ghyun GHyun .

Jongin não sabia, mas sua aparência única e seu dom raro eram indícios de que era uma pessoa especial, e que, quando encontrasse Anhangá, sua vida estaria fadada a um final trágico.


Fan-Fiction Bands/Sänger Nur für über 18-Jährige.

#anhangá #folclore-brasileiro #sekai #exo
0
1.1k ABRUFE
Im Fortschritt - Neues Kapitel Alle 30 Tage
Lesezeit
AA Teilen

Parte 1

Jongin era assim, quieto, observador, rapaz de poucos amigos — coisa que não havia escolhido — e amante do folclore brasileiro. Trabalhava em uma pequena biblioteca em seu bairro, sua função era organizar os livros que chegavam e ajudar as pessoas a encontrarem os títulos que desejavam. Gostava de ajudar, mas sabia que não deveria se arriscar, pois sua pele morena e seus cabelos e pelos brancos causavam certo espanto em quem não o conhecia. Além de sua aparência única, era dotado de uma habilidade muito especial que descobrira quando completara seus quinze anos, pouco depois da morte de seu pai.

Sua falta de amigos era ocasionada por sua aparência incomum, o que o tornara alvo de seus colegas em toda sua trajetória escolar. Mas havia uma pessoa que no segundo ano do colegial havia visto além de sua aparência, havia percebido o garoto gentil e cuidadoso que era, e essa pessoa havia se tornado seu melhor amigo e seu amor secreto. Sehun era filho de família de agricultores bastante conhecida no bairro Jorge Teixeira, não era o popular da escola, mas por ser descendente de coreanos e parte de uma família com grande poder aquisitivo, sua presença chamava atenção.

— Às vezes eu quase chego na conclusão que a Érica não gosta de mim.

Jongin estava ajoelhado limpando uma prateleira quando assustou-se com a voz de Sehun e deixou que um livro caísse no chão, gerando um som alto que ecoou pelo salão, e em seguida ouviu alguém dizer "Shiiiiiiu". Respirou fundo e pegou o exemplar do chão e o colocou em seu devido lugar antes de dar atenção ao recém-chegado.

— Por que será?

Sehun deu um risinho e foi para o outro lado da estante, ajoelhou-se para ficar na mesma altura que Jongin e o viu pela fresta dos livros.

— Você está bem?

— Você me viu ontem.

— Hoje é outro dia.

— Estou bem.

Sehun esperou que ele perguntasse o mesmo, mas Jongin estava concentrado em seu trabalho.

— Também estou bem. Obrigado por perguntar. — ao ver o garoto direcionar o olhar para si, mostrou-lhe a língua. — Você vai trabalhar amanhã?

— Uhum.

— Como você sabe, meu aniversário é nesse domingo e, como sei que você não vai aceitar em ir na festa, gostaria de saber se você gostaria de ir ver o pôr do sol no MUSA comigo amanhã?

— Precisa agendar, não dá mais tem... — viu Sehun atravessar um papel pela fresta e o pegou. — po. Você já tinha planejado isso, né?

Sehun riu baixinho para não levar xingo.

— Sim. Eu sabia que você buscaria motivos para não querer ir, então... Sou preparado para tudo quando o assunto é você. — Jongin respirou fundo e colocou um livro na fresta onde Sehun estava com o rosto. Sehun contornou a estante e parou ao lado do amigo. — Você vai, né? Será apenas nós dois, não vou levar mais ninguém.

— Está bem, eu vou. Tenho folga acumulada, vou conversar com a Érica para ela me liberar mais cedo.

— Eu venho te buscar se ela te liberar.

— Tá.

— Quer que eu fique com o ingresso para não perder? — Jongin o entregou o papel e voltou a arrumar a prateleira. — Sua mãe está bem?

— Está. Às vezes parece que ela vai surtar por causa dos alunos, mas está bem. — ambos riram baixinho. — E os seus pais?

— O mesmo de sempre. Tenho que ir agora. Olha aqui, o que eu preciso fazer para a Érica parar com aquele olhar mortal dela quando venho aqui?

Jongin deu um risinho e começou a procurar por um livro nas estantes. Ao encontrar uma edição de O pequeno príncipe, entregou-o a Sehun.

