uma fic pra vocês 💛 como sempre, tem um sofrimento aí, mas dessa vez tem mais coisas fofinhas. espero de coração que vocês gostem!

por favor, perdoem qualquer erro que eu possa ter deixado passar e boa leitura!


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Quando Yoongi e Jimin resolveram se casar, eles não imaginavam que acabariam no estado em que estavam agora. A ideia foi muito bem pensada, muito bem discutida em longas conversas que duraram dias e noites inteiros até que, finalmente, chegaram a um consenso. Eles tinham plena certeza daquilo. Queriam, portanto, fizeram.

Mas então, por que tudo mudara tanto? Não compartilhavam de nem metade dos bons momentos de antes; não se divertiam como nos primeiros anos de namoro, ou até no começo do casamento; não conseguiam mais passar um dia inteiro de bobeira, juntinhos, comendo porcarias e aproveitando a companhia um do outro. Parte da culpa era do pouco tempo que tinham? Sim. Podia ser algo normal de todo casamento? Talvez. Mas isso não diminuía a frustração que ambos sentiam.

Eles se amavam. Não havia nem como duvidar disso. E tanto Jimin quanto Yoongi continuavam tentando fazer as coisas melhorarem. Não era como se brigassem o tempo todo, se tratassem mal ou não conseguissem existir em um mesmo ambiente por causa de toxicidade ou coisa parecida. Eles estavam ali, juntos, persistindo em fazer dar certo. Apenas não sentiam mais toda aquela emoção de antes e não sabiam o motivo. As coisas simplesmente ficaram chatas.

— Isso é normal, Jimin. O relacionamento esfriou. Vocês nunca foram pessoas acostumadas com rotina, até me assusta que isso não tenha acontecido antes — disse Taehyung. Ele conhecia Jimin há muito mais tempo do que qualquer outra pessoa, e foi um dos envolvidos na aproximação do casal. Sabia de cada detalhe da relação daqueles dois, de cada acontecimento, por menor que fosse. — Vocês só precisam encontrar um jeito de quebrar esse clima estagnado.

— Mas Tae, eu não faço ideia de como fazer isso. A gente entrou nessacoisade repente, nessa bolha de monotonia que não acaba. Eu nem sei como aconteceu.

— É assim mesmo, Minnie. Vocês são adultos agora. Trabalham, estudam... precisam focar nessas coisas e não têm muito ânimo ou disposição para investir em vocês. — Ele fez uma pausa para pensar bem no que falar em seguida. — Não quer dizer que seja bom ou que vocês simplesmente devam aceitar. Tem jeito, mas só vocês podem resolver.

— Mas como? A gente nem conversa mais. — Taehyung nem precisava que Jimin dissesse aquilo, ele já sabia. Podia ver que havia um problema a cada vez que estava junto do casal, independentemente da situação.

— Eu sei disso. Já parou para pensar que esse pode ser o maior problema?

— Sim, mas eu não sei mais como conversar com ele. — Jimin claramente estava perdido. Ele tinha chamado seu melhor amigo ali porque já não sabia o que fazer. Estava preso naquela situação frustrante há tanto tempo que suas esperanças já começavam a desaparecer pouco a pouco. — É tão diferente de antes. Às vezes parece que é o nosso fim. — Suspirou e se jogou para trás, largando o corpo e a cabeça no encosto do sofá de qualquer jeito. — Como se a gente não devesse ter seguido esse caminho, como se tivéssemos nos precipitado num nível tão absurdo que o universo ri da gente.

— Não fala assim, não é verdade. É bobagem pensar desse jeito e você sabe. — Taehyung se aproximou de seu amigo e pegou sua mão devagar, começando a fazer carinho ali, delicadamente. — Pensa comigo, ok? Vocês estão juntos há dez anos. É bastante tempo, uma hora ou outra as coisas iam dar uma esfriada, porque ninguém tem condições de viver uma novidade por dia todos os dias da vida, Jimin. Quando vocês começaram a namorar era mais fácil, vocês eram bem mais novos.

— A gente tinha mais energia para inventar moda sempre que as coisas ficavam chatas, né? — Ele soltou uma risadinha conforme as memórias passavam, uma a uma, por sua cabeça.

— Exatamente. É isso que eu quero dizer. Você se conhece, conhece o Yoongi hyung e sabe como ninguém que as coisas só estão assim porque vocês se acomodaram, mesmo que sem querer.

E não era mentira. Talvez o único motivo para toda aquela agonia fosse a acomodação. Eles se esforçavam, sim, para melhorar a situação, mas não da forma que deveriam.

Cada um tentava do seu jeito, Jimin em um canto e Yoongi no outro. Tentavam lidar sozinhos com aqueles pequenos detalhes irritantes que, juntos, transformaram-se naquela bola de neve que fez o casamento deles virar um acúmulo de chatices.

— Vocês precisam conversar — reforçou seu conselho. — Ficar remoendo os problemas na cabeça sozinho não vai ajudar nem você, nem ele e, muito menos, o casamento de vocês.

Às vezes, o casal cogitava a ideia de por um fim àquilo tudo. Não dava para esconder que estava tudo muito difícil. Para duas pessoas que sempre se entenderam como ninguém, mal conseguirem conversar de uma hora para a outra era desesperador. Então era óbvio que pensavam, sim, nessa possibilidade, mas nunca chegaram a comunicar isso um para o outro.

Contudo, as coisas que Taehyung disse faziam sentido. Seria, então, a acomodação o maior problema deles? Talvez estivessem tão incomodados com o fato de não se entenderam mais como antes, que só desistiram de tentar fazer isso.

— Tenta falar com ele, Jimin —continuou ele —, mas falarde verdade. Diz que vocês precisam parar com isso de conversar só coisas superficiais, que vocês precisam encarar esses problemas de frente. Diz que vocês são um casal e que precisam resolver isso como tal, não sozinhos.

— Certo — concordou Jimin. Ele tinha a cabeça baixa, agora. Mantinha os olhos fixos nos desenhos em sua pele. Cada tatuagem daquelas significava algo importante, uma parte de sua história. Mas a melhor era, definitivamente, aquela de traço vermelho bem fininho que envolvia seu mindinho esquerdo. Sim, ele e Yoongi tatuaram suas alianças, e fizeram isso de acordo com aquela lenda japonesa antiga pela qual ambos eram apaixonados desde crianças. Todos os chamaram de loucos na época, ou melhor, todos aqueles que não os conheciam bem, porque seus amigos, aqueles dos quais eles eram realmente próximos, sabiam que não havia motivo para temer aquela atitude. Pois nada que acontecesse poderia fazer com que eles se arrependessem. E Jimin sabia disso também, seus amigos estavam certos. Ele não se arrependia, e nem iria. Por isso mesmo decidiu que faria exatamente o que Taehyung lhe aconselhou. — Você tem razão, Tae. Eu vou fazer isso direito. Vou conversar com ele e nós vamos resolver essa situação juntos.

Depois disso, os amigos se despediram, porque Taehyung precisava preparar as aulas da próxima semana e ele e Jeongguk tinham combinado de jantar fora naquele dia, então ele não podia demorar muito.

Jimin, por sua vez, não tinha muito o que fazer, estava de férias do trabalho. Sendo assim, resolveu pôr algumas coisas em ordem naquela casa que já há algum tempo não via uma arrumação de verdade. Colocou sua playlist própria para aquele momento e se perdeu na música, o que o fez demorar o dobro do tempo para terminar tudo, mas ele não se importava. Era bem mais divertido daquele jeito.

Quando já não tinha o que arrumar, ele próprio não se encontrava em seu melhor estado. A casa estava impecável, mas ele estava o completo oposto. Então, decidiu tomar um banho — agora com outra playlist, é claro.

