dcsales Danieli Cavalcanti

Orfã, Carolina passou praticamente toda sua vida em um colégio interno em um país distante sofrendo preconceito por ser "diferente". Ela tem a lembrança de um garoto estrangeiro que conheceu em uma ponte de Jinhae na Coreia do Sul sem imaginar que um dia o reencontraria e percebendo que ele também jamais a esqueceu. Park Dong-su aceitou o casamento arranjado que salvará a Empresa Park Company da falência. Tudo parece mudar quando conhece Carolina, a nova tutora de sua sobrinha, e acredita que ela seja o seu primeiro e único amor perdido. Dong-su percebe seus sentimentos se tornarem ainda mais complicados, quando Carolina nega ser a estrangeira que ele conheceu no passado. Irá triunfar um amor que enfrenta barreiras étnicas, sociais e culturais ou será que velhas tradições e sentimentos irão separar Dong-su e a atrapalhada Carolina? Um dorama nem tão dorama assim.



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Episódio 1 - A ponte em Jinhae


Glossário


Romance Bridge - Como são chamadas as pontes turísticas em Jinhae na Coreia do Sul.

Eomeonin - Termo coreano usado para
falar "mãe" e em alguns casos a nora falar para a sogra.

As frases em negrito representam as falas em português nos diálogos e pensamentos da protagonista.

As palavras em itálico estão em coreano romanizado ou inglês.




Episódio 1 - A ponte de Jinhae


Não se sabe ao certo quando as cerejeiras florescerão na primavera, e menos ainda por quanto tempo permanecerão abertas. De qualquer forma eu estava em Jinhae quando as flores finalmente desabrocharam.

Na paisagem pude ver da janela do trem algo que parecia como um tapete de flores rosadas e brancas. A rua das cerejeiras e a linha do trem rodeada de flores por todo percurso. Entre fileiras de cerejeiras e flores de canola havia um córrego de águas cristalinas que levava as pétalas que caiam em suas águas rasas.

Como uma flor que se desprendera da árvore na Romance Bridge, eu era a menina de olhos grandes na ponte que implorava por ajuda. Eu havia me separado da minha mãe no momento que ela trocava o filme de sua câmera e uma multidão de turistas nos separou.

Do outro lado da ponte havia um garoto apenas alguns anos mais velhos do que eu, ainda que estivesse perdido com seu olhar triste e distante, ele com seus olhos puxados parecia pertencer aquele lugar. Eu não tive medo quando ele se aproximou de mim. Parecia que o menino queria me ajudar e saber porque eu estava chorando:

Eu me perdi da minha mãe— eu tentava dizer a ele.

Eomeonin?— o garoto disse parecendo um pouco confuso, mas pareceu entender o que eu estava dizendo.

Embora aquela palavra fosse irreconhecível, de alguma forma entendi que o garoto também falando da minha mãe e mais do que isso, estava disposto a me ajudar a encontrá-la. Quando ele segurou em minhas mãos delicadas senti que não estava mais sozinha. Ainda que não falássemos o mesmo idioma, nossos olhos se compreendiam. Caminhamos por entre as cerejeiras sem que qualquer adulto percebesse que duas crianças caminhavam sozinhas em Jinhae.

No começo eu tinha o objetivo de encontrar minha mãe, mas éramos apenas crianças e com uma brincadeira após a outra, acabei me esquecendo do motivo das minhas lágrimas. O vento elevava as tranças que minha mãe havia feito naquela manhã e prendido com duas fitas vermelhas em suas pontas. Cada vez que uma das fitas ameaçava soltar-se, o menino colocava a franja já crescida atrás da minha orelha e pacientemente apertava novamente a fita em meus cabelos castanhos e luminosos.

Para um início de primavera, aquele era um dia gelado, mas as mãos pequenas do garoto aqueciam as minhas. Eu desejava nunca mais ter que larga-las novamente. Por fim paramos em frente a bandeiras de muitos países enfileiradas. O garoto me apontou a de seu país, Coreia do Sul, eu acreditava que ele desejava saber de onde eu era. Era tão fácil compreendê-lo. Nós caminhamos mais um pouco, mas eu não conseguia encontrar a bandeira do meu país, então eu disse, sem esperança que ele pudesse me entender o pouco de inglês que havia aprendido com a minha mãe franzindo a testa:

Brazil?