— É um bom livro para quem não gosta de ler.

Sehun respirou fundo ao compreender e fez um sinal de agradecimento antes de deixá-lo trabalhar em paz.

Jongin gosta daquele rapaz.

Jongin olhou para o topo da estante e viu o pequeno camundongo que andava entre os livros. Pegou-o na mão e com um dedo acariciou seu pequeno corpo.

— Não escolho por quem tenho sentimentos, pequenino.

Por que não conta para ele?

— Porque não tenho coragem.

Jongin gosta daquele rapaz. Jongin gosta daquele rapaz. — o pequeno roedor começou a cantarolar.

— Fique quieto!

Jongin percebeu que havia dito alto ao ver Sehun o olhando confuso e achando que estava falando com ele. Envergonhado, escondeu-se atrás da estante para que não visse que estava falando com um camundongo.

Vai me levar para a sua casa?

— Quer ir para lá?

Sim! É mais seguro do que aqui.

— Por quê? O que aqui tem de tão perigoso?

Apareceu uma coruja. Ela está vindo caçar de noite. Quase fui pego na noite passada!

Jongin olhou para cima na esperança de ver a coruja escondida em algum buraco ou nos caibros, mas não a viu.



Ao final do expediente, Jongin conversou com Érica sobre suas horas de folga acumuladas e ganhou o dia seguinte livre. Assim que saiu da biblioteca, ligou para Sehun, mas este não atendeu, então enviou-lhe uma mensagem dizendo que tinha conseguido folga para o dia seguinte e que poderia buscá-lo em sua casa ou se encontrarem no museu.

As pessoas que passavam por Jongin não conseguiam evitar de observá-lo, mesmo as que o conheciam desde pequeno. Alguns o cumprimentavam, poucas perguntavam como estava sua mãe e outras tentavam mascarar o riso que davam por causa de sua aparência.

Sehun estava na porta de uma loja de itens rurais, conversando com o colega que trabalhava lá, quando Jongin passou pela rua. Apenas o percebeu quando seu amigo chamou sua atenção para a cena e despediu-se rapidamente dele antes de correr até Jongin.

— Está querendo cozinhar aí dentro? — referiu-se à blusa com touca que o garoto usava para se esconder.

Jongin parou de andar bruscamente ao se deparar com Sehun na sua frente.

— O que está fazendo aqui?

— Eu estava conversando com o meu colega ali da loja. As pessoas estão rindo de você?

— Algumas. — respondeu baixinho.

Sehun respirou fundo e olhou em volta, vendo uma ou outra pessoa mudando o foco da atenção ao serem flagradas olhando para eles.

— Vem. Eu te levo para casa.

— Não preciso que você me proteja.

— Eu sei. Quero te levar para casa, não posso?

Jongin respirou fundo, um pouco incomodado com a situação, e aceitou a carona. O seguiu para o carro, onde entrou, afivelou o cinto, e abriu a blusa. O pequeno camundongo subiu pelo interior da camiseta e respirou o ar fresco.

Estava quente aqui dentro!

— Desculpe. — disse baixinho para não chamar a atenção de Sehun, o que não funcionou.

Sehun havia visto o pequeno roedor sair de dentro da camiseta, mas não se assustou, já estava acostumado com Jongin resgatando os animais que encontrava, e sustentava um sorriso divertido enquanto o olhava.

— Qualquer dia você vai levar um jacaré para casa.

— Se ele precisar da minha ajuda e prometer não comer a mim ou a minha mãe, eu levo.

— Que ajuda um rato precisa?

— Camundongo. — corrigiu. — Ele está sendo caçado por uma coruja que apareceu na biblioteca.

Sehun fez cara de quem havia compreendido.

— E se a coruja também precisar da sua ajuda? Também vai levar ela para casa? — viu Jongin ficar pensativo e lhe mostrar a língua ao perceber que estava o atormentando. — Espera aí! Como sabe que ele precisa de ajuda? Por acaso ele falou com você, é?