Jimin se despiu e jogou todas as roupas num canto do banheiro, colocaria todas para lavar depois. Enquanto deixava a água cair bem no topo de sua cabeça, ficou imaginando o momento em que as coisas voltariam a ser como antes entre Yoongi e ele. Talvez não exatamente como antes, afinal, tinham trinta anos agora. E quando se conheceram, Yoongi tinha vinte e dois, e Jimin apenas vinte. O argumento de Taehyung estava mais do que correto, a energia e toda a disposição que possuíam antes para fazerem todas as coisas que inventavam, de uma hora para a outra, quando ficava tudo meio chato, não possuíam mais. Pelo menos, não com tanta intensidade. Mas isso não significava, de forma alguma, que precisavam se conformar com o jeito monótono como o relacionamento andava agora.

O vapor tomara conta do banheiro por completo quando Jimin desligou a água. Ele viu o espelho embaçado e não pôde deixar de se lembrar de quando e como Yoongi o pediu em namoro. Já estavam saindo há meses e mal se desgrudavam. Na verdade, o início do relacionamento deles é marcado, por eles, pela data em que ficaram pela primeira vez, porque desde então não pararam mais de se ver. O pedido de namoro foi apenas para oficializar, porém foi tão significativo quanto, e eles comemoraram as duas datas durante muito tempo.

Cada uma foi importante ao seu próprio modo. Quando ficaram pela primeira vez foi uma bagunça, porque mal se conheciam e foi tudo meio inesperado, mas para o casal isso não importava e nenhum deles quis perder a oportunidade de repetir aquilo. Então, continuaram se vendo.

E o pedido de namoro, um dos momentos dos quais Jimin mais amava se lembrar, foi absurdamente especial para ele. Aconteceu em um dia comum até demais, sem nada de diferente ou marcante, num momento como aquele que o mais novo vivia agora, mas com a presença de Yoongi.

Eles estavam no banheiro, conversando, enquanto Jimin tomava banho. Ele contava sobre seu dia, sobre como tinha sido chato, e o assunto começou a passear por várias outras áreas até que chegou naquilo que ambos já pensavam fazia tempo, mas ainda não tinham tido coragem de falar: eles, juntos.

Em algum momento difícil de identificar, enquanto dialogavam sobre dinheiro e tatuagens que gostariam de fazer, acabaram discutindo sobre o que era aquilo que eles tinham. Nunca souberam como assuntos tão distintos desembocaram naquilo, mas aconteceu.

— Você sabe que, por mim, a gente grita para todo mundo por aí que o que a gente tem é completa e incondicionalmente sério — disse Yoongi, cheio de convicção. Obviamente aquela confiança toda só estava ali porque ele não estava olhando diretamente para Jimin. O rapaz tinha o poder de desestabilizar as estruturas do mais velho com uma simples encarada.

— Mas você tem certeza? Tipo, tem certeza mesmo? E se a gente não durar? Se não der certo? Você sabe que isso pode acontecer, que pode acabar e ser um término horrível.

— Jimin, você pensa demais. Relaxa. Só me diz o que você sente. Me diz o que você quer e a gente faz.

— Eu tenho medo, hyung. Medo demais. Eugosto muitode você, e morro de medo de não ser suficiente. De não conseguir te acompanhar nas suas loucuras, de acabar estragando tudo. Não quero que nada disso aconteça. Entende? — Mas Yoongi não respondeu. Nem naquele instante, nem no minuto seguinte, então Jimin chamou: — Hyung? Você está aí? — Nada.

Ele colocou a cabeça para fora do box, confuso. O mais velho não estava ali, o que não fazia sentido. Por que ele sairia no meio de uma conversa tão séria? Jimin só conseguia pensar que tinha o entediado, irritado, ou qualquer coisa assim. Então pegou sua toalha, secou mais ou menos o seu corpo e se enrolou com o tecido. Estava prestes a sair do banheiro à procura de Yoongi quando reparou no espelho acima da pia. E, apertando os olhos para entender as letras já meio apagadas por causa do vapor, sentiu calor tomar conta de todo o seu ser. E isso não era causado pela vaporização da água quente. Vinha de dentro, vinha do seu peito.

darling, let me trace the lines on your tattooed heart

Era essa a frase escrita ali, com uma letra meio garranchada e itálica, mas que só tornava aquilo mais especial. Porque era a letra garranchada de Yoongi, que tinha escrito justamente um trecho de uma das músicas que Jimin mais amava. Logo aquele trecho daquela música, com aquela letra daquela pessoa.

O mais novo já tinha dito antes o quanto achava linda a canção ali escrita e o quão maravilhoso seria ser pedido em namoro com ela. E foi exatamente isso que Yoongi fez.

Quando saiu do banheiro — ainda enrolado na toalha, porque não conseguiu pensar em mais nada além de sua necessidade de ver o mais velho naquele exato segundo — ouviu a música tocando baixinho no celular em cima da cama, onde Yoongi estava sentado.

— Hyung... o que é isso? — perguntou, quase não conseguindo conter a emoção.

— Acho que você sabe. — Yoongi tinha um singelo sorriso estampado em seu rosto, e estava tão nervoso que mal sabia o que fazer com as mãos. Não sabia se as punha no colo ou em cima da cama, se deveria mexê-las ou deixá-las paradas. Por via das dúvidas, fez uma mistura de tudo, o que arrancou uma risada do mais novo.

— Está nervoso? — Jimin se aproximou, sentando-se também.

— Um pouco — respondeu, baixinho. Seu rosto estava corado, e era fofo vê-lo daquele jeito quando, na maioria das vezes, ele era o cara marrento de semblante sério e língua afiada.

— Você sabe que, teoricamente, eu é que deveria estar nervoso, não é? Porque fui pego totalmente de surpresa.

— Espero que tenha sido uma surpresa boa.

— Ah, com certeza foi. Sobre isso não há dúvidas. — Yoongi passou as costas da mão pela testa e disse um “ufa” de brincadeira, tentando mostrar que não estava assim tão nervoso, já que conseguia fazer brincadeiras. Mas Jimin sabia que aquele “ufa” tinha seu fundo de verdade.

— Mas então, o que me diz?

— Você está mesmo fazendo o que eu acho que está fazendo? — perguntou o garoto de apenas vinte anos ainda sem acreditar.

Yoongi virou o corpo apenas o suficiente para estar de frente para Jimin e pegou suas mãos, que estavam tão suadas quanto as suas. Ele sabia que aquilo era novo para os dois e que era, também, uma coisa com a qual o mais novo sonhava mais vezes do que gostaria de admitir.

— Eu estou fazendo o que você pensa que estou fazendo, sim. E tenho toda a certeza do mundo. — Os olhos de Jimin brilhavam, e ele deu um pequeno sorriso quando ouviu essas palavras. — Eu sei que você tem suas inseguranças. Eu também tenho. Mas não quero que pense nisso agora, quero que pense só na gente. O que você acha de deixar eu traçar as linhas do seu coração tatuado?

— Hyung, você sabe que isso é o que eu mais quero.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Então você aceita? Quer namorar comigo? Não que já não estivéssemos fazendo isso, mas eu quero poder dizer para as pessoas com todas as letras que você é o meunamorado.

Jimin riu. Uma daquelas risadas que fazem os olhos dele se fecharem e o fazem balançar o corpo todo. E então, ele pegou o rosto de Yoongi e o trouxe para perto, muito perto. Ainda sorria, mas já podia o olhar inteiramente, bem dentro de seus olhos. Ele colou suas testas e ficou assim por sabe-se lá quanto tempo, apenas observando, sentindo suas respirações misturadas. Por fim, ele o beijou, mas não conseguiu parar de sorrir nem nesse momento, e Yoongi estava na mesma situação. Até que se separaram, e, finalmente, Jimin respondeu:

— Sim, hyung, eu aceito namorar com você. Eu também quero dizer para as pessoas com todas as letras que você é o meu namorado.

— Nossa, isso é ótimo. — Deixou escapar um suspiro de verdadeiro alívio. — Eu pensei que você estava me beijando para não ter que responder — confessou Yoongi, e aquilo fez o mais novo voltar a rir, dessa vez com ainda mais intensidade. E o seu, agora, namorado apenas observou a cena com toda a admiração que cabia em si.