Ele tentou repetir e me puxou pela mão. Corremos até alcançar aquela bandeira que quase ninguém se lembra que é também é azul e branca e suas estrelas mostram o seu brilho. Algo muito além do verde e amarelo.

Nos deitamos no chão para ver as flores de cerejeira caírem ao nosso redor. A fita se soltou novamente do meu cabelo liso, e o garoto correu atrás dela até que finalmente a alcançasse e ajustou a fita novamente jogando delicadamente minha franja para trás da orelha.

Passamos por um túnel de cerejeiras, onde segundo a lenda quem passasse de mãos dadas por esse túnel estaria destinado a ficar juntos para sempre. Um conhecimento um tanto incomum para uma menina de cinco anos. No caminho para Jinhae, minha mãe havia me contado que passou em um desses túneis de mãos dadas com meu pai, então pude entender o significava a palavra lenda, pois nunca havia conhecido meu pai.

Eu tentava de todas as formas explicar a história que conhecia, mas o garoto parecia não compreender e apenas segurava minha mão. Éramos tão pequenos que talvez não fossemos capazes de compreender o significado do que era o amor, mas tudo o que conseguíamos decifrar era que não queríamos nos separar um do outro.

A noite chegou, nem por isso Jinhae perdeu o brilho como o da luz do dia. O LED das luzes artificiais iluminou nossa noite. As cerejeiras deram lugar as flores elétricas, borboletas e guarda-chuvas com pontos de luz. Estávamos de volta a Romance Bridge onde naquela manhã nossos caminhos se encontraram.

Eu desejava saber o nome do garoto, mais do que qualquer outra coisa. Não havia encontrado uma maneira de perguntar, até que a fita do meu cabelo longo começou a se soltar novamente e ele se voltou para mim e começou a prender em meu cabelo novamente.

Ele disse:

Hanui.

Interpretei que o garoto estava me chamando por esse estranho nome. Eu repetia a palavra tocando em mim e depois quase tocando nele. Eu continuava repetindo esse movimento tentando fazer com que ele entendesse que queria saber o nome dele, até que ele disse outra palavra.

Oppa.

O vento soprou mais forte quando uma mão gelada segurou a minha. Minha mãe havia me encontrado. Ela virou a alça da câmera para o lado, e se abaixou e gritou comigo:

Filha, eu te procurei o dia todo.— Minha mãe me pegou pelos ombros e me apertou com força e depois me abraçando—Achei que tinha sumido para sempre. Vamos embora, temos um longo caminho pela frente.

Se ao menos minha mãe tivesse dito meu nome naquele momento.

Ao tentar me puxar minha mãe encontrou resistência, eu não desejava partir e segurei firme na mão do garoto. Apenas nesse momento minha mãe percebeu que eu não estava sozinha. Ela não teve tempo de fazer mais nada, pois a mãe do menino que passara o dia comigo também apareceu.

A mulher usava um elegante casaco branco e um broche colorido que mais parecia o formato de uma abelha. Pelo tom de sua voz a mulher ralhava com o filho e deu um tapa no rosto dele, o deixando vermelho. O garoto não se moveu, e aquela que parecia ser a mãe dele, começou a puxá-lo para o lado oposto da ponte. Minhas mãos e as do menino seguravam tão firme, que nem mesmo a força que nossas mães faziam, eram capazes de nos separar.

Mãe e mãe se encararam por um breve instante, a mulher permaneceu em silêncio e minha mãe se curvou em sinal de respeito. Isso fez com que elas fizessem ainda mais força para nos separar. Nossas mãos eram como nossos sentimentos que não queriam se soltar.

Hanui! —dizia o garoto enquanto nossas mãos quase se separavam.

Oppa!— eu falava tentando dizer o nome dele, embora não tivesse certeza que esse era realmente seu nome.

No momento que as mãos se separaram, o menino segurou a fita vermelha de uma das minhas tranças que facilmente a soltou do meu cabelos longos. Os nossos caminhos foram separados, cada um para um lado da ponte.

As flores de cerejeira caíram e voaram para o chão. Assim como os pensamentos inocentes de que esse momento duraria para sempre. Muitas estações se passariam até que a primavera pudesse surgir novamente.

20. Dezember 2020 06:48:05 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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