— Ah... claro que não! Eu vi! Eu estava terminando de arrumar uns livros quando o vi se escondendo neles e pouco depois vi a coruja nos caibros da biblioteca. — Jongin ficou nervoso enquanto esperava uma reação de Sehun e respirou aliviado ao vê-lo acreditar em sua mentira. — Aliás, antes que eu me esqueça, a Érica me liberou amanhã.

— Bacana! — parou o carro em frente de onde Jongin morava com sua mãe. — Eu venho te buscar amanhã no mesmo horário. Tudo bem?

— Sim. Obrigado pela carona.

— De nada. Cuide bem do rato.

— Camundongo. — resmungou enquanto saia do veículo.

— Oi, tia! — Sehun cumprimentou a mãe de Jongin, que apareceu na porta para receber o filho. — Como a senhora está?

— Oi, Sehun! Estou bem e você? Trouxe o Jongin para mim, é?

— Tudo em ordem, tia! Encontrei ele pelo caminho. Adivinha? Trouxe outro bicho para casa.

Jongin fez cara séria para o amigo e revirou os olhos antes de acenar com a mão e entrar em casa para não ter que ouvir as provocações.

A mulher riu, sabia que Sehun adorava provocar seu filho.

— Quer entrar? Tomar café?

— Hoje não posso, tenho que levar umas sementes para o meu pai. Outro dia eu venho para podermos conversar bastante, está bem? Tenham uma boa noite, tia!

— Vá com Deus, querido!

Sehun acenou para a mulher e partiu.

Jongin estava colocando o pequeno roedor em uma caixa de sapatos quando viu sua mãe parar na porta de seu quarto, o olhando com um sorriso suspeito nos lábios.

— Por que está me olhando assim?

— Ainda acho o Sehun um bom partido. — Jongin revirou os olhos e bufou. — Não faça essa cara, filho. Você gosta dele.

— Isso não quer dizer que ele seja gay.

— Confie nos sentimentos de mãe da sua mãe, filho.

— Temos queijo?

Opa! Queijo? Pode servir o banquete!

— Na porta da geladeira.

Jongin ignorou o camundongo comemorando que iria comer queijo e os olhares suspeitos de sua mãe, e foi pegar o queijo na geladeira. Ao voltar para o quarto, deu um beijo na bochecha da mulher e, com uma faca que também havia pego, picou alguns pedaços de queijo na caixa.

— Que interesse o Sehun poderia ter em um cara estranho que nem eu, que não tem pai e que fala com animais? Sehun é filho de rico, trabalha para a própria família e está indo para a segunda faculdade. E eu?

— Você é o ser mais precioso da minha vida, meu amor. Você também é formado, também tem um emprego e tem um dom especial que nenhuma outra pessoa tem.

Jongin deitou-se na cama e suspirou.

— Por que tinha que ser tão dolorido gostar de alguém que não gosta da gente? A pessoa deveria vir com um aviso de que não gosta da gente, assim evitamos de sermos iludidos.

— Um dia você vai se acostumar.

Jongin resmungou e virou-se de bruços.

— Terei folga amanhã, então vou para o MUSA com o Sehun.

— Sério? Que legal! Por que isso?

— É aniversário dele no final de semana e, como ele sabe que não gosto de festas, me convidou para ir lá com ele.

— U-hum! Confie na sua mãezinha, filho! Confie!

— Ele não gosta de mim, mãe! Desencana!

— Confie! E compre um presente bem legal para ele. — Jongin resmungou e virou-se para o canto. — Descanse um pouco e vá tomar banho antes do jantar.


XXX


Jongin passou boa parte da noite pensando no que poderia comprar de presente para Sehun, mas nada lhe vinha em mente. No meio da noite, teve um sonho feliz com um pequeno passarinho. Ao acordar bem cedo, preparou o café da manhã e o empurrou goela abaixo. Quando sua mãe acordou, a avisou que o café estava pronto e saiu de casa.

Correu para a marcenaria do senhor Adolfo no final do morro que tinha perto de sua casa e foi seu primeiro cliente naquela manhã.

— Tão cedo, Jorge! Bom dia!

Como muitas pessoas tinham dificuldade para pronunciar seu nome, Jongin ganhou o apelido de Jorge, às vezes também era João.

— Bom dia, senhor Adolfo!

— Vai entalhar?