Lembrar daquele dia trazia as mais incríveis lembranças a Jimin, e ele mal percebeu quando uma lágrima começou a escorrer devagar por seu rosto. Queria aquilo de volta. Todos aqueles sentimentos, aquela nuvem de emoção que cercava os dois. Estava decidido a fazer o possível para reconquistar isso, e quando deixou aquele cômodo tomado pelo vapor, entrando diretamente no quarto que antes era apenas seu e agora eradeles, já não havia ali a presença daquela lágrima, pois ele tinha prometido a si mesmo que daria um jeito de contornar aquela situação desastrosa.

Carregando suas roupas sujas em um só braço e pensando se faria o jantar ou pediria uma pizza, Jimin percebeu que não estava mais sozinho em casa. No corredor, pouco antes de passar pela última porta para entrar na lavanderia, ele ouviu alguns passos abafados. Sabia bem de quem eram, claro, então jogou rapidamente as roupas no cesto reservado para elas e foi até a sala, encontrando os sapatos de Yoongi jogados na entrada, suas chaves no cinzeiro que ganhou nova utilidade já que nenhum dos dois fumavam e seu casaco pendurado no encosto do sofá, mas ele mesmo não estava ali.

— Hyung? — chamou, o tom de voz elevado para que fosse ouvido em qualquer cômodo da casa.

— Estou aqui. — A resposta veio da varanda nos fundos da casa. Geralmente, Yoongi ia para lá quando precisava pensar ou, ainda que fosse o completo oposto, ignorar os pensamentos que o incomodavam. Era algo entre “a vista sem graça me acalma” e “o barulho da cidade não me deixa ouvir o que eu não quero”.

Jimin seguiu pelo corredor até a cozinha, caminho necessário para chegar à varanda. Passou pela porta traseira do cômodo e encontrou seu marido ali, apoiado no muro baixo que os cercava, com uma caneca lotada de café em sua mão direita. Alguns botões de sua camisa estavam abertos e as mangas estavam dobradas acima dos cotovelos, deixando à mostra as tatuagens.

— Você fez faxina? — perguntou o mais velho.

— Eu estava entediado. — Imitando a posição de Yoongi, o mais novo se apoiou na mureta e ficou encarando a vista enquanto conversavam. Talvez não quisesse fazer contato visual naquele momento. — Por que está aqui? Aconteceu algo?

— Estava pensando... sobre nós.

Aquilo pegou Jimin de surpresa. Fazia muito tempo que o “nós” não era assunto entre eles, e mais tempo ainda que o mais velho não o puxava primeiro.

Ainda que o tom dele não desse indícios de uma grande conversa extremamente esclarecedora que levaria à solução de todos os problemas do casal, para Jimin aquilo já eraalgo.

— E foram pensamentos bons? — perguntou, sentindo-se apreensivo. Tinha certo medo da resposta.

— Sim e não. Eu estava lembrando de algumas coisas, porque passei em frente àquele restaurante onde nos conhecemos. Senti saudades de antes, de como eram as coisas. E da gente.

— Eu também sinto saudades... Hoje estava tomando banho e quando saí do chuveiro vi o espelho embaçado. Você já deve saber do que foi que eu me lembrei.

— Sim, eu sei. — Yoongi deixou sua caneca no muro e se voltou para seu marido. — O que aconteceu, Jimin? Com a gente?

— Nós mudamos tanto, não foi? — disse o mais novo, retribuindo o olhar que lhe era direcionado. — Devíamos tentar voltar a ser como antes.

O mais velho deu um riso soprado que Jimin não soube como interpretar, portanto não comentou nada.

— Eu não tenho disposição para ser como antes, Jimin. Eu não sei se você lembra, mas nós não parávamos nem por um minuto. Era todo dia inventando alguma coisa nova para fazer. A gente nem tem tempo para isso mais.

— Eu sei, eu sei. — Jimin riu com a lembrança. — Não foi o que eu quis dizer. Mas se antes nós fazíamos coisas demais, agora nós fazemos coisas de menos. Podíamos, sei lá, sair juntos algumas vezes.

—Você acha que isso vai mudar algo?

— Acho. Você não?

— Não sei, não faço muita ideia do que vai ajudar ou não.

— Nós esfriamos, hyung, essa é a verdade. Eu sei disso e você também. A gente precisa se movimentar se quer que isso mude. — Jimin agora sentia uma ponta de animação passando por todo o seu corpo, subindo devagar desde os dedos de seu pé até o topo de sua cabeça. — E eu vi que vai ter uma festa, amanhã, naquele lugar que costumávamos ir.

—Sério? Uma festa? Que conveniente. Mas não sei, Jimin, não sei se tenho paciência para algo assim ainda. Essa coisa de festas e gente bêbada gritando e se esbarrando... O Yoongi de vinte e poucos anos adoraria, mas agora não sei.

— Até parece que você tem oitenta anos, hyung. Você tem só trinta e dois, não viaja.

— Você sabe que eu virei um velho rabugento de trinta e dois anos — retrucou com um sorriso no rosto. Jimin estava feliz com o rumo que a conversa estava tomando. Fazia muito tempo que eles não riam, faziam piadas e brincadeiras ou apenas passavam um tempo bom juntos. — Tem certeza que quer ir nessa festa?

— Sim, hyung, vamos por favor. — pediu, arrastando a voz na tentativa de convencer o mais velho.

Yoongi prendeu o ar e, em um único sopro, o soltou.

— Tudo bem. Se você quer tanto, podemos ir.

Com essa resposta, o mais novo viu uma real possibilidade de melhora na atual situação do relacionamento deles. E, por isso, abriu um grande sorriso que acabou fazendo com que o mais velho sorrisse genuinamente junto a ele e, talvez por impulso, Jimin abraçou seu marido. Yoongi não pensou duas vezes antes de retribuir aquele ato de carinho que há um bom tempo não era realizado entre os dois. Mas ali, naquele momento, nada importava além do sentimento deles. Estavam felizes, e Jimin esperava que continuassem assim dali em diante.

No dia seguinte, Yoongi saiu cedo para trabalhar, deixando seu marido em casa. Não houve conversa durante a manhã, no café eles apenas trocaram um “bom dia” breve, seguido de um “até mais tarde” sem muita empolgação pelo que deveria acontecer à noite.

O combinado da festa estava de pé, ou parecia estar, pelo menos para Jimin, que ainda sentia a animação da conversa do dia anterior percorrendo suas veias com intensidade. No entanto, o clima monótono parecia ter tomado o caminho deles novamente e isso o preocupava.

Mas ele decidira que não deixaria que isso interferisse em seus planos. Estava tão decidido quanto antes, tão empolgado quanto antes e igualmente esperançoso. Sendo assim, faria de tudo para que ele e Yoongi tivessem uma ótima noite na tal festa e para que esse fosse realmente o recomeço do qual eles precisavam.

Tirou a manhã para ficar à toa, aproveitando a preguiça comum àquele horário, apenas imaginando como se seguiria o dia e fazendo planos. Não podia impedir sua mente de criar vários cenários e repassá-los incontáveis vezes.

À tarde, perto da hora de seu marido sair do trabalho, não conseguiu mais se conter e levantou do sofá sentindo-se mais do que pronto para qualquer coisa. Tomou um banho longo e perdeu umas duas horas escolhendo a roupa que usaria mais tarde — com a ajuda de Taehyung por chamada de vídeo.

Decidiu que queria algo simples, mas ainda bonito, e vestiu sua camisa branca de botões favorita, pois o tecido era levemente transparente e por ele podiam ser vistos os traços de tinta em sua pele.

Quando Yoongi chegou, faltavam duas horas para o compromisso deles, e Jimin já estava pronto. Talvez tivesse perdido um pouco o controle, mas só talvez. De qualquer forma, a ele não restava o que fazer além de esperar que o marido se arrumasse também, e foi o que ele fez.

Sentou-se no sofá com seu celular e gastou aquele tempo fuçando as redes sociais, falando sozinho em seu Twitter e mandando centenas de mensagens para Taehyung dizendo o quanto estava ansioso.

Durante esse tempo, ele e o mais velho trocaram poucas palavras, ainda iguais a de manhã, mas ele não deixou de ter esperanças, e, quase uma hora depois, Yoongi apareceu ao seu lado na sala, já devidamente vestido e tão cheiroso que Jimin quis morrer.

— Vamos? — perguntou ao mais novo, que respondeu que sim com toda a empolgação que cabia em seu corpo. Chegariam antes do planejado, mas que mal isso tinha?

Jimin dirigiu acompanhado de suas músicas favoritas tocando no carro. Pelo caminho, conseguiu perceber que em alguns momentos Yoongi cantarolou junto a ele, o que o deixou mais alegre ainda. Mal podia esperar para ver como a noite se desenrolaria.

Entraram na tal boate sem muita dificuldade, o segurança era o mesmo de anos atrás e os reconheceu, fazendo um alarde ao ver que eles estavam ali outra vez. Já do lado de dentro, Yoongi quis logo encontrar um canto para se acomodar, mas Jimin insistiu para dançarem e seu marido cedeu.

O mais novo sempre teve grande paixão pela dança, não era à toa que agora ele trabalhava dando aulas em uma grande companhia, por isso não ficava parado por mais de cinco minutos em uma festa como aquela. A música alta, o bate-estaca da batida que a muitos enjoava e o aglomerado de pessoas na mesma sintonia o enchia de adrenalina. No entanto, Yoongi não parecia estar no mesmo clima, ele parecia incomodado com muitas das coisas — se não todas — à sua volta. Jimin percebera isso e, então, sugerira que fossem buscar algo para beberem e darem um tempo da pista movimentada.

— Você está bem? — perguntou ao mais velho, preocupado. A resposta veio na forma de um murmúrio em confirmação e uma expressão que mostrava o contrário. Ele não estava bem. — O que aconteceu, hyung?

— Eu estou bem, Jimin.

— Dá para ver que isso não é verdade.

— Se você sabia que eu não estava bem devia ter desistido dessa ideia idiota de me arrastar para uma festa então. — Aquilo pegou o mais novo de surpresa. Yoongi raramente era ríspido daquela forma, mas Jimin não estava muito disposto a averiguar a fundo a situação e tentar achar a raiz do problema.

— É, talvez eu devesse mesmo. — Ele se levantou bruscamente após deixar o dinheiro de sua bebida no balcão e rumou a qualquer lugar longe dali. Viu que Yoongi o observou se afastar com o rosto contorcido do que poderia ser arrependimento ou raiva, mas não ousou voltar para descobrir.

Tudo o que queria para aquela noite era que se dessem bem, tudo o que queria era que se divertissem. Como Yoongi podia não ver isso? Como podia tratá-lo daquela forma quando sua intenção era a melhor das melhores? Estava inconformado, era isso. Não aceitaria aquele tipo de tratamento de jeito nenhum, preferia se afastar a ter que lidar com aquilo, pelo menos por agora.

Assim, chegou ao canto da boate que era quase oposto ao bar, encostou-se em uma parede sem muito movimento e decidiu que por lá ficaria até que Yoongi o procurasse. Mas isso não aconteceu, e o tempo foi passando devagar demais para sua opinião.

De repente, um homem se aproximou mais do que Jimin julgaria como adequado, o que o fez dar alguns passos para o lado. Ele vestia um terno preto com bordados dourados chamativos, uma roupa bem diferente da de qualquer pessoa presente ali.

— Por que se afastar? — perguntou o estranho.

— Não tenho motivos para ficartãoperto de quem não conheço.

— Mas eu conheço você. — Jimin observou aquele homem, correndo seus olhos por todo ele, de cima a baixo, nunca vira alguém com aquelas feições antes. Era meio impossível que se conhecessem.

— Nunca o vi antes, você deve estar confuso.

— Você é Park Jimin. — Não foi uma pergunta, ou não soou como uma, pelo menos. Jimin se assustou, tinha certeza absoluta de que não conhecia aquele homem. Pôs-se, então, a mandar mensagens para seu marido avisando o que estava acontecendo, pediu para que ele fosse até lá rápido, mas o sinal era fraco e as mensagens não chegavam.

Enquanto isso, o estranho prosseguiu:

— Acertei, não foi? É como eu disse, eu conheço você. Sabia que estaria aqui hoje.

— Quem é você? — perguntou Jimin. Amedrontado por causa do olhar quase perfurador que lhe era lançado pelo homem extravagante, ele não conseguiu dizer outra coisa além disso.

— Pode me chamar de Seokjin, ou Jin, se preferir.

— Como sabe quem eu sou?

— Bem, eu sei muitas coisas. Sabia que estaria aqui e que eu deveria falar com você.

— Como assim “sabia”? Olha só, o meu marido está vindo para cá, só foi ao banheiro, logo ele chega aqui, se você tentar qualquer coisa...

— Calma, calma — interrompeu o estranho, ou Jin. — Eu não estou aqui para lhe fazer mal algum. Veja bem, eu tenho conhecimento de muitas coisas, sei que você e seu marido não estão bem, que precisam de ajuda. Eu posso ser essa ajuda.

— Do que você está falando? — Jimin não fazia ideia de como aquele homem esquisito sabia aquelas coisas a seu respeito, mas achou melhor fingir que ele não estava acertando em suas suposições, ou o que quer que fosse aquilo.

— Você sabe bem do que eu estou falando, não precisa fingir que estou errado. — Suspirou, parecendo cansado. — Eu sou um Djinn. Sou um ser mágico, Jimin. E eu posso ajudar. Vim aqui apenas para isso.

Jimin escarneceu. Era óbvio demais, Seokjin, se esse era mesmo o nome dele, só queria fazê-lo de idiota.

— Claro, e você realiza desejos também — ironizou.

— Sim.

O homem respondeu com tanta convicção e tanta seriedade que Jimin questionou se aquilo era mesmo apenas uma brincadeira sem graça.

— Eu realizo desejos, mudo de forma, todas essas coisas. Por que não pulamos para a parte onde me pede para provar e agilizamos o processo?

— Então... prove. — Sentiu-se um idiota fazendo exatamente o que aquele estranho dissera, mas em um piscar de olhos figurativo o homem mudou completamente sua aparência e virou outra pessoa. Jimin não entendeu metade do que tinha acabado de acontecer bem em sua frente.

— O que foi isso? — perguntou, exasperado.

— Isso fui eu te provando. Agora, por que não me conta um pouco o que há entre você e Yoongi?

— Você sabe o nome dele também? Como, então, não sabe o que há entre nós?

— Não seja bobo. Eu preciso que me diga o que quer fazer com essa situação. Para que eu te ajude, preciso saber o que está, de fato, lhe incomodando.

— Por que eu faria isso? Não sabe ler mentes? Para mim, parece saber.

— Sim, eu posso ler mentes, mas prefiro que me faça um pedido em voz alta. Só realizo desejos não verbalizados quando a necessidade é extrema. — Fez uma pausa, como se houvesse muito mais que pudesse ser dito, mas julgou desnecessário para o momento. — E você vai me dizer o que deseja porque não sabe mais o que fazer para acabar com esse problema. — O tal Seokjin parecia saber as respostas exatas para cada pergunta que lhe era feita, e isso era estranhamente reconfortante ao mesmo tempo em que era irritante e incômodo. Jimin não sabia o que pensar ou sentir. Talvez suas perguntas fossem apenas muito óbvias.