— Vou tentar. Preciso de um pedaço de uns vinte centímetros.

— Acho que tenho um aqui que vai te servir. — Adolfo foi para o fundo de seu galpão e retornou com um pedaço de madeira. — Serve?

— Perfeito para o que preciso! Quanto é?

— Me dá cinco e ficamos certos.

— Obrigado, senhor Adolfo!

— Tenha um bom dia, Jorge!

— O senhor também!

Jongin correu de volta para casa e entrou no quartinho dos fundos onde guardavam as ferramentas que seu pai usava para entalhar, trabalho que exercia com muito orgulho quando vivo, e ali passou horas dando forma ao pequeno pedaço de madeira.

— Jongin. Jongin, querido. Acorde! É quase duas horas.

Jongin acordou num pulo e olhou assustado para sua mãe, suspirou aliviado ao ver onde estava e passou as mãos pelo rosto.

— Que susto, mãe.

— Você dormiu bem, hein? Nem me ouviu chamando para almoçar. O que você estava entalhando?

Jongin olhou para a pequena estátua de aproximadamente quinze centímetros de altura e não mais do que dez centímetros de largura de cada lado.

— É para o Sehun. É um uirapuru.

— Você realmente puxou para o seu pai, garoto. — bagunçou os cabelos do filho. — Vá tomar banho. Vou esquentar um pouco de comida para você.

— Obrigado. Já vou.

Não vai me dar comida?

Jongin olhou para o camundongo que por todo esse tempo o observava.

— Mãe, dá um pedaço de queijo pro camundongo, por favor. E, você, pequenino, já te salvei. Não acha que está na hora de procurar outro lugar para morar?

Eu vou!

— Uhum. Tem até amanhã para arranjar outro lugar para ficar, senão te levo de volta para aquela coruja.

O pequeno roedor fez um barulhinho de medo e correu para o quarto de Jongin para se esconder na caixa de sapato.



— Jongin! — Sehun chamou ao entrar na casa. — Tia, o Jongin está? — questionou ao ver a mulher lavando a louça.

Sehun já era de casa, entrava e saia como se fosse um dos moradores. Era adorado pela mulher e esta dizia que se seu marido estivesse vivo também iria gostar muito dele.

— Oi, Sehun! Ele acabou de sair do banho, deve estar no quarto.

Sehun deu um sorriso sapeca e correu para o quarto do amigo, a tempo de ver Jongin com o tronco nu. Assoviou da porta para provocá-lo e agarrou a toalha que foi atirada em sua direção.

Jongin vestiu a camiseta e sentou-se na cama para calçar os tênis.

— Vou falar para a minha mãe mandar trocar a fechadura da casa.

— Então terei que entrar pela janela ou pedir a chave para a tia.

Jongin revirou os olhos e tratou de terminar de se arrumar.

— Tenho um presente para você.

— Ah, é? O quê?

— Oh, bicho curioso!

Sehun resmungou e o seguiu para o quartinho dos fundos. Ao ver a estátua, ficou impressionado com o trabalho que o amigo havia feito.

— Fiz de manhã. Só tome cuidado porque está com produto para os insetos não comer a madeira. Deixe na caixinha até você chegar em casa, então deixe em um lugar ventilado para amenizar o cheiro da química.

— É para mim?

— Sim. — viu Sehun sorrir feliz. — Fico feliz que tenha gostado.

Sehun o encarou e deu um risinho.

— Ótimo observador. Obrigado, Jongin! Realmente adorei. Vamos? Tive que vir mais cedo para comprar fertilizantes e preciso levar em casa antes de irmos ao museu.

— Vamos. Só vou avisar a minha mãe que estamos saindo.

Após garantia à mãe de Jongin que cuidaria do filho dela, Sehun dirigiu para casa e, com a ajuda dos empregados, descarregou os sacos de fertilizante e entrou para se limpar, guardar o presente e trocar de roupa.

Jongin permaneceu no carro até ver que o pai de Sehun se aproximava para falar consigo e esperou que a distância diminuísse para cumprimentá-lo.

— Faz tempo que não o vejo, Jongin. Como está?

— Tempo mesmo. Estou bem, e o senhor?

— Tudo em ordem.

— Como vai a plantação?