— Tudo bem, você tem um ponto. Eu realmente não sei o que fazer. E nem sei se estou fazendo o certo confiando em você, mas eu acho que cheguei a um ponto onde eu não tenho mais muita saída, certo? — Seokjin o olhava como se compreendesse cada um de seus sentimentos mais confusos, como se soubesse tudo aquilo dentro de sua cabeça bagunçada. E ele realmente sabia, só queria que Jimin os colocasse em palavras para que a situação não se tornasse ainda mais estranha, o que parecia ser meio impossível, mas talvez não fosse. — Eu e Yoongi meio que perdemos algo que a gente tinha antes, parece que a química que tínhamos acabou. Parece que vivemos tudo que era para termos vivido e é isso.

— A relação de vocês não é mais a mesma, eu vejo isso. Vocês esfriaram, não se comunicam.

— Sim, é isso. E agora ele vem brigar comigo por ter insistido em virmos para cá, por ter insistido em dançar ou sei lá pelo quê. Como se eu fosse culpado por estarmos assim! Vê se pode? Ele acha o quê? Que eu sozinho acabei com a graça do nosso relacionamento? Ah, claro, porque eu tenho um relacionamento sozinho, posso fazer isso. Queria poder apagar tudo isso, queria poder, talvez, não ter que passar por essas coisas.

— Você pode.

E, de repente, Jimin sentiu suas pernas ficarem fracas. Foi apenas o tempo entre ele tentar se escorar na parede e ver Yoongi se aproximando apressado até que sua visão escurecesse por completo e ele apagasse.

Quando acordou, estava sentado no que parecia ser o banco de um ponto de ônibus, e era dia. Ele olhou para todos os lados à procura de algo que lhe indicasse onde estava, mas nada. Pelo menos, não até prestar verdadeira atenção à sua volta e reconhecer a boate da noite anterior, mas com um letreiro diferente. Não tinha reparado na mudança na noite anterior. Estranhou, mas nada que o assustasse muito.

Também havia ali, descendo um pouco a rua, o restaurante onde ele e Yoongi se conheceram. Aquele lugar, sim, trazia ótimas recordações.

Contudo, não entendia por que estava ali àquela hora. Não se lembrava de ter bebido tanto a ponto de ficar esquecido. Mas pensando assim ficava meio óbvio que era isso que tinha acontecido. Só que esse detalhe ainda não explicava o porquê de estar sozinho, dormindo durante o dia em um ponto de ônibus. Onde estava Yoongi?

Jimin pegou seu celular e discou o número que conhecia até de trás para frente.

O número chamado não existe.

Ligou novamente e recebeu a mesma resposta. Mais uma vez, e nada. Estava começando a se preocupar. Não sabia mais de nada. Não lembrava se Yoongi poderia ter, possivelmente, trocado de número recentemente, mas duvidava que fosse isso. Algo não estava certo.

E então, ao passo que começava a se afligir de verdade, viu um ônibus se aproximar e parar, e dele descer uma única pessoa. Um homem que reconheceria a metros de distância. Era Yoongi, bem ali ao seu lado. Um Yoongi com aparência mais jovem e com os cabelos, antes pretos, agora tingidos de verde. Jimin se lembrava de tê-lo conhecido quando seus cabelos eram daquela cor. Mas por que estava saindo de um ônibus e, além disso, indo embora direto, sem falar com o marido?

— Hyung? — chamou Jimin. — Onde você estava? E por que eu estava aqui sozinho dormindo a essa hora? E esse cabelo?

Conforme chegava mais perto do marido, mais Yoongi retorcia sua expressão. Ele chegou a distanciar-se perceptivelmente.

— Como assim? Quem é você? — perguntou, direcionando um olhar de completa confusão a Jimin.

— Você sabe quem eu sou? — O que era para ser uma afirmação acabou soando como uma pergunta, porque ele não entendia o que estava acontecendo.

— Acho que está bem claro que não, não sei quem você é.

— Desculpa, não era para sair como uma pergunta. Mas como isso é possível? Nós somos casados, meu amor, estávamos juntos aqui nessa boate ontem. Não se lembra?

— Você está maluco, cara. Eu não te conheço. — Yoongi começou a andar mais apressadamente para longe, visivelmente assustado. Jimin foi atrás, tentando se explicar, dizendo coisas sobre o outro que apenas ele sabia, mas de nada adiantou.

Ele viu Yoongi se afastar e entrar rapidamente no restaurante do outro lado da rua, e fez o mesmo caminho que ele, deixando apenas de entrar no local. Pôde vê-lo lá dentro, por uma janela. Seu marido conversava com Namjoon, um grande amigo seu que Jimin também conhecia.

Yoongi tinha a postura exaltada enquanto, provavelmente, contava o que acabara de acontecer. E depois de alguns minutos, eles começaram a rir, e Jimin, do lado de fora, ainda meio escondido na esquina, viu quando alguém com suas feições exatas atravessou a rua em direção às portas de entrada do mesmo local onde Yoongi e Namjoon se perdiam no assunto. A única diferença entre aquela pessoa e ele era a cor do cabelo. O do outro Jimin, chamaria assim por enquanto, era de um laranja vivíssimo, enquanto o seu era loiro acinzentado já há anos.

Mas aquele não era ele, é claro, porque ele estava ali, do lado de fora, observando toda aquela confusão. E, bem, o outro estava cruzando a entrada. Não tinham como ser a mesma pessoa, pois é impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ou, pelo menos, sempre achou que fosse.

Mas sua grande bolha de pensamentos confusos foi estourada pela voz alta de Yoongi vinda de dentro do restaurante, assustado com o que quer que fosse que tinha visto. Olhando pela janela, mais uma vez, Jimin entendeu. Aquela cópia sua estava parada ao lado da mesa em que seu marido e Namjoon conversavam, com o semblante surpreso e confuso, mas também enraivecido.

Yoongi tinha se levantado e estava perguntando — alto demais — que tipo de brincadeira era aquela aos dois que mal sabiam o que dizer. Mas o outro Jimin parecia mudo por estar tão indignado quanto o de cabelos verdes. Logo em seguida, quando não recebeu resposta alguma, Yoongi saiu a passos largos daquele lugar. Parecia estar extremamente irritado, contrariado.

Jimin continuou observando tudo de longe. Viu a outra versão de si mesmo se sentar e começar uma reclamação interminável com Namjoon, viu o próprio Namjoon jogar o corpo no encosto da cadeira e coçar a cabeça transtornado e viu Yoongi descer a rua furioso.

E assim, atônito, Jimin se afastou daquela esquina e retornou ao seu ponto de origem. Voltou a sentar-se no banco daquele ponto de ônibus e observou o restaurante ao longe, repassando tudo o que acabara de acontecer. E foi então que Jimin se lembrou. Aquele restaurante, as cores de cabelo, Namjoon e até as roupas, estava tudo igual ao dia em que ele e Yoongi se conheceram. Mas não podia ser... Como poderia estar vivendo tudo outra vez? Ou melhor, assistindo a tudo acontecer (ou não acontecer) outra vez?

Mas não teve muito tempo para pensar, porque enquanto se fazia essas perguntas, viu Yoongi se aproximar mais uma vez. Só que, no entanto, seus cabelos agora estavam pretos como na noite anterior e como há anos já eram. E, dessa vez, seu marido parecia aliviado em vê-lo.

— Jimin! — Ótimo, ele o reconhecia. Jimin podia se sentir um pouco menos desorientado com isso, agora. — O que está acontecendo? Eu estou muito confuso, ontem te vi desmaiar no meio da festa enquanto o tal cara que você disse nas mensagens falava com você e, de repente, eu apaguei também! Quando eu acordei estava caído num banco de praça. Aí te vi andando meio longe, mas seu cabelo estava laranja como quando a gente se conheceu e...

— E eu não te reconheci? — interrompeu. Conforme Yoongi contava as coisas que tinham acontecido com ele, principalmente ao citar a noite anterior, Jimin começava a se lembrar do que tinha acontecido a si também. Lembrou-se da conversa que teve com aquele homem estranho na boate. O tal Seokjin. Ele disse que realizava desejos. Será que o pensamento na cabeça de Jimin poderia ser a realidade naquele momento?