— Ah! Sabe como é. Até que vai bem, mas quando não são os insetos tentando acabar com tudo, são animais maiores andando pela lavoura e arrancando os pés.

— Não os culpo.

A verdade era que Jongin não se dava bem com a família de Sehun por ser protetor dos animais e não gostar da ideia de que desmatavam a floresta para conseguir espaço para suas lavouras, e o senhor Oh sabia disso e o olhou com profunda curiosidade.

— É a lei do mais forte, garoto. — viu Jongin cruzar os braços e virar a cabeça. — Final de semana é aniversário do Sehun. Vamos fazer um churrasco, está convidado.

— Você sabe que o Jongin não come carne, pai! Pare de atormentá-lo. — Sehun disse bravo, ficando entre os dois. — Estamos indo. Chego de noite. — esperou que Jongin entrasse no carro para fazer o mesmo e, quando estavam longe suficiente da casa, respirou fundo. — A estátua vai ficar boa na mesa ao lado da minha cama, já até separei um espaço para ela. Fiz o que você falou, deixei ela perto da janela para ventilar e depois a coloco na mesa.

— Por que você ainda trabalha para a sua família?

— Hã?

— Você me deixou claro que não concorda com o que ela faz, então por que continua ajudando?

— Porque são a minha família.

— A sua família te obrigou a fazer uma faculdade que não queria e está te obrigando a fazer outra que não quer, tudo isso apenas para beneficiá-los, Sehun! Além disso, eles caçam! E isso nem é permitido!

— E onde eu deveria trabalhar? Eu só vou levar o problema para a lavoura de outra pessoa. Olha, eu sei que a minha família tem defeitos, eu os reconheço e não os aprovo. Eu te falei antes e vou falar novamente, eu nunca irei caçar! Jongin, você me conhece, sabe que não aprovo isso.

Jongin concordou com a cabeça e ficou olhando as pessoas pela sua janela.

— Estamos bem? — Sehun questionou depois de alguns minutos de silêncio.

— Sim. Desculpe. Eu fico revoltado com a situação.

— Não tem que se desculpar. Eu entendo. Seu pai também defendia os animais, não é? Sua mãe diz que você puxou para ele. Queria ter o conhecido.

— Ele era legal.

Sehun deu um pequeno sorriso compreensivo, sabia que o amigo sentia muita falta do pai.

O resto do trajeto foi feito em silêncio.



Quando atravessaram o portão do museu, Jongin estranhou de não terem a companhia do guia. Sehun andou na frente, parecendo tranquilo e à vontade, como se conhecesse o lugar. Jongin o seguiu, se distraindo de tempos em tempos, maravilhando-se com as novas plantas que descobria e distraindo-se com os pequenos animais curiosos que desciam das árvores para verificar quem ele era.

Sehun deixou que ele se divertisse pela trilha que seguiram para a torre de observação, pois tinham tempo de sobra até o pôr do sol. Quando finalmente chegaram ao destino final, Jongin olhou para cima, arregalou os olhos e ficou boquiaberto.

— Você vai me fazer subir nisso?

— Sim. — Sehun respondeu simples, como se os quarenta e dois metros de altura da torre não fossem nada.

— Eu nem consigo ver onde é o topo!

Sehun riu divertido.

— Vem, você vai gostar quando chegarmos lá.

Jongin o olhou de maneira suplicante, não queria subir naquilo, mas Sehun o ignorou e foi na frente. Jongin resmungou e começou a segui-lo ao ver que não tinha opções. A subida foi lenta graças ao medo de Jongin, mas quando finalmente chegaram ao topo da torre de observação e ele viu a paisagem que a altura proporcionava, ficou maravilhado.

— Vem até aqui. — Sehun o chamou para a beirada da torre. — Não tem perigo de cair.

— Não consigo me mexer. — Sehun estranhou de vê-lo imóvel e agarrado ao corrimão da escada, e aproximou-se para conferir o que havia de errado. — Estou maravilhado com a paisagem, mas com medo da altura.

Sehun riu ao compreender a situação.

— Confie em mim, você não vai cair. Aqui, segure a minha mão.