— Como você sabe o que aconteceu?

— Porque também aconteceu comigo. Eu encontrei com outro de você, com cabelo verde, e você, ou ele, também não me reconheceu. Você se lembra daquele lugar? — Jimin apontou para o restaurante.

— Claro, como eu poderia esquecer? Foi onde nos conhecemos.

— Exato. E quando eu encontrei com o outro de você, ele estava indo para lá, e depois eu vi outro de mim fazendo a mesma coisa. E Namjoon também estava lá. Mas deu algo de errado.

— Onde você está querendo chegar? Por algum motivo nós estamos vivendo isso de novo? Como isso é possível? — perguntou Yoongi, confuso.

— Eu não sei... mas eu acho que sei o motivo.

— Como assim? — Jimin se levantou e começou a dar voltas pelo ponto de ônibus, analisando todas as possibilidades em sua cabeça. Cada uma delas era pior que a outra e em todas a culpa era sua, não queria ter que dizer o que tinha feito. — Jimin, como assim? — insistiu seu marido.

— Eu acho que... ontem, quando eu estava falando com aquele cara estranho, eu fiz a gente voltar no tempo. Ele disse que realizava desejos e que queria nos ajudar a resolver nossos problemas, eu disse que queria poder apagar tudo, eu estava irritado e magoado, acabei desejando sem querer que eu pudesse viver sem ter que passar por essas coisas que estavam acontecendo conosco. Ele disse que eu podia e eu desmaiei. Acordei aqui nesse ponto de ônibus. E agora, a primeira vez em que nos conhecemos foi um total desastre e nós teoricamente não nos conhecemos mais — disse tudo de uma vez, desesperado. Esperava que Yoongi fosse rir de sua cara, pelo menos, mas não.

Ele se sentou no banco de metal e fitou o nada. Parecia pensar sobre várias coisas ao mesmo tempo em que parecia não pensar em nada. Estava atormentando Jimin com aquele silêncio.

— Hyung, diz alguma coisa.

— Como assim você desejou poder viver sem passar por isso? Quis apagartudo? — Yoongi o olhou quando terminou de falar. Seu rosto, assim como sua voz, estava carregado de mágoa, ou talvez, desprezo.

— Não foi isso que eu quis dizer! Eu não queria apagar o que nós temos!

— Mas foi o que você disse. — Enquanto Jimin começava a se agitar e a falar alto e apressado, Yoongi não subia sua voz em nem meio tom. Não se alterou. Mas dava para ver que estava desapontado. — E você conseguiu, Jimin. Parabéns, você apagoutudo. Com seu egoísmo, como sempre.

Ele se levantou e começou a andar para longe, deixando seu marido para trás.

— Onde você vai? — perguntou Jimin, já sentindo lágrimas escorrerem por seu rosto.

— Vou para longe. Eu não sei se voltamos no tempo ou não, mas eu sei que você quer viver sem ter que passar porisso.— Apontou para eles dois. — Então vou deixar que viva.

Jimin pediu, implorou, para que Yoongi não fosse embora, mas seu pedido não foi atendido dessa vez. Nenhum desejo realizado.

Transtornado, o mais novo sentou na calçada e deixou o choro sair, sem se importar se alguém passaria e veria. Ficou daquele jeito pelo que pareceram horas, mas não passaram mais do que quinze minutos até que ele fosse interrompido por um leve toque em seu ombro esquerdo.

Quando olhou para cima, esfregando os olhos para enxergar melhor, deparou-se com o pivô de todo aquele drama. Bem ali, olhando-o de volta, estava Seokjin, de terno e sapatos amarelos brilhantes. E, ironicamente, ele tinha um sorriso no rosto.

— Por que chorar? — perguntou, e Jimin pôde perceber que aquele era um sorriso solidário, gentil, mas não era como se isso importasse.

— O que você fez? — bradou. Não tinha interesse nenhum na compaixão daquele homem. Logo ele, o culpado por essa situação desastrosa, queria demonstrar que se compadecia de algo? Jimin não aceitaria.

— Eu fiz apenas o que você me pediu.

— Eu não te pedi nada! Eu estava falando, contando o que aconteceu, e você fez toda essa confusão!

— Você disse que queria poder viver sem ter que passar pelos problemas do seu relacionamento, que queria apagar tudo, eu apenas fiz isso por você.

— Me mandando para dez anos no passado e fazendo meu marido não me reconhecer? — Jimin não aguentava mais aquele homem e suas respostas que pareciam óbvias. Não aguentava mais aquela situação. Não se aguentava mais também. Naquele ponto, não aguentava mais nada.

— Ele não é seu marido ainda aqui. Ele nem te conhece.

— E agora nem vai querer mais.

— Pensei que fosse isso que você queria. Por que simplesmente não aproveita um pouco para ver como seria a vida se você e Yoongi não tivessem ficado juntos? Tente apenas.

— Eu não quero! Eu quero meu marido comigo, isso é tudo culpa sua.

— Já parou para pensar que a culpa pode não ser minha? — perguntou Seokjin, como quem diz uma coisa para não ter que dizer outra.

— Onde você quer chegar com isso?

— Veja bem, eu apenas fiz o que me foi pedido. Eu realizo desejos, esse é o meu trabalho, meu poder ou minha missão, chame como quiser, mas eu apenas realizei seu desejo. Sou um gênio, afinal. — Ele fez uma pausa e pôs as mãos na cintura, olhando para o horizonte como se estivesse sem paciência para aquilo. Jimin aproveitou para levantar e sair daquela posição de cachorro abandonado. — Faça o que falei, aproveite o seu tempo aqui. Tente ver como as coisas seriam. Não posso dizer mais do que isso. — Jin começou a se afastar, mas foi parado antes que sumisse de vista.

— Espera! Onde você está indo? Não pode me deixar aqui assim!

— Olha, além disso, só posso lhe dizer que você tem até hoje, à meia-noite, para mudar de ideia, ou as coisas vão ficar bem complicadas.

Assim que terminou sua sentença, Seokjin desapareceu sem nem precisar caminhar para longe, e Jimin se viu, mais uma vez, perdido — ainda que conhecesse aquele lugar como a palma de sua mão.

Por um longo tempo, pensou sobre o que deveria fazer a partir dali. Considerou todas as possibilidades, até o que Jin dissera, mas acabou sentado no banco do ponto de ônibus sem saber para onde ir ou como proceder.

Ele viu as pessoas saindo e entrando nos lugares, atravessando as ruas e chegando e indo embora. Algumas delas o observaram, outras passaram direto. Nenhuma era importante para Jimin que, por fim, decidiu que não dava mais para ficar daquele jeito. Buscou por sua carteira e viu que tinha algum dinheiro ali, assim como ainda tinha bateria em seu celular, mesmo que não tivesse para quem ligar ou com quem falar naquela situação. E com isso, resolveu que faria o que Seokjin sugeriu. Já estava ali, que mal faria se tentasse aproveitar o tempo sozinho que lhe restava?

Começou indo à sua lanchonete favorita. Depois que começou a namorar Yoongi, ele raramente ia até lá desacompanhado. Achou que essa seria uma boa oportunidade para isso.

Foi atendido pela mesma garçonete que já conhecia há tempos, mas na época em que estava ela ainda não o reconhecia e nem sabia de seu marido, e por isso Jimin se incomodou quando ela não perguntou pelo mais velho.

Ao pedir seu lanche, olhou para seu lado direito por impulso, como se esperasse seu marido escolher o que comeria também, então lembrou-se de que estava só. Sentiu falta de Yoongi ali, mas ignorou.

Jimin sentiu saudade quando a comida chegou também, pois recordou-se do hábito, ou combinado, que tinha com o mais velho. Eles sempre dividiam a comida. Jimin pegava metade do lanche de seu marido e punha em seu prato, assim como colocava metade do seu no dele. E agora não havia com quem fazer isso. Porém, também deixou isso de lado.

Depois de comer, ele passeou um pouco pelas ruas e observou as vitrines. Ele e Yoongi costumavam caminhar juntos, as mãos entrelaçadas pendendo entre eles enquanto fingiam serem muito ricos e terem a possibilidade de comprar o que quisessem, independentemente do preço. Gostavam de jogar que quem comprasse a coisa mais cara até chegarem em casa estava livre da louça do jantar. Jimin sempre ganhava, mas acabava lavando a louça porque achava injusto que o mais velho tivesse que cozinhar e também lavar a louça.

Era incrível, ele fazia coisas sozinho mesmo estando junto de Yoongi, mas agora parecia que só conseguia se lembrar do que faziacom ele.

Por isso, ele decidiu visitar a academia de dança onde estudou durante a adolescência e durante o início da vida adulta. Era um lugar para onde ia desacompanhado, geralmente. Talvez isso o ajudasse a aproveitar o tempo sozinho.

Tentou passar despercebido por todos, porque não queria outra situação como aquela briga de mais cedo no restaurante, e foi até sua antiga sala. No entanto, quando chegou, precisou se esconder rapidamente, pois deparou-se com Taehyung e a outra versão de si ali dentro, conversando empolgados. Não queria ser visto, mas ficou escutando a conversa dos dois.

—Eu sei, Tae. Eu sei que você o achou legal, mas eu estou te falando, ele é um cara esquisito. Você precisava ver as coisas que aconteceram hoje— disse o Jimin mais jovem. Era óbvio que estava contando ao seu melhor amigo sobre os encontros nada agradáveis com as duas versões de Yoongi.

—É uma pena, então, Chim. Eu realmente achei que vocês pudessem dar certo.

E, naquele momento, Jimin — o original — percebeu o que tinha, de fato, acontecido. Ele já tinha pensado que o primeiro encontro das versões mais jovens de seu marido e dele não tinha dado certo, mas a ficha de que isso poderia atrapalhartodaa história do casal dali para a frente ainda não tinha caído.

De repente começou a pensar em todos os filmes de viagem no tempo que já tinha assistido. Em todos, sem faltar um, o que os protagonistas mudavam no passado alterava drasticamente o futuro, e agora ele estava verdadeiramente preocupado.

Então, desistindo de seu plano de solidão e se dando conta de que não queria, de jeito nenhum, ficar sem Yoongi, Jimin saiu da academia de dança às pressas. Na rua, atormentado, olhou para todos os lados sem nem saber o que procurava, mas sabia que desesperado não resolveria nada e, assim, tentou parar e respirar um pouco antes de tomar qualquer atitude.

Enquanto fazia isso, lembrou-se do aviso que Seokjin lhe dera sobre ter até meia-noite ou as coisas ficariam complicadas. Não tinha dado atenção a isso antes, mas agora começava a ver que tudo se encaixava. Talvez, se passasse dessa hora, as mudanças que fez em sua história se tornariam permanentes, e isso era o que menos queria.

Jimin olhou para a aliança em seu dedo. Aquele delicado fio vermelho sem o qual não conseguia se imaginar e que lhe era tão importante. Sentiu tanta falta de seu marido que chegou a doer e concluiu então que não saberia como resolver nada daquilo sozinho. Queria encontrar Yoongi, queria desfazer tudo o que tinha feito. Precisava encontrar Seokjin.

Pensando por alguns minutos, imaginou que seria muito mais fácil se fosse ao seu lugar de origem ali, onde grande parte daquela bagunça se desenrolou, e retornou, então, ao ponto de ônibus.

Passou todo o caminho até lá implorando para que isso fosse o suficiente, pedindo para que desse certo e chamando por Seokjin numa tentativa de fazê-lo aparecer que Jimin esperava que funcionasse.

Porém, não foi tão eficaz assim. Sentado no banco de metal, continuou a chamar o nome daquele que deu inicio à confusão. Passou alguns minutos ali, esperando, torcendo, ansiando pela aparição de Seokjin, mas nada.

Cansado de esperar, resolveu agir. Em meio a todos os pensamentos misturados em sua cabeça naquele momento, a imagem da boate onde esteve com seu marido um dia antes e as cenas da noite anterior se destacaram por um instante, e Jimin percebeu que estava bem perto do local onde tudo aconteceu.

Atravessou a rua, sentindo um misto de desespero e determinação, e entrou na boate com uma facilidade suspeita. Ela estava vazia e com as luzes apagadas, o que já era de se esperar, visto que ainda era cedo demais para estar funcionando, mas as portas abertas o deixaram desconfiado.

Ao raciocinar um pouco, no entanto, essa desconfiança desapareceu, porque só havia um motivo para isso: Seokjin. Claro, ele sabia que Jimin iria até ali quando não o encontrasse, estava tudo planejado.

— Jin? — chamou, com certo receio. — Você está aí?

— Você demorou, não acha? — Seokjin saiu de trás de uma pilastra, as roupas de antes haviam sido substituídas por um terno azul cheio de excentricidade, e seu cabelo estava perfeitamente penteado e repartido para a direita como em todas as vezes em que se encontraram. Jimin achava todas aquelas mudanças de roupa, no mínimo, engraçadas. Eram um alívio para seu nervosismo.

— Me desculpa se eu estava ocupado surtando e sofrendo — ironizou.

— Por que sofrer? Há algo que não lhe agrada?

— Se há algo que não me agrada? O que você acha? Todas essas coisas que aconteceram hoje foram extremamente angustiantes, eu não quero ficar sem meu marido. Eu só fiz uma coisa desde que você sumiu e me disse para aproveitar: sentifalta de Yoongi. Não dá, isso está errado, eu preciso dele, eu o amo.

— Bem, mas você sabe que o que está acontecendo foi um pedido seu, não sabe?

— Eu sei... E agora por minha culpa nós nem nos conhecemos mais. Eu fui egoísta como ele mesmo disse e estraguei tudo.

— Não é bem assim. — Seokjin sempre demonstrava sua compaixão, apesar de Jimin nunca a aceitar muito bem. O professor se sentia culpado demais agora que entendia o que tinha feito, e nenhum ombro amigo o ajudaria a se livrar desse sentimento. Apenas Yoongi, seu perdão e a resolução desse problema gigantesco poderiam fazer isso.

— Como não? Olha a bagunça que eu causei! Eu jamais deveria ter desejado apagar tudo, mesmo que da boca para fora. Mesmo que sem querer.

— Mas não era o que você queria?

— Claro que não, como eu poderia querer algo assim? Eu amo minha vida com Yoongi ao meu lado, ainda que estejamos passando por momentos difíceis. Ele é o meu grande amor, ninguém nunca vai substituir esse lugar que ele ocupa. — Suspirou. — E agora essamerdatoda vai ficar assim para sempre!

— O quê? Quem te disse isso?

— Você?

— Eu nunca disse que as mudanças eram permanentes.

— Não? Mas você disse que eu tinha até meia-noite ou...

— Ou as coisas iam se complicar, não se tornar irreversíveis — interrompeu a fala de Jimin para mostrar-lhe que não estava tudo tão perdido assim. — O máximo que poderia acontecer é vocês ficarem presos aqui, revivendo tudo, até as mudanças serem desfeitas. E nem é meia-noite ainda, na verdade.

— Mas então? Como eu posso resolver isso? — Jimin estava tão bagunçado, tão confuso e nervoso, que mal conseguia formular as frases. As palavras saíammuito espaçadas umas das outras, parecia que cada uma era uma pergunta diferente.

— Bom, você me diz primeiro. O que vocêquerfazer?

— Eu preciso encontrar Yoongi. Preciso mostrar a ele o quão errado eu fui, e como eu não queria que nada disso tivesse acontecido. E, bem, preciso voltar pro presente junto com ele e preciso que tudo lá esteja igual.

— Igual? Pensei que você não quisesse mais viver daquele jeito.