Jongin segurou a mão que lhe era oferecida e, ao sentir o leve puxão para que andasse, agarrou-se ao braço. Com dificuldade, Sehun conseguiu levá-lo até a borda da torre e aos poucos foi sentindo-o relaxar ao se acostumar com a altura e perceber que não havia perigo.

Quando Jongin se sentiu à vontade com a altura e o sol começou a se pôr, deixando o garoto maravilhado com a visão do céu vermelho em contraste com o mar verde das copas das árvores, Sehun começou a sentir-se nervoso.

— Jongin, eu quero te dizer uma coisa. — sentiu-se mais nervoso ao ver que era foco da atenção do amigo. — Continue olhando o pôr do sol, não vou te trazer aqui de novo se você perdê-lo. — sua falsa ordem foi acatada com um riso divertido. — Eu queria te trazer aqui para que você pudesse conhecer o lugar e porque eu... eu cansei de esconder os meus sentimentos por você e gostaria que soubesse que eu gosto de você.

O sorriso de Jongin findou ao se dar conta da confissão que Sehun fizera. Estava surpreso, não esperava ouvir aquilo, e quando o olhou, o viu olhando para si, esperando sua resposta. Jongin o observou antes de dar uma resposta e como Sehun apertava seus próprios dedos enquanto esperava, percebeu que falava a verdade.

— Você gosta de mim?

— Sim. Acho que comecei a gostar de você no colégio.

Jongin respirou fundo e não hesitou em deixar um riso escapar. Era um riso de felicidade.

— Sehun, eu...

Sehun o viu se aproximar e segurar suas mãos ao olhá-lo nos olhos. Sabia que ele não era bom com as palavras quando o assunto era seus sentimentos, mas o conhecia tão bem para reconhecer e interpretar seus pequenos gestos. Aproximou seus rostos e deixou que seus lábios se tocassem devagar. E foi Jongin quem tomou a iniciativa de aprofundar o beijo.

Sehun soltou um riso baixinho ao encerrarem o beijo e explicou a Jongin que estava feliz por ter seus sentimentos correspondidos. Jongin conseguiu confessar que gostava dele desde a época da formatura do colégio e que sua mãe sabia de seus sentimentos e sempre o incentivava a contar.

— Por que nunca me disse?

— Por medo do que você pudesse pensar de mim.

— Eu penso que você é uma pessoa maravilhosa, Jongin, e que eu seria a pessoa mais feliz do mundo se você aceitasse em namorar comigo.

Jongin o encarou surpreso, ainda não estava acreditando.

— Tem certeza disso?

— Não tenho nenhuma dúvida.

Jongin o abraçou, logo sentindo os braços de Sehun em volta de seus ombros.

— Eu aceito.

Sehun sorriu e encostou suas testas, e ficaram assim até perceberem que estavam perdendo o fim do pôr do sol. Aproveitando os últimos raios solares, Sehun pediu para tirarem uma foto e surpreendeu-se por Jongin não recusar.



Durante a descida da torre, Jongin se deu conta de que havia vencido seu medo de altura e sentiu-se feliz consigo mesmo por seu feito. Quando faltava poucos metros para chegarem ao solo e discutiam sobre o fato de Sehun ter reservado a torre de observação somente para eles, para que não fossem incomodados pelas pessoas, avistaram algo branco no meio da mata e pararam para tentar identificar o que era. Enquanto observavam, um grande cervo branco aproximou-se da torre onde estavam e caminhou tranquilamente por ali.

Jongin desceu correndo o resto dos degraus, ignorando os chamados de Sehun e seus avisos para não se aproximar do animal, e tentou aproximar-se do cervo, mas este fungou ao perceber sua aproximação e correu floresta adentro. Sehun aproximou-se rapidamente quando o animal foi embora, estava apavorado só de pensar que Jongin poderia ter se machucado.

— Ficou doido? Ele poderia ter te atacado!

— Ele é lindo! Eu quero conver...

Jongin percebeu o que estava para dizer e calou-se antes que Sehun pensasse que estava louco.

— O quê?

— Nada. Vamos embora, está escurecendo.

Sehun olhou confuso na direção que o cervo havia corrido e apressou-se para acompanhar Jongin no caminho de volta.


Enquanto caminhavam para a saída do museu, Sehun entrelaçou seus dedos aos de Jongin e, enquanto focava no chão, sorriu bobo ao pensar em seu ato. Jongin o encarou por alguns segundos e aproximou-se mais dele.

— Jongin, o que significa aquela ave que você entalhou para mim?

— Hum?

— Nem vem! Eu sei muito bem que você é ligado nos significados das coisas!

— Ah, bem, aquela ave é um uirapuru. Dizem que os índios acreditam que ele traz fortuna e felicidade para quem o possui. Conheço duas histórias sobre ele, mas não os acho muito felizes.

— Como são essas histórias?

— Bem... A primeira história diz que uma moça chamada Mayra se dava bem com os animais, cuidava deles e tal, e que um dia ela encontrou um pássaro preso em uma armadilha e o soltou. Depois disso apareceu uma velha questionando quem havia soltado o pássaro e a garota diz que foi ela, então a velha a capturou e a levou para sua toca, ou morada, e a transformou em uma pedra. — parou de narrar ao ouvir um riso e cutucou Sehun com o cotovelo, e continuou: — Quando os animais ficaram sabendo o que havia acontecido com Mayra, ficaram em silêncio. O povo de onde Mayra morava estranhou o silêncio da mata e, quando descobriram o que havia acontecido, pediram a Tupã que a transformasse de volta, mas Tupã disse que não poderia transformar a pedra em moça, porém, poderia transformar a pedra em pássaro. Dizem que o significado do nome uirapuru é o pássaro que não é pássaro.

— Me parece um pouco macabro essa história.

— Uhum. Já a segunda história é sobre um índio que era apaixonado pela filha do cacique e que pediu ao deus Tupã que o transformasse em um uirapuru para que a amada pudesse ouvi-lo cantar. Quando o cacique viu o pássaro, ficou encantado por seu canto e correu para dentro da floresta com o intuito de capturá-lo e prendê-lo, mas acabou se perdendo. Todas as noites o pássaro canta para sua amada para que ela possa ouvi-lo e saber que está por perto.

Sehun esperou que Jongin continuasse a história, mas depois de alguns segundos de silêncio, olhou para ele.

— Só isso?

— Só? — riu.

— Não era mais fácil esse índio ir falar com a moça?

— Ela era filha do cacique, não é tão simples assim.

— Ainda bem que você não é filho de cacique, eu não iria querer ter que me transformar em pássaro para poder te namorar.

Jongin revirou os olhos quando Sehun encostou a cabeça em seu ombro, de maneira manhosa, e acariciou seus cabelos.

— Eu não sei como fui gostar de você. Tão bobo.

— Eu sei que eu sou irresistível.

— Uhum. — respondeu irônico.

— Não sei se essas histórias e superstições são reais, mas esse pássaro realmente me trouxe sorte. Eu tenho você.

— Por que você é tão bobo?

Sehun deu risada e tirou sua cabeça do ombro de Jongin.

Quando estavam quase chegando ao portão e viam o guarda os aguardando, ouviram um farfalhar na mata e viram um tatu surgir na estrada onde estavam. Sehun deu um grito e correu rapidamente para o portão. Jongin ficou parado assustado com a reação de, agora, seu namorado e o guarda chorava de rir da cena que presenciara. E o tatu? O tatu os olhava sem entender nada.

10. Juni 2020 20:34:33 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
0
Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Alle 30 Tage.

Über den Autor

GHyun . FICWRITER | VIXX | B.A.P. | MONSTA X | EXO |RANGERS | 07-GHOST | DOCTOR WHO | PERCY JACKSON| Nova cria de Hades | Discípula dos Mosqueteiros, Merlin, Doctor, Master/Missy, Loki, Sherlock Holmes e Alan Poe. Perfil no Spirit: https: //www.spiritfanfiction.com/perfil/ghyun Perfil no Wattpad: https://www.wattpad.com/user/GHyunFox Perfil no AO3: https://archiveofourown.org/users/GHyun/pseuds/GHyun Perfil no Twitter: https://twitter.com/GHyunFox

Kommentiere etwas

Post!
Bisher keine Kommentare. Sei der Erste, der etwas sagt!
~