— Sim. Igual. Nós vamos resolver nossos problemas da maneira certa, juntos.

No instante em que Jimin terminou seu pedido, ele pôde sentir as mesmas coisas que da primeira vez. Sentiu suas pernas bambearem e sua visão escurecer, e logo estava apagado.

Despertou novamente em um grande estúdio de tatuagem, um estúdio que ele conhecia bem. Reparou na decoração do local e nas pessoas ali, que apenas não o viram por ele estar escondido e mais afastado da concentração de corpos. Sabia exatamente em que dia estava e o que estava prestes a acontecer.

Olhando ao redor, recordando aquele momento tão lindo de sua vida, deparou-se com seu marido bem ali, atrás de si, observando tudo também. E não o marido do passado, que no dia em que estavam ainda não tinha esse título, mas o marido com quem recentemente tinha brigado de um jeito que considerava impossível de reverter. O marido de cabelos pretos que foi levado sem querer por uma viagem desastrosa no tempo e o marido com quem estava enfrentando dias monótonos e angustiantes. O marido que tanto amava, bem ao seu lado, parado ali apenas assistindo ao desenrolar das cenas já vividas por eles.

— Não sabia que estaria aqui também — comentou Jimin, esperando que Yoongi não estivesse mais tão magoado para que ele pudesse começar a pedir seu perdão e só parar quando tudo estivesse como antes.

— Eu também não sabia. Desmaiei e acordei aqui. Parece que viajamos de novo, não foi?

— Sim, é o que parece. — Tentou sorrir levemente, sem saber se funcionara. — Yoongi...

— Não fala nada. Vamos só assistir, pelo menos por enquanto, está bem?

— Sim, tudo bem.

E, como lhe foi pedido, Jimin apenas assistiu. Viu o momento em que seus amigos correram apressados para buscar um carregador de celular para poderem registrar a cena em todos os aparelhos, sem faltar nenhum. Viu também quando o Yoongi do passado entrou no estúdio nervoso e secando o suor das mãos a cada minuto que passava. Viu quando o Jimin mais jovem fez a mesma coisa e quando o instrumentaldaquelamúsica começou a soar baixinho pelo local e sua outra versão começou a cantá-la. Viu seu casamento acontecendo em sua frente como se fosse um convidado, e nunca se sentiu tão grato por ter voltado no tempo, porque aquela era a cena mais linda que já tinha presenciado.

Uma lágrima começou a escorrer de ambos os Jimins conforme ele chegava ao fim da música. O rapaz estava sentado numa cadeira de tatuagem de frente para seu futuro marido, as mãos dadas e os sorrisos estampados em seus rostos.

O Jimin que apenas assistia tudo escondido olhou para seu marido e este se encontrava no mesmo estado. Sorriram.

— É lindo, não é? — perguntou Yoongi.

— Mais lindo que qualquer outra coisa.

Então, os noivos começaram a assinar papéis, trocar seus votos e, finalmente, as alianças. Os tatuadores contratados iniciaram os procedimentos nos dois ao mesmo tempo e, pouco tempo depois, ambos carregavam aqueles fios vermelhos em seus mindinhos esquerdos.

Assim, estavam oficialmente casados. E tão felizes que era impossível medir o quanto.

Com isso, Jimin — não o do passado — virou na direção de Yoongi. O mais velho secava algumas lágrimas enquanto isso, e sorriu involuntariamente para seu marido ao ver que este o observava. Talvez toda a raiva tivesse, de fato, passado.

— Por favor, hyung, me perdoa — começou o mais novo. — Eu não queria que nada disso tivesse acontecido, e de forma alguma eu queria apagar as coisas que vivemos. Como eu poderia querer apagarisso? — Apontou para o ambiente à volta deles. — Eu falei aquilo sem pensar, sem nem querer falar. Foi tudo um erro. Sei que fui egoísta naquela festa, que eu devia ter percebido que você não queria ir e não deveria ter insistido tanto para que fizéssemos tantas coisas das quais você não tinha vontade. — Respirou fundo antes de continuar: — Talvez eu seja mesmo egoísta e faça isso com frequência. Talvez a gente ter vindo parar aqui também tenha sido culpa do meu egoísmo, e eu sinto muito por isso, mas eu só insisti tanto na ideia da festa porque achei que fosse ser algo bom para nós. — Parou de repente para puxar ar de volta para seus pulmões. — Eu sinto muito mesmo, por favor,me perdoa.

— Jiminnie. — Yoongi surpreendeu seu marido com aquilo, fazia tempo demais que não o chamava daquela forma. — Eu não conseguiria não te perdoar, porque eu sei... eu sei que não foi intencional, eu te conheço. E por mais que tenha, sim, ficado magoado antes, eu não estou mais. Mas é verdade que você agiu de forma egoísta, ainda que tenha sido pensando no nosso bem e não proposital, mas eu também agi mal. Deveria ter dito que não estava bem para ir à festa, deveria ter avisado.

— Acho que esse tem sido nosso grande problema, não é? Nós não conversamos sobre as coisas que nos incomodam. Não conversamos sobre nada, mas isso principalmente. E tem nos afetado.

— É engraçado pensar que nada disso teria acontecido se nós simplesmente conversássemos. — Yoongi riu. — Mas também, se isso não tivesse acontecido não teríamos presenciado essa cena tão linda mais uma vez em nossas vidas.

— É verdade. Acho que, por uma segunda vez, eu consegui sentir toda a felicidade daquele dia. Essa foi a parte boa de toda essa bagunça.

— Com certeza. Mas agora seria bom se pudéssemos voltar, não acha?

— É claro que acho. Mas você me perdoa?

— Sim, meu amor. Eu já disse, não poderia não te perdoar. Não conseguiria fazer algo assim. Me desculpa também, por ter contribuído para esse momento ruim do nosso casamento. Por não falar mais. — Jimin sorriu brevemente, feliz por estar se entendendo com seu marido finalmente, e então o abraçou. Um abraço daqueles bem fortes que dão falta de ar às vezes.

— Nós fizemos isso juntos, então eu acho que nós dois temos que nos perdoar e consertar tudo também juntos. Está disposto a fazer isso?

— Definitivamente.

— Que lindos, meus parabéns — disse uma terceira voz, chegando do nada e interrompendo o momento de reconciliação do casal. Aquela voz Jimin sabia exatamente de quem era. E, dessa vez, Seokjin vestia um terno rosa choque com sapatos da mesma cor. A cara dele. — Agora que o casal fez as pazes, o que acha de fazer seu último desejo, hm? — perguntou para Jimin, que assentiu, ainda com um braço envolta dos ombros de Yoongi. — Certo. Escolha muito bem as palavras, está bem? Não queremos outro acidente.

— Tudo bem. — Puxou o ar, preparando-se. — Eu quero voltar para o meu tempo junto com meu marido e quero que as coisas estejam exatamente iguais a quando viemos para cá.

— É só isso? — perguntou o gênio.

— Tem mais uma coisa. Eu quero que nós dois possamos nos lembrar de tudo o que aconteceu.

— Eu posso fazer isso — afirmou Seokjin. — Estão prontos?

Os dois fizeram que sim e, em menos de dois segundos, estavam dormindo novamente, acordando no banheiro da festa em seguida, com expressões desnorteadas e cansadas, e muitas novas memórias.

— Quer ir embora daqui e ficar de bobeira em casa?

Essa foi a única coisa que Jimin perguntou a Yoongi depois de dar-lhe um beijo como há muito tempo não lhe dava, e a resposta veio na forma de um sonoro “com certeza”.

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Notas Finais: e aí, meus amores, o que acharam? por favor, deixem eu saber a opinião de vocês, comentem. fico muito feliz em receber os comentários de vocês, de verdade!

é isso, espero que tenham gostado. daqui a um tempo eu volto com mais pra vocês. até a próxima 💛

28. Juni 2021 19:48:03 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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Das Ende

Über den Autor

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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